O post Gerir no Escuro: Por Que Tantos Gestores Trabalham Muito e Decidem Pouco apareceu primeiro em Cloud Coaching.
]]>Pergunte a um gestor como foi o mês. Na maioria das vezes, a resposta vem em forma de sensação: “foi corrido”, “acho que melhorou”, “a equipe está cansada”. Agora pergunte quanto melhorou, comparado a que período, por causa de qual decisão. É nesse ponto que o silêncio aparece.
Esse silêncio raramente é falta de competência. Quase sempre é falta de instrumentos. O gestor trabalha muito, resolve muito, atende muito, mas decide no escuro.
A base que estou chamando de instrumentos não é burocracia. É o mínimo que torna a operação legível: um organograma que deixa claro quem responde pelo quê; descrições de funções com missão, entregas e destinatário; indicadores que separam o que a pessoa faz do que a pessoa entrega; processos escritos; e reuniões com pauta, número e decisão registrada.
Um piloto não voa melhor porque olha o painel, voa melhor porque, olhando o painel, sabe onde está mesmo sem enxergar o horizonte. Sem instrumentos, todo voo depende de céu limpo. E o céu, na operação, quase nunca está limpo.
Quando não existe descrição de função, ninguém sabe exatamente o que se espera dele, e, portanto, ninguém pode ser cobrado com justiça. Quando não existe indicador, o desempenho é avaliado por impressão: quem aparece mais, quem fala mais alto, quem está mais perto do gestor.
A partir daí, todo feedback vira opinião. E opinião se discute. O colaborador não discorda do número, discorda da percepção do chefe. A conversa deixa de ser sobre entrega e passa a ser sobre relação. É assim que nascem os conflitos que consomem semanas da liderança sem produzir um único ponto de melhoria.
Quem não tem informação confiável não decide: adia. E o adiamento tem uma aparência respeitável, chama-se “vamos pensar melhor”, “vamos ver o próximo mês”. Na prática, a empresa inteira fica parada esperando uma decisão que não vem.
O efeito é em cadeia e é previsível: o gestor inseguro centraliza; ao centralizar, vira gargalo; como é gargalo, não tem tempo de estruturar; como não estrutura, continua inseguro. De fora, isso parece apenas “falta de tempo”.
E existe um custo que raramente entra na conta: a paz de quem gerencia. Quem conduz sem base leva para casa a apreensão permanente de que algo está escapando. Férias viram ansiedade, delegar vira risco, desligar o telefone vira imprudência. Quando a estrutura existe, então a lógica se inverte: o gestor passa a ser avisado pelos indicadores, em vez de surpreendido pelos fatos consumados. Isso não é só eficiência, é qualidade de vida.
Empresa que só funciona com o dono olhando não é um negócio: é um emprego muito caro que ele criou para si mesmo.
Porque dá muito trabalho, e merece honestidade dizer isso. Estruturar base é trabalho lento, silencioso e sem aplauso. Ninguém elogia um gestor por ter escrito descrições de funções. O reconhecimento vai para quem resolve o problema visível, não para quem impede que ele aconteça.
Por isso a energia migra para onde há retorno imediato. Fechar a venda dá retorno hoje. Apagar o incêndio dá retorno hoje, e ainda gera reconhecimento. Já planejar, analisar indicadores e pensar dá retorno em seis meses, quase sempre de forma invisível: na forma de um problema que simplesmente não aconteceu. O resultado é que muitos gestores, ao dedicar duas horas para refletir, sentem culpa. Sentem que estão perdendo tempo.
Vamos inverter o cálculo. Quanto custa uma decisão tomada no impulso? Custa a contratação errada desfeita em quatro meses; custa o investimento na área que não era o gargalo; custa a promoção dada a quem parecia entregar; custa o retrabalho de uma equipe inteira porque a prioridade mudou pela terceira vez no mês.
Cada uma dessas decisões consome semanas de trabalho, dinheiro real e desgaste de várias pessoas, e todas poderiam ter sido evitadas por algumas horas de análise antes, não depois.
Um exemplo simples de como o dado muda a conduta: quando os indicadores de esforço estão fortes e os indicadores de resultado estão fracos, o problema não é de empenho, mas sim de estratégia. A pessoa está fazendo muito, e da forma combinada, mas o caminho combinado não leva ao resultado. Sem essa leitura, o gestor faz o que se faz na ausência de dados: cobra mais empenho de quem já está se empenhando. E perde a pessoa e o resultado ao mesmo tempo.
A objeção legítima é: “não tenho como parar tudo para estruturar”. E não precisa. Comece pelo organograma, escreva as descrições de funções de cima para baixo, defina de dois a quatro indicadores por função e, além disso, bloqueie uma hora e meia por semana na agenda, com hora marcada e sem exceção, só para olhar números e decidir. Trate de fato esse compromisso com a mesma seriedade de uma reunião com o maior cliente.
Estruturar a base de gestão não é exercício técnico nem exigência de consultor. É a condição para o gestor deixar de ser refém do próprio negócio. Sem ela, ele lidera por impressão, decide por instinto, trabalha por reação e vive por sobressalto. Com ela, ele conduz, que é uma palavra diferente de correr atrás.
Dá trabalho? Dá. Mas o trabalho de construir a base é finito. O trabalho de viver sem ela, não.
Se este texto te incomodou no lugar certo, vem continuar essa conversa comigo na minha coluna na Cloud Coaching, clique aqui.
Quer saber mais sobre como deixar de gerir no escuro parar estruturar e construir uma gestão capaz de tomar decisões com mais clareza, segurança e direção? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Tudy Vieira
Atua em consultoria de gestão e cultura organizacional, com foco em estruturação de funções, indicadores de desempenho e desenvolvimento de lideranças
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Instagram:@tudyvieira
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]]>O post Progresso Exige Direção. Você Sente Que Está Avançando? apareceu primeiro em Cloud Coaching.
]]>Era início das atividades daquele ano. Mês de fevereiro.
Agenda cheia, muitas reuniões, necessidade de decisões rápidas, projetos em andamento e aquela conhecida sensação de produtividade.
Tudo parecia estar funcionando. As tarefas eram cumpridas no tempo e as demandas atendidas conforme surgiam.
Mas vale uma pergunta:
Muitas entregas, respostas rápidas, agenda ocupada, vários projetos acontecendo ao mesmo tempo, presença em todas as discussões e agilidade nas decisões costumam ser vistos como sinais positivos.
E podem ser.
Mas movimento significa atividade, não necessariamente progresso.
O movimento é visível. É fácil perceber quem está fazendo, resolvendo, respondendo e participando.
Já rever uma rota, reorganizar prioridades, dizer não, parar para pensar ou mudar uma decisão pode parecer atitudes menos produtivas, mas muitas vezes representam escolhas mais maduras.
Porque nem sempre quem faz mais está avançando mais.
Na liderança, isso aparece com frequência.
Líderes centralizam porque acreditam que será mais rápido. Entram em todas as discussões, mantêm projetos simplesmente porque já começaram, respondem antes de investigar e ocupam a agenda com tanta operação que deixam pouco espaço para planejar.
Por isso, precisamos diferenciar movimento de progresso.
Essas perguntas parecem simples, mas mudam o lugar de onde tomamos decisões.
Às vezes, progresso exige reduzir o ritmo, abandonar uma iniciativa, mudar a rota, delegar, esperar mais informações ou simplesmente parar de fazer algo que perdeu sentido.
Isso confronta uma ideia muito presente na vida profissional: a de que avançar significa, necessariamente, fazer mais e mais rápido.
Nem sempre.
Progresso não é quantidade de movimento. É qualidade de direção.
E talvez valha olhar para a própria agenda e perguntar: o que hoje ocupa meu tempo, mas já não move a mim, minha equipe ou o negócio na direção certa?
Quer saber mais sobre por que progresso exige direção e como identificar se você está realmente avançando ou apenas se mantendo em movimento? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Até o próximo artigo!
Valquiria Jorge
Fundadora da Mente & Movimento e cofundadora da RebrandSe
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https://instagram.com/valjorge_menteemovimento
Confira também: E Se Você Estiver Repetindo O Que Queria Deixar para Trás?
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]]>Tenho pensado sobre quanto da realidade que construímos começa na maneira como aprendemos a interpretar a vida. Pensamentos ganham força quando os repetimos, influenciam nossas escolhas e, aos poucos, passam a participar da maneira como nos relacionamos, decidimos e lideramos.
Quando falo em Reconexão Essencial®, parto desse lugar. Interessa-me aquilo que existe de genuíno em cada pessoa e que continua capaz de escolher, mesmo depois de anos repetindo determinadas formas de pensar, sentir e agir.
Reconectar-se com a própria essência significa também assumir escolhas, inclusive aquelas que, em determinado momento, julgamos ruins. O tempo possui uma inteligência interessante: algumas decisões que pareciam equivocadas tornam-se fundamentais quando compreendemos o que aprendemos com elas; outras, defendidas durante anos como certas, perdem o sentido quando nossa consciência muda.
Ninguém assume uma grande responsabilidade de liderança de um dia para o outro. Antes do momento visível da conquista existe uma história composta por decisões, relações, negativas, conflitos, dúvidas, erros, acertos e situações em que foi necessário sustentar uma escolha mesmo sem, de fato, possuir todas as respostas.
Muito antes de uma posição ganhar relevância, já existia alguém aprendendo a influenciar pessoas e sendo influenciado por elas.
Por isso, quando observo um líder, interessa-me compreender a história que o trouxe até ali. Quais pensamentos ajudaram a avançar? Quais continuam sendo repetidos porque um dia foram importantes? E quais se transformaram em fronteiras que hoje podem ser ultrapassadas?
Podemos ampliar responsabilidades, conquistar espaços e continuar respondendo à vida a partir de pensamentos criados por uma versão anterior de nós mesmos.
Quando penso em desenvolvimento humano, meu olhar se volta para aquilo que fomos acumulando ao longo da existência e que continua participando de nossas escolhas. Experiências, afetos, perdas, conquistas, recusas, medos e expectativas ajudam a formar a maneira como interpretamos aquilo que acontece conosco.
Há uma história dentro de cada decisão que tomamos.
Por isso, compreendo a essência como algo que vamos reconhecendo à medida que adquirimos consciência sobre aquilo que pensamos, sentimos, escolhemos e repetimos.
Talvez uma das maiores possibilidades humanas esteja justamente em perceber que posso observar um pensamento antes de transformá-lo automaticamente em verdade.
Posso questionar uma certeza antiga, olhar novamente para uma experiência e assim descobrir outro significado. Posso perceber que determinada reação deixou de representar aquilo que desejo construir e então escolher outra resposta.
O conhecido possui uma enorme capacidade de se apresentar como verdade.
Quando experimentamos outras maneiras de pensar, sentir e agir, criamos assim possibilidades que antes estavam fora do nosso repertório. Uma escolha diferente produz outra experiência. Essa experiência oferece novas informações sobre nós mesmos e aquilo que parecia distante começa então a encontrar espaço na realidade.
É assim que compreendo a transformação: um pensamento percebido de outra maneira pode modificar uma escolha e, quando essa escolha ganha coerência em nossas ações, amplia aquilo que acreditávamos ser possível.
A pessoa que dizia “eu sou assim” talvez descubra que, durante muito tempo, estava apenas dizendo: “foi assim que aprendi a ser”.
Existe uma enorme diferença entre essas duas afirmações.
Nas organizações, uma equipe também revela muito sobre a liderança que experimenta. Ela observa como o líder recebe uma discordância, lida com o erro, distribui confiança, exerce poder, escuta e se posiciona quando a realidade segue por um caminho diferente daquele que havia imaginado.
Os hábitos de uma equipe podem carregar sinais importantes sobre a liderança existente naquele ambiente.
Estudar liderança a partir de conceitos oferece conhecimento. Observar os efeitos que nossa presença produz nas pessoas acrescenta outra dimensão: exige que o líder se inclua naquilo que está tentando compreender.
Para mim, liderança consciente passa por essa disposição de revisitar certezas e perceber quais delas ainda fazem sentido diante da pessoa, da equipe e da realidade que existem hoje.
Vivemos cercados por novas tecnologias, novas formas de trabalhar e novas maneiras de organizar negócios e relações. Ainda assim, podemos responder ao novo utilizando pensamentos antigos.
Desejamos inovação e precisamos abrir espaço para novas formas de pensar. Buscamos confiança enquanto revemos controles. Falamos de autonomia enquanto aprendemos a acolher escolhas diferentes das nossas.
É diante do imponderável que descobrimos quanto daquilo que chamávamos de certeza estava ligado à necessidade de manter o mundo conhecido.
Isso também acontece dentro das empresas.
Um líder que acredita que as pessoas precisam ser constantemente controladas tende a criar estruturas que confirmem essa percepção. Quanto maior o controle, menor pode se tornar o espaço para autonomia. Diante de pessoas cada vez mais dependentes de suas decisões, esse líder acaba encontrando exatamente a realidade que esperava encontrar.
Quando percebemos esse ciclo, ganhamos a possibilidade de criar outro movimento. Uma pergunta diferente pode produzir outra conversa. Outra conversa pode revelar uma capacidade ainda pouco percebida. A confiança experimentada pode gerar responsabilidade e transformar a percepção inicial.
É por isso que acredito que mudar um pensamento pode participar da transformação de uma vida e, quando falamos de liderança, alcançar também a vida de outras pessoas.
Pensamentos influenciam escolhas. Escolhas sustentam comportamentos. Comportamentos interferem nas relações. E relações ajudam a construir a cultura que experimentamos todos os dias dentro das organizações.
Uma mudança que começa em uma pessoa pode, portanto, alcançar muito além dela.
Foi dessa compreensão que nasceu o Ecossistema Reconexão Essencial®.
Ao longo de minha trajetória acompanhando líderes, executivos, equipes e organizações, fui percebendo um movimento recorrente: algo precisava ser percebido, explorado, transformado e integrado à vida.
Dessa observação surgiram quatro movimentos: Despertar, Explorar, Transformar e Integrar.
Eles se relacionam e acompanham o próprio ritmo da experiência humana. Podemos despertar para algo que acreditávamos já ter integrado, transformar um comportamento e, diante de uma nova circunstância, descobrir outra dimensão que merece ser explorada.
Aquilo que acontece dentro de uma pessoa alcança suas relações. As relações influenciam os ambientes. Os ambientes participam da cultura. A cultura interfere nas escolhas das pessoas e nos resultados que uma organização consegue produzir.
O líder influencia o sistema e o sistema também modifica o líder.
Reconectar-se com a própria essência significa, para mim, recuperar autoria sobre aquilo que ainda pode ser construído. Significa reconhecer a história, ampliar possibilidades, perceber pensamentos e escolher quais deles ainda merecem ser alimentados; assumir escolhas, aprender com elas e escolher novamente.
Acredito em líderes capazes de olhar para resultados e enxergar as pessoas que os tornam possíveis. Acredito em organizações nas quais consciência, prosperidade e realização possam ocupar a mesma conversa. E acredito na responsabilidade que cada pessoa possui sobre a realidade que ajuda a construir.
Talvez seja justamente aí que a transformação de uma liderança comece: na capacidade de perceber aquilo que pensamos antes que nossos pensamentos decidam, silenciosamente, a maneira como continuaremos agindo.
E deixo uma pergunta que também faço a mim mesma: Que parte da sua liderança pertence à consciência que você possui hoje e que parte ainda responde à pessoa que você precisou ser no passado?
Reconexão Essencial® — consciência que se transforma em escolha e ganha expressão na vida e na liderança.
Quer saber mais sobre como desenvolver uma liderança consciente, reconhecer quais pensamentos ainda orientam suas escolhas e transformar aqueles que já não representam quem você é hoje? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Até o próximo artigo.
Cristiane Maziero
Escritora, autora do livro Alma de Líder e criadora do Ecossistema Reconexão Essencial®. Atua há mais de duas décadas com desenvolvimento humano, liderança e cultura organizacional, acompanhando líderes, executivos, equipes e organizações.
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]]>O post Talvez Não Seja o Seu Sonho Que Seja Grande Demais, Mas Sim O Preço Emocional de Realizar Seus Sonhos apareceu primeiro em Cloud Coaching.
]]>Não quero falar aqui sobre constância, resiliência, continuar a fazer o que precisa ser feito para chegar onde se quer chegar. Tudo isso é muito válido sim, nobre, e principalmente: real. Mas porque existem pessoas que mesmo se dedicando tanto, ainda tem dificuldade em ter os resultados que deseja?
O preço emocional é muito maior que o físico, financeiro, ou até mesmo de tempo. O desgaste emocional que uma pessoa passa para atingir o sucesso, vem de encarar que nem sempre vai ter estômago. E nem sempre estará pronta para o próximo passo.
Muitas vezes ouvimos que o sucesso é solitário, e sim, muitas pessoas não vão nos acompanhar. E pode ser que você já esteja bem com essa informação, pode ser que você já tenha colocado cada pessoa no seu papel em relação a sua vida, as suas escolhas. Mas e quando você esquece de colocar qual o seu próprio papel na vida delas?
Quantas vezes você não deixou de se impor, falar o que pensa, dizer não quando simplesmente não está a fim, só porque não queria passar pelo desconforto de descobrir como o outro iria reagir.
Pois é no desconforto real que mora o crescimento. Justamente esse que você pensou agora, mas não tem nem coragem de assumir.
A dor às vezes é tão profunda que arrumamos mil justificativas e desculpas, todas com muito sentido, racionais e possíveis, para não encarar o que de fato nos machuca, nos paralisa, nos deixa irracionais por um momento.
E não tem nada de errado com esse momento. Sinta a dor, deixe ela existir, mas saiba de onde ela vem, e por quanto tempo você vai querer ficar nesse lugar: o lugar de vítima.
Ignorar quem você é e o que você sente, tentar se transformar em outra pessoa completamente diferente, só gera frustração e ainda mais dor, pois não há autoaceitação, autoperdão, autocompaixão, autoestima, autoconfiança, e por aí vai…
Agora, quando você entende que sim, às vezes você vai se sentir sozinho e abandonado, e você não vai nem conseguir enxergar o apoio das pessoas ao seu redor, porque esse apoio não veio da forma que você esperava, o jogo todo muda!
Quando você entende que às vezes suas ideias mirabolantes vão sim parecer ridículas para muitas pessoas, e que essas ideias vão sim ser rejeitadas, e que isso não tem nada a ver com você, mas apenas com aquelas ideias específicas, você perde o medo de compartilhar o que pensa! Perde o medo de ser você mesmo.
E tem ainda aquelas situações superdesconfortáveis onde você sente até dor de cabeça. Isso porque você não tem controle nenhum sobre a situação e as pessoas envolvidas. Aqui, por medo de ser manipulado, você acha que tem que fazer tudo sozinho e do seu jeito, e deixa de crescer porque não consegue confiar, e compartilhar com o outro!
E existem ainda aquelas pessoas, ou uma parte de nós (algumas pessoas uma parte maior, outras menor), em que achamos que temos que ser úteis e necessários, ou seremos descartados. Que para gerar valor, temos que fazer tudo, resolver todos os problemas, carregar todo mundo nas costas. Não só porque conseguimos (haja energia!), mas porque não suportamos lidar com o que o outro vai pensar de nós: egoísta, preguiçoso, irresponsável, incompetente…
E tudo isso a que custo? Da nossa própria saúde, dos nossos próprios sonhos…
E tem uma parte de nós que é super ativa, cheia de energia, garra e conquista muitas vitórias. Mas o preço nesse caso para ir ainda mais longe, seria aceitar que nem sempre você vai ganhar, nem sempre você vai ser o melhor, vai ser o primeiro, o perfeito. Mas isso não define quem você é.
Esse é o ponto. Você AINDA não sabe, ainda tem o que aprender, e a vida é uma curva de aprendizagem. Aprenda a ser gentil consigo mesmo e curtir a jornada, isso vai fazer toda a diferença.
Com tudo isso, o que quero te dizer é que: vale a pena arriscar mais! Vale a pena o desconforto, enfrentar a resistência, e ver que no final: você pode, de fato, conquistar aquilo que tanto diz querer!
Deseje de coração, se prepare com a mente, e encare o desafio com a alma. É aí que está o verdadeiro caminho do que podemos chamar de sucesso, ou para mim, de felicidade.
Quer saber mais sobre como identificar o que está impedindo você de enfrentar o preço emocional de realizar seus sonhos e conquistar aquilo que realmente deseja? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Até o próximo artigo!
Sarah Martins
Mentora de Autoliderança, Desenvolvimento Humano e Inteligência Emocional
http://linkedin.com/in/sararmartins
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]]>“Acho chique.” “Acho prático.”
As expressões ganharam as redes sociais e viraram uma maneira divertida de falar sobre preferências. Eu acho chique isso. Acho prático aquilo. Não gosto daquilo outro.
Quando estamos falando de escolhas pessoais, perfeito. O problema começa quando o “eu acho” entra na empresa e passa a orientar decisões de atendimento, marketing e vendas.
Talvez você já tenha ouvido ou repetido alguma dessas frases em uma reunião.
E não há nada de errado em acompanhar tendências, observar concorrentes ou usar nossa própria experiência para gerar ideias. O problema é transformar referência em estratégia de vendas sem fazer uma pergunta essencial: Isso ajuda o nosso cliente a comprar?
Porque empresa precisa vender. Precisa gerar receita, margem, recorrência. E colocar o cliente no centro não significa esquecer o resultado do negócio. Pelo contrário: significa aumentar nossa capacidade de gerar resultado entendendo melhor o que faz alguém comprar, permanecer e voltar.
Observar o concorrente é importante, ficar atento a boas práticas pode encurtar caminhos, trazer ideias e mostrar possibilidades que ainda não enxergamos.
Mas existe uma diferença enorme entre observar uma prática e compreender por que ela funciona.
Imagine que um concorrente começou a vender pelo WhatsApp e aparentemente está tendo bons resultados. A reação mais rápida pode ser: “Precisamos fazer isso também”.
Talvez precisemos. Mas talvez não.
A pergunta mais interessante é: por que o WhatsApp funcionou tão bem para aquele concorrente?
Foi o canal em si que fez a diferença? Ou ele funcionou porque estava alinhado ao comportamento daquele público? Talvez os clientes buscassem mais agilidade, precisassem conversar antes de decidir ou então já tivessem o hábito de comprar por mensagem.
Perceba a diferença. Copiar a prática é simplesmente abrir um canal no WhatsApp porque o concorrente fez.
Compreender o princípio é entender o que fez aquela estratégia de vendas funcionar para ele e avaliar se a mesma necessidade existe, de fato, entre os nossos clientes.
O mesmo acontece com promoções, campanhas, programas de fidelidade, automações, vídeos, inteligência artificial, scripts de vendas e praticamente qualquer tendência que apareça no mercado.
Não existe boa prática sem contexto.
Existe ainda outra armadilha. O concorrente influencia nossas decisões, mas nossas próprias preferências também.
O problema está justamente na primeira palavra: eu.
Nós não somos necessariamente nossos clientes.
Aquilo que parece prático para nós pode representar esforço para eles. O que consideramos atendimento excelente pode ser excesso de contato. Uma automação pode representar eficiência para um público e frieza para outro. Um desconto pode acelerar a decisão de compra ou apenas diminuir a margem de uma venda que aconteceria de qualquer maneira.
Por isso, talvez uma das mudanças mais importantes para uma empresa que quer vender melhor seja substituir o “eu acho” pelo “o que meu cliente demonstra?” E demonstrar é diferente de apenas dizer.
Está nas perguntas que aparecem antes da compra, nas objeções, nos abandonos, nas conversas com vendedores, nas reclamações, na recompra, no tempo necessário para fechar uma compra e, principalmente, naquilo que efetivamente faz o cliente avançar.
Esse talvez seja um dos pontos mais importantes dessa conversa. Nem tudo que gera movimento gera resultado comercial.
Uma campanha pode ter milhares de visualizações e não trazer compradores. Um canal pode receber centenas de mensagens e gerar poucas vendas. Uma promoção pode aumentar o faturamento e destruir margem. Uma equipe pode produzir dezenas de propostas e fechar poucas delas.
Visualização é movimento. Mensagem é movimento. Reunião é movimento. Proposta é movimento.
Mas empresa vive de resultado.
Por isso, antes de adotar uma tendência ou reproduzir uma estratégia de vendas que parece estar funcionando para alguém, precisamos conectar a ideia ao comportamento que queremos provocar no NOSSO cliente:
Quando essas respostas não estão claras, existe uma boa chance de estarmos fazendo alguma coisa apenas porque achamos chique.
Então, como transformar tudo isso em prática?
Na próxima vez que surgir uma ideia, seja porque está em alta, porque o concorrente faz ou simplesmente porque alguém da empresa acredita que seria interessante, experimente passar essa decisão por quatro perguntas:
Se não conseguimos identificar o problema, talvez estejamos criando uma solução à procura de um problema.
Vai facilitar a descoberta? Diminuir uma objeção? Ajudar na comparação? Facilitar a decisão? Melhorar o pós-venda e aumentar a chance de recompra?
Mais contatos não é uma resposta suficiente. Queremos mais contatos qualificados? Mais propostas aceitas? Mais recompras? Menos abandono?
Conversão, ticket médio, margem, recompra, tempo de fechamento, avanço entre etapas? Escolha o indicador que esteja diretamente relacionado ao objetivo daquela ação.
É aqui que opinião começa a virar, de fato, uma estratégia de vendas.
Escolha uma única ação que sua empresa realiza hoje.
Pode ser uma promoção, uma abordagem comercial, um canal de atendimento, uma sequência de mensagens, uma automação, um conteúdo ou até uma etapa do processo de vendas.
Agora pergunte:
Depois escolha um indicador comercial e acompanhe o resultado.
Converse também com alguns clientes. Pergunte o que facilitou a compra, onde tiveram dúvida, o que quase os fez desistir e o que poderia tornar a decisão mais simples.
Talvez você descubra que aquela ação realmente funciona, descubra que precisa ser ajustada ou, melhor ainda, perceba que sua equipe está investindo tempo, dinheiro e energia em algo que produz muito movimento e pouca venda.
A inteligência comercial não está em acertar todas as ideias de primeira, mas está em testar, ouvir, medir, aprender e ajustar.
Por isso, acompanhar tendências continua sendo importante. Observar concorrentes também. Tecnologia pode aumentar nossa produtividade e inteligência. Nossa experiência continua tendo valor.
Mas cada uma dessas coisas ocupa um lugar diferente na decisão.
Talvez seja esse o verdadeiro equilíbrio entre colocar o cliente no centro e colocar receita no caixa. Não precisamos parar de perguntar o que é chique, o que é prático ou o que está funcionando no mercado. Precisamos apenas acrescentar duas perguntas.
Na próxima reunião, quando alguém disser: “Acho que deveríamos fazer isso também”, em vez de aceitar ou descartar a ideia imediatamente, então pergunte:
E, logo depois:
Porque tendência pode chamar atenção. Concorrente pode inspirar. Nossa experiência pode gerar boas ideias, mas, no final, quem precisa achar bom é o cliente e quem precisa sentir o resultado é o caixa.
Quer saber mais sobre como transformar o “eu acho” em uma estratégia de vendas baseada no que seu cliente realmente demonstra e no que gera de fato resultados? Então, entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Até o próximo mês!
Renata Cristina Paulino
https://www.linkedin.com/in/renatapaulino/
Confira também: Quando Responder Deixa de Ser Suficiente
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]]>O post O Novo Helenismo Digital: Como a Geração da Inteligência Artificial Repete os Erros do Passado apareceu primeiro em Cloud Coaching.
]]>Olhamos para os jovens de hoje e sentimos um desconforto que poucos ousam nomear. Eles têm acesso a mais informação do que qualquer geração anterior — e, paradoxalmente, parecem pensar menos. São ágeis com os dedos, mas hesitantes diante de uma decisão moral. Conectados em rede, mas isolados na capacidade de responder por si mesmos. Deixam o planeta com uma pergunta que ecoa silenciosamente: que mundo estamos construindo com mãos que não querem segurar o peso da responsabilidade?
Não se trata de um lamento saudosista. É uma constatação clínica, psicológica, cognitiva — e, ouso dizer, espiritual.
Ao observar esse fenômeno, sou tomado por uma sensação de déjà-vu histórico. No século II a.C., o mundo helenístico — sob o domínio grego — impôs aos jovens judeus um dilúvio de ideias, filosofias e estilos de vida que colidiam frontalmente com sua tradição. A cultura grega era sedutora: oferecia liberdade intelectual, novas formas de pensar, uma estética deslumbrante. Muitos jovens judeus se deixaram levar. Abandonaram os costumes de seus pais. Trocaram a lei mosaica pelo pensamento estoico. Preferiram o ginásio grego à sinagoga.
O resultado? Uma geração que flutuava entre dois mundos, sem âncora firme em nenhum. Conheciam os conceitos, mas não os internalizavam. Repetiam discursos, mas não formavam caráter.
Soa familiar?
Hoje, o papel da Grécia antiga é desempenhado por algo ainda mais invasivo: a cultura digital. Não são soldados com lanças que cruzam fronteiras — são algoritmos que atravessam telas. As ideias não chegam por navios, mas por notificações. E a sedução não vem de deuses mitológicos, mas de uma inteligência artificial que entrega respostas prontas, eliminando o esforço de pensar.
O jovem tecnológico de 2026 não precisa memorizar: o Google lembra por ele. Não precisa argumentar: o ChatGPT redige. Não precisa refletir sobre valores: o feed define o que é certo ou errado pelo número de curtidas. A cognição está sendo terceirizada, e com ela, a alma.
Do ponto de vista cognitivo, estamos diante de um fenômeno preocupante: a atrofia do pensamento crítico. O cérebro, como qualquer músculo, se desenvolve pelo esforço. Quando oferecemos respostas instantâneas a cada pergunta, eliminamos o processo — doloroso, mas necessário — de construir um raciocínio. O jovem deixa de perguntar “por quê?” e passa a aceitar “o que o algoritmo me mostrou”.
A primeira trincheira dessa batalha é o lar. A educação familiar sempre foi o espaço onde os valores são transmitidos não por discursos, mas pelo exemplo vivido. Uma criança que vê os pais dialogando, discordando com respeito e assumindo responsabilidades aprende, por osmose, o que significa ser um adulto íntegro.
No entanto, a família moderna delegou à tela a função de educar. O smartphone virou a babá digital, o YouTube virou a escola paralela, e o TikTok virou o conselheiro moral. Os pais, exaustos pela própria sobrecarga digital, perderam o hábito do diálogo profundo à mesa. As conversas se tornaram funcionais: “fez a lição?”, “jantou?”, “está usando o notebook?” — e não mais: “o que você pensa sobre isso?”, “por que agiu assim?”, “qual foi a consequência das suas escolhas?”.
Psicologicamente, a ausência desse diálogo formativo gera jovens que sabem operar sistemas, mas não sabem operar a própria consciência. Eles têm facilidade técnica, mas dificuldade ética.
A escola, por sua vez, enfrenta seu próprio dilema. Pressionada a preparar os alunos para um mercado de trabalho incerto, optou por um pragmatismo pedagógico que valoriza habilidades técnicas (“hard skills”) em detrimento da formação humanística.
O jovem aprende a programar, mas não aprende a interpretar um texto filosófico. Domina planilhas, mas não consegue articular um argumento moral. Sabe usar inteligência artificial para gerar relatórios, mas não desenvolveu a inteligência emocional para gerenciar um conflito.
Do ponto de vista cognitivo, a escola que não ensina pensamento divergente — a capacidade de considerar múltiplas perspectivas, de duvidar, de questionar — está formando gerações de executores de tarefas, não de líderes de pensamento. E o pior: está treinando jovens para serem consumidores de respostas, não formuladores de perguntas.
Os valores não desaparecem de repente. Eles se desgastam como rochas expostas ao vento — milimetricamente, dia após dia. O que temos testemunhado é a erosão de valores fundamentais:
A inteligência artificial acelera esse processo ao criar um ambiente onde tudo pode ser simulado, gerado, modificado. Se um texto pode ser escrito por IA, se uma imagem pode ser criada por comando, se uma opinião pode ser fabricada por um modelo de linguagem — o que ainda é real? O que ainda é seu?
Essa crise de autenticidade tem um custo psicológico profundo: a dificuldade de formar uma identidade sólida. O jovem contemporâneo constrói o self como um mosaico de referências fragmentadas, sem a coesão interna que só a tradição e a reflexão continuada podem proporcionar.
Jean Piaget nos ensinou que o desenvolvimento cognitivo passa por estágios, e que o pensamento abstrato — a capacidade de lidar com hipóteses, consequências e sistemas morais — é o ápice desse processo. Esse estágio, chamado de operatório formal, exige prática. Exige que o jovem seja confrontado com problemas abertos, dilemas éticos, situações sem resposta pronta.
O que a cultura digital faz é encurtar esse estágio. Oferece respostas antes mesmo de a pergunta ser formulada. O jovem não precisa elaborar hipóteses — a inteligência artificial e o algoritmo já oferecem caminhos por ele. Não precisa avaliar consequências — a interface já exibe o resultado mais provável.
Viktor Frankl, psiquiatra sobrevivente do Holocausto, apontou que a maior necessidade humana é encontrar sentido. Uma geração que terceiriza o pensamento também terceiriza a busca por propósito. E uma vida sem propósito é uma vida vazia — que pode ser preenchida por qualquer coisa, do consumo compulsivo ao radicalismo virtual.
Do ponto de vista psicológico, observamos um aumento preocupante de:
A preocupação com o futuro do planeta não é apenas ambiental — é existencial. Uma geração que não desenvolve o pensamento de longo prazo, que não assume responsabilidade pelas consequências de seus atos, dificilmente fará as escolhas difíceis que a crise climática exige.
O jovem que aprendeu que tudo pode ser resolvido com um aplicativo tende a acreditar que a tecnologia salvará o planeta sem que ele precise mudar seus hábitos. É a ilusão tecnocrática: a crença de que um novo invento virá nos resgatar, sem que precisemos renunciar a nada.
Mas a história — e a psicologia — nos mostram o contrário. Mudanças reais exigem sacrifício, consciência e responsabilidade coletiva. Três atributos que estão em franco desabastecimento.
Não escrevo este artigo como um diagnóstico terminal. Escrevo como um alerta, mas também como um convite à ação. Toda crise é também uma oportunidade de despertar.
A inteligência artificial não é, em si mesma, uma ameaça. Ela é uma ferramenta. O problema não é a tecnologia — é a ausência de uma educação que forme pessoas capazes de usá-la com sabedoria.
Se o período helenístico nos ensinou algo, foi que a resistência cultural consciente é possível. Muitos jovens judeus cederam à sedução grega — mas outros não. O movimento fariseu, que nasceu exatamente nesse período, foi uma resposta de resistência e reinterpretação criativa da tradição. Eles não se isolaram do mundo helenístico; aprenderam a navegá-lo sem perder a essência.
Essa resistência consciente é possível hoje?
A maior preocupação do mundo atual não é a inteligência artificial. É a inteligência humana que está sendo subutilizada. É o jovem que sabe operar máquinas, mas não sabe operar a própria vida. E é a geração que pode conversar com chatbots, mas não consegue dialogar com o pai.
Voltamos ao helenismo, sim — mas com uma diferença crucial: os gregos antigos ofereciam filosofia; nossa era oferece distração. E a distração, diferentemente da filosofia, não forma ninguém.
O mundo do futuro será exatamente o que esta geração fizer dele. Se continuarmos delegando o pensamento às máquinas e a responsabilidade aos algoritmos, teremos um mundo eficiente, mas vazio. Rápido, mas superficial. Conectado, mas solitário.
A alternativa — uma geração que pensa, escolhe e responde por si — não depende de tecnologia. Depende de nós.
“O analfabeto do século XXI não será aquele que não sabe ler e escrever, mas aquele que não sabe aprender, desaprender e reaprender.” — Alvin Toffler
Gostou do artigo?
Quer saber mais sobre como a inteligência artificial pode impactar o pensamento crítico, a autonomia e a formação das novas gerações? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Um abraço e até a próxima!
Iússef Zaiden Filho
Advogado, Mestre em Educação, Psicanalista e Especialista em Psicologia Comportamental
http://www.izfcoaching.com.br/
Confira também: Transtornos Psicoadaptativos: A Alma em Busca de Sentido na Era Digital
Bibliografia Consultada Contexto Histórico — Helenismo e Judaísmo 1. DODDS, E. R. Os Gregos e o Irracional. São Paulo: Editora Escuta, 2002. → Base para a compreensão da mentalidade helenística e seu impacto psicológico sobre outros povos. 2. HENGEL, Martin. Judaism and Hellenism: Studies in Their Encounter in Palestine During the Early Hellenistic Period. London: SCM Press, 1974. → Obra clássica sobre o conflito cultural entre o judaísmo e o pensamento grego no período helenístico. 3. JOSEFO, Flávio. História dos Hebreus. Rio de Janeiro: CPAD, 2000. → Fonte primária sobre o período dos Macabeus e a resistência judaica à helenização. 4. TCHERIKOVER, Victor. Hellenistic Civilization and the Jews. Philadelphia: Jewish Publication Society, 1959. → Análise detalhada da influência grega sobre os jovens judeus e o movimento fariseu. 5. EQUIPE TEOLÓGICA PENKAL: Período Interbíblico – A História por trás dos 400 anos de silêncio entre os testamentos - 2025 Psicologia Cognitiva e do Desenvolvimento 1. PIAGET, Jean. O Nascimento da Inteligência na Criança. Rio de Janeiro: Zahar, 1970. → Referência central para o conceito de estádios do desenvolvimento cognitivo e a importância do pensamento abstrato (operatório formal). 2. PIAGET, Jean. Seis Estudos de Psicologia. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1967. → Discussão sobre a formação do juízo moral e a construção do pensamento crítico. 3. VYGOTSKY, Lev S. Pensamento e Linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1989. → Complemento essencial sobre como o ambiente cultural e as interações sociais moldam o desenvolvimento cognitivo — diretamente relacionado à influência digital sobre a juventude. 4. KAHNEMAN, Daniel. Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012. → Base para a compreensão dos vieses cognitivos e como o pensamento intuitivo (Sistema 1) tem sido superestimulado pela cultura digital, em detrimento do pensamento reflexivo (Sistema 2). Psicologia Existencial e Sentido da Vida 1. FRANKL, Viktor E. Em Busca de Sentido: Um Psicólogo no Campo de Concentração. Petrópolis: Vozes, 2008. → Fundamento da tese central sobre a necessidade de sentido como motor psicológico fundamental — e o vazio existencial gerado por sua ausência. 2. FRANKL, Viktor E. A Psicoterapia na Prática. São Paulo: É Realizações, 2010. → Aprofundamento sobre a logoterapia e o conceito de "vazio existencial" aplicado à sociedade contemporânea. Sociedade Digital, Cognição e Educação 1. CARR, Nicholas. A Geração Superficial: O Que a Internet Está Fazendo com Nossos Cérebros. Rio de Janeiro: Agir, 2011. → Análise empírica sobre como o ambiente digital altera os padrões de leitura, atenção e pensamento crítico. 2. WOLF, Maryanne. O Cérebro no Mundo Digital: Os Desafios da Leitura na Nossa Era. São Paulo: Contexto, 2019. → Estudo neurocientífico sobre os impactos da leitura em tela versus leitura profunda no desenvolvimento cognitivo infantil e juvenil. 3. BAUMAN, Zygmunt. Modernidade Líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001. → Referência para o conceito de fluidez das identidades e valores na contemporaneidade. 4. HAN, Byung-Chul. A Sociedade do Cansaço. Petrópolis: Vozes, 2015. → Análise psicológica e filosófica sobre a sociedade do desempenho, a hiperestimulação e a erosão da atenção sustentada. 5. TURKLE, Sherry. Alone Together: Why We Expect More from Technology and Less from Each Other. New York: Basic Books, 2011. → Pesquisa sociológica sobre como a conectividade digital enfraquece a intimidade e a responsabilidade relacional. 6. POSTMAN, Neil. O Desaparecimento da Infância. Rio de Janeiro: Graphia, 2002. → Reflexão sobre como a mídia digital encurta o período de formação moral e cognitiva da infância e adolescência. Ética, Inteligência Artificial e Futuro 1. BOSTROM, Nick. Superinteligência: Caminhos, Perigos, Estratégias. Rio de Janeiro: Darkside Books, 2018. → Discussão sobre os riscos existenciais da inteligência artificial e a necessidade de alinhamento ético. 2. FLORIDI, Luciano. A Quarta Revolução: Como o Infosfera Está Redefinindo a Realidade Humana. Lisboa: Relógio d'Água, 2017. → Base para a discussão sobre como a informação e os algoritmos reconfiguram a identidade pessoal e a tomada de decisão. 3. HARARI, Yuval Noah. Sapiens: Uma Breve História da Humanidade. Porto Alegre: L&PM, 2015. → Contexto macro-histórico sobre as revoluções cognitivas e tecnológicas da humanidade. 4. MORIN, Edgar. Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro. São Paulo: Cortez / UNESCO, 2000. → Inspiração direta para a proposta final do artigo: uma educação que ensine a pensar, não apenas a operar. 5. PAPA LEÃO XIV: Magnifica Humanitas – sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial – Carta encíclica- 2026
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]]>Essa é uma daquelas frases que atravessaram décadas, livros, palestras e diferentes linhas de desenvolvimento humano.
Eu acredito nela. Porque eu acredito na nossa capacidade de criar possibilidades, ampliar caminhos, rever limites internos e construir uma vida muito maior do que aquela que um dia imaginamos ser possível.
Quanto mais estudo e vivo a prosperidade, mais percebo que essa frase precisa de contexto.
Ter tudo o que queremos não garante que saibamos viver bem com aquilo que conquistamos. E uma conversa mais madura sobre prosperidade começa quando colocamos ao lado dos nossos desejos uma pergunta necessária:
Qual é o preço da vida que eu digo que quero? Estou disposto a pagar esse preço?
Imagine uma pessoa que deseja ganhar muito dinheiro, viajar várias vezes por ano, ter uma vida social ativa, construir uma relação amorosa saudável, estar presente na vida dos filhos, cuidar do corpo, dormir bem, estudar, crescer profissionalmente, desenvolver sua espiritualidade, cultivar boas amizades e, além de tudo isso, ainda ter tempo para simplesmente não fazer nada.
Cada um desses desejos é possível quando olhado separadamente. Quando tentamos acomodar todos dentro das mesmas 24 horas, então a realidade começa a pedir escolhas.
Ganhar mais dinheiro pode exigir mais dedicação ao trabalho, responsabilidade, estudo ou disponibilidade.
Viajar frequentemente pede recursos, organização e espaço na agenda.
Uma vida social ativa pede presença.
Saúde pede sono, alimentação, movimento e cuidado.
Relacionamentos consistentes pedem tempo.
Uma carreira sólida pede escolhas.
Uma vida interior cultivada também.
Até o descanso ocupa um espaço que precisa ser respeitado.
Cada uma dessas coisas pode caber numa vida, mas cada uma pede algo de nós.
É isso que costumo chamar de pagar o preço.
O preço a que me refiro é consequência. Porque toda escolha utiliza recursos: tempo, energia, dinheiro, atenção, presença. Quando direcionamos mais energia para uma área, precisamos reconhecer o que isso representa para as demais.
Por isso, gosto de acrescentar uma pergunta ao “eu posso ter isso?”:
Estou disposto a pagar o preço necessário para que eu possa sustentar isso na minha vida?
Há algo delicado na maneira como aprendemos a imaginar uma vida próspera.
Criamos uma referência alta para a carreira, outra para o dinheiro, outra para o corpo, para os relacionamentos, para as viagens, para a vida social, para a família. Aos poucos, reunimos todas essas imagens e passamos a esperar que coexistam.
Quando não conseguimos sustentar tudo, podemos concluir que estamos falhando.
Essa é uma das distorções que a ideia de “ter tudo” pode produzir: a expectativa de viver todas as dimensões da vida em sua potência máxima e ao mesmo tempo.
A vida tem fases.
Existem períodos em que o trabalho pede mais de nós. Outros em que a família ocupa o centro. Há momentos em que o corpo pede recolhimento, fases de expansão, períodos em que o dinheiro precisa receber mais atenção e outros em que escolhemos reduzir o ritmo.
Prosperidade também tem ritmo.
Durante muitos anos, nossa ideia de prosperidade esteve fortemente associada ao que conseguimos acumular, conquistar ou demonstrar. Dinheiro, patrimônio, reconhecimento, experiências, resultados.
Tudo isso pode fazer parte de uma vida próspera, mas a prosperidade que me interessa inclui também a maneira como vivemos aquilo que conquistamos.
É aqui que entra o conceito de Prosperidade Integral.
Prosperidade integral significa reconhecer o que compõe uma vida próspera para você e encontrar harmonia entre as suas escolhas.
Essa compreensão torna a prosperidade profundamente pessoal.
Uma pessoa pode escolher trabalhar intensamente durante determinado período porque existe um projeto importante sendo construído.
Outra pode ganhar menos porque deseja preservar mais tempo com a família.
Alguém pode morar em uma casa menor para que possa viajar mais.
Outra pessoa pode viajar menos porque encontra enorme prazer na vida que construiu onde está.
A prosperidade aparece na coerência entre aquilo que valorizamos e a maneira como escolhemos viver.
Existe uma pergunta que gosto especialmente de fazer quando falamos sobre desejos: Para que você quer isso?
Quando investigamos o para quê, começamos a enxergar a experiência interna que associamos a cada conquista, e essa percepção pode, de fato, mudar profundamente a nossa relação com o desejo.
Porque, muitas vezes, passamos anos buscando uma determinada conquista para finalmente experimentar uma sensação que já poderia estar sendo cultivada, em alguma medida, na vida que temos hoje.
Podemos…
Reconhecer o que já existe não reduz nossos desejos, mas dá a eles um lugar mais saudável dentro da vida.
Podemos agradecer profundamente pelo que temos e continuar desejando mais. Amar a casa onde moramos e sonhar com outra. Reconhecer o valor do nosso trabalho e desejar ganhar melhor. Desfrutar a vida de hoje enquanto construímos uma realidade diferente para amanhã. Nesse contexto, o “posso ter tudo” se encaixa perfeitamente para mim.
Quando aprendemos a reconhecer, o futuro deixa então de ser o único lugar onde depositamos a possibilidade de felicidade.
Ao longo da vida, criamos algumas frases internas:
E assim a vida pode passar enquanto esperamos pela próxima condição.
Por isso, acredito que prosperidade envolve liberar algumas das certezas que acumulamos sobre aquilo de que precisamos para ser felizes.
Nossos sonhos podem nos mobilizar, inspirar, ampliar nossa experiência e abrir novas possibilidades. Mas podem coexistir com a capacidade de estar presente na vida que já temos.
Quando olho novamente para a frase que abriu este texto, continuo acreditando nela:
“Você pode ter tudo o que quiser.”
Hoje, porém, antes de perguntar se posso ter tudo, quero compreender o que estou chamando de tudo.
Para mim, prosperidade integral tem muito a ver com isso: expandir sem perder a capacidade de reconhecer.
Continuar criando, crescendo, realizando e desejando. Olhar para a própria vida com presença suficiente para perceber o que já existe nela de precioso.
Porque podemos passar anos reunindo as condições que associamos à felicidade e, durante esse percurso, consumir recursos igualmente preciosos: tempo, presença, saúde, relações, paz interior, vida.
Por isso, continuo acreditando que você pode ter tudo o que quiser.
Só não aceite a ideia de que precisa de tudo isso para ser feliz. Você já tem o que precisa. Preste atenção e verá!
Se esta reflexão fez sentido para você, então convido você a continuar essa jornada comigo pelo Instagram: @shirleybrandaooficial.
Quer saber mais sobre como a prosperidade integral pode ajudar você a compreender o que realmente significa ter tudo, fazer escolhas conscientes, bem como construir uma vida que faça sentido? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Com carinho,
Shirley Brandão
Mentora em Desenvolvimento Humano há 37 anos · Terapeuta e Mentora do Método Louise Hay
https://shirleybrandao.com.br/
@shirleybrandaooficial
Confira também: A Fé que Permanece Quando Tudo Parece Vacilar
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]]>Há um provérbio que diz: ”Tempo é dinheiro”. Prefiro considerar essa possibilidade: “Comunicação é dinheiro”, ou melhor se devidamente utilizada, a boa comunicação gera (ou pode destruir) riqueza nas organizações.
A estatística é conhecida dos especialistas, mas ignorada por alguns executivos: Os prejuízos causados por falhas de comunicação nas empresas alcançam cifras extraordinárias e a dificuldade é que essas perdas raramente são identificadas como “problemas de comunicação”. Elas se disfarçam de retrabalho, de rotatividade de pessoal, de negociações perdidas, de prazos estourados, de clientes insatisfeitos que nunca voltam e nunca explicam o motivo. Se um auditor pudesse isolar a linha “custo da comunicação inadequada” no demonstrativo financeiro de qualquer empresa de médio e grande porte, encontraria valores que variam entre dezenas e centenas de milhões de reais por ano.
A comunicação é tida como o único ativo que todos possuímos, mas poucos sabem aplicar. Ela não aparece como linha no balanço patrimonial, não consta no DRE como despesa direta, nem é auditada pelos grandes escritórios de consultoria e, no entanto, é responsável por mais perdas e mais ganhos do que qualquer outra variável mensurável na vida empresarial. Quando alguém diz que comunicação é uma soft skill, está, na verdade, cometendo um reducionismo perigoso: trata-se de uma competência que, isoladamente, pode determinar se uma organização prospera ou não.
De acordo com a Society for Human Resource Management (SHRM), dificuldades de comunicação custam às grandes empresas, em média, US$ 62,4 milhões por ano em produtividade perdida. Pesquisas da Axios HQ estimam que a comunicação ineficaz custa entre US$ 10 mil e US$ 55 mil por colaborador ao ano. No agregado, apenas nos Estados Unidos, o custo total desse problema, ultrapassa US$ 2 trilhões anualmente.
No Brasil, o cenário não é diferente. Estudos indicam que cerca de 70% dos problemas enfrentados pelas empresas são oriundos de falhas comunicacionais, com uma perda de aproximadamente 20% em produtividade. A pesquisa da empresa irlandesa Poppulo, conduzida com executivos de nível C, aponta que o custo de uma comunicação interna deficiente gira em torno de US$ 19 milhões por ano por empresa.
O dado mais relevante vem da Fierce Inc. e do Project.co: 86% de colaboradores e executivos atribuem falhas de workplace à falta de comunicação eficaz. Não estamos falando apenas de ruídos operacionais, mas sim de decisões mal tomadas, projetos que não decolam, talentos que se desengajam e reputações que se desgastam. Uma empresa com 100 colaboradores perde, em média, US$ 420 mil por ano com problemas comunicacionais que poderiam ser evitados.
O prestígio também é atingido. Marcas perdem credibilidade não por falta de qualidade em seus produtos, mas por não saberem comunicar valor, propósito e transparência em momentos críticos. Em mercados hipercompetitivos, a diferença entre liderar e sobreviver está, com frequência, na forma como a organização fala, escuta e se faz entender.
Primeiro, a consciência da necessidade desse investimento estratégico, considerando a comunicação não como uma “soft skill”, mas como um vetor direto de rentabilidade por meio de cinco caminhos principais:
comunicação eficaz → alinhamento estratégico → execução precisa → resultado financeiro superior
Além disso, quanto mais as pessoas e a empresa estão abertas à comunicação, mais os resultados positivos aparecem como consequência. Nesse sentido, destacamos algumas possibilidades:
Contratar pessoas que se comunicam bem, além das habilidades técnicas necessárias para o cargo e um perfil comportamental alinhado aos valores da empresa.
Isso porque se trata de uma competência desenvolvível e não há limites para esse aprimoramento. Algumas possibilidades: programas estruturados de oratória, comunicação não violenta, comunicação assertiva, escuta ativa, storytelling, como lidar com pessoas difíceis, entre outros.
Buscar empresas de treinamento e escolas com reputação, com metodologias próprias, consistência teórica e prática para gerar as devidas mudanças. Aqui destacamos nosso exclusivo Método F.A.L.A.R., cientificamente comprovado, que tem gerado resultados rápidos e eficazes.
Substituir avaliações anuais por ciclos constantes de feedback estruturado. Líderes devem ser treinados para dar e receber feedback de forma construtiva: uma prática que reduz ruídos, corrige rotas rapidamente, bem como fortalece o engajamento.
Cada tipo de mensagem merece o canal adequado, necessitando definir protocolos claros, por exemplo, a objetividade em mídias digitais, formalidade ou informalidade conforme o documento, clareza na fala e na voz, expressão das emoções contextualizada, reduzindo-se assim os ruídos e dificuldades de entendimento.
A comunicação da organização reflete a comunicação de sua liderança. Investir na formação comunicacional de gestores e executivos gera efeito multiplicador: um líder que comunica com clareza, empatia e propósito replica esses padrões em toda a sua equipe.
Assim como se mede produtividade, vendas e satisfação do cliente, é preciso criar indicadores de eficácia comunicacional, taxa de compreensão de diretrizes, tempo de resposta a incidentes, índice de alinhamento estratégico percebido. O que não se mede não se melhora.
A comunicação não pode ser tratada como departamento isolado ou atividade acessória. Ela deve estar integrada ao planejamento estratégico, com orçamento, objetivos e métricas próprias, afinal, como demonstram os dados, cada real investido em comunicação eficaz se converte em múltiplos de retorno.
É um investimento cujo retorno se manifesta em produtividade, engajamento, reputação e, fundamentalmente, em resultados financeiros sustentáveis. Empresas que compreendem essa verdade não apenas sobrevivem, mas prosperam.
Para você que busca aprimoramento contínuo, tão importante quanto uma formação lato sensu ou stricto sensu, recomendo também investir no desenvolvimento da habilidade de comunicação. Por último, uma afirmação de Warren Buffett:
“Uma pessoa que desenvolve a habilidade de comunicação, aumenta em 50% o seu valor no mercado de trabalho”.
Quer saber mais sobre como a comunicação eficaz pode reduzir perdas, aumentar a produtividade e gerar melhores resultados financeiros para sua empresa? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Reinaldo Passadori
Mestre e Professor de Oratória, CEO da Passadori Comunicação, Mentor, Escritor, Palestrante
https://www.passadori.com.br/
Confira também: Dizer “Não”: Uma Escolha que Preserva Saúde e Relacionamentos
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]]>O post Aluguel Consignado e o Risco de Comprometer o Futuro em Parcelas apareceu primeiro em Cloud Coaching.
]]>A Câmara dos Deputados aprovou o projeto que cria o chamado “aluguel consignado”, uma nova modalidade de garantia para contratos de locação que permite o desconto de parte do salário diretamente na folha de pagamento. Pelo texto aprovado, o desconto poderá chegar a 30% da remuneração e poderá ser utilizado por empregados da iniciativa privada, servidores públicos, aposentados e pensionistas. A proposta também prevê que, em determinadas situações, o trabalhador transferido de cidade por exigência do empregador não tenha de pagar multa pela devolução antecipada do imóvel. O projeto ainda será analisado pelo Senado e, caso seja aprovado, dependerá de sanção presidencial para entrar em vigor.
A proposta parte de uma lógica compreensível: facilitar o acesso à moradia, reduzir a necessidade de fiador ou caução e oferecer ao proprietário uma garantia adicional contra a inadimplência. Mas existe uma segunda dimensão dessa discussão que precisamos considerar com a mesma atenção:
Essa pergunta ganha ainda mais importância porque o aluguel consignado surge em um momento de expansão das possibilidades de crédito vinculadas diretamente à renda dos trabalhadores. O consignado tradicional, o Crédito do Trabalhador e outras formas de financiamento já fazem parte da realidade de milhões de brasileiros. Se a nova modalidade avançar, teremos mais uma obrigação capaz de disputar espaço dentro do mesmo salário.
E é justamente aí que começa uma discussão que considero muito mais importante do que simplesmente saber se o aluguel poderá ou não ter o desconto em folha: o trabalhador está conseguindo enxergar o conjunto de compromissos que está assumindo ou está apenas avaliando se consegue pagar mais uma parcela?
Existe uma diferença fundamental entre ter capacidade de contratar uma parcela e ter capacidade de sustentar uma vida financeira equilibrada. Uma pessoa pode conseguir assumir um empréstimo, um financiamento, um cartão de crédito ou, eventualmente, um aluguel consignado individualmente. A dificuldade aparece quando todas essas decisões são analisadas separadamente e os compromissos passam a disputar o mesmo salário. É nesse ponto que a educação financeira se torna indispensável.
Uma pesquisa realizada pela ABEFIN em parceria com o Instituto Axxus de Pesquisas, ligado à Unicamp, mostra que 83% dos trabalhadores que contrataram o Crédito do Trabalhador não sabem quanto pagam de juros na operação. Outros 69% não avaliaram o impacto da contratação sobre o orçamento familiar, enquanto 36% utilizaram o crédito para quitar outras dívidas.
Esses números revelam algo preocupante: muitas vezes, a decisão de contratar crédito acontece antes de uma compreensão real de seu custo e de seus efeitos sobre a vida financeira.
O problema não está necessariamente na parcela. Está no que acontece depois dela. Quando uma parcela é descontada automaticamente, existe uma sensação de que aquela obrigação está sob controle. Afinal, o pagamento já acontece antes mesmo de o dinheiro chegar às mãos do trabalhador. Mas isso não significa que o compromisso deixou de existir. Pelo contrário. Ele representa uma redução permanente da renda disponível durante determinado período. E renda comprometida significa também menos dinheiro disponível para outras necessidades da família.
Um trabalhador pode até conseguir pagar todas as contas, mas viver com uma margem muito pequena para construir o futuro que deseja. Esse é um aspecto pouco discutido quando falamos de crédito. Costumamos perguntar se a pessoa conseguirá pagar a prestação. Deveríamos perguntar também o que ela deixará de fazer enquanto estiver pagando aquela prestação.
Porque cada parcela carrega uma escolha. O dinheiro utilizado hoje para pagar uma dívida deixa de estar disponível amanhã para realizar um sonho. Pode ser a viagem que nunca acontece, a casa que demora mais para ser conquistada, o curso que é adiado, o negócio próprio que não sai do papel ou simplesmente a possibilidade de construir uma reserva financeira.
Por isso, não podemos confundir crédito com aumento de renda. Ele antecipa o uso de um dinheiro que ainda receberemos. Essa diferença parece simples, mas muda completamente nossa relação com o consumo. Quando alguém recebe uma oferta de crédito e enxerga apenas o valor da parcela, pode acreditar que ganhou poder de compra. Mas, na realidade, ganhou uma obrigação futura.
O cenário fica ainda mais delicado quando uma dívida é contratada para pagar outra. Substituir uma dívida cara por uma mais barata pode ser uma decisão racional. Mas, quando o crédito serve apenas para adiar um desequilíbrio que continua existindo, cria-se um ciclo perigoso. O trabalhador paga uma dívida, contrata outra, compromete novamente parte da renda e passa a depender de novas soluções para manter o orçamento funcionando. O problema deixa de ser pontual e passa a fazer parte da estrutura financeira da família.
O próprio levantamento da ABEFIN mostra essa realidade: 36% dos trabalhadores que contrataram o Crédito do Trabalhador utilizaram o dinheiro para quitar outras dívidas. Não há nada de errado em utilizar um crédito mais barato para reorganizar uma dívida mais cara. O problema está em fazer isso repetidamente sem modificar a relação com o dinheiro.
Quando o crédito passa a ser utilizado para financiar o próprio orçamento mensal, ele deixa de cumprir uma função pontual e começa a ocupar uma parcela cada vez maior da renda futura. É nesse momento que a pessoa pode perder de vista aquilo que deveria estar no centro de suas decisões financeiras: seus sonhos.
A educação financeira não deve ensinar apenas a pagar contas. Ela precisa ajudar a pessoa a compreender que dinheiro também é instrumento para construir uma vida desejada. Quando uma parcela ocupa parte significativa da renda durante anos, não estamos falando apenas de uma obrigação financeira. Estamos falando de escolhas que deixam de ser possíveis naquele período.
Uma das armadilhas mais comuns do crédito é justamente a facilidade de pensar em parcelas. “Cabe no meu salário” é uma frase que pode esconder uma realidade muito diferente. Uma parcela pode caber isoladamente. Duas também. Três talvez. O problema aparece quando somamos aluguel, empréstimos, cartão de crédito, financiamentos, despesas domésticas, alimentação, transporte, educação e todas as demais necessidades.
O que precisa ser observado é quanto realmente sobra depois de todos esses compromissos. A pergunta mais importante, portanto, não é apenas quanto uma pessoa consegue pagar por mês. É quanto da renda precisa permanecer disponível para que ela consiga viver, poupar e realizar seus sonhos. Essa visão é especialmente importante quando falamos de despesas recorrentes, como o aluguel.
Se o projeto entrar em vigor, o aluguel consignado poderá oferecer uma nova forma de garantia para a locação. Isso pode facilitar contratos e reduzir barreiras para quem não possui fiador ou recursos para caução. Mas, para o trabalhador, a despesa continuará existindo. A diferença é que ela será descontada diretamente da remuneração. Isso pode facilitar o pagamento, mas não reduz o custo da moradia. É importante compreender essa diferença.
O endividamento também não fica necessariamente restrito à vida pessoal do trabalhador. Ele pode produzir reflexos dentro das empresas. Um profissional que recebe o salário já bastante comprometido pode experimentar maior pressão financeira, insatisfação e preocupação constante com dinheiro. Isso pode afetar sua concentração, produtividade, relacionamento com colegas e percepção sobre o próprio trabalho. Também pode influenciar decisões profissionais.
Uma pessoa excessivamente comprometida pode buscar outro emprego em busca de uma remuneração maior, procurar atividades adicionais ou até considerar uma mudança para o trabalho como pessoa jurídica ou para a informalidade. Não se trata de uma consequência automática do consignado. Mas situações de desequilíbrio financeiro podem influenciar decisões que acabam repercutindo também no mercado de trabalho.
Para as empresas, isso significa que a educação financeira dos colaboradores não deveria ser vista apenas como uma ação social. Ela também pode fazer parte de uma estratégia de gestão de pessoas. Quando um funcionário consegue organizar melhor sua vida financeira, ele tende a ter melhores condições para pensar no futuro, tomar decisões profissionais com mais tranquilidade e construir seus sonhos.
É importante deixar claro que o crédito não é o vilão dessa história. O crédito pode ser uma ferramenta importante. Pode permitir que uma pessoa consiga realizar uma conquista antes de ter todo o dinheiro disponível. Pode substituir uma dívida mais cara, viabilizar a compra de um imóvel ou ajudar em uma reorganização financeira.
O problema está no uso sem consciência. Não devemos combater o crédito. Precisamos ampliar a capacidade das pessoas de compreender o crédito. Isso significa saber qual será o total pago ao final da operação, conhecer os juros, entender o prazo e, principalmente, observar o impacto daquela contratação sobre o conjunto da vida financeira.
Uma parcela não existe sozinha. Ela compete com todas as outras despesas e com tudo aquilo que a pessoa deseja construir. É por isso que considero tão importante mudar a forma como falamos sobre educação financeira. Não se trata apenas de ensinar alguém a cortar gastos ou evitar dívidas. Trata-se de ajudar cada pessoa a entender a relação entre dinheiro, escolhas e sonhos.
O projeto do aluguel consignado ainda precisa passar pelo Senado e, se aprovado, dependerá de sanção presidencial. Independentemente do resultado dessa tramitação, a discussão que ele provoca é extremamente atual. Estamos vivendo uma expansão das possibilidades de crédito e, ao mesmo tempo, precisamos ampliar a educação financeira para que as pessoas consigam compreender o impacto de cada nova alternativa sobre suas vidas.
O trabalhador não precisa ter medo do crédito. Precisa conhecê-lo. Precisa entender que uma parcela assumida hoje representa uma parte da renda que estará comprometida amanhã. E precisa enxergar o custo total da decisão e, principalmente, compreender o que aquele compromisso significa para sua família e para seus sonhos.
Porque o dinheiro comprometido com uma dívida não desaparece. Ele apenas muda de destino. E quando uma parcela muito grande da renda já está destinada ao pagamento de compromissos assumidos anteriormente, fica cada vez mais difícil direcionar dinheiro para aquilo que realmente queremos construir.
Por isso, antes de perguntar “quanto consigo pagar?”, talvez seja mais importante perguntar “quanto da minha renda quero preservar para realizar meus sonhos?” Essa mudança de pergunta pode representar uma grande mudança na forma como lidamos com o crédito. O aluguel consignado pode ser uma ferramenta útil se vier acompanhado de consciência. O mesmo vale para qualquer outra modalidade de crédito.
No final, não é o número de parcelas que determina a saúde financeira de uma pessoa. É a capacidade de fazer com que o dinheiro recebido hoje também contribua para a construção da vida que ela deseja viver amanhã.
Quer saber mais sobre como o aluguel consignado pode comprometer sua renda futura e o que considerar antes de assumir novas parcelas? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Um grande abraço,
Reinaldo Domingos
Presidente da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira (ABEFIN) e da DSOP Educação Financeira, PhD em Educação Financeira, escritor e criador da Metodologia DSOP de Educação Financeira
https://www.dsop.com.br
Confira também: As Bets São o Gatilho do Início da Transformação Financeira que o Brasil Tanto Precisava
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]]>Faz muitos anos que pesquiso nossas limitações em termos de escuta. Costumo dizer que carregamos um hardware ancestral tentando dar conta de uma comunicação cada vez mais complexa.
Foi olhando para essas limitações humanas que compartilhei, ao longo dos anos, ferramentas e estratégias para criar condições para conversas mais fluidas e resolutivas. Acontece que algo mudou. Nossas limitações individuais estão sendo severamente agravadas por uma ameaça muito maior: a degradação do nosso ambiente atencional.
Cada vez mais a disputa da nossa atenção parece ser a maior competição do nosso tempo. Johann Hari, em Foco Roubado, formula um diagnóstico perturbador: nossa atenção não simplesmente piorou; ela está sendo sistematicamente capturada, fragmentada, fraturada e exaurida pelo ambiente em que vivemos. As palavras são deliberadamente violentas. Existe uma disputa econômica gigantesca para decidir onde colocaremos nossa atenção, nosso tempo e nossa consciência. E não se trata apenas do celular.
Attensity, livro-manifesto do movimento Friends of Attention, reforça a analogia com o fraturamento hidráulico do gás de xisto: uma extração agressiva, profunda e contínua de um recurso valioso. É uma boa imagem para a ferocidade com que nossa atenção vem sendo disputada — e para o quanto, individualmente, pode ser difícil resistir a ela. A partir daí, a questão deixa de ser apenas individual e passa a ser coletiva: que tipo de sociedade estamos construindo quando aquilo que merece nossa atenção passa cada vez mais a ser decidido por sistemas interessados em capturá-la?
De acordo com Gérald Bronner em Apocalypse cognitive, em termos absolutos, nunca tivemos na história da humanidade tanto tempo liberado das tarefas básicas de sobrevivência. Trabalhamos menos que nossos antepassados e gastamos proporcionalmente menos tempo em atividades ligadas à subsistência. Criamos tecnologias para economizar tempo e terminamos com a sensação de possuir cada vez menos tempo.
Parece que o tempo que liberamos foi hackeado. Douglas Rushkoff descreve um presente digital no qual tentamos existir em diferentes lugares simultaneamente. Estamos numa reunião, mas também no WhatsApp. Conversando com alguém, mas acompanhando uma notificação. Não é simplesmente que temos pouco tempo; nosso presente foi fragmentado em vários presentes simultâneos. A densidade de eventos por minuto explode. Comprimimos o tempo.
Há ainda outra contradição que me interessa: enquanto quase tudo acelera, uma coisa não acelerou — a velocidade com que dois seres humanos conseguem falar e escutar um ao outro. Uma conversa continua acontecendo na mesma velocidade humana de milhares de anos atrás. Para mim, isso ajuda a explicar por que conversar começa, para algumas pessoas, a parecer algo “lento”, até a dar preguiça, diante da quantidade de estímulos e possibilidades disponíveis. Até a escuta começa a ser terceirizada para a inteligência artificial, como se resumir, compreender ou sugerir uma resposta pudesse substituir o trabalho humano de estar presente diante do outro.
Não estamos apenas perdendo o foco; estamos perdendo disponibilidade para o outro. E, quando nossa atenção se fragmenta, diminui também nossa capacidade de permanecer diante de uma ideia diferente sem imediatamente classificá-la, rejeitá-la ou combatê-la. Empobrece nossa relação com a diversidade, nossa capacidade de tirar proveito das diferenças e pode produzir uma espécie de analfabetismo emocional e relacional em um momento em que mais precisamos de espírito crítico.
Por isso volto sempre à curiosidade: trocar argumentação por investigação, justificativa por pergunta, certeza por curiosidade. Mas fazer isso exige algo além de técnica. Exige coragem.
Coragem para escolher onde colocar nossa atenção enquanto milhares de estímulos tentam decidir por nós. Coragem para resistir à fratura permanente da atenção, como Ulisses diante do canto das sereias. E coragem para escutar aquilo que não queremos ouvir e, principalmente, para nos deixarmos afetar pelo outro. Porque escutar de verdade inclui admitir a possibilidade de mudar de opinião.
Como nos lembra Stephen Covey em Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes, influentes são as pessoas influenciáveis: não porque aceitem qualquer argumento, e sim porque não têm medo de aprender e sabem transformar o conflito em negociação, em vez de confronto. Sabem suspender o ego e deixar coexistir várias visões antagonistas. Se encontram uma perspectiva melhor, evoluem e ganham tempo. Não precisam morrer abraçadas a uma ideia apenas porque um dia acreditaram nela. Para Covey, escutar não é apenas uma técnica para exercer influência; aceitar a influência do outro faz parte da própria escuta.
Para ele, não é apenas a tecnologia que acelera. Quanto mais tentamos tornar o mundo disponível, imediato e controlável, maior o risco de produzir alienação: podemos estar conectados a cada vez mais coisas e, ao mesmo tempo, profundamente relacionados com cada vez menos.
Objetos, profissões, instituições, relacionamentos, ideias e comportamentos tornam-se obsoletos cada vez mais rapidamente.
Essa obsolescência para mim ressoa com uma questão de sustentabilidade. Um sistema movido permanentemente por novidade, substituição, aceleração e consumo não esgota apenas nossa atenção. Esgota pessoas, relações, recursos e ecossistemas. Para mim, a sustentabilidade ambiental e a sustentabilidade da atenção estão intimamente ligadas: quanto de aceleração um sistema consegue suportar antes de começar a degradar aquilo que o mantém vivo?
Diante dessa disputa: seja você quem decide onde colocar a sua atenção. Porque, se não decidir, outros decidirão por você — e possa permanecer com essa estranha sensação de estar sempre correndo, sempre conectado, sempre informado e sempre sem tempo.
Inspirar antes de responder e desacelerar para escutar são maneiras de escolher onde colocamos nossa atenção, bem como de decidir que tipo de relação queremos manter com os outros e com o mundo. Em um mundo que acelera sem parar, escutar está se tornando um dos atos mais corajosos de resistência.
Quer saber mais sobre como a crise da atenção está afetando suas relações e como você pode recuperar a qualidade da escuta e construir relações com mais presença? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Thomas BRIEU
https://www.linkedin.com/in/thomas-brieu/
https://www.instagram.com/thomasbrieu_/
Autor do livro “Escutatória” – Link: https://www.h1editora.com/produto/escutatoria-150183
Coautor do livro “Escute Expresse e Fale” – https://encurtador.com.br/31Vwa
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