Gestão Empresarial: O que vem por aí! - Mario Divo - Cloud Coaching https://www.cloudcoaching.com.br/colunas/gestao-empresarial-o-que-vem-por-ai/ Tue, 16 Jun 2026 13:29:44 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://www.cloudcoaching.com.br/wp-content/uploads/2023/10/cropped-favicon-1-32x32.png Gestão Empresarial: O que vem por aí! - Mario Divo - Cloud Coaching https://www.cloudcoaching.com.br/colunas/gestao-empresarial-o-que-vem-por-ai/ 32 32 165515517 Dois Times Sem Jogo e o Fracasso das Negociações Intransigentes https://www.cloudcoaching.com.br/fracasso-negociacoes-intransigentes-ego-cancela-jogo/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=fracasso-negociacoes-intransigentes-ego-cancela-jogo https://www.cloudcoaching.com.br/fracasso-negociacoes-intransigentes-ego-cancela-jogo/#respond_70328 Tue, 16 Jun 2026 13:20:49 +0000 https://www.cloudcoaching.com.br/?p=70328 Quando o ego fala mais alto, acordos deixam de acontecer. Entenda como negociações intransigentes, vaidade e desconfiança transformam oportunidades em impasses, enfraquecem a liderança e levam equipes à armadilha do perde-perde.

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Dois Times Sem Jogo e o Fracasso das Negociações Intransigentes

Em plena época de Copa do Mundo de 2026, os olhos do planeta se voltam para os grandes estádios, os torcedores festejando suas seleções com esquemas táticos inovadores e os grandes atletas que se tornaram marcas globais. No entanto, para quem se dedica ao desenvolvimento humano e à liderança, o futebol vai muito além das quatro linhas dos campos gerenciados pela FIFA. Esse esporte é, como sabemos, um espelho do comportamento, das relações de poder e da nossa própria cultura nacional. Por isso, neste momento em que o mundo respira uma competição tão importante, vamos desviar o foco das arenas modernas e olhar para onde a nossa verdadeira identidade com a bola foi moldada.

O autêntico futebol brasileiro não nasceu em gramados perfeitos ou sob o crivo de grandes estruturas, mas tem seu nascimento registrado no chão batido das periferias e nos tradicionais campos de várzea. Foi nos terrenos baldios, nas beiras de rios e nos bairros operários que a criatividade, o lindo drible improvisado e a resiliência do nosso jogo foram criados. A várzea nunca foi apenas sobre o esporte pelo esporte. Mas, sim, um ecossistema social vibrante, um ponto de encontro comunitário. Ali, o orgulho local, a solidariedade e a paixão pura se manifestam sem os filtros do mercado.

Para compreender a alma desse futebol de raiz, ninguém melhor do que o dramaturgo e escritor Plínio Marcos.

Dono de uma verve cultural única, cortante e profundamente realista, ele foi o cronista das vozes que a sociedade muitas vezes tentava calar. Em sua passagem pela mítica revista Viaje Bem, da Vasp, ele nos presenteou com uma obra-prima de nossa literatura curta: o conto “Dois times sem jogo”. Com seu olhar absoluto para a oralidade popular e as gírias das periferias, o autor utilizou o humor e o cotidiano do futebol amador para escancarar, de forma brilhante, as nuances do orgulho humano.

Mais do que uma sátira deliciosa sobre a burocracia e a vaidade dos dirigentes dos clubes de bairro, esse conto nos oferece uma belíssima metáfora. Ela fala sobre o ambiente corporativo e sobre as relações humanas. Ele pode ser perfeitamente interpretado como o raio-X de um incrível processo fracassado de negociação. Na pressa de defender posições rígidas e impor condições ao “adversário”, os envolvidos perdem de vista o objetivo comum principal — a realização de um jogo de futebol.

A intransigência, a falta de empatia e a incapacidade de ceder em pequenos detalhes destroem pontes, gerando um impasse em que ambos os lados perdem. É o clássico cenário em que o ego anula o resultado. Para entender bem esse trabalho de Plínio Marcos, reproduzimos, na íntegra, o conto que permite refletir sobre como a comunicação ineficaz opera na prática.

Dois Times Sem Jogo (Por Plínio Marcos)

Certa vez, o União da Barra do Catimbó recebeu o seguinte ofício:

 

“Ilmos. Srs. Do União da Barra do Catimbó
Nós vem por essa mal-traçada linha chamar vocês aí pra jogar no campo da gente uma partida de futebol no domingo, que a gente só joga nesse dia, que nos outro a gente trabalha. Se vocês quiser vim, pode responder o ofício dizendo que vem, que é pra gente pendurar ele na tabuleta do boteco do Almeida pros sócio do time da gente poder ver que vocês aceitou e se na hora vocês ficar com medo e não vier eles não ficam pegando no pé da gente e dizendo que essa diretoria não tem ninguém que sabe tratar jogo. Agora, se vocês não tão a fim de encarar a gente, então é pobrema de vocês. O Flor do Ó não tem medo de ninguém.”
(Assinado: Olavo Silva – Diretor Esportivo do Flor do Ó)

 

Assim que leu o ofício, o Seu Azulão, presidente do União da Barra do Catimbó, se picou de raiva. Convocou a diretoria do seu time, leu o ofício do adversário e de imediato todos toparam o jogo com o Flor do Ó. E, como era solicitado pelo desafiante, mandaram a resposta num ofício caprichado:

 

“Ilmos. Srs. Diretores do Flor do Ó
Nós recebeu o ofício marcando jogo e responde por essa mal-traçada linha que aceita. Nós não é de enjeitar parada. Se a gente tivesse medo de homem, não saía na rua vestindo calça. A gente vai, pode anunciar. Mas tem um negócio que é o seguinte. Nós dá o juiz e vocês que é o dono do campo dá a bola. Domingo tamos aí na Freguesia do Ó pro que der e vier. Respondam logo se aceitam dar a bola. Se tiver medo de nós, é só dizer que não quer, que a gente não vai.”
(Assinado: Eldócio Pereira (Azulão) – Presidente do União da Barra do Catimbó)

 

De posse do ofício do União da Barra do Catimbó, o pessoal da diretoria do Flor do Ó se atucanou e, rápido e rasteiro, mandou um pivete levar outro ofício, com novas bases:

 

“Ilmos. Srs. Diretores do União da Barra do Catimbó
Nós recebeu seu ofício que veio cheio de mumunha. E passamos a responder nessa mal-traçada linha. Vocês quer moleza, já vi tudo. Mas a gente não tá a fim de criar caso. Só queremos jogar. Vocês pode trazer juiz. Que com nós ele não vai ter vida mansa. Se tiver afanando a gente, nosso capitão do time toma o apito dele e dá pra outro. Nós sabe que na Barra do Catimbó só tem juiz ladrão. Nós não é otário. Mas aceitamos nessa base que botamos aqui. Agora, no negócio da bola, vocês traz a bola. Nós dá o campo e vocês a bola. Cada um dá uma coisa. Se quiser assim, tá combinado.”
(Assinado: Olavo Silva – Diretor do Flor do Ó)

 

Mal o Azulão meteu as botucas no ofício do adversário, segurou o pivete mensageiro e fez com que ele esperasse às pamparras pra levar outro ofício de volta:

 

“Ilmos. Srs. Diretores do Flor do Ó
Juiz ladrão tem é no bairro de vocês. Tudo abafador. Nós manja a negada daí. E não adianta vim com grupo pra cima da gente que a gente não é trouxa e não vai entrar em truque de papagaio enfeitado da Freguesia do Ó. Juiz que a gente leva pra apitar o jogo apita até o fim e não adianta estrilo de capitão fajuto. Se nós leva o homem nós garante ele. Nisso vocês pode botar fé. E no negócio da bola não tem arrego. Vocês dá a bola. Agora, se vocês quer arranjar desculpa pra não jogar é poblema de vocês. Nós foi convidado. Aceitamo porque nós não tem medo de ninguém. Na bola e no pau nós somo mais nós.”
(Assinado: Eldócio Pereira (Azulão) – Presidente do União da Barra do Catimbó)

 

Ao tomar conhecimento do novo ofício do União, a curriola do Flor do Ó se entralhou e, sem demora, mandou mais um ofício:

 

“Ilmos. Srs. Diretores do União da Barra do Catimbó
Nós vem por meio desta mal-traçada linha avisar que não aceita esculacho de ninguém. Ladrão é vocês desse pedaço fedorento. Nós aqui é trabalhador. E dentro do campo quem fala mais alto e o único que chia é o capitão do time e se ele resolver tirar o pilantra que vocês botaram pra apitar pode contar que ele tira porque a gente dá a maior moral pra ele. No negócio da bola, vocês tem que trazer a de vocês que a bola da gente tá com bexiga e pode estourar.”
(Assinado: Olavo Silva – Diretor do Flor do Ó)

 

A diretoria do União, presidida pelo Azulão, não era de engolir desaforo. Por isso, mal acabaram de ler o ofício, se bronquearam e azedaram mais na resposta:

 

“Ilmos. Srs. Diretores do Flor do Ó
A Barra do Catimbó não é bairro de ladrão, a mãe de vocês não mora aqui. Gaturama é a patota daí. E a gente não quer levar a bola nossa porque sabe que vocês vai querer roubar ela. A negada do Democrata contou pra gente que quando foram jogar aí a bola deles caiu na vala e vocês enrustiram ela e eles voltaram sem bola. Nós não entra nessa. Deixa de ser fominha e bota a bola que vocês afanaram do Democrata em campo.”
(Assinado: Eldócio Pereira (Azulão) – Presidente do União da Barra do Catimbó)

Esse ofício do Azulão revoltou bastante a turma do Flor do Ó, e eles, naturalmente, enviaram um pra acabar com a graça:

 

“Ilmos. Srs. Diretores do União da Barra do Catimbó
Nós não afanou bola de ninguém. Nós não ia se sujar por tão pouco. O Democrata aqui apanhou na bola e no tapa e por isso tá fazendo fuxico. Agora, vocês fizeram mal de meter a mãe no meio disso. Quando derem as fuça aqui, vão ter que engolir isso. Porque jogo só vai ter se vocês truxer bola. Ladrão pensa que os outro é ladrão. Mas nós não é. Pode trazer a bola sossegado.”
(Assinado: Olavo Silva – Diretor do Flor do Ó)

 

Por fim, o Azulão mandou o ofício definitivo:

 

“Ilmos. Srs. Diretores do Flor do Ó
Nós não vai porque não vai deixar os ladrão daí roubar nossa bola. Mas, quando vocês quiser dar a bola, a gente vai. Quanto esse negócio de engolir o ofício da mãe de vocês, nós duvida e faz pouco. Tamos aqui pra qualquer coisa. Se vocês tem medo de vim aqui, pode esperar que a gente se encontra nas quebrada.”
(Assinado: Eldócio Pereira (Azulão) – Presidente do União da Barra do Catimbó)

E, por essas e outras, o União da Barra do Catimbó e o Flor do Ó ficaram sem jogo.

No grande teatro da vida e das organizações, quantos “ofícios” semelhantes a esses não são, de fato, assinados regularmente?

A genialidade de Plínio Marcos nos mostra que, quando a vaidade, a desconfiança mútua e o apego excessivo às próprias condições assumem a liderança, o resultado é o imobilismo. Os atletas ficam sem trabalhar, a torcida fica sem a festa e os times morrem sem jogo. Transportando essa lição para o nosso ecossistema de desenvolvimento humano, cabe um alerta. Nas reuniões, parcerias e projetos, você está buscando genuinamente o “espetáculo” do crescimento conjunto? Ou está permitindo que exigências menores e o medo de ceder cancelem o jogo antes mesmo do apito inicial?

Liderar é saber desarmar os espíritos para que o coletivo possa entrar em campo e vencer. Movidos pela desconfiança mútua, os líderes podem cair na tentação de empilhar exigências irracionais. Tentam se proteger, mas acabam burocratizando o processo até inviabilizar a execução do projeto. O desfecho inevitável é a armadilha do “perde-perde”. Nela, ambas as partes saem de mãos vazias, mas convictas de uma falsa vitória moral. Assim, sabotam oportunidades de crescimento conjunto por não terem maturidade para ceder e negociar detalhes menores em prol do resultado principal.

Eu sou Mario Divo e e você me encontra pelas redes sociais ou em www.mariodivo.com.br.


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Quer saber mais sobre como evitar negociações intransigentes e construir acordos que realmente geram crescimento conjunto? Então, entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.

Até nossa próxima postagem!

Mario Divo
https://www.mariodivo.com.br

Confira também: O Tabuleiro Invisível: Um Guia de Poder para Lideranças

Palavras-chave: negociações intransigentes, liderança, Plínio Marcos, Dois Times Sem Jogo, desconfiança mútua, processo fracassado de negociação, como a comunicação ineficaz opera na prática, defender posições rígidas, impor condições, maturidade para ceder e negociar, armadilha do perde-perde

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Brasil x Brasil: Uma Copa do Mundo Especial II https://www.cloudcoaching.com.br/selecao-brasileira-copa-dos-sonhos-brasil-1970-2026/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=selecao-brasileira-copa-dos-sonhos-brasil-1970-2026 https://www.cloudcoaching.com.br/selecao-brasileira-copa-dos-sonhos-brasil-1970-2026/#respond_70087 Tue, 02 Jun 2026 13:20:43 +0000 https://www.cloudcoaching.com.br/?p=70087 Seleção Brasileira de 1970, 1958, 1994, 2002 ou 2026: quem venceria uma Copa dos Sonhos entre gerações históricas? Entre memória, dados, emoção e IA, uma disputa divertida compara os maiores times do Brasil e convida você a opinar.

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Brasil x Brasil: Uma Copa do Mundo Especial II
Quem venceria a Seleção dos Sonhos?

Estamos iniciando o mês de junho de 2026 e, daqui a alguns dias, teremos mais uma edição de Copa do Mundo de Futebol. Assim, decidi usar este espaço para renovar uma brincadeira de quatro anos atrás, só que trazendo uma inovação que, acredito, será bastante desafiadora aos nossos amigos leitores. Então, primeiramente vamos resgatar o que foi apresentado anteriormente, pois assim todos entenderão o espírito daquela postagem e conhecerão o desafio inovador desta. Tudo bem?

O ano de 2022 estava terminando com o clima de uma Copa do Mundo de Futebol. Naquele momento ainda não se sabia qual o destino da seleção brasileira, se ganharia ou não, mas as conversas e debates sobre a competição estavam muito vivos. Por conta disso mesmo, apresentei o conteúdo de uma reportagem publicada na revista Playboy, em sua edição de abril de 1998, com uma questão bem interessante: quem venceria a Copa do Mundo disputada só com as seleções brasileiras que participaram da competição da FIFA, desde 1930?

Considerando que essa reportagem específica é de difícil acesso pela internet (a menos que se acesse toda a publicação), decidi explorar ludicamente o conteúdo.

O trabalho foi liderado pelo jornalista Ivan Marsiglia (com a colaboração de Miguel Icassati). Ao todo, como avaliadores dessa Copa do Mundo Especial, estiveram envolvidos 30 profissionais especializados em futebol. Menção também deve ser dada ao Diretor de redação da revista, Marcelo Duarte. Com minha postagem, eu quis gerar um novo entretenimento e curiosidade junto aos leitores.

É muito importante, para o bom entendimento da reportagem, entender os critérios usados para criar a competição com todas as seleções brasileiras de 1930 até 1998, data da publicação pela Playboy. Cabe lembrar que, no período, por conta da Segunda Guerra Mundial, não tivemos a realização do torneio em 1942 e em 1946. Na etapa inicial deste nosso torneio, foram consideradas “cabeças-de-chave” as seleções campeãs mundiais (58, 62, 70 e 94). A seguir, foram incluídos os times que ficaram entre os três primeiros colocados quando disputaram o torneio (38, 50, 78 e 98) e, completando as chaves, os times foram distribuídos por proximidade de data. Cada partida (sem possibilidade de empate) foi analisada por três dos profissionais convidados, escolhidos por sorteio.

A seguir, na primeira fase, de um lado o chaveamento inclui as seleções de 30, 34, 38, 50, 54, 58, 62 e 66. De outro lado, as partidas incluíram as seleções de 70, 74, 78, 82, 86, 90, 94 e 98:

Chave A

Brasil x Brasil: Uma Copa do Mundo Especial II
Fonte: REVISTA PLAYBOY, abril 1998.

Chave B

Brasil x Brasil: Uma Copa do Mundo Especial II
Fonte: REVISTA PLAYBOY, abril 1998.

Para essa etapa, os convidados não tiveram muitas dúvidas ou dificuldades para apontarem quais seriam as equipes vitoriosas a passarem para as quartas-de-final. Na Copa do Mundo de 2022, no Quatar, sabemos que o Brasil passou para as quartas-de-final frente à seleção da Croácia.

As disputas das quartas-de-final tivemos, de um lado, as seleções de 1958 x 1938 e, de outro, as seleções de 1950 x 1962:

Brasil x Brasil: Uma Copa do Mundo Especial II
Fonte: REVISTA PLAYBOY, abril 1998.

Na outra chave, as partidas de quartas-de-final ficaram assim:

Brasil x Brasil: Uma Copa do Mundo Especial II
Fonte: REVISTA PLAYBOY, abril 1998.

Pois bem, esta nossa Copa do Mundo Especial Brasil x Brasil começa a chegar à sua etapa mais decisiva. Assim, uma de nossas duas semifinais ocorreu entre as seleções de 1958 x 1962, enquanto a outra foi entre as seleções de 1970 x 1998. Curiosos para saberem como ficou a avaliação pelos especialistas convidados pela reportagem responsável pela matéria? Aí vão os resultados:

A Hora da Decisão: Semifinal A
Fonte: REVISTA PLAYBOY, abril 1998.
A Hora da Decisão: Semifinal B
Fonte: REVISTA PLAYBOY, abril 1998.

Chegou a hora da grande decisão, ficando para essa partida final a seleção brasileira campeã de 1958 contra a seleção brasileira campeã de 1970.

A Hora da Decisão: Final
Fonte: REVISTA PLAYBOY, abril 1998.

Pois bem, nesta Copa do Mundo Especial uma seleção brasileira sairia campeã de qualquer forma, e a que mais agradou os especialistas convidados foi a de 1958, aquela que inaugurou a sequência de um pentacampeonato, estando os brasileiros na expectativa de um sexto título.

Certamente, todos vocês gostaram dessa brincadeira promovida pela revista Playboy, que pela data de publicação não incluiu a seleção campeã de 2002. Será que vocês leitores concordaram com esse resultado? O que você faria de diferente daquilo que orientou os especialistas? Quem mereceria ganhar se essa reportagem incluísse todas as demais seleções brasileiras, desde 1998 (2002, 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022)?


A inovação proposta agora


A minha inovação, agora em 2026, foi resgatar essa ideia e promover uma competição entre as seleções brasileiras que foram campeãs do mundo e a atual seleção brasileira que disputará o torneio de 2026. Desta vez, os “jornalistas selecionados” foram criados por inteligência artificial e, a seguir, eu identifico cada um deles, bem como a sua “personalidade”.

Teremos na nossa avaliação:
Jornalista Modelo de IA escolhido (exemplo) Por que esse modelo combina com o estilo
João “O Clássico” Mendonça ChatGPT-4o (OpenAI) É o modelo que melhor lida com narrativas históricas, tem amplo treinamento em textos clássicos de jornalismo esportivo e costuma produzir análises que remetem ao passado com riqueza de detalhes.
Carla “A Analista” Ferreira Claude 3.5 Sonnet (Anthropic) Claude tem forte capacidade de raciocínio numérico e de cruzar grandes volumes de dados estatísticos, ideal para quem baseia a opinião em métricas de desempenho e tabelas de resultados.
Marcos “O Romântico” Almeida Gemini 1.5 Flash (Google) Gemini destaca-se em geração de linguagem criativa, metáforas e textos poéticos, o que combina com o tom romântico e quase literário que Marcos utiliza.
Renata “A Estrategista” Souza Llama 3-70B-Instruct (Meta) Llama 3-70B tem boa performance em análises táticas e estruturais, respondendo a prompts que exigem comparações de sistemas de jogo e estratégias de equipe.
Felipe “O Jovem” Costa DeepSeek-Coder V2 (DeepSeek) Embora seja conhecido por gerar código, a versão V2 também foi treinada intensivamente em conteúdo esportivo contemporâneo, métricas de performance física e tendências de futebol moderno, atendendo ao perfil de um analista digital e orientado a dados atuais.

Esses jornalistas irão dar a sua opinião sobre quem venceria esse torneio, cuja organização será de duas chaves com três seleções cada uma. Os vencedores de cada chave disputarão a final entre si. Após um sorteio emocionante auditado pelos jornalistas, eis as duas chaves para esta disputa histórica entre as seis versões da Seleção Brasileira, em disputa por uma Copa do Mundo de Futebol:

Grupo A
  • Brasil 1970 (a “Seleção Perfeita” de Pelé, Tostão, Gérson e Jairzinho)
  • Brasil 2002 (a “Dupla de Ouro” Ronaldo & Rivaldo, tetracampeã invicta)
  • Brasil 2026 (a atual geração, com talentos como Vinícius Jr. e Rodrygo)
Grupo B
  • Brasil 1958 (a que revelou Pelé ao mundo, com Garrincha)
  • Brasil 1962 (bicampeã com Garrincha inspiradíssimo)
  • Brasil 1994 (a era Dunga, com o “Milagre de Baggio” e Romário decisivo)

Os Jornalistas e suas escolhas


1. João “O Clássico” Mendonça
  • Perfil: tradicional, nostálgico, muito ligado à história do futebol.
  • IA escolhida: um modelo forte em contexto histórico e análise narrativa de longo prazo, com viés mais “clássico” de comparação entre eras.
  • Campeão escolhido por ele: Brasil 1970.

2. Carla “A Analista” Ferreira
  • Perfil: focada em dados, desempenho e consistência em Copas.
  • IA escolhida: um modelo otimizado para raciocínio quantitativo e leitura de padrões estatísticos, capaz de cruzar desempenho, gols, aproveitamento e equilíbrio tático.
  • Campeão escolhido por ela: Brasil 2002.

3. Marcos “O Romântico” Almeida
  • Perfil: poético, mais emocional, valoriza narrativa, magia e simbolismo.
  • IA escolhida: um modelo voltado à criação literária, muito bom em metáforas, impacto emocional e reconstrução de atmosfera histórica.
  • Campeão escolhido por ele: Brasil 1958.

4. Renata “A Estrategista” Souza
  • Perfil: tática, obcecada por sistemas, compactação, transições e modelos de jogo.
  • IA escolhida: um modelo treinado com foco em análise tática, tomada de decisão e comparação de estilos de jogo ao longo das décadas.
  • Campeão escolhido por ela: Brasil 1994.

5. Felipe “O Jovem” Costa
  • Perfil: conectado à era digital, valoriza físico, intensidade e futebol moderno.
  • IA escolhida: um modelo atualizado para o futebol contemporâneo, forte em tendências atuais, análise de dados de performance e jogo de alta intensidade.
  • Campeão escolhido por ele: Brasil 2026.

Opinião dos Comentaristas Convidados


1. João “O Clássico” Mendonça (estilo tradicional)

“Não há como fugir do óbvio: a Seleção de 1970 é o padrão-ouro do futebol mundial. Mesmo enfrentando o talento avassalador de 2002 e a força física de 2026, o futebol arte daquela equipe — com Pelé, Gérson e Jairzinho — seria suficiente para passar pelo Grupo A. Na final, venceria a chave B por superioridade técnica e criatividade. Minha aposta: Brasil 1970 campeão.


2. Carla “A Analista” Ferreira (estilo estatístico)

“Se olharmos números frios, a Seleção de 2002 foi a que mais goleou em Copas recentes, com uma defesa sólida e um ataque implacável. Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho formariam um trio capaz de desequilibrar contra qualquer adversário. No Grupo A, venceria por detalhes táticos — e na final, a experiência de um elenco equilibrado daria a taça ao Brasil 2002.”


3. Marcos “O Romântico” Almeida (estilo poético)

“A magia de 1958 — Garrincha driblando como se dançasse, Pelé menino virando rei — tem um encanto que transcende tática e estatística. Num torneio de uma partida só, o improviso daquele time seria letal. Passaria pelo Grupo B superando 1962 e 1994, e na final, a genialidade pura de 1958 faria a diferença. Meu coração diz: Brasil 1958.”


4. Renata “A Estrategista” Souza (estilo tático)

“A Seleção de 1994 tinha o melhor sistema defensivo da história brasileira, com Taffarel, Aldair e o capitão Dunga comandando o meio. Contra o futebol-arte das décadas anteriores, a marcação e o contra-ataque seriam armas letais. No Grupo B, passaria por 1958 e 1962; na final, usaria a experiência e a frieza para surpreender e levar o Brasil 1994 ao título.”


5. Felipe “O Jovem” Costa (estilo digital)

“A Seleção de 2026 tem a seu favor o futebol moderno: intensidade física, transição rápida e um ataque veloz com Vinícius Jr. e Rodrygo. Contra adversários de outras épocas, a velocidade e a preparação física fariam a diferença. Venceria o Grupo A e, na final, a juventude e a versatilidade tática dariam ao Brasil 2026 o troféu mais improvável da história.” 


A seleção vencedora


Precisando então decidir por um vencedor, os modelos tiveram um consenso. Somando tradição, consenso histórico, nível técnico absoluto e impacto na cultura do futebol mundial, a seleção que mais se impõe sobre todas as outras, mesmo diante das ótimas defesas de 1994, do equilíbrio letal de 2002 e da intensidade física de 2026, é a Seleção Brasileira de 1970. Em um torneio onde todas estão no auge, o Brasil de Pelé, Tostão, Gérson, Rivelino e Jairzinho reúne o ponto ideal entre talento individual, entrosamento coletivo e criatividade ofensiva; é a equipe que teria soluções técnicas e inteligência de jogo para furar a muralha de 1994, sobreviver ao poder de fogo de 2002 e lidar com o ritmo mais alto do futebol moderno. Por isso, nessa Copa dos Sonhos a escolha final de campeã entre todas as seleções brasileiras é: Brasil 1970.


E qual seria a seleção ideal entre todas elas, incluindo os titulares e reservas?


Em consenso entre nossos jornalistas, para montar o onze ideal brasileiro de todos os tempos (incluindo reservas), equilibrando genialidade, solidez defensiva e poder de decisão, os 23 convocados seriam estes (atenção para uma grande surpresa):

Goleiros (3)
  1. Taffarel (1994)
  2. Marcos (2002)
  3. Gilmar (1958/1962)
Laterais (4)
  1. Cafu (2002) — lateral-direito
  2. Djalma Santos (1958/1962) — lateral-direito
  3. Nilton Santos (1958/1962) — lateral-esquerdo
  4. Roberto Carlos (2002) — lateral-esquerdo
Zagueiros (4)
  1. Carlos Alberto Torres (1970) — zagueiro/lateral-direito versátil
  2. Aldair (1994) — zagueiro central
  3. Lúcio (2002) — zagueiro central
  4. Mauro Silva (1994) — zagueiro/volante (versatilidade defensiva)
Volantes (4)
  1. Dunga (1994) — volante marcador
  2. Gérson (1970) — volante armador
  3. Clodoaldo (1970) — volante/meia
  4. Gilberto Silva (2002) — volante marcador
Meias/Armadores (4)
  1. Pelé (1970) — meia/atacante universal
  2. Rivaldo (2002) — meia/segundo atacante
  3. Ronaldinho Gaúcho (2002) — meia/ponta-esquerda
  4. Kaká (2002) — meia-armador
    (Observação: Os jornalistas não renunciam a termos o Zico mesmo sem ter sido campeão)
Atacantes (4)
  1. Garrincha (1958/1962) — ponta-direita
  2. Jairzinho (1970) — ponta-direita/centroavante
  3. Ronaldo (2002) — centroavante
  4. Romário (1994) — centroavante

No fim das contas, essa convocação dos 23 preferidos pelos jornalistas é só o pontapé inicial de uma discussão que nunca vai terminar — e ainda bem. Com Taffarel, Pelé, Garrincha, Romário, Ronaldo, Ronaldinho, Rivaldo, Dunga, Gérson e tantos outros monstros sagrados reunidos, qualquer escolha é tão espetacular quanto polêmica. Talvez você ache um absurdo deixar Vinícius Jr. de fora, talvez jure que Romário não pode ser reserva de ninguém, talvez ache que a seleção de 1970 sozinha já ganharia de qualquer time histórico. Quem dessa lista não poderia ficar de fora de jeito nenhum, e qual craque injustiçado você convocaria para essa Copa do Mundo eterna da Seleção Brasileira? Eu sou Mario Divo e você me encontra pelas redes sociais ou em mariodivo.com.br.

Eu sou Mario Divo e posso ser encontrado pelas mídias sociais ou pelo site www.mariodivo.com.br.


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Quer saber mais sobre como a seleção brasileira se tornaria campeã em uma Copa dos Sonhos entre gerações históricas? Então, entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.

Até nossa próxima postagem!

Mario Divo
https://www.mariodivo.com.br

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Valor de Marca, ESG e Confiança: Você Sabe Como Tudo Isto se Conecta? https://www.cloudcoaching.com.br/valor-de-marca-esg-confianca-coerencia/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=valor-de-marca-esg-confianca-coerencia https://www.cloudcoaching.com.br/valor-de-marca-esg-confianca-coerencia/#respond_69895 Tue, 19 May 2026 15:30:35 +0000 https://www.cloudcoaching.com.br/?p=69895 ESG, confiança e transparência deixaram de ser temas reputacionais e passaram a definir valor de marca. Entenda por que coerência, dados auditáveis, governança e práticas reais podem proteger marcas ou acelerar sua desvalorização.

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Valor de Marca, ESG e Confiança: Você Sabe Como Tudo Isto se Conecta?

Como estudioso interessado em processos de avaliação de marcas, acesso regularmente relatórios e índices que mostram a dinâmica do mercado nesse quesito. E, muitas vezes, há fatores que são citados de maneira independente. Na realidade, eles acabam tendo peso na percepção e no relacionamento do público com relação às marcas. Coincidentemente, nesta semana eu acessei um material produzido pela consultoria Brand Finance. Pelo seu conteúdo provocador, esse material motivou-me a ampliar a pesquisa e construir esta postagem.

Quando a Brand Finance mostra que US$ 7,4 bilhões em valor de marca evaporaram da Tesla por queda na percepção de sustentabilidade (Chaves; Haigh; Schaeffer, 2026), muita gente ainda lê isso como “assunto de ESG”, quase um apêndice reputacional. Ao mesmo tempo, outro relatório da própria Brand Finance demonstra que integridade e transparência respondem por até 30% da confiança em alguns setores, a exemplo de seguros e luxo (Oliveira, 2026).

A maior parte das empresas continua tratando essas duas dimensões – sustentabilidade e confiança – como sendo agendas paralelas. Esse é um enorme erro estratégico que deve ser evitado. Quando se conecta os achados desses estudos com pesquisas globais como o Edelman Trust Barometer, o relatório “Meaningful Brands” da Havas e o estudo da Kantar “BrandZ”, o quadro fica bem mais contundente.

ESG, confiança, relevância cultural e desempenho financeiro não são aspectos independentes de um contexto alinhado às marcas. São parte de um agregado de valor e, qualquer curto-circuito em um ponto do conjunto queimará o sistema inteiro.

Então, como podemos amarrar tudo isso de forma mais direta? Começaremos pelo Edelman Trust Barometer 2023–2024.

A confiança em governos, na mídia e em ONGs oscila perigosamente, mas em tempos presentes as empresas são as instituições em que as pessoas mais confiam (Edelman, 2024). Em paralelo, a maioria das pessoas acredita que líderes empresariais exageram ou distorcem seus compromissos em temas como ESG e impacto social. Ou seja, as marcas ocupam um lugar de confiança residual, em que a confiança existe mais por falta de opção do que por um grau genuíno de convencimento.

Nesse contexto, qualquer inconsistência apresentada por determinada marca entre discurso ESG e prática real não será apenas potencial geradora de crise reputacional. Passa a ser uma crise que contamina um ativo escasso do mercado, que é a plena confiança do público com relação à marca. A Brand Finance, por seu lado, traduz isso em números no relatório sobre reputação e sustentabilidade (Sustainability Perceptions Index). Resumidamente, marcas com forte percepção de sustentabilidade alcançam resultados significativos, calculados em bilhões de dólares em valor do intangível (Chaves; Haigh; Schaeffer, 2026).

Porém, o mesmo relatório também aponta o que foi chamado de “ESG gap”. Há marcas com real desempenho em sustentabilidade, mas que perdem valor por comunicar pouco ou mal essa realidade, causando uma destrutiva distância da percepção pública. O recado que se pode tirar disso é incômodo: Não basta ser sustentável e não basta parecer confiável. A criação de valor exige que a prática e a narrativa estejam calibradas, transparentes e verificáveis.

Paula Oliveira (2026), da Brand Finance, propõe uma visão tridimensional da “Confiança”: (a) Funcional – a marca entrega o que promete? (b) Relacional – a experiência é justa, empática, humana?, e; (c) Integridade – existe coerência entre o que a marca declara e o que efetivamente realiza, especialmente em temas sensíveis como sustentabilidade?

Agora, vamos analisar essa premissa a partir do estudo “Meaningful Brands 2023”, da Havas. 

Apenas cerca de 25% das marcas são percebidas como verdadeiramente significativas na vida das pessoas (Havas, 2023). O interessante é o valor dessas marcas supera o desempenho médio do mercado em mais de 200%, segundo a própria Havas.

Outro ponto de choque aparece quando a Brand Finance mede as percepções de sustentabilidade e integridade. O resultado disso aparece expresso em bilhões na linha de valor de marca. A Havas mede como significado percebido – que inclui propósito, impacto social, relevância cultural – impulsiona desempenho acima da média. Juntando as duas perspectivas, temos uma implicação brutal. ESG autêntico somado a uma confiança consistente fará a marca ser percebida como significativa. E isso implica valorização financeira acima da concorrência.

Não se está tratando só de “imagem” ou “storytelling”, mas a questão central está alinhada com segurança emocional do público. Em meio a desinformação, polarização e crise ambiental, as pessoas usam as marcas como pontos de referência para saber em quem e no que confiar. Por isso, quando uma determinada marca quebra essa confiança, o impacto não é só nela própria, pois contamina toda a categoria e pode derrubar o valor para o setor inteiro.

O relatório Kantar BrandZ trabalha com outra variável, pois ele cruza força de marca com métricas financeiras de mercado. Com isso, a consultoria pretende demonstrar como certas dimensões intangíveis explicam o “prêmio de valor” de determinadas marcas sobre outras. Em análises recentes, a Kantar reforça quem marcas percebidas como “doing good” (fazendo o bem) e “well-governed” (boa governança) estão mais protegidas contra crises e apresentam maior resiliência de valor em momentos de turbulência (Kantar, 2023).

Porém, quando propósito declarado não encontra correspondência em ações visíveis, o efeito é o oposto, pois o propósito vira um ativo tóxico, gerando desconfiança.

Essa premissa conversa diretamente com os alertas da Brand Finance, especialmente no caso da Tesla, celebrada como símbolo de transição energética. Para a consultoria, a empresa sofreu queda de valor justamente por percepções controversas em práticas ambientais e sociais, que abalaram a integridade da promessa (Chaves; Haigh; Schaeffer, 2026).

Marcas que insistem em narrativas ESG grandiosas, mas não criam mecanismos de verificação e transparência, entram no radar da desconfiança alimentada por redes sociais, ativismo digital e mídia. Ou seja, o que a Kantar chama de “propósito desalinhado” é, na linguagem da Brand Finance, “integridade em erosão”. E isso não é um problema da esfera de “relações públicas”, mas passa a ser um processo continuado de destruição de valor.

O World Economic Forum apontou a desinformação como um dos riscos globais mais graves da década (World Economic Forum, 2024). Esse contexto amplia, em escala global, o impacto da incoerência entre discurso e realidade. Empresas comunicam ESG com intensidade crescente, porém seus relatórios são, em grande parte, inconsistentes, fragmentados e difíceis de auditar, como denuncia a Brand Finance ao abordar a necessidade de métricas “aI-ready” (Chaves; Haigh; Schaeffer, 2026).

Ao mesmo tempo, a capacidade de produzir, manipular e espalhar desinformação cresce exponencialmente pelas redes sociais. O resultado é que, se a sua narrativa de marca não estiver lastreada em dados padronizados, verificáveis e rastreáveis, qualquer ruído – verdadeiro ou não – irá se tornar crível. Nesse linha, a marca entrega munição perfeita para que a falta de confiança estrutural no sistema recaia sobre si mesma.

Agora cabe uma provocação dura.

Muitas empresas têm mais esforço em “controlar narrativas” do que em estruturar dados consistentes e se abrir a auditorias independentes. No curto prazo, isso pode segurar manchetes, porém no médio prazo é receita para um desastre de reputação, perda no valor de marca e problemas com licenças regulatórias. Um ponto chave do relatório da Brand Finance sobre sustentabilidade é o exemplo da Schneider Electric, que integrou metas ESG com peso equivalente às metas financeiras (Chaves; Haigh; Schaeffer, 2026). Entre 2020 e 2025, a empresa passou a figurar nos rankings de marcas mais valiosas e respeitadas.

Esse caso ilustra a mudança de paradigma: (a) ESG não está nos comunicados ao público, está na agenda do board; (b) Confiança não está em campanhas publicitárias, mas está nos incentivos para uma liderança comprometida; (c) Não vai funcionar ter o relatório ESG com fotos inspiradoras, porém sem dados comparáveis, sem metas claras e sem indicadores auditáveis. E aí a mensagem da Brand Finance e dos demais estudos converge: é fundamental tratar o valor de marca como sinalização de risco e de legitimidade.

Se juntarmos os relatórios da Brand Finance, Edelman, Havas, Kantar e WEF, irão aparecer três conclusões marcantes: (a) O valor de marca é função da confiança, sendo esta uma função da coerência em práticas ESG; (b) A equação não é mais “reconhecimento + diferenciação = brand equity”, mas sim “desempenho funcional + experiência relacional = integridade sustentável”, e; (c) A inconsciência em ESG corrói a confiança e, então, isso certamente afeta o valor da marca.

Quase concluindo, o Havas Meaningful Brands e o Kantar BrandZ mostram que marcas percebidas como relevantes para a vida das pessoas performam melhor financeiramente.

Porém, como já citado, isso não se alcança só com narrativas, mas se constrói com políticas, escolhas difíceis e mecanismos de prestação de contas. Se amanhã um investidor, um agente público ou um grupo de consumidores usar os dados disponíveis de sua empresa para avaliar a coerência entre seu relato ESG, suas decisões de negócio e suas externalidades reais, o valor da sua marca vai subir ou vai cair?

A Brand Finance já vem respondendo a isso com modelos de avaliação que incorporam percepção de sustentabilidade e confiança. Edelman, Havas e Kantar já demonstraram que confiança, significado e propósito coerente explicam uma parte considerável da performance de valor junto ao mercado. O World Economic Forum está alertando que desinformação e crise de confiança são riscos sistêmicos. Tudo isso junto aponta para uma tese única e difícil de ignorar. Em 2026, e daí em frente, o valor de marca será, na prática, o preço que o mercado pagará pela coerência entre discurso e práticas.

Se práticas de ESG forem cosméticas, a conta chegará na forma de desconfiança, ativismo, regulação e desvalorização. Se confiança for tratada como “intangível romântico”, a marca abrirá mão de uma essencial variável de resiliência do negócio. A questão não é mais se empresa “vai investir em ESG” ou “vai trabalhar confiança”. A questão é se a empresa está disposta a reconstruir a lógica de valor de marca a partir da integridade, com dados, governança e disposição para ser auditada. Eu sou Mario Divo e você me encontra pelas redes sociais ou em mariodivo.com.br.

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Quer saber mais sobre como o valor de marca é impactado por ESG, confiança e coerência prática? Então, entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.

Até nossa próxima postagem!

Mario Divo
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Confira também: Valor de marca, ESG e Confiança: você sabe como tudo isto se conecta?


Palavras-chave: valor de marca, confiança, esg, sustentabilidade, integridade, percepção de sustentabilidade, sustentabilidade e confiança, práticas esg, crise de confiança, narrativa de marca

Referências:

BRAND FINANCE. Brands, reputation, and sustainability: How the ESG agenda translates into brand and business value. Autores: Eduardo CHAVES; Robert HAIGH; Fabiana SCHAEFFER. Brand Finance, 26 fev. 2026. Disponível em: https://brandfinance.com/insights/brands-reputation-and-sustainability-how-the-esg-agenda-translates-into-brand-and-business-value. Acesso em: 15 maio 2026.

BRAND FINANCE. How to build trust in an increasingly distrustful world. Autora: Paula OLIVEIRA. Brand Finance, 11 fev. 2026. Disponível em: https://brandfinance.com/insights/how-to-build-trust-in-an-increasingly-distrustful-world. Acesso em: 15 maio 2026.

EDELMAN. 2024 Edelman Trust Barometer. Edelman, 2024. Disponível em: https://www.edelman.com/trust. Acesso em: 15 maio 2026.

HAVAS. Meaningful Brands 2023 Report. Havas Group, 2023. Disponível em: https://www.meaningful-brands.com. Acesso em: 15 maio 2026.

KANTAR. Kantar BrandZ – Most Valuable Global Brands 2023. Kantar, 2023. Disponível em: https://www.kantar.com/campaigns/brandz. Acesso em: 15 maio 2026.

WORLD ECONOMIC FORUM. Global Risks Report 2024. 19. ed. Cologny/Geneva: World Economic Forum, 2024. Disponível em: https://www.weforum.org/reports/global-risks-report-2024. Acesso em: 15 maio 2026.


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Comunicação Não É o Que Você Diz, É Como o Cérebro do Outro Reage https://www.cloudcoaching.com.br/acoplamento-neural-comunicacao-conecta-cerebros/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=acoplamento-neural-comunicacao-conecta-cerebros https://www.cloudcoaching.com.br/acoplamento-neural-comunicacao-conecta-cerebros/#respond_69654 Tue, 05 May 2026 13:20:22 +0000 https://www.cloudcoaching.com.br/?p=69654 Descubra como o acoplamento neural revela que comunicação não é apenas transmitir dados, mas sincronizar cérebros, despertar empatia, criar sentido compartilhado e fortalecer conexões humanas mais profundas.

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Comunicação Não É o Que Você Diz, É Como o Cérebro do Outro Reage

Uri Hasson, professor de Psicologia e Neurociência na Universidade de Princeton, consolidou sua carreira explorando uma das fronteiras mais fascinantes da ciência moderna: como o cérebro humano processa estímulos do mundo real. Mais importante, como o cérebro de alguém se conecta a outros cérebros em um processo de comunicação.

Usando o seu laboratório no Princeton Neuroscience Institute, Hasson tem se dedicado a entender a base biológica da interação social, utilizando técnicas avançadas de neuroimagem para mapear o que acontece dentro de nossas cabeças quando contamos histórias ou ouvimos um relato. Seu trabalho rompeu com a tradição da neurociência clássica, que costumava estudar o cérebro de forma isolada, em ambientes controlados e com estímulos artificiais.

Em vez disso, ele decidiu observar o cérebro em seu estado mais natural e produtivo, ou seja, em plena atividade de comunicação. Tomando por referência uma apresentação feita por ele em 2016, já com mais de 3,5 milhões de visualizações, desenvolvemos este conteúdo que será bastante desafiador aos leitores. E, por certo, buscamos citações de trabalhos mais modernos e presentes na literatura.


A grande descoberta que Hasson apresentou em suas pesquisas está no conceito de “acoplamento neural” (ou neural coupling).

Imagine dois cérebros que, embora fisicamente separados, começam a operar em uma sintonia quase perfeita. Ao analisar voluntários dentro de máquinas de ressonância magnética funcional (fMRI), Hasson observou que, enquanto uma pessoa conta uma história real e outra pessoa a escuta, os padrões de atividade cerebral do ouvinte começam a espelhar os padrões cerebrais do emissor.

Essa sincronia não ocorre apenas nas áreas básicas de processamento auditivo, responsáveis por captar o som das palavras. Ela se estende para áreas de ordem superior, as quais estão ligadas à compreensão de significados, empatia e processamento de emoções. Em essência, o cérebro do ouvinte torna-se fisicamente semelhante ao cérebro do falante.

O mais impressionante nessas descobertas foi o efeito de “antecipação”. Hasson notou que, quando a comunicação é particularmente eficaz, o cérebro do ouvinte não apenas reage ao que está sendo dito, mas começa a prever o que virá a seguir. Os padrões neurais do ouvinte podem, por vezes, preceder os do falante em frações de segundo, indicando uma sintonia profunda e uma compreensão antecipada da narrativa.

Para Hasson, a linguagem não é apenas um conjunto de regras gramaticais, mas um mecanismo biológico que permite “hackear” o cérebro alheio para transmitir ideias e sentimentos. Em seus experimentos, ele demonstrou que, se o falante e o ouvinte não compartilham o mesmo código (se o falante fala russo e o ouvinte apenas inglês, por exemplo), o acoplamento neural simplesmente não acontece. O som é processado, mas a sincronia das áreas de significado permanece ausente.


Isso prova que a construção de uma conexão não está no som emitido, mas no sentido construído a partir do conteúdo recebido.

A comunicação bem-sucedida é um ato de criação compartilhada. Quando contamos uma história sobre um evento passado, estamos efetivamente induzindo um estado cerebral no outro que simula a experiência que vivemos. É o mais próximo que a ciência chegou de validar a ideia de “transmissão de pensamento”.

Pesquisas mais recentes ampliaram os achados originais de Hasson. Elas sugerem que esse acoplamento é altamente influenciado pelo que já carregamos dentro de nós. Um estudo publicado na revista Nature Communications reforça que o contexto e as crenças prévias atuam como filtros para essa sincronia. Se duas pessoas ouvem a mesma história, mas possuem visões de mundo radicalmente diferentes sobre o tema, seus cérebros podem se acoplar de maneiras distintas ou até falhar em uma interpretação crítica.

As pesquisas de M. Nguyen aprofundaram a compreensão sobre o que acontece antes e durante esse acoplamento. Nguyen demonstrou que a eficiência da comunicação depende criticamente de um prévio “conhecimento compartilhado”. Em seus estudos, foi observado que, quando falante e ouvinte possuem modelos mentais ou contextos semelhantes sobre o assunto tratado, o acoplamento neural nas áreas de processamento de alto nível é significativamente mais forte.


Isso reforça a ideia de que, para os cérebros se sincronizarem com perfeição, é preciso haver um terreno comum de significados. Transformar o diálogo em uma verdadeira construção coletiva de entendimento.

E também pode explicar por que a comunicação em ambientes polarizados é tão difícil. Não se trata apenas de uma discordância lógica, pois passa a ser uma divergência biológica. Sem o terreno comum ou o contexto compartilhado, os cérebros lutam para encontrar a mesma frequência, o que nem sempre acontece.

Além da relação entre duas pessoas, as descobertas de Hasson abrem portas para entender a dinâmica de grupos. O conceito de “sincronia de grupo” tem sido explorado por outros pesquisadores, como Suzanne Dikker, da Universidade de Nova York. Em estudos realizados em salas de aula, observou-se que, quando os alunos estão engajados e o professor é eficaz, os cérebros de toda a turma tendem a se sincronizar. Essa harmonia coletiva está diretamente ligada ao desempenho acadêmico e à retenção de informações.

Essa perspectiva altera a forma como podemos enxergar a liderança e a educação. Um líder ou educador eficaz não é apenas alguém que transmite dados ou informações consolidadas, mas precisa ser um facilitador de acoplamento neural coletivo. A habilidade de contar histórias (storytelling) deixa de ser ferramenta “soft” de marketing para se tornar uma técnica neurobiológica de alinhamento de mentes.


Hoje temos visto muito uso de técnicas bem aprimoradas de contação de histórias e copywriting para engajamento de públicos em iniciativas presentes nas redes sociais.

Em um mundo dominado por interações digitais e curtas, surge a pergunta: como o acoplamento neural sobrevive às telas? Fontes recentes de pesquisa em neurociência social indicam que, embora a comunicação por vídeo ou texto ainda permita algum nível de sincronia, a riqueza do sinal é reduzida em comparação ao contato face a face.

A falta de pistas não verbais sutis e o atraso inerente das transmissões digitais podem dificultar a antecipação neural, tornando a comunicação mais cansativa e menos “conectada”. Continuando, o trabalho de Hasson também aponta para o poder das narrativas universais. Filmes, livros e grandes discursos têm a capacidade de sincronizar milhares de cérebros simultaneamente, criando uma base de compreensão comum que transcende fronteiras físicas.

Essas descobertas, em essência, resgatam a premissa de que somos seres inerentemente sociais, projetados para a conexão. A comunicação não é um ato passivo de receber informações, mas um processo dinâmico de ressonância biológica. Quando realmente ouvimos alguém, estamos permitindo que essa pessoa molde a estrutura momentânea da nossa atividade cerebral.

Complementando a visão de sincronia de Hasson, o pesquisador Paul Zak traz uma camada biológica essencial para entendermos por que as histórias nos movem tanto. Zak descobriu que narrativas estruturadas com um arco dramático claro — que prendem nossa atenção e geram tensão — provocam a liberação de oxitocina e cortisol no cérebro. Enquanto o trabalho de Hasson foca na “sintonia” entre os cérebros (o acoplamento), Zak explica que essa conexão é mediada por substâncias químicas que aumentam a empatia e a disposição de cooperar.


O acoplamento neural não é apenas um fenômeno técnico de transmissão de dados.

É um processo carregado de emoção que nos permite, literalmente, sentir o que o outro sente. Para profissionais de todas as áreas — executivos, educadores, coaches, mentores, terapeutas ou comunicadores —, o desafio moderno é criar as condições para que esse acoplamento ocorra. Isso exige empatia, clareza e, acima de tudo, a disposição de construir significados juntos, em vez de apenas emitir sinais para o vazio.

Ao final, a ciência de Hasson — em sinergia com os achados de Zak, Dikker e Nguyen — revela que o ato de comunicar é a nossa tecnologia humana mais sofisticada. Não se trata apenas de transmitir dados, mas de promover uma fusão biológica e emocional. Porque enquanto o contexto compartilhado de Nguyen serve de ponte, e a química cerebral de Zak desperta a empatia, temos a sincronia observada por Dikker a harmonizar grupos inteiros em uma inteligência coletiva.

Fica claro, enfim, que uma boa conversa é um evento transformador. Ele literalmente remodela nossa mente, fortalece nossos laços com outras pessoas e valida a ideia de que somos, essencialmente, seres projetados para o encontro presencial.

Eu sou Mario Divo e posso ser encontrado pelas mídias sociais ou pelo site www.mariodivo.com.br.


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Mario Divo
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Confira também: Bebês Projetados: O Desafio da Ética Científica para o Mundo


Palavras-chave: acoplamento neural, comunicação, cérebro, sincronia, empatia, como criar conexões reais na comunicação, comunicação em ambientes polarizados, facilitador de acoplamento neural coletivo, processo dinâmico de ressonância biológica, construção coletiva de entendimento

Fontes consultadas:

Hasson, U. (2016). This is your brain on communication. TED Talk. Disponível em: TED.com.

Stephens, G. J., Silbert, L. J., & Hasson, U. (2010). Speaker–listener neural coupling underlies successful communication. Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Dikker, S., et al. (2017). Brain-to-Brain Synchrony Tracks Real-World Dynamic Group Interactions in the Classroom. Current Biology.

Nguyen, M., et al. (2019). Shared understanding and the role of neural coupling. Nature Communications.

Princeton Neuroscience Institute. Perfil de pesquisa e publicações de Uri Hasson. pni.princeton.edu.

Zak, P. J. (2015). Why Inspiring Stories Make Us React: The Neuroscience of Narrative. Cerebrum.

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Bebês Projetados: O Desafio da Ética Científica para o Mundo https://www.cloudcoaching.com.br/bebes-projetados-etica-cientifica-futuro-humano/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=bebes-projetados-etica-cientifica-futuro-humano https://www.cloudcoaching.com.br/bebes-projetados-etica-cientifica-futuro-humano/#respond_69446 Tue, 21 Apr 2026 13:20:25 +0000 https://www.cloudcoaching.com.br/?p=69446 Bebês projetados deixaram de ser ficção. Descubra como CRISPR, biohacking, seleção embrionária e lacunas regulatórias transformam a ética científica em um debate decisivo sobre governança, limites humanos e futuro da humanidade.

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Bebês Projetados: O Desafio da Ética Científica para o Mundo

Imagine que você está sentado em uma plateia em Viena-Áustria, em 2015. No palco, um cientista norte-americano especializado em células-tronco olha diretamente para a câmera e faz uma afirmação que soa mais como roteiro de ficção científica do que como ciência de verdade: em breve, será possível escolher o DNA de uma criança, da mesma forma que escolhemos o modelo de um carro.

Esse palestrante é Paul Knoepfler, biólogo, escritor e blogueiro americano. Ele é professor do Departamento de Biologia Celular e Anatomia Humana, do Genome Center e do Comprehensive Cancer Center da Universidade da Califórnia, Davis School of Medicine. E tudo aquilo que ele comentou no evento TED Talk não era fantasia — era um aviso perturbador de algo que estava por acontecer (KNOEPFLER, 2015).

Antes de continuar, como esta postagem terá muitas menções a textos e apresentações, teremos uma sequência de citações em padrão ABNT, dando assim mais rigor ao texto. Continuando, onze anos depois daquele evento, olhando para o que aconteceu no mundo desde então e, além disso, cruzando com o que escrevemos aqui nesta plataforma em 2021 e em 2025, percebe-se que Knoepfler não estava exagerando.

Muito pelo contrário: a realidade superou boa parte do que ele ousou projetar.

A palestra de Knoepfler girou em torno de uma tecnologia chamada CRISPR-Cas9. De forma bem direta, ela funciona como uma “tesoura molecular”, que permite cortar e editar trechos do DNA com uma precisão que até então era impossível. O que intrigava a plateia não era apenas a técnica em si, mas o custo e a acessibilidade crescentes dessa ferramenta.

Knoepfler alertou que modificar o material genético de um embrião — mudanças que seriam passadas para todos os descendentes daquela pessoa — havia deixado de ser ficção e estava se tornando tecnicamente viável  Seu medo central era claro: e se o acesso a essa tecnologia fosse desigual? E se apenas quem tivesse dinheiro pudesse garantir filhos “otimizados”, livres de doenças genéticas ou até com características escolhidas a dedo?

Nesse cenário, estaríamos diante de uma nova forma de eugenia, aquela prática histórica e moralmente condenável de controle da reprodução humana, porém agora com roupagem científica e embalagem de serviço premium. Na época, muitos na plateia podem ter pensado: “isso está distante, é assunto de laboratório”. Mas o próprio cientista estimou que tínhamos cerca de quinze anos para que aplicações práticas e mais amplas se tornassem realidade. Seu prazo era 2030 (KNOEPFLER, 2015). E o relógio já está no fim da contagem.

Não demorou muito para que o aviso de Knoepfler ganhasse um rosto.

Em 2018, o mundo foi surpreendido pelo anúncio do cientista chinês He Jiankui, que afirmou ter criado os primeiros bebês geneticamente modificados por CRISPR. As duas gêmeas, Lulu e Nana, tiveram DNA editado para conferir resistência ao vírus HIV, gerando reação global de choque e repúdio. A comunidade científica e governos condenaram o experimento de forma praticamente unânime. He Jiankui foi preso na China e a edição germinativa em humanos passou a ser tratada como linha vermelha internacional (GREELY et al., 2019).

Por conta desse fato, a Organização Mundial da Saúde reagiu e pediu formalmente uma governança rigorosa, recomendando que qualquer aplicação clínica de edição do genoma em embriões fosse suspensa até que estruturas éticas e regulatórias adequadas estivessem em vigor (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2019). A recomendação existe, mas o mercado não parou.

Entre 2020 e 2025, enquanto a edição direta de embriões permanecia proibida na maioria dos países, surgiu um mercado paralelo: startups especializadas em triagem poligênica de embriões para fertilização in vitro. Ou seja, sem mexer diretamente no DNA, essas empresas oferecem análises estatísticas para escolher, entre vários embriões, aquele com menor predisposição a certas doenças ou, em alguns casos, com características consideradas “mais favoráveis”. A eugenia de Knoepfler chegou pela porta de serviço.

Quando publicamos aqui na Cloud Coaching, em 2021, um artigo sobre biohacking e estilo de vida, o objetivo era mostrar que modificar o próprio corpo já havia deixado de ser coisa de cientistas ou atletas de elite.

O biohacking, essa mentalidade de entender o corpo como um sistema a ser otimizado, passou a estar presente no cotidiano de muita gente, fosse através de dietas específicas, dispositivos vestíveis, suplementos avançados ou mesmo rotinas de monitoramento de saúde (DIVO, 2021).

Aquele artigo aqui publicado se posicionou como um termômetro cultural. Ele mostrou que a sociedade já estava normalizando a ideia de que o corpo humano é passível de ajustes e melhorias constantes. E é exatamente aí que tudo se conecta com o alerta de Knoepfler: a sociedade já aceita modificar a performance, tratar do sono e do nosso metabolismo por conta própria.

Então, nesse contexto, por que seria tão difícil aceitar, ou pelo menos compreender, a demanda por modificações genéticas antes mesmo do nascimento? O biohacking não causou a edição genética, mas criou um ambiente cultural em que tudo se torna mais palatável, sem limites aparentes, menos chocante, mais próxima do “normal”. É o processo silencioso de familiarização com a ideia de que a biologia humana não é destino definitivo.

Em 2025, o tema retornou a este espaço, então com perspectiva ainda mais ampla: a convergência entre o biohacking e a criação de humanoides. Não falamos apenas de robôs que parecem gente, mas de pessoas que incorporam tecnologias, tais como interfaces cérebro-computador, próteses biônicas com feedback sensorial e até tecidos sintéticos. Tudo para, em algum nível e de alguma forma, conseguirem se tornarem pessoas híbridas (DIVO, 2025).

Esse cenário transforma absurdamente o debate de Knoepfler.

Em 2015, o medo era que o DNA de um bebê fosse editado. Em 2025 e 2026, o desafio é ainda maior, com a modificação genética sendo apenas o primeiro degrau de uma escada que leva ao ser humano redesenhado em múltiplas camadas — biológica, eletrônica, sintética. A pergunta não é mais somente “se devemos editar o DNA de bebês”. Mas o que ainda precisamos avançar para podermos entender o que é “ser humano” e o que “define um ser humano”.

Hoje, a edição genética somática (técnica terapêutica que altera o DNA de células específicas do corpo, sem efeito hereditário) avança em ritmo acelerado. Ela já tem aplicações aprovadas em alguns países para doenças como anemia falciforme e certos tipos de câncer. Isso é muito positivo, legítimo e representa um enorme ganho da ciência.

O problema está na fronteira desse conhecimento, pois a edição do DNA que possa afetar a herança genética permanece proibida na maioria dos países, mas a pressão econômica e comercial parece se mostrar crescente. Startups de seleção embrionária operam em zonas cinzentas preocupantes, porém legais. E a ausência de um acordo internacional efetivo deixa brechas perigosas, pois países com menos regulação podem se tornar destinos de turismo genético (GREELY et al., 2019; PETRIE-FLOM CENTER, 2024; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2019).

Paul Knoepfler nos deu um mapa em 2015. O biohacking nos mostrou a demanda social em 2021. A convergência humanoide nos apresentou o destino em 2025. E em 2026, a realidade é que a tecnologia correu muito mais rápido do que a ética e a legislação conseguiram acompanhar. A pergunta que Knoepfler deixou no ar, em Viena, não era “isso vai acontecer?”. Era “quem vai controlar quando isso acontecer?” (KNOEPFLER, 2015)

E essa pergunta continua sem uma resposta satisfatória.

Não somos mais espectadores da evolução biológica, mas cada vez mais seus arquitetos. Ainda que sem projeto aprovado, sem normas de segurança claras e sem consenso sobre os limites do que é ético ou aceitável. O DNA de uma criança, o corpo de um adulto, a fronteira entre o orgânico e o sintético. Tudo isso está na mesa de negociações para um assunto que a sociedade global ainda não aprendeu a entender direito, principalmente os potenciais impactos futuros.

O desafio que fica não é econômico e muito menos de base tecnológica. É de governança, de ética coletiva e de escolha democrática sobre o tipo de humanidade que queremos construir. Ou melhor escrevendo, o tipo de ambiente humano que não queremos destruir. Se Paul Knoepfler subisse ao palco hoje, talvez dissesse: “Eu avisei. Agora é a vez de todos decidirem”.

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Mario Divo
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Confira também: A Verdade: Como Você Se Relaciona com Ela em Sua Vida?

Palavras-chave: bebês projetados, edição genética, biohacking, engenharia genética, ética científica, bebês geneticamente modificados, triagem poligênica de embriões, seleção embrionária, turismo genético, CRISPR-Cas9

Referências Bibliográficas

DIVO, Mario. Biohacking e Estilo de Vida: Por que você precisa saber disso? Cloud Coaching, 26 fev. 2021. Disponível em: https://www.cloudcoaching.com.br/biohacking-e-estilo-de-vida-por-que-voce-precisa-saber-disso/. Acesso em: 18 abr. 2026.

DIVO, Mario. Biohacking e Humanoides: Será este o Futuro do Ser Humano? Cloud Coaching, 8 abr. 2025. Disponível em: https://www.cloudcoaching.com.br/como-sera-a-convergencia-entre-o-biohacking-e-a-criacao-de-humanoides/. Acesso em: 18 abr. 2026.

GREELY, Henry T. et al. CRISPR'd babies: human germline genome editing in the 'He Jiankui affair'. Journal of Law and the Biosciences, v. 6, n. 1, p. 111–183, 2019. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6813942/. Acesso em: 18 abr. 2026.

KNOEPFLER, Paul. The ethical dilemma of designer babies. TED, 2015. Vídeo (18’). Disponível: https://www.ted.com/talks/paul_knoepfler_the_ethical_dilemma_of_designer_babies. Acesso em: 18 abr. 2026.

PETRIE-FLOM CENTER. Genomic policy and law. Harvard Law School, 2024. Disponível em: https://petrieflom.law.harvard.edu. Acesso em: 18 abr. 2026.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Statement on governance and oversight of human genome editing. Genebra: WHO, 26 jul. 2019. Disponível em: https://www.who.int/news/item/26-07-2019-statement-on-governance-and-oversight-of-human-genome-editing. Acesso em: 18 abr. 2026.

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A Verdade: Como Você Se Relaciona com Ela em Sua Vida? https://www.cloudcoaching.com.br/verdade-voce-esta-vivendo-o-que-acredita/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=verdade-voce-esta-vivendo-o-que-acredita https://www.cloudcoaching.com.br/verdade-voce-esta-vivendo-o-que-acredita/#respond_69241 Tue, 07 Apr 2026 13:20:25 +0000 https://www.cloudcoaching.com.br/?p=69241 O que significa viver a verdade em um mundo de narrativas tão conflitantes? Descubra como alinhar discurso e ação, fortalecer seu caráter e tomar decisões mais conscientes em meio ao excesso de informação e interpretações.

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A Verdade: Como Você Se Relaciona com Ela em Sua Vida?

Em 1902, William George Jordan escrevia sobre a “verdade” como quem descreve uma força invisível, mas inevitável. Não era apenas uma virtude elegante para ocasiões especiais, mas nas palavras dele, essa é a “rocha fundamental do caráter humano”. Algo que não se veste como um terno de gala, mas que se usa como roupa de trabalho, no cotidiano. Mais de um século depois, existe uma pergunta ecoando como um trovão: o que ainda significa viver a e na “verdade”?

O livro The Power of Truth: Individual Problems and Possibilities (em versão livre – O Poder da Verdade: Problemas e Possibilidades Individuais) apresenta uma reflexão da ética e da moralidade, explorando o impacto da “verdade” no crescimento pessoal e no aprimoramento. Jordan examina com maestria a conduta da vida, oferecendo perspectivas sobre como, ao abraçar a “verdade”, podemos lidar melhor com os desafios da vida.

Quem se interessar pelo tema pode encontrar uma edição revisada, publicada pela Editora Anson Street Press, em março de 2025 (Amazon e outras plataformas para venda de livros). Essa edição oferece um guia acessível para compreender e aplicar princípios éticos no dia a dia, além de aprofundar a compreensão de conceitos filosóficos sobre o assunto. E agora, voltemos à pergunta anterior:


O que ainda significa viver a e na “verdade”?


A resposta, curiosamente, não está mais simples e sim mais urgente. Para Jordan, a “verdade” não significa apenas dizer o que é factual. Ela exige que uma pessoa venha a viver em coerência com aquilo que acredita. Ele desenhou uma linha moral bastante clara ao afirmar que não existe “verdade” teórica. Se você sabe algo e não vive de acordo com isso, sua vida é uma mentira.

Essa ideia tem algo de provocador, pois elimina o espaço confortável entre discurso e prática. Não há zona neutra, ou seja, se você não viver aquilo que acredita, estará então traindo a si próprio. E indo além, Jordan faz uma distinção que continua atual: Errar não é um problema, mas a desonestidade consciente sim.  Uma pessoa pode estar errada e ainda assim ser íntegra. Mas quando alguém conhece a “verdade” e a ignora deliberadamente, essa pessoa estará rompendo com a própria consciência.

Naquele início de século XX, esse debate sobre “verdade” era muito mais individual, servindo como uma orientação interna. Não era algo para ser incluído entre os temas mais debatidos socialmente e, até os dias atuais, muitas coisas influenciaram até seu entendimento. Aquilo que Jordan buscava motivar no indivíduo, agora no século XXI, temos como suporte as redes sociais. A “verdade” saiu do silêncio da consciência humana e entrou em um estádio lotado, com microfones, algoritmos e plateias polarizadas, multiplicando a “verdade” em múltiplas narrativas.


Hoje, a questão não é apenas “estou sendo verdadeiro comigo mesmo?”, mas também “quem está moldando aquilo que eu acredito ser verdadeiro?”.


Vivemos uma era em que a informação circula com a velocidade de luz, mas a compreensão caminha a pé, tropeçando em opiniões prontas. A “verdade” deixou de ser algo a ser demonstrado e passou a ser disputada. Se para Jordan “mentiras sabem andar em batalhões”, hoje esses batalhões têm Wi-Fi, estratégia e até mesmo financiamento de interessados.

Nos estudos sociológicos atuais e futuros, certamente estará incluído um tópico especial sobre como cada geração se relacionou com a “verdade”.  Para quem viveu no início do século XX, a “verdade” era algo associado à honra pessoal. Palavra dada funcionava como contrato e a reputação de alguém nascia da coerência entre fala e ação. No pós-guerras mundiais, a “verdade” começou a se institucionalizar e passou a ser mediada por jornais, universidades, associações e grupos temáticos, bem como narrativas oficiais de governos de plantão.

Surgiu então uma chamada confiança na informação a partir de fontes onde, em tese, a “verdade” era identificada e reproduzida. O tempo passou e chegamos na geração digital, em que a “verdade” não vem mais de poucos e reputados centros. Hoje, ela emerge sob vários tipos de apresentação e roupagem, nascida e multifacetada por milhões de vozes simultâneas que buscam protagonismo, gerando absoluto caos.


O mundo digital permite com que crenças sejam moldadas por bolhas sociais, que algoritmos reforcem convicções pré-existentes e as opiniões (achismos) ganhem o mesmo peso que fatos.


Aquilo que Jordan chamou de “verdade”, antes sólida, virou algo mais parecido com areia movediça. E o complicador desse contexto é que, se no indivíduo a “verdade” tem relação direta com o caráter, no mundo político ela molda poder. Governos sempre trabalharam com narrativas, mas nunca com a sofisticação atual.

Democracias e autocracias, cada uma à sua maneira, disputam o controle do que é percebido como real. Em ambos os casos, a “verdade” deixa de ser apenas ética e passa a ser extremamente estratégica. Uma notícia não é só informação, mas ela serve para influenciar a interpretação dos fatos à conveniência do poder. Jordan já alertava que o político que ajusta suas posições conforme o vento da popularidade é um “truqueiro”. Hoje, essa descrição parece quase suave diante do cenário global.

Outro ponto interessante do texto original é a crítica que Jordan faz à premissa de que “mentir é necessário para os negócios”. Mais de um século depois, essa discussão continua viva, mas agora com novas camadas. No mundo corporativo atual, reputação é ativo financeiro, confiança é diferencial competitivo e transparência virou estratégia de marca. Empresas que manipulam a “verdade” podem crescer rapidamente, mas tendem a colapsar quando a realidade emerge.

Jordan diria que isso já estava previsto, pois o sucesso baseado na mentira é temporário. A diferença é que hoje esse ciclo é mais rápido, a realidade dos fatos aparece mais cedo e o julgamento é coletivo. Cabe afirmar que o problema nunca foi a falta de dados ou agilidade para compilar esses dados. O impacto sempre foi humano, o que deixa a pergunta: Se temos mais acesso à informação do que nunca, por que ainda hoje lutamos contra a “verdade”?


Em princípio, algumas razões continuam as mesmas, desde 1902: medo das consequências, desejo de aceitação, apego a crenças antigas e o conforto da ilusão.


Jordan observava que as pessoas são leais ao que mais desejam e aceitam a quando a mentira que oferece conveniência. Assim, o conceito de “verdade” em não mudou, mas sua aplicação sim se modificou. Porém, há algo que permanece válido: apenas a verdade continua sendo o que se sustenta no longo prazo.

Caminhando para o final desta postagem, cabe afirmar que vivemos um paradoxo curioso: nunca soubemos tanto de tanta coisa, mas nunca foi tão difícil ter certeza. Jordan dizia que a “verdade” não pode ser totalmente definida, apenas percebida em suas manifestações. Hoje, isso ganha novo significado. A “verdade” não está apenas nos dados, mas na interpretação honesta deles.

Em meio a esse cenário de disputas narrativas, sobra uma pergunta simples e incômoda: o que hoje significa viver a “verdade” na prática? Resumidamente, podemos comentar posturas como verificar antes de compartilhar, admitir quando não sabe, revisar crenças antigas e, ainda, alinhar discurso e ação. Nada disso é muito grandioso, porém não é tão fácil de ser encontrado.

Concluindo, Jordan insistia que a “verdade” está nos detalhes do cotidiano, não em ocasiões especiais. Esse ponto atravessou intacto mais de um século e, atualmente, um dos locais onde existe grande demanda sobre “verdades” é o ambiente de trabalho. Hoje, ambientes profissionais são ecossistemas que cobram confiança, a qual é, essencialmente, alinhada com a “verdade”.

Afinal, o ambiente de trabalho moderno funciona como um laboratório vivo daquilo que Jordan já citava: a “verdade” não é estratégia, ela é fundamento. E, talvez, a maior provocação que podemos levantar nesta abordagem, ao trazer um texto de 1902 para o mundo de 2026, seja de que a tecnologia e a sociedade mudaram bastante, mas e quanto ao caráter das pessoas?


No fim das contas, tudo remete a uma pergunta final que não aceita maquiagem: você está vivendo aquilo que acredita ser a sua verdade?


Se a resposta for negativa, não adianta trocar de ferramenta, tecnologia, emprego, discurso ou de cenário, pois o problema persistirá na base, invisível por fora, mas estrutural por dentro. Agora, se a resposta for “sim”, ainda que imperfeita merecendo ajustes, você está sustentando algo raro: uma vida que não precisa de ajustes constantes para parecer coerente.

E é justamente aí que mora o valor real, porque viver a “verdade” não é o caminho mais fácil nem o mais rápido, mas é o único que não cobra juros ocultos lá na frente. Seja você um coach, mentor, consultor, terapeuta ou conselheiro, seu valor para o cliente será tanto melhor e maior quando a relação estiver sempre baseada na “verdade”. E todos forem leais e verdadeiros promotores da “verdade”.

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Mario Divo
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Confira também: Você Vive em Seu Universo ou Busca Criar um Pluriverso?

Palavras-chave: verdade, caráter, consciência, coerência, informação, viver a verdade na prática, alinhamento entre discurso e ação, impacto da verdade no caráter, verdade no mundo digital, como viver a verdade no dia a dia

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Você Vive em Seu Universo ou Busca Criar um Pluriverso? https://www.cloudcoaching.com.br/pluriverso-expandir-visao-de-mundo-transformar-realidade/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=pluriverso-expandir-visao-de-mundo-transformar-realidade https://www.cloudcoaching.com.br/pluriverso-expandir-visao-de-mundo-transformar-realidade/#respond_69060 Tue, 24 Mar 2026 13:20:10 +0000 https://www.cloudcoaching.com.br/?p=69060 Descubra como o conceito de pluriverso pode expandir sua visão de mundo, transformar sua forma de viver e repensar o desenvolvimento humano. Uma reflexão profunda sobre realidade, identidade e novas possibilidades de existência.

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Você Vive em Seu Universo ou Busca Criar um Pluriverso?

Hoje eu decidi adaptar o conteúdo baseado na instigante palestra de Greg Anderson, intitulada “The Reality of the Past: How We Got It Wrong” (em tradução livre – A realidade do passado: como nós nos enganamos), apresentada no TED x OhioStateUniversity (https://www.youtube.com/watch?v=pGJjScfG8h4). Para esta plataforma dedicada ao desenvolvimento humano, esse tema é riquíssimo porque desafia a base de como percebemos o “sucesso”, a “identidade”, o “mundo exterior” e a “relação com o outro”.

Durante muito tempo, o desenvolvimento humano foi tratado como jogo de aperfeiçoamento individual. Ou seja, motivação ao ajuste dos hábitos pessoais, melhoria no desempenho, alcance de metas mais ambiciosas. Mas há uma pergunta mais profunda, quase desconcertante, que raramente entra em cena: e se o desafio não estiver no jogador, mas no próprio tabuleiro?

Essa é a provocação central que emerge da reflexão sobre o pluriverso. Inspirada pela palestra citada, essa ideia nos convida a questionar algo que geralmente aceitamos sem perceber: a própria natureza da realidade que habitamos. Fomos educados a acreditar que vivemos em um ambiente único, objetivo e universal. Um mundo regido por leis materiais, onde o ser humano ocupa o centro e a vida é, essencialmente, uma competição entre indivíduos.


Esse modelo repousa sobre três pilares silenciosos:

  • Materialismo: só é real aquilo que pode ser medido, tocado ou quantificado;
  • Antropocentrismo: o ser humano é o protagonista, e tudo o mais existe como recurso;
  • Individualismo: cada pessoa é um ente isolado, responsável por próprio sucesso ou fracasso.

Segundo Anderson, essas ideias não são percebidas como crenças, mas funcionam como o “ar invisível” que respiramos.

No entanto, ao olhar para outras culturas e períodos históricos, percebemos algo intrigante: esse modelo não é a regra, mas sim a exceção. Se pudéssemos caminhar pela Atenas clássica, encontraríamos uma realidade quase irreconhecível para os padrões modernos. Não só pelas roupas ou arquitetura, mas pela estrutura do mundo ali vivido.

Naquele contexto, o invisível era tão real quanto o visível. Deuses não eram abstrações distantes, mas presenças ativas no cotidiano. A terra não era propriedade e sim uma entidade viva. E o “eu” individual, como o concebemos hoje, praticamente não existia. O sujeito era inseparável do coletivo, do demos. Esse exemplo acima não é um convite à nostalgia, mas uma evidência poderosa: a realidade não é fixa. Ela é construída.

E continuando com Anderson e agora também incluindo outros estudiosos, o modelo que hoje consideramos “natural” foi moldado ao longo de processos históricos específicos, especialmente durante o Iluminismo e a Revolução Industrial. Ele serviu a um propósito: organizar sociedades baseadas na produção, eficiência e na acumulação. Devemos aceitar que funcionou, em parte.

Mas os sinais de esgotamento são cada vez mais evidentes, considerando as crises ambientais, colapso de ecossistemas, epidemias de ansiedade e depressão, relações fragmentadas, falta de colaboração entre as pessoas. É como se estivéssemos operando um sistema sofisticado que, silenciosamente, começou a falhar. Se a realidade que construímos gera esses efeitos, talvez seja hora de revisitar o próprio projeto.

É aqui que entra o conceito de pluriverso. Em vez de um único mundo válido, existe uma multiplicidade de mundos possíveis — diferentes formas de organizar a vida, o conhecimento e as relações. No pluriverso, não há uma verdade única que se impõe sobre todas as outras. Há coexistência, diálogo e diversidade ontológica — ou seja, diferentes maneiras de ser e existir.


Para o desenvolvimento humano, isso muda tudo.

Crescer deixa de ser apenas evoluir dentro de um sistema e passa a incluir a capacidade de questionar e recriar o próprio sistema. Grande parte das abordagens de desenvolvimento pessoal que encontramos hoje atua na superfície: melhorar comportamentos, aumentar produtividade, desenvolver competências.

Mas, se utilizarmos uma lente mais profunda, percebemos que essas ações acontecem dentro de uma estrutura invisível de crenças. É como ajustar a decoração de uma casa sem perceber que os alicerces estão comprometidos. Uma ferramenta útil para compreender isso é a Análise de Camadas Causais, que organiza a nossa realidade em níveis:

  • Litania: os sintomas visíveis (estresse, crise ambiental, competição extrema);
  • Sistemas: estruturas sustendo os sintomas (economia competitiva, mundo individualista);
  • Visão de mundo: crenças validando os sistemas (domínio da natureza, valor maior à ciência);
  • Mito/metáfora: narrativas que moldam tudo (a vida como batalha, o mundo como máquina).

Transformações reais acontecem quando atuamos nas camadas mais profundas.

É ali que o pluriverso ganha força, substituindo a metáfora da máquina pela do organismo vivo, da competição pela interdependência. A ideia pode soar filosófica, mas suas aplicações são surpreendentemente concretas. Eis aqui o que pode ser feito para concretizar o pluriverso:

  1. Humildade epistêmica: Reconhecer que nossa forma de ver o mundo não é a única possível, isso já abre espaço para diálogo e aprendizado. Em conflitos, isso muda a pergunta de “quem está certo?” para “qual realidade está sendo vivida aqui?”;
  2. Do “eu” ao “nós”: O sucesso individual, quando desconectado da colaboração coletiva, revela-se frágil. O pluriverso convida as pessoas a medirem crescimento pelo impacto no todo, ou seja, nas relações humanas, na comunidade e no meio ambiente;
  3. Reencantamento do cotidiano: Ao invés de tratar tudo como recurso, passamos a cultivar uma relação de cuidado e respeito com o mundo, tanto no que se refere às pessoas como ao ambiente. O trabalho deixa de ser apenas produção e se torna participação em algo maior;
  4. Sustentabilidade como modo de ser: Não se trata apenas de práticas ecológicas pontuais, mas de uma mudança ontológica, que é se perceber como parte de uma enorme teia viva.

Continuando com a conclusão proposta pelos estudiosos do assunto, o conceito de pluriverso não está isolado.

Ele ressoa em diversas áreas do conhecimento e tradições culturais. O antropólogo Arturo Escobar propõe um “design para o pluriverso”. Nele, comunidades constroem seus próprios modos de existência, respeitando suas interdependências.

O líder indígena Ailton Krenak critica a separação entre humanidade e natureza, alertando que essa ruptura nos levou a uma crise civilizatória. Na antropologia, o perspectivismo ameríndio, desenvolvido por Eduardo Viveiros de Castro, revela que diferentes seres percebem o mundo a partir de perspectivas distintas, ampliando radicalmente nossa noção de realidade.

A neurociência contemporânea sugere que aquilo chamado de “realidade” é, em boa parte, construção do cérebro baseada em previsões, projeções e experiências. Essas vozes, vindas de campos distintos, convergem para uma mesma direção: o mundo não é único, fixo ou neutro. Ele é plural, dinâmico, cocriado.

No contexto organizacional, essa mudança de paradigma já começa a aparecer, mesmo que tardiamente. Modelos de liderança regenerativa substituem a lógica de comando e controle dos antigos chefes por abordagens que favorecem colaboração, adaptabilidade e cuidado sistêmico. O líder deixa de ser controlador e passa a ser cultivador de ambientes onde a vida — em suas múltiplas formas — possa florescer.

Isso exige mais do que novas técnicas. Exige nova visão de mundo. Talvez o maior obstáculo não seja estrutural, mas imaginativo. Fomos treinados a acreditar que não há alternativa: “o mundo é assim mesmo”. O pluriverso rompe essa narrativa, pois nos lembra que outras formas de viver já existiram — e podem existir novamente.

Desenvolvimento humano, nesse contexto, deixa de ser apenas autossuperação e se torna um ato criativo, em que aparece a capacidade de imaginar e habitar novos mundos. O modelo atual, centrado no consumo, na competição e na separação social, mostra sinais claros de desgaste. Persistir nele pode significar aprofundar crises que já estão à vista.


O pluriverso não oferece respostas prontas, mas abre um campo fértil de possibilidades.

Ele nos convida a escutar outras vozes, aprender com diferentes culturas e experimentar novas formas de relação. A pergunta que fica não é apenas conceitual, mas profundamente prática: Em qual mundo você está escolhendo viver?

Talvez o primeiro passo não seja mudar tudo de uma vez, mas apenas deslocar o olhar. Como quem abre uma janela em um quarto fechado há muito tempo. O ar que entra pode ser suficiente para lembrar que existem muitos outros mundos possíveis, e alguns deles já podem começar dentro de você.

Seja você um coach, mentor, consultor, terapeuta ou influenciador de qualquer natureza, já está no momento de você refletir se leva o seu cliente a se manter em um único universo ou se já o motiva a encontrar o próprio pluriverso.

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Confira também: A Guerra dos Algoritmos: Alvo Certeiro ou Alucinação Fatal?

Referências

ANDERSON, Greg. The Reality of the Past: How We Got It Wrong. TEDxOhioStateUniversity.

ESCOBAR, Arturo. Designs for the Pluriverse: Radical Interdependence, Autonomy, and the Making of Worlds. Duke University Press.

KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. Companhia das Letras.

VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. Perspectivismo e multinaturalismo na América indígena.

INAYATULLAH, Sohail. Causal Layered Analysis: Post-structuralism as Method.

HUTCHINS, Giles; STORM, Laura. Regenerative Leadership.
Palavras-chave: pluriverso, visão de mundo, desenvolvimento humano, realidade, modelo de mundo, o que é pluriverso e como aplicar, o que é visão de mundo, como expandir a visão de mundo, pluriverso no desenvolvimento humano, como questionar a realidade atual, como transformar a visão de mundo, novas formas de viver e existir

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A Guerra dos Algoritmos: Alvo Certeiro ou “Alucinação” Fatal? https://www.cloudcoaching.com.br/inteligencia-artificial-militar-alvo-ou-alucinacao/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=inteligencia-artificial-militar-alvo-ou-alucinacao https://www.cloudcoaching.com.br/inteligencia-artificial-militar-alvo-ou-alucinacao/#respond_68847 Tue, 10 Mar 2026 13:20:37 +0000 https://www.cloudcoaching.com.br/?p=68847 A inteligência artificial já influencia decisões militares no campo de batalha. Entre análises estratégicas, “alucinações” algorítmicas e manipulação de dados, surge um dilema ético: até que ponto podemos confiar à IA a identificação de alvos em guerras?

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A Guerra dos Algoritmos: Alvo Certeiro ou “Alucinação” Fatal?

Escrevo esta postagem no dia 7 de março de 2026, no final da tarde. É o momento em que o mundo observa um novo capítulo de conflito armado. Neste caso, o conflito envolve EUA, Israel e Irã, mas também atinge outros países no Oriente Médio.

Aqui, meu objetivo não é opinar ou defender narrativas sobre as razões que tenham levado ao conflito. Busco apenas trazer uma reflexão sobre até que ponto a Inteligência Artificial (IA) deixa de ser acessória para os envolvidos e passa a se tornar um cérebro perigoso nas operações estratégicas.

Diferentemente de guerras passadas, a IA agora atua diretamente no planejamento, na identificação dos alvos e no processamento de volumes massivos de dados coletados em campo. Estudos e planos de ataque e defesa que, no passado, exigiam equipes muito bem preparadas e duravam horas ou dias agora podem ser realizados em questão de minutos.

Porém, essa evolução traz uma pergunta inquietante para o desenvolvimento humano: até que ponto podemos confiar o “botão de disparo” a algoritmos passíveis de falhas catastróficas?

Antes de mergulharmos nesta análise, é fundamental esclarecer que as afirmações e os fatos aqui narrados estão baseados em informações publicadas por veículos de imprensa de prestígio e reconhecimento, no Brasil e no exterior.

No entanto, em um cenário de conflito bélico no qual a “guerra de narrativas” se mostra uma possibilidade estratégica, é importante considerar um ponto. Certas referências do texto podem apresentar distorções ou interpretações equivocadas. Isso pode ocorrer conforme os interesses de cada um dos envolvidos, de suas narrativas e de suas posições ideológicas.


Claude e o Dilema de Washington

Os Estados Unidos têm utilizado o assistente Claude, da Anthropic, para realizar avaliações de inteligência e simular cenários de batalha na atual ofensiva contra o Irã. A ferramenta é considerada crucial para mapear riscos e prever reações do inimigo.

Entretanto, essa parceria gerou um embate ético sem precedentes. A Anthropic recusou-se a liberar sua tecnologia para uso em armas plenamente autônomas e vigilância em massa. A empresa alegou que a IA ainda não foi testada o suficiente para garantir que não atacaria civis ou cometeria equívocos fatais.

A reação do governo americano foi dura. O governo americano classificou a empresa como “risco à sua cadeia de suprimentos”, e agências federais e empresas militares receberam ordem para cortar laços com a companhia.

Apesar disso, o Claude continua sendo operado (clandestinamente ou por necessidade técnica) na ofensiva atual, segundo os jornais mais renomados. Especialistas afirmam que seriam necessários vários meses para remover totalmente essas ferramentas do aparato militar americano.


Estratégia contra Tecnologia

Enquanto os EUA apostam no processamento de dados em modelos de IA, o Irã demonstrou que o conhecimento humano, estratégico e metódico, ainda pode combater a tecnologia mais avançada.

Em uma operação sequencial, o Irã destruiu três radares americanos instalados na Jordânia, na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes. Esses radares são os “olhos” do sistema de defesa de mísseis utilizado pelos EUA. Trata-se de um equipamento capaz de rastrear ameaças com altíssima precisão.

Essa ação não foi fruto de improviso, mas resultado de um estudo de quase duas décadas sobre a arquitetura defensiva americana. Ao remover essa capacidade operacional, o Irã criou “zonas cegas” no horizonte de ameaças. Com isso, a rede de sensores dos EUA foi reduzida a um quadro crítico.

Sem os dados desses radares, os sistemas de interceptação americanos perdem eficácia. Com isso, aumentam drasticamente as chances de mísseis inimigos atingirem seus alvos estratégicos. Ou seja, o uso de IA pelos EUA acaba tendo efeito muito limitado nessa situação.


O Risco Real: “Alucinações” e Sequestros de Lógica

O perigo real que o mundo corre quando uma potência resolve usar modelos de IA como Claude ou OpenClaw em conflitos armados reside na sua instabilidade inerente.

Estudos recentes — como mostra matéria publicada na MIT Technology Review (leia aqui) — apresentam casos em que modelos de linguagem sofrem de “alucinações”. São situações em que geram informações falsas com aparência de verdade.

Um exemplo real ocorreu recentemente quando um agente de IA alucinou e apagou todos os e-mails de uma diretora de segurança da Meta. Outro caso relatado envolveu o apagamento completo de um disco rígido por uma IA de codificação.

Quando esse risco chega ao campo de batalha, um erro desses pode significar o ataque a áreas civis. O resultado pode ser tragédias e milhares de mortes de inocentes.

Além disso, existe o risco da “injeção de prompt”. Trata-se de um tipo de sequestro em que forças de um lado do conflito podem inserir textos ou imagens maliciosas em sistemas e bases de dados que a IA consultará. Assim, o algoritmo pode ser enganado e executar ordens no interesse contrário ao do outro lado combatente.

Como a IA não diferencia instruções dadas por usuários de dados externos, ela se torna vulnerável a ordens manipuladas. Isso também pode causar danos irreparáveis em áreas que deveriam ser, de fato, protegidas.


A Necessidade de uma “Bússola Humana”

A conclusão inevitável é que o desenvolvimento humano está em risco quando delegamos decisões de vida ou morte a sistemas que especialistas comparam, atualmente, a “entregar a própria carteira a um estranho na rua”.

Há quem defenda que a regulamentação da IA deva funcionar como leis de trânsito. Sem um regulamento que defina limites claros, o uso dessas ferramentas em conflitos bélicos pode resultar em caos, mortes e perda de qualquer controle ético.

Embora alguns profissionais acreditem que seja possível usar modelos de IA com segurança, outros garantem que a tecnologia ainda não chegou lá.

Existe a possibilidade de o modelo “errar de propósito” devido a uma injeção de prompt. Também pode simplesmente falhar por alucinação lógica. Em qualquer desses cenários, civis acabam colocados na linha de frente de um erro de código.

O conflito no Irã nos mostra que a eficiência da IA no ataque e na defesa é inegável. Porém, sem supervisão humana robusta e políticas que priorizem a vida acima da utilidade bélica, estaremos apenas automatizando a nossa própria vulnerabilidade.

Por fim, é imperativo reconhecer que o uso indiscriminado da IA em conflitos bélicos escala o perigo para a população civil a níveis alarmantes.

Quando sistemas e algoritmos são encarregados de identificar alvos estratégicos, o risco de a máquina orientar um ataque ao “alvo errado” deixa de ser mera falha técnica. Nesse cenário, o erro passa a se tornar uma tragédia humanitária imperdoável.

No fim das contas, vale reforçar que, na busca pelo desenvolvimento humano em todas as suas melhores práticas, mesmo em momentos de conflito bélico a eficiência tecnológica jamais deve se sobrepor à responsabilidade moral de preservar a vida.

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Quer saber até que ponto a inteligência artificial no uso militar pode apoiar decisões estratégicas em guerras, sem que o ser humano abdique da responsabilidade moral pelo resultado? Então, entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.

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Mario Divo
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Confira também: Produtividade ou Precarização: Será esse o Novo Contrato Social com IA?

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Produtividade ou Precarização: Será esse o Novo Contrato Social com IA? https://www.cloudcoaching.com.br/impacto-ia-trabalho-produtividade-precarizacao/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=impacto-ia-trabalho-produtividade-precarizacao https://www.cloudcoaching.com.br/impacto-ia-trabalho-produtividade-precarizacao/#respond_68628 Tue, 24 Feb 2026 13:20:04 +0000 https://www.cloudcoaching.com.br/?p=68628 A inteligência artificial pode redefinir o futuro do emprego: será uma alavanca de produtividade ou um vetor de precarização? Descubra as conclusões do Fórum de Davos 2026, o impacto da IA no trabalho e os caminhos para transformar IA em inclusão e crescimento sustentável.

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Produtividade ou Precarização: Será esse o Novo Contrato Social com IA?

Prezados amigos deste espaço, hoje o tema será bem provocativo e para muitas reflexões, seja quanto a gestores e lideranças empresariais, ou mesmo por aquelas pessoas que se interessam pela temática do trabalho. E, nesse sentido, vou me basear nas principais conclusões do Fórum de Davos 2026, alinhando o futuro do emprego e a presença da chamada Inteligência Artificial (IA) nas nossas vidas.

O Fórum de Davos consolidou um consenso pragmático: a inteligência artificial (IA) não é apenas uma tecnologia a ser adotada, é um fator estrutural que redesenha tarefas, modelos organizacionais e políticas públicas. Ao invés de um choque único e que elimina empregos em massa, os debates apontaram para uma transição complexa e desigual, em que ganhos de produtividade e novas funções coexistirão com deslocamentos setoriais e diferentes formas de pressão sobre as habilidades humanas.


Resumidamente, a IA e trabalho vão conviver, nos próximos anos, com o seguinte cenário:

  • Redesenho do contexto: Empresas vencedoras serão as que redesenharem processos para sinergia humano-máquina, não apenas as que comprarem ferramentas de IA. Isso implica reconfigurar tarefas, criar papéis híbridos e investir em gestão da mudança;
  • Aceleração da automação de tarefas repetitivas: Funções com alto conteúdo repetitivo e previsível serão automatizadas mais rapidamente. Ao mesmo tempo, haverá demanda por habilidades cognitivas superiores, criatividade, supervisão de sistemas e ética aplicada;
  • Mudança nas competências: A ênfase desloca‑se de diplomas formais para capacidade de aprender continuamente. Nisso estão incluídos a alfabetização digital, o pensamento crítico e as habilidades sociais. Programas de requalificação e microgestão ganharão centralidade;
  • Novos modelos de empregabilidade: Espera‑se maior diversidade das formas de trabalho, tais como o contratado por projeto, as plataformas digitais e os contratos flexíveis, exigindo assim redes de proteção social bem adaptadas.

Impactos da IA na América do Sul e Países em Desenvolvimento

Particularmente, há um olhar todo próprio e específico para o que se pode esperar com relação aos países do Terceiro Mundo, e especificamente na América do Sul. As conclusões apontam para quatro pilares fundamentais:

1. Mais de uma velocidade de transformação

Países com infraestrutura digital, capital humano e mercados integrados conseguirão capturar os benefícios da IA mais rapidamente. Na América do Sul, isso criará uma divergência interna, com centros urbanos e setores exportadores (fintech, agronegócio de alta tecnologia, serviços digitais) avançando, enquanto regiões rurais e economias informais enfrentarão maior estagnação.

2. Risco de precarização e informalidade persistente

Sem políticas ativas de requalificação e proteção social, a automação pode empurrar trabalhadores para formas mais precárias de renda. Será a expansão de um mercado de trabalho baseado em tarefas temporárias, projetos pontuais ou serviços sob demanda, em geral realizados por profissionais freelancers ou independentes, sem vínculo empregatício. Isso reduzirá a renda média e aumentará as desigualdades (que já são críticas). A experiência de países que já enfrentam altas taxas de informalidade torna esse risco particularmente relevante na América do Sul.

3. Janela de oportunidade para saltos de produtividade

A adoção estratégica de IA em setores-chave (agricultura de precisão, logística, saúde básica, educação a distância) pode gerar ganhos de produtividade significativos. Os projetos públicos‑privados e parcerias com plataformas globais podem acelerar esse processo, desde que acompanhados de políticas de inclusão digital. Vale lembrar que a agricultura de precisão já é uma realidade no Brasil, permitindo otimizar o uso de insumos, maximizar a produtividade e aumentar a sustentabilidade.

4. Necessidade de políticas públicas pragmáticas

O Fórum de Davos 2026 destacou que a resposta não será apenas técnica, mas política: regulação inteligente, incentivos à requalificação, redes de proteção social adaptadas e investimentos em conectividade são essenciais. Para países em desenvolvimento, priorizar infraestrutura digital e educação básica com foco em habilidades transferíveis é, de fato, mais urgente do que perseguir tecnologias de ponta.


Recomendações Estratégicas para Países em Desenvolvimento

Caminhando para o fim deste resumo sobre as principais conclusões do Fórum de Davos 2026, há recomendações adicionais que fazem muito sentido e dependerão, sem dúvida, de um arsenal consistente de políticas públicas para os países em desenvolvimento:

  • Priorizar a conectividade e o amplo acesso, ampliando a banda larga e instalando dispositivos em escolas e centros comunitários para reduzir a lacuna digital;
  • Escalar programas de requalificação, incentivando estágios em empresas de tecnologia e parcerias com plataformas para treinar as competências demandadas;
  • Focar em setores de vantagem comparativa, tais como agronegócio, serviços de exportação digital, turismo inteligente e saúde remota;
  • Modernizar a proteção social, adaptando as regras de seguro-desemprego, os subsídios temporários e os programas de transição para trabalhadores deslocados;
  • Estimular ecossistemas locais de inovação, apoiando startups, hubs regionais e incubadoras que traduzam IA em soluções locais;
  • Inibir o aumento da desigualdade social com formas de distribuição dos ganhos de produtividade gerados pelo novo ambiente;
  • Cuidar para não haver dependência tecnológica externa em regiões onde é mais complexo desenvolver capacidades locais de adaptação e governança de IA;
  • Ter plena atenção e formas de atendimento para com as populações vulneráveis (mulheres, jovens sem qualificação, trabalhadores informais), e;
  • Governança e ética evitando o uso indevido de IA em vigilância e/ou na seleção de pessoas para funções profissionais. Ou haverá o risco de aprofundar exclusões.

Conclusão: O Impacto no Futuro do Trabalho com IA — Inclusão ou Exclusão?

O Fórum de Davos 2026 deixou claro que o futuro do trabalho em um mundo com IA será misto, e haverá, simultaneamente, a criação de valor para uns e os riscos de exclusão, para outros.

Na América do Sul e em países do Terceiro Mundo, o desafio é transformar a tecnologia em alavanca de inclusão, não em catalisadora de desigualdades. Isso exige escolhas políticas concretas, tais como investimento em conectividade, educação orientada para competências, proteção social adaptativa e excelência em parcerias público‑privadas.

Por fim, essa nova ordem global que se forma no planeta Terra irá cobrar, também, a visão estratégica que coloque a requalificação e a governança no centro da agenda. Sem essas medidas, os países em desenvolvimento correm o risco de ficarem presos na periferia de uma nova economia. Porém, com essas medidas, poderão aproveitar uma janela histórica para acelerarem o crescimento e a inclusão.

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Quer saber mais sobre o futuro do emprego e como transformar o impacto da IA no trabalho em ganhos reais de produtividade sem gerar precarização? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.

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Mario Divo
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Confira também: O Cafezinho Digital e a Teoria da Troca

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O “Cafezinho Digital” e a Teoria da Troca https://www.cloudcoaching.com.br/boca-a-boca-o-cafezinho-digital-e-a-teoria-da-troca/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=boca-a-boca-o-cafezinho-digital-e-a-teoria-da-troca https://www.cloudcoaching.com.br/boca-a-boca-o-cafezinho-digital-e-a-teoria-da-troca/#respond_68408 Tue, 10 Feb 2026 12:20:55 +0000 https://www.cloudcoaching.com.br/?p=68408 Por que elogiamos marcas nas redes sociais? Descubra como altruísmo digital, emoções positivas, gratidão e identidade explicam o boca a boca eletrônico e como essas interações moldam vínculos, confiança e desenvolvimento humano na era digital.

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Boca a Boca: O “Cafezinho Digital” e a Teoria da Troca

Amigos leitores, hoje decidi trazer em debate um assunto que nos fascina e é um ponto central do nosso desenvolvimento humano na era digital:

Por que gastamos nosso tempo precioso no Facebook (ou em qualquer rede social) para falar bem de uma marca, de um restaurante ou de um serviço?

Muitas vezes, pensamos que as redes sociais são apenas lugares de reclamação, o famoso “muro das lamentações”. Mas a verdade é que o elogio — o chamado boca a boca eletrônico positivo (e-WOM) — é uma engrenagem poderosa de conexão humana e altruísmo. Para mergulhar nesse tema, estou usando como base especial um estudo acadêmico fascinante de Daniel Tubenchlak e três outros colegas seus da FGV – Fundação Getulio Vargas, pessoas por quem tenho enorme carinho.

O acadêmico Diego Favari foi meu colega de mestrado e doutorado, Marco Tulio Zanini foi meu coorientador do mestrado, e Rafael Goldszmidt foi meu coorientador do doutorado. E, por coincidência descubro os três em um mesmo e afinado estudo, publicado na RAC – Revista de Administração Contemporânea. Também utilizei aqui outras referências que ajudam a entender o que se passa na nossa cabeça quando clicamos em “compartilhar”.

Imagine que você está tomando café com um amigo e conta: “Cara, fui a um restaurante ontem, em que a comida era divina e o atendimento me fez sentir em casa!”. Isso é boca-a-boca tradicional. Quando se trata de mídia social, esse “cafezinho” ganha um megafone. O estudo citado investigou o que leva as pessoas a fazerem isso. E os pesquisadores concluíram que, ao contrário do que muita gente pensa, ganhar descontos ou prêmios (incentivos econômicos) quase não motiva o elogio sincero nas redes sociais. O que nos move é algo muito mais profundo e “humano”, sendo explicado pela Sociologia e Psicologia.

A seguir, vamos analisar algumas dessas descobertas:


1. O Prazer de Ajudar (Altruísmo Digital)

Uma das maiores motivações encontradas foi a preocupação com os outros consumidores. Quando você posta que aquele curso de desenvolvimento pessoal mudou sua vida, sua intenção primária não é ajudar o dono do curso, mas sim garantir que outras pessoas também tenham essa experiência transformadora. Isso é puro desenvolvimento humano! É o altruísmo em sua forma digital. Nós sentimos prazer em sermos úteis. Queremos que nossos amigos façam boas escolhas e evitem ciladas. O estudo mostra que, quanto mais fortes são nossos laços com as pessoas na rede, mais forte será esse desejo de ajudar.


2. Extravasando a Alegria

Sabe quando você tem uma experiência tão incrível, que parece que vai “explodir” se não contar para alguém? O artigo citado chama isso de extravasar emoções positivas. O consumo, hoje, não é só sobre o objeto que se está a consumir, mas é principalmente sobre a emoção que acompanha o consumo. Compartilhar essa alegria ajuda a processar o que sentimos e, de quebra, “contagiamos” os outros. Aqui entra um conceito extra do autor Jonah Berger, no seu livro Contágio. Ele explica que a emoção é um dos combustíveis da viralização. Emoções de alta ativação (como o encantamento ou a surpresa) dão um “balde” de energia que nos impele à ação de compartilhar. É como se o post fosse um transbordamento do nosso bem-estar interno.


3. Moeda Social: O Desejo de “Sair Bem na Fita”

Embora o estudo publicado na RAC foque muito no altruísmo, não podemos ignorar o nosso ego. Outra referência importante é a proposta de Moeda Social (também de Jonah Berger). Quando compartilhamos algo bacana, inteligente ou sofisticado, isso reflete em nós mesmos. Ao dizer que leu um livro denso de filosofia e adorou, uma pessoa se faz parecer inteligente e profunda. No desenvolvimento humano, isso fala sobre a construção da nossa identidade digital. Usamos nossas indicações para dizer ao mundo: “Olha quem eu sou e o que eu valorizo”.


4. Ajudar a Empresa: A Gratidão como Motor

Outro achado interessante do artigo base é o desejo de ajudar a empresa. Quando somos muito bem tratados, desenvolvemos um sentimento de gratidão e reciprocidade. Sentimos que “devemos uma cortesia” àquele pequeno empreendedor ou àquela marca que resolveu nosso problema com carinho, atenção e qualidade. O elogio público é a nossa forma de retribuir o valor recebido. É a isso que chamamos de Teoria da Troca Social em plena ação: trocamos um bom serviço por uma boa avaliação que será compartilhada em nosso grupo social..


O Impacto no Nosso Desenvolvimento

Por que falar disso num grupo de desenvolvimento humano? Porque a forma como interagimos online molda nossa saúde mental e nossas relações:

  • Foco no Positivo: Escolher compartilhar o que é bom treina nosso olhar para a gratidão, em vez de focar apenas no que falta ou no que está errado;.
  • Fortalecimento de Vínculos: Quando recomendamos algo de valor, geramos confiança. E confiança é a base de qualquer comunidade saudável;
  • Consciência Digital: Ao entendermos que não somos “robôs de marketing”, mas seres movidos por conexões, isso nos ajudará a usar as redes sociais de forma mais intencional e consciente, deixando de lado o comportamento automático.

Antes de finalizar, cabe aqui esmiuçar um pouco mais as propostas do livro Contágio. Para nosso desenvolvimento humano, as ideias de Berger são muito relevantes porque mostram que o “compartilhar” é um reflexo da nossa identidade, pois compartilhamos aquilo que nos faz parecer mais inteligentes, descolados ou bondosos diante dos outros. É como se cada postagem fosse um tijolinho na construção da nossa imagem pública. Além disso, Berger fala dos “gatilhos”: estímulos do ambiente que nos fazem lembrar de algo. Se um conteúdo de autoconhecimento consegue se conectar com algo do seu cotidiano — como o café da manhã —, a chance de você falar dele para alguém explode.

Outro ponto relevante do livro é a do “Cavalo de Troia”. Sabemos que um dado técnico sobre Psicologia pode ser complexo, mas uma história real de superação conquista nossa mente! Berger explica que informações valiosas viajam disfarçadas de narrativas e, quando alguém conta uma história emocionante, então a lição de moral ou o benefício do produto vai “de carona” com ela. Não é apenas marketing, mas sim como nossa mente processa o que é relevante e decide o que merece ser passado adiante para fortalecer nossa tribo.


Conclusão: Seja um Influenciador de Bem-Estar

Da próxima vez que você postar um elogio ou comentário positivo sobre um produto ou serviço, saiba que está exercendo seu altruísmo, fortalecendo sua rede de contatos e transbordando algo bom que aconteceu com você. O boca-a-boca positivo é, no fundo, uma conversa sobre valores e sobre o cuidado que temos uns com os outros. É claro que, nas redes sociais, encontraremos muitos influenciadores ganhando dinheiro para fazerem isso, porém nosso caso é de outra esfera, contexto e cenário.

Indo além, entenda ainda mais e o que você pode aprender sobre o livro Contágio, a partir do vídeo abaixo, o qual resume os princípios de Jonah Berger sobre o porquê de compartilharmos conteúdos, complementando a visão do artigo acadêmico sobre as motivações psicológicas por trás do elogio digital. E quanto a você, o que motiva a dar aquele “cinco estrelas” ou a fazer um post elogiando algo?

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Confira também: A Mimetização da Profundidade: Técnica ou Alma?


Referências Bibliográficas 

BERGER, Jonah. Contágio: por que as coisas pegam. Tradução de Marcello Lino. 1. ed. Rio de Janeiro: Leya, 2014.

TUBENCHLAK, Daniel Buarque; DE FAVERI, Diego; ZANINI, Marco Tulio; GOLDSZMIDT, Rafael. Motivações da Comunicação Boca a Boca Eletrônica Positiva entre Consumidores no Facebook. RAC - Revista de Administração Contemporânea, Rio de Janeiro, v. 19, n. 1, art. 6, p. 107-126, jan./fev. 2015. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/1982-7849rac20151998

Palavras-chave: boca a boca digital, boca a boca eletrônico, boca a boca positivo, e-wom, altruísmo digital, desenvolvimento humano, teoria da troca social, redes sociais, boca a boca eletrônico positivo nas redes sociais, por que as pessoas elogiam marcas no Facebook, motivação para compartilhar experiências positivas online, altruísmo e identidade digital no consumo, impacto do boca a boca digital no desenvolvimento humano

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