
A Vulnerabilidade como Potencial Transformador nas Lideranças e nas Relações Humanas: Contribuições da NR-1
Como a Vulnerabilidade entra no contexto da NR-1?
A vulnerabilidade revela fragilidades que, quando reconhecidas, podem fortalecer conexões em diferentes contextos da vida, sejam eles amorosos, sociais, familiares ou organizacionais.
No âmbito da liderança, ela se manifesta quando líderes expõem dúvidas ou emoções de forma consciente, favorecendo a construção de resiliência coletiva e o desenvolvimento de uma neuroplasticidade relacional. Um exemplo disso ocorre quando líderes admitem falhas em reuniões de equipe. Essa abertura contribui para a dissolução de defesas narcísicas e para a formação de dinâmicas grupais mais empáticas, fortalecendo vínculos bem como a capacidade adaptativa dos grupos.
Vulnerabilidade refere-se à exposição a riscos emocionais e relacionais. Diferentemente da fragilidade patológica, trata-se de um processo ativo, que integra a nossa sombra, como propõe Jung. Essa perspectiva alinha-se à não violência: expressar necessidades sem julgamento é um ato de presença que constrói confiança.
“Quando você tocar uma alma humana, seja apenas uma outra alma humana.” (Carl Gustav Jung)
Jung enfatiza a importância da autenticidade e da conexão genuína, que superam técnicas e teorias quando o objetivo é uma interação verdadeiramente humana e empática. Ele nos convida a deixar de lado papéis e máscaras e simplesmente estar presente, reconhecendo a humanidade no outro e promovendo uma conexão profunda e transformadora.
Como perceber a vulnerabilidade?
Podemos perceber a vulnerabilidade em diferentes contextos, por exemplo:
- Quando um líder compartilha suas inseguranças diante de situações com a equipe, convidando todos a contribuir. Dessa forma, ele ativa a empatia e promove a cocriação, elevando o engajamento;
- No feedback, ao utilizar expressões como “eu observei”, “eu sinto” e “eu preciso”, criando um convite à reflexão sobre erros, abrindo assim espaço para novas orientações e perspectivas;
- Em processos de reestruturação, quando líderes narram suas próprias transições, inspirando resiliência nos colaboradores e integrando o desenvolvimento do grupo.
A vulnerabilidade em dinâmicas de grupo fomenta a construção de uma cultura de alta performance, mitigando exclusões entre as pessoas.
Com a nova NR-1, em vigor a partir de maio de 2025, os riscos psicossociais passam a integrar o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Isso exige que as lideranças identifiquem e mitiguem fatores como estresse, sobrecarga emocional e relações deterioradas. Essa atualização relaciona-se diretamente à vulnerabilidade, pois demanda dos líderes uma exposição genuína para a criação de ambientes seguros, alinhados à comunicação não violenta e à segurança psicológica dos times.
Aplicações Práticas na NR-1
- Realizar avaliações contínuas de clima por meio de canais anônimos, permitindo que lideranças identifiquem vulnerabilidades psicossociais e fomentem o diálogo;
- Treinar gestores em liderança humanizada, integrando a Comunicação Não Violenta (CNV) para que seja possível reconhecer sinais precoces de adoecimento emocional;
- Atualizar o PGR com planos de ação voltados à prevenção de sobrecargas, utilizando a vulnerabilidade como ponto de escuta ativa para envolver colaboradores.
Impactos na Liderança
A NR-1 posiciona os líderes como protagonistas na gestão de riscos, exigindo uma cultura proativa, na qual a vulnerabilidade reduz dinâmicas tóxicas e impulsiona o crescimento coletivo. A conformidade normativa evita multas e prejuízos e, ao mesmo tempo, promove engajamento e produtividade. A norma reforça a vulnerabilidade como um elemento psicológico e estratégico da liderança contemporânea.
A dificuldade em abraçar a vulnerabilidade está diretamente relacionada a crenças ancoradas em mecanismos de defesa, como negação e projeção. Esses mecanismos reforçam a resistência à exposição emocional, mascaram fragilidades narcísicas e, sem dúvida, impedem conexões autênticas na liderança.
Ego e Mecanismos Defensivos
O ego inflado gera narcisismo, no qual líderes rejeitam críticas para sustentar uma sensação ilusória de superioridade. Já o ego fragilizado pode levar à submissão excessiva. Em ambos os casos, a exposição vulnerável é bloqueada. Podemos observar, assim, padrões repetitivos que interpretam a vulnerabilidade como ameaça à imortalidade simbólica do “eu”.
Crenças Rígidas como Barreiras
Líderes narcisistas, fascinados pela autopromoção, tendem a criar culturas tóxicas, ignorando feedbacks que desafiam crenças internas cristalizadas. A transformação desses contextos exige a construção consciente de crenças mais flexíveis, capazes de romper padrões defensivos, abrindo assim espaço para aprendizado.
Superação na Liderança
Reconhecer a vulnerabilidade implica dissolver o sofrimento egóico por meio da autorreflexão. A Comunicação Não Violenta apoia esse processo ao favorecer consciência emocional, escuta e responsabilidade relacional. Em contextos organizacionais, líderes que reconhecem e expõem limites de forma consciente tendem a fomentar equipes mais empáticas, fortalecendo assim uma liderança verdadeiramente transformadora.
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Quer aprofundar como a vulnerabilidade pode fortalecer lideranças, relações humanas e a aplicação consciente da NR-1 no dia a dia das organizações? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em conversar a respeito.
Um grande abraço e até o próximo artigo!
Wania Moraes Troyano
Especialista em Resiliência Científica e Neurociências
http://www.waniamoraes.com.br/
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