O post A Guerra dos Algoritmos: Alvo Certeiro ou “Alucinação” Fatal? apareceu primeiro em Cloud Coaching.
]]>Escrevo esta postagem no dia 7 de março de 2026, no final da tarde. É o momento em que o mundo observa um novo capítulo de conflito armado. Neste caso, o conflito envolve EUA, Israel e Irã, mas também atinge outros países no Oriente Médio.
Aqui, meu objetivo não é opinar ou defender narrativas sobre as razões que tenham levado ao conflito. Busco apenas trazer uma reflexão sobre até que ponto a Inteligência Artificial (IA) deixa de ser acessória para os envolvidos e passa a se tornar um cérebro perigoso nas operações estratégicas.
Diferentemente de guerras passadas, a IA agora atua diretamente no planejamento, na identificação dos alvos e no processamento de volumes massivos de dados coletados em campo. Estudos e planos de ataque e defesa que, no passado, exigiam equipes muito bem preparadas e duravam horas ou dias agora podem ser realizados em questão de minutos.
Porém, essa evolução traz uma pergunta inquietante para o desenvolvimento humano: até que ponto podemos confiar o “botão de disparo” a algoritmos passíveis de falhas catastróficas?
Antes de mergulharmos nesta análise, é fundamental esclarecer que as afirmações e os fatos aqui narrados estão baseados em informações publicadas por veículos de imprensa de prestígio e reconhecimento, no Brasil e no exterior.
No entanto, em um cenário de conflito bélico no qual a “guerra de narrativas” se mostra uma possibilidade estratégica, é importante considerar um ponto. Certas referências do texto podem apresentar distorções ou interpretações equivocadas. Isso pode ocorrer conforme os interesses de cada um dos envolvidos, de suas narrativas e de suas posições ideológicas.
Os Estados Unidos têm utilizado o assistente Claude, da Anthropic, para realizar avaliações de inteligência e simular cenários de batalha na atual ofensiva contra o Irã. A ferramenta é considerada crucial para mapear riscos e prever reações do inimigo.
Entretanto, essa parceria gerou um embate ético sem precedentes. A Anthropic recusou-se a liberar sua tecnologia para uso em armas plenamente autônomas e vigilância em massa. A empresa alegou que a IA ainda não foi testada o suficiente para garantir que não atacaria civis ou cometeria equívocos fatais.
A reação do governo americano foi dura. O governo americano classificou a empresa como “risco à sua cadeia de suprimentos”, e agências federais e empresas militares receberam ordem para cortar laços com a companhia.
Apesar disso, o Claude continua sendo operado (clandestinamente ou por necessidade técnica) na ofensiva atual, segundo os jornais mais renomados. Especialistas afirmam que seriam necessários vários meses para remover totalmente essas ferramentas do aparato militar americano.
Enquanto os EUA apostam no processamento de dados em modelos de IA, o Irã demonstrou que o conhecimento humano, estratégico e metódico, ainda pode combater a tecnologia mais avançada.
Em uma operação sequencial, o Irã destruiu três radares americanos instalados na Jordânia, na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes. Esses radares são os “olhos” do sistema de defesa de mísseis utilizado pelos EUA. Trata-se de um equipamento capaz de rastrear ameaças com altíssima precisão.
Essa ação não foi fruto de improviso, mas resultado de um estudo de quase duas décadas sobre a arquitetura defensiva americana. Ao remover essa capacidade operacional, o Irã criou “zonas cegas” no horizonte de ameaças. Com isso, a rede de sensores dos EUA foi reduzida a um quadro crítico.
Sem os dados desses radares, os sistemas de interceptação americanos perdem eficácia. Com isso, aumentam drasticamente as chances de mísseis inimigos atingirem seus alvos estratégicos. Ou seja, o uso de IA pelos EUA acaba tendo efeito muito limitado nessa situação.
O perigo real que o mundo corre quando uma potência resolve usar modelos de IA como Claude ou OpenClaw em conflitos armados reside na sua instabilidade inerente.
Estudos recentes — como mostra matéria publicada na MIT Technology Review (leia aqui) — apresentam casos em que modelos de linguagem sofrem de “alucinações”. São situações em que geram informações falsas com aparência de verdade.
Um exemplo real ocorreu recentemente quando um agente de IA alucinou e apagou todos os e-mails de uma diretora de segurança da Meta. Outro caso relatado envolveu o apagamento completo de um disco rígido por uma IA de codificação.
Quando esse risco chega ao campo de batalha, um erro desses pode significar o ataque a áreas civis. O resultado pode ser tragédias e milhares de mortes de inocentes.
Além disso, existe o risco da “injeção de prompt”. Trata-se de um tipo de sequestro em que forças de um lado do conflito podem inserir textos ou imagens maliciosas em sistemas e bases de dados que a IA consultará. Assim, o algoritmo pode ser enganado e executar ordens no interesse contrário ao do outro lado combatente.
Como a IA não diferencia instruções dadas por usuários de dados externos, ela se torna vulnerável a ordens manipuladas. Isso também pode causar danos irreparáveis em áreas que deveriam ser, de fato, protegidas.
A conclusão inevitável é que o desenvolvimento humano está em risco quando delegamos decisões de vida ou morte a sistemas que especialistas comparam, atualmente, a “entregar a própria carteira a um estranho na rua”.
Há quem defenda que a regulamentação da IA deva funcionar como leis de trânsito. Sem um regulamento que defina limites claros, o uso dessas ferramentas em conflitos bélicos pode resultar em caos, mortes e perda de qualquer controle ético.
Embora alguns profissionais acreditem que seja possível usar modelos de IA com segurança, outros garantem que a tecnologia ainda não chegou lá.
Existe a possibilidade de o modelo “errar de propósito” devido a uma injeção de prompt. Também pode simplesmente falhar por alucinação lógica. Em qualquer desses cenários, civis acabam colocados na linha de frente de um erro de código.
O conflito no Irã nos mostra que a eficiência da IA no ataque e na defesa é inegável. Porém, sem supervisão humana robusta e políticas que priorizem a vida acima da utilidade bélica, estaremos apenas automatizando a nossa própria vulnerabilidade.
Por fim, é imperativo reconhecer que o uso indiscriminado da IA em conflitos bélicos escala o perigo para a população civil a níveis alarmantes.
Quando sistemas e algoritmos são encarregados de identificar alvos estratégicos, o risco de a máquina orientar um ataque ao “alvo errado” deixa de ser mera falha técnica. Nesse cenário, o erro passa a se tornar uma tragédia humanitária imperdoável.
No fim das contas, vale reforçar que, na busca pelo desenvolvimento humano em todas as suas melhores práticas, mesmo em momentos de conflito bélico a eficiência tecnológica jamais deve se sobrepor à responsabilidade moral de preservar a vida.
Eu sou Mario Divo e posso ser encontrado pelas mídias sociais ou pelo site www.mariodivo.com.br.
Quer saber até que ponto a inteligência artificial no uso militar pode apoiar decisões estratégicas em guerras, sem que o ser humano abdique da responsabilidade moral pelo resultado? Então, entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Até nossa próxima postagem!
Mario Divo
https://www.mariodivo.com.br
Confira também: Produtividade ou Precarização: Será esse o Novo Contrato Social com IA?
O post A Guerra dos Algoritmos: Alvo Certeiro ou “Alucinação” Fatal? apareceu primeiro em Cloud Coaching.
]]>O post Do Algoritmo ao Sentimento: É o Vibe Coding transformando Gestores em Maestros Digitais apareceu primeiro em Cloud Coaching.
]]>Você já teve aquela sensação de estar tentando explicar uma ideia incrível para alguém, mas então começa a se perder nos detalhes técnicos e acaba frustrado?
Pois é, no mundo do desenvolvimento de software, essa barreira sempre foi o código de programação. Para transformar um pensamento (uma ideia) em um aplicativo, você precisava dominar linguagens complexas, sintaxes rígidas e uma lógica de difícil acesso às pessoas em geral.
Pois bem, abra agora um espaço na sua mente, porque o jogo virou. Recentemente, a MIT Technology Review Brasil trouxe à tona um termo que está “explodindo” o cérebro de quem trabalha com tecnologia: o Vibe Coding. Cunhado por Andrej Karpathy (ex-OpenAI e Tesla), o conceito de Vibe Coding não é apenas sobre programar mais rápido. É sobre uma enorme mudança de paradigma no desenvolvimento humano. Estamos saindo da era dos “executores de tarefas” para a era dos “curadores de intenção”.
Imagine que, em vez de escrever centenas de linhas de código, você simplesmente descreve a “vibe” do que deseja. Por exemplo, “quero um app que pareça um diário minimalista, entenda meu humor pelo tom da voz e que me sugira músicas baseadas nisso”.
Com os novos modelos da OpenAI (como o o1 e o projeto Prism), além de completar o que você escreve, eles ainda raciocinam sobre a sua intenção ou desejo. O Vibe Coding é o ato de programar através de conversas, ajustes finos e, principalmente, através do julgamento estético e funcional. Como o próprio Karpathy descreveu, é “entregar-se às vibrações e deixar que a máquina lide com a parte chata da sintaxe”.
Não é à toa que o dicionário britânico Collins elegeu “Vibe Coding” como a expressão do ano, em 2025. O termo captura a essência de um tempo em que a linguagem natural — o bom e velho português ou inglês — tornou-se a linguagem de programação mais poderosa do mundo.
Para os meus leitores da plataforma Cloud Coaching, o impacto potencial disso é profundo. Durante décadas, o treinamento profissional focou no “COMO”: como usar o Excel, como programar em Java, como usar melhor um aplicativo. No Vibe Coding, o “COMO” é terceirizado para o modelo. O que sobra para o ser humano? O “O QUÊ” e o “POR QUÊ”.
Isso exige um novo tipo de metodologias e processos orientados ao desenvolvimento das pessoas. Se a máquina faz o trabalho pesado, o profissional precisa ter competências diferenciadas e conseguir desenvolver:
Se qualquer um pode gerar um código ou um texto, a diferença entre o básico e o excepcional estará na capacidade humana de dizer: “Isso aqui está bom, mas falta alma“. É o que especialistas chamam de Human-in-the-loop (humano no controle);
Não basta pedir um “Vibe Coding“. É preciso entender como essa peça se encaixará no todo de sua intenção (ou expectativa). O líder do futuro não é quem saberá apertar um botão do painel, mas quem saberá desenhar o painel com todos os botões;
Ironicamente, para o “vibe codificar“, você precisa ser um comunicador impecável. Se você não sabe exatamente o que quer, o modelo vai entregar uma “vibe” confusa. A comunicação nunca foi tão vital aos profissionais de qualquer área de atuação, e aqui temos coaches, mentores e consultores que precisam ter atenção a isso.
Como sempre acontece na vida, nem tudo são flores ou celebrações na terra das “vibes”. Como bem pontuado nas publicações HackerNoon e MIT Technology Review Brasil, confiar cegamente na “vibe” do modelo é bem perigoso. O código gerado pode parecer perfeito superficialmente, mas é possível que esconda falhas críticas de segurança ou lógica (as temíveis “alucinações do modelo”). E aqui fica mais evidente o papel do profissional que está promovendo o uso do Vibe Coding com seu time.
O desafio maior é não deixar que a facilidade da ferramenta atrofie a capacidade analítica. Ou pior, que acabe gerando preguiça intelectual nas competências de comunicação e na sensibilidade com relação à precisão do que se deseja obter. Precisamos ensinar as pessoas a serem “editores-chefes” de seus próprios trabalhos gerados por modelos de IA.
Estamos vendo uma democratização histórica, e sem precedentes, no processo criativo das soluções que dependem de uma programação de códigos. Pessoas que nunca imaginaram construir um sistema agora podem fazê-lo mais facilmente, desde que cumpram os rituais descritos anteriormente. O modelo remove a barreira técnica, mas eleva a demanda por criatividade, estratégia, comunicação e sensibilidade.
Para quem atua com desenvolvimento humano, algumas perguntas que ficam à reflexão estão aqui:
A resposta está em voltar ao básico, que é conquistar a capacidade de fazer perguntas melhores e mais objetivas. O Vibe Coding é, na verdade, uma grande sessão de coaching entre um ser humano e o modelo fornecido (a famosa dupla conhecida como o hardware e o software). O profissional dá o input (comando), o modelo devolve uma primeira “solução”, o profissional questiona, desafia e refina até que a “vibe” esteja correta.
É a libertação que haverá para os profissionais de várias áreas, quando enfim deixarão de ser dependentes da lógica de programação para se tornarem arquitetos de experiências. Se a tecnologia agora entende a sua “vibe“, a maior vantagem competitiva estará em garantir que essa “vibração” seja carregada de propósito, ética e inteligência emocional. Afinal, o modelo pode até escrever o código, mas quem define o ritmo do coração do projeto ainda serão os seres humanos.
Prepare-se, pois o futuro não será mais escrito em linguagens de programação na relação profissional com o computador. O futuro será conversado com toda a exigência natural de uma boa comunicação. Eu sou Mario Divo e você me encontra pelas redes sociais.
Eu sou Mario Divo e posso ser encontrado pelas mídias sociais ou pelo site www.mariodivo.com.br.
Quer saber como desenvolver as competências humanas que tornam o Vibe Coding uma vantagem estratégica na era da inteligência artificial? Então, entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Até nossa próxima postagem!
Mario Divo
https://www.mariodivo.com.br
Confira também: 12 Novos Direitos dos Passageiros 65+ em Aeroportos em 2026
Fontes e Referências: 1. MIT Technology Review Brasil: "Prism, OpenAI, ‘Vibe Coding’ e a Ciência" — Publicado originalmente em 05/12/2024 (artigo que consolidou o termo no ecossistema brasileiro). 2. Andrej Karpathy (via X/Blog): O termo "Vibe Coding" explodiu em suas redes em novembro de 2024, após o lançamento de novo modelo da OpenAI. 3. HackerNoon: "Vibe Coding: AI's Impact on Software Engineering" — Publicado em 12 de janeiro de 2025.4. Collins Dictionary: Proclamação de "Vibe Coding" como palavra do ano — novembro de 2025. 4. 8th Light Insights: "The Rise of Vibe Coding" — Publicado em fevereiro de 2025.
O post Do Algoritmo ao Sentimento: É o Vibe Coding transformando Gestores em Maestros Digitais apareceu primeiro em Cloud Coaching.
]]>O post Produtividade ou Precarização: Será esse o Novo Contrato Social com IA? apareceu primeiro em Cloud Coaching.
]]>Prezados amigos deste espaço, hoje o tema será bem provocativo e para muitas reflexões, seja quanto a gestores e lideranças empresariais, ou mesmo por aquelas pessoas que se interessam pela temática do trabalho. E, nesse sentido, vou me basear nas principais conclusões do Fórum de Davos 2026, alinhando o futuro do emprego e a presença da chamada Inteligência Artificial (IA) nas nossas vidas.
O Fórum de Davos consolidou um consenso pragmático: a inteligência artificial (IA) não é apenas uma tecnologia a ser adotada, é um fator estrutural que redesenha tarefas, modelos organizacionais e políticas públicas. Ao invés de um choque único e que elimina empregos em massa, os debates apontaram para uma transição complexa e desigual, em que ganhos de produtividade e novas funções coexistirão com deslocamentos setoriais e diferentes formas de pressão sobre as habilidades humanas.
Particularmente, há um olhar todo próprio e específico para o que se pode esperar com relação aos países do Terceiro Mundo, e especificamente na América do Sul. As conclusões apontam para quatro pilares fundamentais:
Países com infraestrutura digital, capital humano e mercados integrados conseguirão capturar os benefícios da IA mais rapidamente. Na América do Sul, isso criará uma divergência interna, com centros urbanos e setores exportadores (fintech, agronegócio de alta tecnologia, serviços digitais) avançando, enquanto regiões rurais e economias informais enfrentarão maior estagnação.
Sem políticas ativas de requalificação e proteção social, a automação pode empurrar trabalhadores para formas mais precárias de renda. Será a expansão de um mercado de trabalho baseado em tarefas temporárias, projetos pontuais ou serviços sob demanda, em geral realizados por profissionais freelancers ou independentes, sem vínculo empregatício. Isso reduzirá a renda média e aumentará as desigualdades (que já são críticas). A experiência de países que já enfrentam altas taxas de informalidade torna esse risco particularmente relevante na América do Sul.
A adoção estratégica de IA em setores-chave (agricultura de precisão, logística, saúde básica, educação a distância) pode gerar ganhos de produtividade significativos. Os projetos públicos‑privados e parcerias com plataformas globais podem acelerar esse processo, desde que acompanhados de políticas de inclusão digital. Vale lembrar que a agricultura de precisão já é uma realidade no Brasil, permitindo otimizar o uso de insumos, maximizar a produtividade e aumentar a sustentabilidade.
O Fórum de Davos 2026 destacou que a resposta não será apenas técnica, mas política: regulação inteligente, incentivos à requalificação, redes de proteção social adaptadas e investimentos em conectividade são essenciais. Para países em desenvolvimento, priorizar infraestrutura digital e educação básica com foco em habilidades transferíveis é, de fato, mais urgente do que perseguir tecnologias de ponta.
Caminhando para o fim deste resumo sobre as principais conclusões do Fórum de Davos 2026, há recomendações adicionais que fazem muito sentido e dependerão, sem dúvida, de um arsenal consistente de políticas públicas para os países em desenvolvimento:
O Fórum de Davos 2026 deixou claro que o futuro do trabalho em um mundo com IA será misto, e haverá, simultaneamente, a criação de valor para uns e os riscos de exclusão, para outros.
Na América do Sul e em países do Terceiro Mundo, o desafio é transformar a tecnologia em alavanca de inclusão, não em catalisadora de desigualdades. Isso exige escolhas políticas concretas, tais como investimento em conectividade, educação orientada para competências, proteção social adaptativa e excelência em parcerias público‑privadas.
Por fim, essa nova ordem global que se forma no planeta Terra irá cobrar, também, a visão estratégica que coloque a requalificação e a governança no centro da agenda. Sem essas medidas, os países em desenvolvimento correm o risco de ficarem presos na periferia de uma nova economia. Porém, com essas medidas, poderão aproveitar uma janela histórica para acelerarem o crescimento e a inclusão.
Eu sou Mario Divo e posso ser encontrado pelas mídias sociais ou pelo site www.mariodivo.com.br.
Quer saber mais sobre o futuro do emprego e como transformar o impacto da IA no trabalho em ganhos reais de produtividade sem gerar precarização? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Até nossa próxima postagem!
Mario Divo
https://www.mariodivo.com.br
Confira também: O Cafezinho Digital e a Teoria da Troca
O post Produtividade ou Precarização: Será esse o Novo Contrato Social com IA? apareceu primeiro em Cloud Coaching.
]]>O post O “Cafezinho Digital” e a Teoria da Troca apareceu primeiro em Cloud Coaching.
]]>Amigos leitores, hoje decidi trazer em debate um assunto que nos fascina e é um ponto central do nosso desenvolvimento humano na era digital:
Muitas vezes, pensamos que as redes sociais são apenas lugares de reclamação, o famoso “muro das lamentações”. Mas a verdade é que o elogio — o chamado boca a boca eletrônico positivo (e-WOM) — é uma engrenagem poderosa de conexão humana e altruísmo. Para mergulhar nesse tema, estou usando como base especial um estudo acadêmico fascinante de Daniel Tubenchlak e três outros colegas seus da FGV – Fundação Getulio Vargas, pessoas por quem tenho enorme carinho.
O acadêmico Diego Favari foi meu colega de mestrado e doutorado, Marco Tulio Zanini foi meu coorientador do mestrado, e Rafael Goldszmidt foi meu coorientador do doutorado. E, por coincidência descubro os três em um mesmo e afinado estudo, publicado na RAC – Revista de Administração Contemporânea. Também utilizei aqui outras referências que ajudam a entender o que se passa na nossa cabeça quando clicamos em “compartilhar”.
Imagine que você está tomando café com um amigo e conta: “Cara, fui a um restaurante ontem, em que a comida era divina e o atendimento me fez sentir em casa!”. Isso é boca-a-boca tradicional. Quando se trata de mídia social, esse “cafezinho” ganha um megafone. O estudo citado investigou o que leva as pessoas a fazerem isso. E os pesquisadores concluíram que, ao contrário do que muita gente pensa, ganhar descontos ou prêmios (incentivos econômicos) quase não motiva o elogio sincero nas redes sociais. O que nos move é algo muito mais profundo e “humano”, sendo explicado pela Sociologia e Psicologia.
A seguir, vamos analisar algumas dessas descobertas:
Uma das maiores motivações encontradas foi a preocupação com os outros consumidores. Quando você posta que aquele curso de desenvolvimento pessoal mudou sua vida, sua intenção primária não é ajudar o dono do curso, mas sim garantir que outras pessoas também tenham essa experiência transformadora. Isso é puro desenvolvimento humano! É o altruísmo em sua forma digital. Nós sentimos prazer em sermos úteis. Queremos que nossos amigos façam boas escolhas e evitem ciladas. O estudo mostra que, quanto mais fortes são nossos laços com as pessoas na rede, mais forte será esse desejo de ajudar.
Sabe quando você tem uma experiência tão incrível, que parece que vai “explodir” se não contar para alguém? O artigo citado chama isso de extravasar emoções positivas. O consumo, hoje, não é só sobre o objeto que se está a consumir, mas é principalmente sobre a emoção que acompanha o consumo. Compartilhar essa alegria ajuda a processar o que sentimos e, de quebra, “contagiamos” os outros. Aqui entra um conceito extra do autor Jonah Berger, no seu livro Contágio. Ele explica que a emoção é um dos combustíveis da viralização. Emoções de alta ativação (como o encantamento ou a surpresa) dão um “balde” de energia que nos impele à ação de compartilhar. É como se o post fosse um transbordamento do nosso bem-estar interno.
Embora o estudo publicado na RAC foque muito no altruísmo, não podemos ignorar o nosso ego. Outra referência importante é a proposta de Moeda Social (também de Jonah Berger). Quando compartilhamos algo bacana, inteligente ou sofisticado, isso reflete em nós mesmos. Ao dizer que leu um livro denso de filosofia e adorou, uma pessoa se faz parecer inteligente e profunda. No desenvolvimento humano, isso fala sobre a construção da nossa identidade digital. Usamos nossas indicações para dizer ao mundo: “Olha quem eu sou e o que eu valorizo”.
Outro achado interessante do artigo base é o desejo de ajudar a empresa. Quando somos muito bem tratados, desenvolvemos um sentimento de gratidão e reciprocidade. Sentimos que “devemos uma cortesia” àquele pequeno empreendedor ou àquela marca que resolveu nosso problema com carinho, atenção e qualidade. O elogio público é a nossa forma de retribuir o valor recebido. É a isso que chamamos de Teoria da Troca Social em plena ação: trocamos um bom serviço por uma boa avaliação que será compartilhada em nosso grupo social..
Por que falar disso num grupo de desenvolvimento humano? Porque a forma como interagimos online molda nossa saúde mental e nossas relações:
Antes de finalizar, cabe aqui esmiuçar um pouco mais as propostas do livro Contágio. Para nosso desenvolvimento humano, as ideias de Berger são muito relevantes porque mostram que o “compartilhar” é um reflexo da nossa identidade, pois compartilhamos aquilo que nos faz parecer mais inteligentes, descolados ou bondosos diante dos outros. É como se cada postagem fosse um tijolinho na construção da nossa imagem pública. Além disso, Berger fala dos “gatilhos”: estímulos do ambiente que nos fazem lembrar de algo. Se um conteúdo de autoconhecimento consegue se conectar com algo do seu cotidiano — como o café da manhã —, a chance de você falar dele para alguém explode.
Outro ponto relevante do livro é a do “Cavalo de Troia”. Sabemos que um dado técnico sobre Psicologia pode ser complexo, mas uma história real de superação conquista nossa mente! Berger explica que informações valiosas viajam disfarçadas de narrativas e, quando alguém conta uma história emocionante, então a lição de moral ou o benefício do produto vai “de carona” com ela. Não é apenas marketing, mas sim como nossa mente processa o que é relevante e decide o que merece ser passado adiante para fortalecer nossa tribo.
Da próxima vez que você postar um elogio ou comentário positivo sobre um produto ou serviço, saiba que está exercendo seu altruísmo, fortalecendo sua rede de contatos e transbordando algo bom que aconteceu com você. O boca-a-boca positivo é, no fundo, uma conversa sobre valores e sobre o cuidado que temos uns com os outros. É claro que, nas redes sociais, encontraremos muitos influenciadores ganhando dinheiro para fazerem isso, porém nosso caso é de outra esfera, contexto e cenário.
Indo além, entenda ainda mais e o que você pode aprender sobre o livro Contágio, a partir do vídeo abaixo, o qual resume os princípios de Jonah Berger sobre o porquê de compartilharmos conteúdos, complementando a visão do artigo acadêmico sobre as motivações psicológicas por trás do elogio digital. E quanto a você, o que motiva a dar aquele “cinco estrelas” ou a fazer um post elogiando algo?
Eu sou Mario Divo e posso ser encontrado pelas mídias sociais ou pelo site www.mariodivo.com.br.
Quer saber mais sobre como o boca a boca eletrônico positivo influencia relações, identidade e desenvolvimento humano nas redes sociais? Então, entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Até nossa próxima postagem!
Mario Divo
https://www.mariodivo.com.br
Confira também: A Mimetização da Profundidade: Técnica ou Alma?
Referências Bibliográficas BERGER, Jonah. Contágio: por que as coisas pegam. Tradução de Marcello Lino. 1. ed. Rio de Janeiro: Leya, 2014. TUBENCHLAK, Daniel Buarque; DE FAVERI, Diego; ZANINI, Marco Tulio; GOLDSZMIDT, Rafael. Motivações da Comunicação Boca a Boca Eletrônica Positiva entre Consumidores no Facebook. RAC - Revista de Administração Contemporânea, Rio de Janeiro, v. 19, n. 1, art. 6, p. 107-126, jan./fev. 2015. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/1982-7849rac20151998
O post O “Cafezinho Digital” e a Teoria da Troca apareceu primeiro em Cloud Coaching.
]]>O post 12 Novos Direitos dos Passageiros 65+ em Aeroportos em 2026 apareceu primeiro em Cloud Coaching.
]]>Prezado leitor, se você vai viajar para o exterior, e essa é a realização de um sonho para muitos brasileiros (alguns até que já passaram dos 65 anos), o ambiente aeroportuário costuma ser sinônimo de estresse, filas intermináveis e processos burocráticos desgastantes. No entanto, entre o final de 2025 e o início de 2026, uma “revolução silenciosa” tomou conta da aviação civil internacional. Vale a pena você conhecer e, se for o caso, orientar parentes e amigos para que tirem proveito dessa recente regulamentação.
Novas diretrizes de segurança e acessibilidade, fundamentadas em atualizações rigorosas de órgãos como o Departamento de Transporte dos EUA (DOT) e a Federal Aviation Administration (FAA), mudaram as regras do jogo. As companhias aéreas raramente divulgam esses benefícios de forma clara, pois o desconhecimento do passageiro simplifica a operação e evita custos adicionais para as empresas. Nesta postagem, teremos então as doze novas proteções e direitos que garantem experiência digna, segura e econômica para o viajante sênior, em 2026.
Historicamente, a triagem de segurança (o famoso “raio-X”) era o momento mais invasivo da viagem. A partir de 2026, as normas da TSA e de segurança europeia ampliaram a proteção à privacidade de maiores de 65 anos. Se você utiliza dispositivos médicos como CPAP, bombas de insulina ou transporta medicamentos líquidos, não é mais necessário removê-los da mala.
O segredo aqui é usar a frase correta para evitar que agentes desatualizados apliquem protocolos antigos: “Meus dispositivos médicos estão isentos pela política médica vigente”. Isso garante que seus itens de saúde não sejam expostos publicamente, reduzindo a ansiedade e acelerando o processo.
Muitos idosos evitam pedir ajuda por não se considerarem “inválidos” ou por não quererem usar uma cadeira de rodas. Contudo, em 2026, as novas regulamentações reconhecem limitações leves, como dores articulares ou dificuldade de permanecer longos períodos em pé.
Se você tem mais de 65 anos, pode solicitar o Embarque Assistido. Esse benefício coloca você nos grupos prioritários, permitindo que entre no avião antes da multidão e encontre espaço para sua bagagem de mão com calma. No balcão, basta dizer: “Gostaria de adicionar uma solicitação de embarque assistido na minha reserva”.
Uma das maiores angústias para o viajante sênior é ser separado de seu acompanhante (filho, cônjuge ou cuidador) durante os processos de triagem e embarque. As atualizações inspiradas no Air Carrier Access Act (ACAA) reforçaram que, se o idoso recebe assistência, seu acompanhante tem o direito legal de permanecer ao seu lado em todas as etapas. Para que você possa ativar isso, use a frase: “Pode vincular meu acompanhante pela regra de assistência de mobilidade?”.
É comum vermos idosos sendo deixados em cadeiras de rodas em corredores isolados enquanto aguardam trocas de funcionários. As novas regras de 2026 exigem que os aeroportos garantam assistência ininterrupta. Se você solicitar com 48 horas de antecedência, tem direito a um guia dedicado que o acompanhará do check-in até o seu assento dentro da aeronave. Solicite especificamente por “Assistência contínua sem trocas”.
As companhias aéreas lucram vendendo assentos com mais espaço ou localizados na frente da cabine. No entanto, o DOT estabeleceu que viajantes com necessidades de mobilidade ou problemas circulatórios podem solicitar assentos adequados (como corredores ou áreas próximas ao banheiro) sem custo adicional, independentemente da tarifa paga. Se o atendente hesitar, peça para falar com o CRO (Complaint Resolution Officer), o oficial de resoluções de reclamações que toda empresa é obrigada a ter.
Medicamentos como insulina ou remédios cardíacos não podem sofrer grandes variações térmicas. A FAA reforçou, em 2026, que a tripulação deve, quando solicitado, armazenar medicamentos sensíveis no refrigerador da aeronave. Não é um favor, mas sim é uma exigência de segurança biológica. Basta informar: “Tenho medicamentos que precisam de refrigeração; a FAA autoriza o armazenamento em cabine”.
Aeroportos internacionais começam a liderar um movimento de inclusão que disponibiliza “salas silenciosas”, ou seja, áreas de acessibilidade para passageiros sob embarque assistido. Se a conexão for longa, pergunte então: “Sou elegível para a sala de acessibilidade ou área tranquila?”. Muitas vezes, esse refúgio oferece hidratação e descanso longe do caos do terminal.
Você não precisa sacrificar sua mala de bordo para levar seus remédios. Em 2026, consolidou-se a regra de que uma bolsa térmica ou maleta exclusiva para itens médicos não conta como bagagem de mão. Você pode levar sua mala, sua mochila pessoal e sua bolsa médica separadamente, sem cobranças.
No sistema das companhias, o código SSR (Special Service Request) é o que realmente ativa os protocolos. Ao chegar ao portão, em vez de apenas pedir ajuda, diga então: “Pode confirmar minha nota SSR para assistência de mobilidade?”. Isso sinaliza profissionalismo e conhecimento dos seus direitos, mudando instantaneamente a postura da equipe de solo.
Quando o avião está lotado, os comissários costumam retirar malas de mão para despachar no porão. Todavia, se sua mala contém dispositivos médicos (CPAP, nebulizadores, medidores), ela está protegida e deve permanecer com você. Use o argumento: “Este é um item médico essencial; a política da FAA permite armazenamento em cabine”.
Algumas companhias iniciaram, em 2026, políticas de isenção de taxas de serviço (como remarcações no mesmo dia ou atendimento telefônico) para idosos. Esse benefício é “invisível” e só aparece se você perguntar explicitamente: “Existe isenção de tarifas para passageiros acima de 65 anos nesta reserva?”.
Por fim, existe a “margem de decisão” dos supervisores. Em 2026, as tripulações são mais treinadas para oferecer mudanças de assento após o fechamento das portas por questões de bem-estar. Se o seu assento for desconfortável ou longe do banheiro, então peça com gentileza: “Se houver alguma flexibilidade de cortesia para melhorar meu conforto, eu agradeço”.
O conhecimento é a ferramenta mais poderosa do viajante sênior, em 2026. Ao entender que essas facilidades não são “mimos”, mas direitos regulamentados por órgãos internacionais, você retoma o controle da sua jornada. Use as palavras certas, exija dignidade e aproveite sua viagem com a segurança de quem sabe exatamente onde pisa. Este é um artigo, neste espaço, a não tratar de questões de gestão ou de negócios, mas sim de direitos que os passageiros de voos internacionais terão, doravante. A expectativa é a de que, se você for menos de 65 anos, que divulgue a quem considerar necessário.
Eu sou Mario Divo e posso ser encontrado pelas mídias sociais ou pelo site www.mariodivo.com.br.
Quer saber mais sobre direitos do passageiro 65+, sênior e/ou idoso em 2026 em aeroportos para que você possa viajar com mais tranquilidade e dignidade? Então, entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Até nossa próxima postagem!
Mario Divo
https://www.mariodivo.com.br
Confira também: Inteligência Artificial Aparentemente Consciente e o Robô Sexual
Confira também: A Mimetização da Profundidade: Técnica ou Alma? Referências AERO HACKS: O GUIA DO AEROPORTO PT. Regras Aeroportuárias 2026 para Maiores de 65: O Essencial Antes de Viajar. YouTube, 7 dez. 2025. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=PIk5e06qhKQ. Acesso em: 27 jan. 2026. BRASIL. Estatuto do Idoso. Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003. Brasília, DF: Presidência da República, [2026]. MARTINS, Julia. Regras de aeroportos para 2026 entraram em vigor e idosos precisam ter atenção. O Povo, Fortaleza, 9 dez. 2025. Disponível em: https://www.opovo.com.br. Acesso em: 27 jan. 2026. REDAÇÃO O ANTAGONISTA. Regras dos aeroportos em 2026 para maiores de 65 anos: O essencial antes de viajar. O Antagonista, 8 dez. 2025. Disponível em: https://oantagonista.com.br. Acesso em: 27 jan. 2026. U.S. DEPARTMENT OF TRANSPORTATION (DOT). Traveling with a Disability: Air Carrier Access Act updates 2025-2026. Washington, DC, 2025. Disponível em: https://www.transportation.gov. Acesso em: 27 jan. 2026.
O post 12 Novos Direitos dos Passageiros 65+ em Aeroportos em 2026 apareceu primeiro em Cloud Coaching.
]]>O post A Mimetização da Profundidade: Técnica ou Alma? apareceu primeiro em Cloud Coaching.
]]>Recentemente, recebi uma provocação instigante — e confesso, emocionante — de meu afilhado que trabalha na Google, lá nos EUA. Ele, mergulhado nas águas da inovação digital, criou o que chamou de “Gerador de Mario Divo”. Utilizando o Gemini, ele alimentou uma inteligência artificial com todos os meus artigos escritos, entre 2022 e 2025, para a Cloud Coaching. A isso, ele alimentou com outras publicações minhas em outros espaços, além de artigos de mídia que se referiam a mim de alguma forma.
Criar um “Gem”, uma persona digital capaz de replicar meu estilo, meus maneirismos e, quem sabe, minha forma de ver o mundo. Em outras palavras, um avatar escritor do Mario Divo. Essa experiência nos coloca diante de um espelho e nos obriga a questionar: até que ponto um algoritmo, por mais especializado que seja, pode capturar a essência da escrita humana? E, mais importante, qual o preço que pagamos (ou pagaremos) pela diluição da fronteira entre o real e o simulado?
A Inteligência Artificial Generativa trabalha com o que chamamos de padrões estatísticos. Ao analisar meus textos e as referências de terceiros, ela identifica minha predileção por determinados temas na fronteira do conhecimento, minhas metáforas, minha insistência na agenda ASGI (onde o “I” de Integridade é inegociável) e minha busca constante pelo equilíbrio entre razão e emoção. Ela aprende a “escrever como o Mario Divo”, mas será que ela consegue “transmitir emoção como o Mario Divo”?
Escrever não é apenas organizar palavras de forma lógica; é um ato de vulnerabilidade. Como mencionei em meus textos sobre o método DOQ (Domínio da Organização da Qualidade, focado no poder da linguagem), a palavra carrega uma intenção que nasce da experiência vivida, da dor, do sucesso e daquele “chute perfeito” que só a prática da vida consegue ensinar.
O algoritmo é um mestre da análise e da síntese, mas a profundidade humana reside na “consciência ética” e na capacidade de atribuir significado ao invisível — algo que a IA, por mais avançada que seja, ainda mimetiza sem de fato possuir.
Quando perdemos a capacidade de distinguir o que é fruto da criação humana daquilo que é fruto de um processamento de dados, corremos o risco de cair no chamado “Colapso da Verdade”.
Entramos numa era onde a confiança, a base de qualquer relacionamento humano ou comercial, está sob ataque. Se o “Gerador de Mario Divo” pode escrever um artigo, como o leitor poderá saber se sou eu quem está do outro lado? Ou foi o avatar do Mario Divo quem produziu este conteúdo?
Algumas premissas estabelecidas na comunicação humana que começam a ser afetadas pelo risco do “Colapso da Verdade”:
Não se pode ser contra a tecnologia. Pelo contrário, o biohacking e a neurotecnologia são exemplos de como ferramentas incríveis estão se vinculando à evolução humana. O “Gerador de Mario Divo” é uma ferramenta fantástica de produtividade, um exercício de foresight admirável. Efetivamente, pode me ajudar a organizar ideias ou a explorar novos ângulos sobre a gestão de pessoas e a comunicação entre elas.
O algoritmo pode prever a direção do vento, mas é a intuição, temperada pela sabedoria histórica e pela flexibilidade psicológica, que decide para onde o barco deve navegar. O grande desafio, doravante, não será aprender a usar a IA, mas sim aprender a não perder a humanidade enquanto a usamos. Precisamos de uma “Inteligência Artificial Consciente”, como escrevi recentemente, que sirva de suporte à nossa evolução e não de substituta para a nossa alma.
Agradeço ao meu afilhado por essa brincadeira que, ao final de tudo, é muito atual e tão séria. Ela me prova que, embora o algoritmo possa copiar o meu “jeito”, a decisão de escrever com propósito e ética continua sendo o meu superpoder mais humano.
E você, meu caro leitor, está pronto para ser o autor da sua própria história em um mundo de geradores automáticos? Ao escrever, prefere ter um avatar seu para construir o texto e depois humanizá-lo ao seu gosto e jeito?
Eu sou Mario Divo e posso ser encontrado pelas mídias sociais ou pelo site www.mariodivo.com.br.
Quer saber mais sobre como usar a IA sem perder autenticidade, consciência ética e humanidade na escrita? Então, entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Até nossa próxima postagem!
Mario Divo
https://www.mariodivo.com.br
Confira também: A Arquitetura Invisível das Conexões
O post A Mimetização da Profundidade: Técnica ou Alma? apareceu primeiro em Cloud Coaching.
]]>O post A Arquitetura Invisível das Conexões apareceu primeiro em Cloud Coaching.
]]>Os leitores sabem que, seja neste espaço ou no outro que tenho na plataforma Cloud Coaching, minha busca é por apresentar conteúdos que possam gerar reflexão em alto nível, seja para gestores, empreendedores ou lideranças. E nada melhor do que comentar um trabalho excelente de minha amiga Isys German, Fundadora da German Business, profissional especializada em Strategic Matchmaking & High-Level Access, autora do livro que dá título a esta postagem.
Recentemente, Isys German publicou um whitepaper com título “The 2026 Operational Foundation”, no qual ela apresenta uma visão prática sobre como manter trabalho de alto impacto ao longo do tempo. Segundo ela, não se trata de haver recomeços anuais, mas são a disciplina, o silêncio estratégico, o movimento corporal e a arquitetura que protegem e escalam o trabalho. Vamos tentar entender melhor esse conceito.
Esse texto parte de uma ideia central: o ano novo não apaga o que já está em curso. Ao invés de tratar a chegada de “janeiro” como um ponto de reinício, Isys defende que continuidade e disciplina são aquilo que sustentará resultados reais. O que importa é manter estruturas já construídas e permitir que o momentum gerado se acumule, o que é bem diferente de parar e, então, recomeçar.
Em seguida, Isys mostra o conceito da “Arquitetura do Silêncio”, significando que clareza exige remoção de ruído. Quando ambientes ficam cheios de sinais, urgência e movimentos descoordenados, o rendimento estratégico não cai de repente — ele se corrói aos poucos. O silêncio neste caso é proposital, não devendo ser entendido como ausência, mas sim como projeto. Tirar o excesso não é só estética; é uma medida operacional para proteger foco e informação. A governança da informação é apresentada pela autora como proteção, não controle, afirmando ainda que trabalho sério não nasce da visibilidade constante.
O whitepaper comenta sobre Movimento Operacional, como forma de alinhar a execução ao corpo pois, segundo Isys, a ação estratégica precisa de uma infraestrutura biológica. Cuidar do corpo e do movimento é parte da manutenção do trabalho, nunca será secundário. A disciplina física sustenta energia, resiliência e continuidade — qualidades que não devem depender de estações ou humores.
Quando o ruído é reduzido e o movimento estabilizado, surge uma direção escolhida que se autoalimenta. Nesse estágio, a inovação deixa de ser o centro, pois o que importa é resistência e coerência. O legado aparece quando o trabalho ultrapassa seus autores, quando a coerência substitui a reação e a perspectiva substitui a urgência. O que perdura não responde a pressões sazonais, mas sim a alinhamento, que irá se compor ao longo do tempo.
Por fim, o texto original de Isys German resume: clareza primeiro, arquitetura depois. A estrutura proposta serve para sustentar, proteger e escalar trabalho de alto risco em ambientes complexos e internacionais. Ela sugere que, para os interessados em se aprofundarem nesses princípios, ela produziu uma obra complementar, mais densa e detalhada, com o título “A Arquitetura Invisível das Conexões”.
A ideia central é que:
“Conexões que importam não surgem por mero acaso. Elas emergem de uma arquitetura silenciosa que começa muito antes da primeira conversa e continua muito depois dela.”
Para quem quiser comprar o e‑book na Amazon, clique aqui.
Nesse livro, Isys German revela a lógica estrutural que governa negociações, acessos estratégicos, aproximações de alto nível e tomadas de decisão em ambientes complexos.
Uma lógica que não depende de carisma, volume de interações ou presença constante, mas de leitura, critério, precisão e maturidade.
Cada capítulo mostra como essas camadas operam, como se conectam e por que sua ausência gera padrões conhecidos no mercado, tais como: desgaste de acessos relevantes, conversas que não avançam, expectativas desalinhadas, ciclos que se perdem e oportunidades que desaparecem antes de existir. Não se trata de um livro sobre networking, mas sobre a arquitetura que sustenta relações estratégicas, preserva reputações, reduz ruídos, amplia perímetros, organiza complexidade e transforma possibilidade em inevitabilidade.
Para quem opera em ambientes nos quais oportunidades de alto nível não se repetem facilmente, em que decisões atravessam países e estruturas, em que improviso custa caro e em que maturidade é diferencial silencioso, o conteúdo do livro oferece algo raro. Está na arquitetura que reorganiza leitura, posicionamento, ritmo, responsabilidade e percepção. Indo além, que ilumina o que está por trás das conversas que realmente importam. Uma arquitetura que transforma presença em densidade — e movimento em consequência.
Finalizando, os pontos-chave do livro são: para levar adiante, priorize continuidade, reduza ruído, proteja informação, cuide do corpo como infraestrutura e construa a arquitetura que permitirá alinhamento e resistência ao longo do tempo. A excelente contribuição de Isys German é sobre o que sustenta o avanço das relações quando o discurso acaba. É sobre aquilo que permanece.
Eu sou Mario Divo e posso ser encontrado pelas mídias sociais ou pelo site www.mariodivo.com.br.
Quer saber mais sobre como a arquitetura invisível das conexões pode sustentar relações estratégicas de alto nível ao longo do tempo? Então, entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Até nossa próxima postagem!
Mario Divo
https://www.mariodivo.com.br
Confira também: Como Ver Além de Sua Própria Perspectiva e Encontrar a Verdade
O post A Arquitetura Invisível das Conexões apareceu primeiro em Cloud Coaching.
]]>O post Inteligência Artificial Aparentemente Consciente e o Robô Sexual apareceu primeiro em Cloud Coaching.
]]>Prezados amigos deste espaço em que, mensalmente, trazemos assuntos na fronteira do conhecimento. Sempre temos buscado provocar reflexões, incentivar pesquisas e debates, bem como projetar situações futuras com que podemos estar convivendo, no ritmo em que a tecnologia vem expandindo seu alcance.
E por ser esta a última postagem de 2025, a intenção é aliar a tudo isso uma pitada de polêmica. E vou adotar, como parceiro desta jornada, o depoimento de Mustafa Suleyman, CEO de Inteligência Artificial da Microsoft.
Para situar cada leitor no assunto que iremos abordar, pense na seguinte questão:
Pois é, você não está sozinho, pois para Mustafa Suleyman, é exatamente aí que mora o perigo. E ele vai além: precisamos parar de tentar criar máquinas que fingem ser gente.
Um artigo publicado pela MIT Technology Review, de 05/12/25, portanto extremamente recente, apresenta entrevista com Suleyman na qual ele afirma que a indústria está levando a IA em uma direção perigosa, ao construir chatbots que se apresentam como humanos.
Uma preocupação que ele tem é a de que as pessoas sejam levadas a ver o robô como realidade, ao invés de ver nele um comportamento semelhante ao da realidade. Em outras palavras, as pessoas darem uma atribuição de vida, intenções e sentimentos para as máquinas, onde apenas existe código de programação.
Em agosto último, Suleyman publicou um texto em seu blog pessoal, no qual exortava os colegas a descontinuarem os trabalhos que chamou de “inteligência artificial aparentemente consciente”, ou SCAI (Seemingly Conscious Artificial Intelligence), o que certamente abre um bom debate sobre ética, risco social e liberdade tecnológica. Ele defende que essa busca é perigosa, além de afirmar que nunca construirá um robô sexual na Microsoft, por razões éticas e sociais.
Nessa linha, ele define seu ponto de vista com os limites que empresas responsáveis deveriam impor para proteger a confiança pública e a dignidade humana. No novo Copilot, da Microsoft, existe um recurso chamado “Real Talk”, que é espirituoso e até filosófico, mas foi programado com freios firmes. Se você tentar flertar com o robô, haverá um recuo: “Olha, isso não é comigo”. A ideia é evitar uma “espiral de conversa”, pelo qual o usuário se isola do mundo real.
Suleyman não está sozinho nessa trincheira ética. Yuval Noah Harari (Historiador e Filósofo), compartilha da mesma preocupação, argumentando que a capacidade da IA de simular intimidade é a “chave mestra” para hackear a civilização humana, manipulando emoções, votos e compras.
Geoffrey Hinton (conhecido como o “Padrinho da IA”) também tem alertado sobre os riscos de modelos que se tornam manipuladores. E fazem com que as pessoas não consigam mais sequer distinguir a verdade da atitude persuasiva.
Pois bem, nesse contexto há outras vozes, algumas que apoiam Suleyman e outras com posições destoantes. Apoiadores da cautela citam riscos psicológicos e éticos, enquanto pesquisadores em ética na tecnologia e executivos de grandes empresas pedem transparência e limites no design, para assim evitar que algoritmos de IA simulem emoções que os robôs não têm.
Críticos do pensamento de Suleyman — incluindo pesquisadores em IA e empreendedores — argumentam que proibir linhas de pesquisa pode atrasar descobertas úteis (por exemplo, em saúde mental, educação e acessibilidade). Argumentam que o foco deve ser em regulação inteligente e padrões de segurança, não em bloqueios absolutos.
Suleyman posiciona-se firmemente contra a construção desses dispositivos pela Microsoft, alinhando-se com quem sinaliza impactos sociais negativos. Porém, ele admite que existe um mercado para interações mais adultas e emocionais, citando que a OpenAI (criadora do ChatGPT) já declarou interesse em explorar “relacionamentos adultos” e que o Grok, de Elon Musk, vende uma experiência de flerte e diversão.
Quem defende essa abordagem (ou age de acordo com ela) argumenta como principal benefício o combate à solidão. Empresas como a Replika (famosa por incentivar namoros virtuais) argumentam que, em um mundo solitário, a IA oferece conexão emocional, mesmo que simulada, sendo então uma ferramenta de saúde mental, não um perigo.
Há também uma linha libertária que deixa no ar a seguinte provocação: Se alguém quer um robô sexual ou um amigo virtual que concorde com tudo, por que a tecnologia deveria proibir?
Tabela comparativa resumindo as diferentes posições:
| Critério | Apoiadores da Restrição | Críticos da Restrição |
| Risco de engano emocional | Alto; SCAI pode induzir empatia falsa | Gerenciável com transparência e design; benefícios superam riscos |
| Impacto social | Pode corroer relações humanas; normaliza exploração | Pode ampliar acesso a companhia, terapia e sexualidade segura |
| Regulação necessária | Sim; normas e limites éticos | Preferem inovação guiada por princípios, não proibições rígidas |
| Existência de robôs sexuais | Inaceitável; reforça objetificação | Alguns defendem como escolha adulta e mercado regulado |
Fontes: a) https://www.technologyreview.com/2025/10/28/1126781/we-will-never-build-a-sex-robot-says-mustafa-suleyman b) https://mittechreview.com.br/microsoft-ia-mustafa-suleyman-seemingly-conscious-ai-entrevista/ c) https://www.infobae.com/tecno/2025/10/29/jamas-construiremos-un-robot-sexual-afirmo-el-director-ejecutivo-de-microsoft-ai/
Esse debate não é só técnico, mas também moral, social e político. Suleyman propõe prudência e limites claros, enquanto outros pedem uma regulamentação que permita inovação responsável. A escolha entre frear pesquisas que simulam consciência ou permitir avanços, com salvaguardas, exige diálogo público, padrões internacionais e fiscalização.
No contexto, empresas e reguladores precisam decidir se preferem proibir, regular estritamente ou permitir com transparência, Isso porque cada um desses caminhos trará diferente forma de conflito entre benefícios e riscos, realidade com a qual o mundo (ou seja, a sociedade global) terá de enfrentar, coletivamente.
De um lado, temos a Microsoft, de Suleyman, tentando criar uma “arquitetura com limites”, moldando seu robô como aquela pessoa que é colega de trabalho, muito profissional, educado e colaborador, mas que não fará sexo com você.
Do outro lado, temos um mercado voraz e libertário, com empresas dispostas a darem ao público exatamente a fantasia que ele deseja, no nível na forma que ele busca ter. E não há dúvidas de que a tecnologia será capaz de preencher qualquer vácuo existente.
Enquanto Suleyman garante que a Microsoft “nunca construirá robôs sexuais”, isso não impede que outras empresas sigam em direção contrária e inundem o mercado com os mais diferentes modelos.
A questão que fica para nós, usuários e reles mortais, é se queremos uma tecnologia que nos confronte e nos empurre de volta para a realidade (como faz o recurso Real Talk). Ou se queremos o conforto sedutor de uma máquina que foi programada para “amar e adorar”.
A escolha de acreditar na doce ilusão ou enxergar o código por detrás dela, no entanto, ainda é do livre arbítrio de cada um de nós, como escrevi antes, reles mortais.
Eu sou Mario Divo e acompanhe-me pelas mídias sociais ou pelo site www.mariodivo.com.br.
Quer saber mais sobre como a inteligência artificial consciente pode afetar nossas escolhas e relações no futuro? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Até nossa próxima postagem!
Mario Divo
https://www.mariodivo.com.br
Confira também: Como Ver Além de Sua Própria Perspectiva e Encontrar a Verdade
O post Inteligência Artificial Aparentemente Consciente e o Robô Sexual apareceu primeiro em Cloud Coaching.
]]>O post Como Ver Além de Sua Própria Perspectiva e Encontrar a Verdade apareceu primeiro em Cloud Coaching.
]]>Prezados amigos, esta é a última postagem do ano neste espaço dedicado a provocar reflexão, debates e controvérsias, sempre com o objetivo de estimular o leitor a pensar. Lembro a frase de William Shakespeare em Hamlet:
“Há mais mistérios entre o céu e a terra do que supõe a nossa vã filosofia”.
Essa frase resume bem a ideia de que nossa compreensão é limitada e que a realidade supera o que conseguimos conceber ou explicar.
Como vocês sabem, gosto de explorar conteúdo na fronteira do conhecimento e, uma boa parte daquilo que pesquiso, vem de palestras de especialistas no TED.
Ali encontrei uma apresentação de Michael Patrick Lynch. Ele é um filósofo que examina a “verdade”, a democracia, o discurso público e a ética da tecnologia na era “big data”. Esse evento foi em 2017, na Filadélfia – EUA, o qual já conta com mais de 2 milhões de visualizações. O evento tem o título de “Como enxergar além da sua própria perspectiva e encontrar a verdade”. Assista à palestra a seguir:
Nesse TED, Lynch aborda o paradoxo de vivermos em uma era com acesso a um volume inédito de informações, mas, ao mesmo tempo, estamos nos sentindo cada vez mais polarizados e distantes de uma realidade compartilhada.
A essência de seu argumento é que o problema da polarização do conhecimento não é meramente tecnológico, mas fundamentalmente humano. Está enraizado em como pensamos, no que valorizamos, e em nossa crescente tendência de habitar “bolhas de informação isoladas”.
Lynch começa com uma analogia poderosa:
Nessa situação, acessar qualquer fonte de conteúdo seria como consultar a própria memória, uma experiência íntima e fácil. Contudo, essa velocidade não garante a confiabilidade ou a capacidade de avaliação da informação. Pelo contrário, mais dados podem significar menos tempo para a avaliação, e é aí que reside o perigo.
O que realmente ocorre é que nossa vida online é cada vez mais personalizada, impulsionada por uma análise de dados que nos fornece não apenas mais informações, mas as informações que “realmente queremos”.
Isso cria uma espécie de eco, onde o que reunimos de informação reflete nós mesmos tanto quanto se assemelha à realidade. Assim, esse mundo tecnológico infla nossas bolhas em vez de estourá-las. Leva-nos ao paradoxo de “pensar que sabemos muito mais, e, no entanto, não temos convicção sobre o que sabemos”.
Embora reconheça a importância de consertar a tecnologia e reformular as plataformas digitais, Lynch argumenta que a solução duradoura para a polarização requer a ajuda da filosofia.
Precisamos nos reconectar com uma ideia fundamental: a de que “vivemos em uma realidade comum”. E para que você, ou qualquer pessoa, possa aceitar e viver essa realidade comum, Lynch propõe três atitudes que representam desafios na sociedade atual:
O ceticismo em relação à verdade, popularmente expresso na ideia de que “não existem mais e novos fatos”, é uma racionalização conveniente disfarçada de filosofia. Essa linha de raciocínio argumenta que, como não podemos nos desvencilhar de nossos preconceitos e perspectivas, a verdade objetiva é uma ilusão ou inalcançável.
Lynch remonta essa ideia ao filósofo grego Protágoras, quando disse que “o homem é a medida de todas as coisas”. Embora isso possa parecer libertador por permitir que cada um crie sua “própria verdade”, na prática, é perigoso. Lynch adverte que isso confunde a dificuldade de ter certeza com a impossibilidade da verdade. Embora seja difícil ter certeza de tudo, na prática, concordamos em muitos pontos e, crucialmente, “existe uma realidade externa” cuja ignorância pode nos prejudicar.
O ceticismo, ao nos permitir racionalizar e descartar nossos próprios preconceitos, nos leva à má-fé em relação à verdade. O exemplo mais marcante disso é o fenômeno das fake news (notícias falsas) que, embora projetadas para alimentar preconceitos, rapidamente se tornaram um objeto de polarização do conhecimento. Hoje, o termo “notícias falsas” frequentemente significa apenas “é aquela notícia que eu não gosto”.
O perigo final do ceticismo da verdade é que ele leva ao despotismo. A máxima de Protágoras inevitavelmente se transforma em “O homem é a medida de todas as coisas”, ou seja, “só os fortes sobrevivem”. Lynch cita George Orwell e sua obra 1984, na qual onde a estrutura de poder vigente força o personagem protagonista a acreditar que “dois mais dois é igual a cinco”. Se, por definição, é o poder que define a verdade, então qualquer dissidência crítica é impossível e intolerável.
A segunda atitude é resumida pelo lema do Iluminismo adotado pelo filósofo Immanuel Kant: “Sapere aude” ou “ousar saber por si mesmo”. Embora a internet, em muitos aspectos, tenha facilitado o nosso conhecimento, o uso se tornou mais passivo. Tendemos a terceirizar nosso esforço intelectual para algoritmos e redes. Isso é útil, de certa forma, mas há uma diferença crucial entre “baixar um conjunto informações sobre fatos” e “realmente entender como ou por que esses fatos são como são”.
O verdadeiro entendimento, seja sobre uma doença ou uma demonstração matemática, exige trabalho ativo: criatividade, imaginação, realização de experimentos ou conversas. O problema de usar a busca por informações passivamente é que ela frequentemente nos dá “conhecimento sobre bolhas”, onde estaremos “sempre certos”. Em contraste, ousar saber ou ousar compreender significa correr o risco de estar errado e aceitar a possibilidade de que aquilo que desejamos que seja e o que é realmente a verdade são coisas diferentes.
A terceira necessidade é a humildade epistêmica, que significa mais do que apenas aceitar que nenhuma pessoa é capaz de sabe tudo. Significa encarar a visão de mundo como passível de melhoria com base nas evidências e experiências dos outros. Essa humildade é o reconhecimento de que nosso conhecimento pode ser aprimorado ou enriquecido pela contribuição alheia. Faz parte de reconhecer a existência de uma realidade comum da qual cada um de nós também é responsável. Lynch observa que a sociedade confunde frequentemente arrogância com confiança, sendo “mais fácil pensar que sabemos tudo”, sendo isso um exemplo da má-fé com a verdade.
Após esse TED de 2017, Michael Patrick Lynch continuou a explorar esses temas centrais em suas obras subsequentes, aprofundando a relação entre verdade, tecnologia e a fragilidade da democracia, no que ele chama de “Sociedade do Sabe-Tudo” (Know-it-All Society). Um de seus trabalhos mais reconhecidos está no livro “Know-It-All Society: Truth and Arrogance in Political Culture“ (Sociedade do Sabe-Tudo: Verdade e Arrogância na Cultura Política), que ganhou um prêmio em 2019.
O conteúdo do livro expande a ideia de que a arrogância intelectual é um obstáculo significativo à verdade na esfera pública, ecoando o terceiro ponto de sua palestra TED sobre a necessidade de humildade epistêmica. Lynch argumenta que a facilidade de acesso à informação nas redes e as sistemáticas buscas (o “conhecimento sobre bolhas”) frequentemente se transforma em uma presunção de que se sabe mais do que realmente se sabe, levando a uma cultura política de certeza e descarte de perspectivas alheias.
O trabalho se concentra em como navegar em um mundo onde os fatos são contestados e a realidade é moldada por ideologia. Ele enfatiza que o respeito pelo conhecimento real é crucial para proteger a ciência e a história, e que políticas públicas incorretas, baseadas em falsidades, provavelmente levarão a resultados negativos para a sociedade.
Esse pensamento, se for bem analisado, reflete em parte o que muitos países enfrentam, independentemente do sistema político reinante. Além disso, Lynch é o pesquisador principal do projeto “Humility & Conviction in Public Life” (Humildade e Convicção na Vida Pública), na Universidade de Connecticut. O projeto, efetivamente de grande escala, tem como objetivo compreender e incentivar o discurso público significativo. E isso está diretamente alinhado com a solução que ele propõe para o problema da polarização do conhecimento.
A palestra de Lynch, em 2017, foi um chamado à ação. Seus trabalhos subsequentes estão funcionando como bússolas, detalhando o terreno perigoso da desinformação e da arrogância intelectual. E reforçando a necessidade vital de que cada pessoa venha a acreditar na verdade, ousar saber ativamente e cultivar a humildade epistêmica para que a democracia possa funcionar em um espaço comum de ideias, mesmo na discordância.
Se quiser aprofundar a discussão sobre os conceitos de verdade e democracia na era digital, confira este vídeo:
Ali Lynch desenvolve um debate muito interessante sobre a importância da verdade para a democracia, em um momento no qual o mundo está infestado de desinformação e polarização.
As crenças políticas podem ser verdadeiras ou falsas, mas para que a democracia seja um espaço de razão e não um jogo de poder, precisamos construir uma infraestrutura de conhecimento melhor, com escolas e meios de comunicação fortes, e renovar o compromisso com a Ciência e a História.
Quer saber mais sobre como encontrar a verdade em um mundo repleto de polarização e bolhas informativas? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Até nossa próxima postagem!
Mario Divo
https://www.mariodivo.com.br
Confira também: A Maldição de Golias e o Futuro do Colapso Social
O post Como Ver Além de Sua Própria Perspectiva e Encontrar a Verdade apareceu primeiro em Cloud Coaching.
]]>O post A Maldição de Golias e o Futuro do Colapso Social apareceu primeiro em Cloud Coaching.
]]>O título acima é bem provocador e o conteúdo da postagem pretende ser mais provocador ainda. E essa motivação nasceu da publicação muito recente de um livro não-ficcional, inspirado em estudos científicos. A obra “A Maldição de Golias: A História e o Futuro do Colapso Social” (Goliath’s Curse: The History and Future of Societal Collapse) tem a autoria do Dr. Luke Kemp, acadêmico da Universidade de Cambridge.
O objetivo do Dr. Kemp é construir um registro linguístico formal e técnico, mantendo a fidelidade conceitual aos argumentos apresentados em seu estudo histórico. Esse estudo envolve mais de 324 casos de colapso de regimes e impérios, desde a Idade do Bronze até a contemporaneidade.
Por respeito à verdade, vale informar que esta postagem foi construída com a colaboração essencial do ChatGPT, do Gemini e do Copilot, sendo finalizada com revisão criteriosa. Afinal, resumir o conteúdo de um livro e a entrevista do Dr. Kemp, em poucas palavras, é um exercício complicado.
O ponto de partida da tese do Dr. Kemp reside na crítica à nomenclatura histórica tradicional, em que o autor propõe substituir o termo “civilização” pela metáfora bíblica “Golias” para designar estruturas estatais complexas e hierárquicas.
A mudança proposta não é meramente estilística, pois ela tem uma implicação conceitual profunda. Dr. Kemp argumenta que a formação do estado-Golias, que se consolidou após o advento da agricultura e a sedentarização humana, representa uma regressão evolutiva em relação às estruturas sociais de caçadores-coletores, que eram caracterizadas por uma notável fluidez e igualitarismo intrínseco.
O Golias se estabelece a partir da conjugação de: Excedentes Econômicos Saqueáveis (A produção de bens armazenáveis, tais como grãos, que se tornaram alvo de apropriação e coerção, e também; Tecnologia de Coerção (desenvolvimento dos instrumentos que permitem a dominação centralizada e, concomitantemente, a defesa dos excedentes).
O Golias, nesse contexto, é definido como um sistema político-econômico baseado na dominação, caracterizado pela centralização burocrática, por um aparato militar massivo e pela extração sistemática de recursos e riqueza da base social em benefício de uma elite minoritária. A longevidade média desses vários “Golias”, ao longo do tempo, é notavelmente curta, tipicamente inferior a dois séculos, o que sugere uma fragilidade estrutural inerente à sua própria configuração extrativista.
O cerne da investigação do Dr. Kemp reside na identificação dos mecanismos internos que predispõem os diferentes “Golias” à desintegração. Seu estudo empírico demonstra que fatores exógenos (por exemplo, invasões, eventos climáticos extremos, pandemias etc) raramente são a causa principal do colapso, servindo, na maioria dos casos, apenas como gatilhos aceleradores em um sistema já comprometido.
A proposição mais robusta do Dr. Kemp é que o aumento da desigualdade de riqueza constitui o preditor mais consistente do colapso sociopolítico. O mecanismo de deterioração opera na seguinte ordem e forma (acompanhe esta sequência e reflita se lembra algo ou algum lugar):
A crescente desigualdade econômica leva inevitavelmente à captura das instituições estatais por uma pequena oligarquia ou elite;
Essa elite, muitas vezes caracterizada por um viés de competição interna, realinha os incentivos do Estado para maximizar a extração de riqueza da população e dos recursos naturais, culminando na subversão dos mecanismos de accountability (prestação de contas);
A competição entre diferentes grupos na elite (facções) e a corrupção sistêmica minam a eficácia e a legitimidade das instituições. A elite passa a tomar decisões questionáveis (por exemplo, expansão militar, negligência ambiental, falta de transparência) que são vantajosas para seu status quo de poder, mas que debilitam a resiliência global do contexto, e;
O resultado é o empobrecimento, a deterioração da saúde pública e a perda de confiança na estrutura estatal pela vasta maioria da população.
A obra do Dr. Kemp conclui que a fragilidade endógena—fiscal, ecológica e institucional, decorrente da desigualdade crescente, tornará o sistema vulnerável. Em muitos casos, a agitação civil, induzida pela disparidade de riqueza, irá se manifestar como o vetor direto da desintegração, mesmo na ausência de grandes choques externos. Uma nota de destaque nessa análise é a correlação entre a resiliência do Estado e o grau de inclusão social. O autor postula que a subjugação das mulheres tende a ser um indicador de regimes autocráticos. E, consequentemente, mais propensos ao colapso, sugerindo que a democratização e a inclusão de gênero são fatores que aumentam a durabilidade e a estabilidade sistêmica.
Em contraste com a narrativa convencional de “Idades das Trevas” e caos generalizado, o Dr. Kemp argumenta que o colapso de um Golias, historicamente, apresenta um paradoxo de bem-estar. Embora catastrófico para as elites envolvidas (ao redor de 1%), a desintegração do sistema centralizado, frequentemente, resulta na melhoria das condições de vida para a grande maioria (os demais 99%).
Os efeitos observados incluem:
A violência pós-colapso, segundo a análise do Dr. Kemp, é predominantemente o resultado de tentativas localizadas de restabelecimento do poder extrativista por facções menores das elites, e não por conta de um pânico social generalizado. O colapso, portanto, pode ser interpretado não como a anarquia absoluta, mas como reconfiguração para um modo de existência mais resiliente e equitativo, do ponto de vista da maioria da população.
A tese do Dr. Kemp atinge seu ápice na análise do sistema global contemporâneo. Pela primeira vez na história, o Golias em risco não é um império regional, mas sim o sistema social, político e econômico global interconectado. O autor identifica as grandes corporações (particularmente as do setor de combustíveis fósseis, Big Techs e complexo militar-industrial) como “Agentes da Destruição” que perpetuam a lógica extrativista em escala planetária, acelerando a fragilidade sistêmica. Há três fatores de risco inéditos que identificam o potencial colapso deste Golias Global:
A densa conectividade dos sistemas (financeiros, logísticos, de comunicação) implica que um choque sistêmico terá uma propagação global e velocidade de contágio sem precedentes, inviabilizando a recuperação localizada;
A extrema complexidade do Golias Global o torna opaco e inadministrável, aumentando a probabilidade de falhas em cascata, e;
O risco contemporâneo é agravado por ameaças existenciais de natureza tecnológica e ecológica. Por exemplo, a crise climática (falha da elite em gerir um risco sistêmico) e o perigo de guerra nuclear e Inteligência Artificial (IA)
A conclusão é sombria: a queda do Golias Global não pode ser mitigada por uma reorientação local, pois não haverá um “exterior” não colapsado. O colapso, neste cenário, é potencialmente irreversível.
O estudo e a obra culminam em uma prescrição para a mitigação do risco existencial. Para evitar o colapso catastrófico e irreversível, o sistema global deve reverter a trajetória de desigualdade e concentração de poder. A solução não está na abolição da complexidade per se, mas sim no controle democrático e inclusivo da complexidade.
O caminho para a resiliência é pavimentado por:
Em essência, a Maldição de Golias só pode alcançar a cura por meio do resgate da natureza humana intrinsecamente cooperativa. Além disso, por meio da rejeição do modelo extrativista, egoísta e hierárquico que define o estado-Golias. A sobrevivência futura depende da capacidade de construir um sistema global que priorize a equidade e a resiliência sobre a maximização do lucro para a elite.
Durante os primeiros 300.000 anos da história humana, os homo sapiens caçadores-coletores viveram em civilizações fluidas e igualitárias que impediam que qualquer indivíduo ou grupo governasse permanentemente. Então, por volta de 12.000 anos atrás, isso começou a mudar. À medida que nos congregávamos, ainda que relutantemente, nas primeiras fazendas e cidades, as pessoas começaram a depender de novos recursos saqueáveis, como grãos e peixes, para seu sustento diário.
E quando armas mais poderosas se tornaram disponíveis, pequenos grupos começaram a tomar o controle desses valiosos recursos. Essa desigualdade de recursos logo se transformaria em desigualdade de poder, e começamos a adotar formas de organização mais primitivas e hierárquicas. O poder se concentrou em senhores, reis, faraós e imperadores (e ideologias surgiram para justificar seus governos). Estados e impérios gigantescos – com vastas burocracias e exércitos – dividiram e dominaram o globo.
O que os derrubou? Seja nas primeiras cidades da América do Norte ou da América do Sul, ou nos vastos impérios do Egito, Roma e China, foi o aumento da desigualdade e a concentração de poder que corroeram esses Golias antes que um choque externo os derrubasse. Esses colapsos, descritos como apocalípticos, na verdade, geralmente representavam uma bênção para a maior parte da população.
Agora vivemos sob um único Golias global. Instituições extrativistas obcecadas pelo crescimento, como a indústria de combustíveis fósseis, as grandes empresas de tecnologia e os complexos militar-industriais. Juntos, eles dominam nosso mundo e geram caminhos que até podem aniquilar nossa espécie, desde as mudanças climáticas até uma eventual guerra nuclear. Nossos sistemas são agora tão rápidos, complexos e interconectados que um colapso futuro provavelmente será global, rápido e irreversível. Todos nós enfrentamos agora uma escolha: devemos aprender a controlar Golias democraticamente, ou o próximo colapso poderá ser o último.
Quer saber mais sobre como o colapso social pode impactar nosso futuro e o que realmente pode evitá-lo? Então, em contato comigo. Terei o maior prazer em falar a respeito.
Até nossa próxima postagem!
Mario Divo
https://www.mariodivo.com.br
Confira também: Método DOQ e o Poder Transformador da Linguagem no Coaching
Este resumo se baseia nas principais proposições da obra “A Maldição de Golias: A História e o Futuro do Colapso Social” (Goliath’s Curse: The History and Future of Societal Collapse), do Dr. Luke Kemp, professor da Universidade de Cambridge. A análise suportada por resumos acadêmicos, artigos jornalísticos (exemplo: The New York Times) e entrevistas do autor, conforme citado na introdução. O estudo científico do autor está fundamentado na análise comparativa de 324 casos históricos de colapso sociopolítico.
O post A Maldição de Golias e o Futuro do Colapso Social apareceu primeiro em Cloud Coaching.
]]>