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VUCA ou BANI: O que será o amanhã? Responda quem puder!

Acabou o mundo VUCA, conheça o mundo BANI. Será mesmo? Uma mudança de conceito ou uma mistura de conceitos? CUIDADO!

VUCA ou BANI

VUCA ou BANI: O que será o amanhã? Responda quem puder!

Começo por um spoiler proposital: este não será um texto querendo fazer futurologia sobre o futuro pós-pandemia, tema que já está bem explorado por muitos outros articulistas, em muitos espaços.

Pois bem, uma vez que encerraremos o ano editorial de 2020 com esta postagem para o espaço “Mundo VUCA(H)”, vou me referir ao recente debate em que eu me envolvi no Linkedin (detalhes mais à frente). Até o momento em que escrevo este texto, a polêmica gerou perto de 500 comentários e 4500 reações (todos os tipos e formas de concordância, discordância, bem como comentários adicionais específicos). O título daquela publicação foi: “Acabou o mundo VUCA, conheça o mundo BANI” (autor: Alberto Roitman – Chief Chaotic Officer na Escola do Caos).

Antes de avançar nesse assunto, vou me referir a um agradável bate-papo que Marcos Wunderlich (também colaborador desta plataforma) e eu tivemos, recentemente. Para quem ainda não viu, sugiro que acesse no meu Instagram (@mariodivo.oficial) a viagem que partiu do mundo 3.0 (pós-guerra, anos 50) e chegou ao mundo 4.0 (Quarta Revolução Industrial, ou VUCA, para os mais íntimos). Ali, nós dois expressamos a conclusão de que as características típicas do mundo VUCA (volátil, incerto, complexo e ambíguo) sempre existiram, ao longo da história da humanidade.

Então, qual a razão de agora se explorar o conceito VUCA agregando a letra H e criando o VUCAH?

Para uns, o H vem de um mundo tipicamente hostil, para outros vem de um mundo que necessita ser mais humanizado, porém a maioria entende ser associado a um mundo hiperconectado. E essa hiperconexão transforma a maneira como aprendemos, como temos acesso a informações, como interagimos e, inclusive, como a economia se desenvolve globalmente. O avanço tecnológico em larga escala gerou desafios que os países e as sociedades precisam superar, algo que acontece em dinâmica e complexidade muito além do que viveram nossos queridos antepassados (mesmo se levarmos em conta as realidades específicas em cada época).

Matéria publicada no site do Jornal do Commercio (leia aqui na íntegra) comenta que, em geral, as regras fiscais em vigor foram concebidas para modelos de negócio com presença física, que normalmente constituem a base para administrações públicas exercerem competências fiscais. Com as mais recentes tecnologias, as empresas digitais têm clientes e criam valor econômico sem terem presença em muitos países, acabando por não serem tributadas. A OCDE (Organização para o Desenvolvimento Econômico e Cooperação) já demonstrou preocupação com o assunto e tenta encontrar saídas para que a economia global não seja prejudicada devido a essa situação. No momento, a França assumiu a dianteira ao criar imposto digital para taxar os gigantes da tecnologia global, ou seja, serão crescentes impactos a exigirem constante adaptação ao novo mundo 4.0.

Em outras palavras, qualquer sigla jamais expressará (em si mesma) a evolução que o mundo tem desde o Big Bang, há bilhões de anos. A evolução dos seres vivos, contada em milhões de anos, chegou ao Homem de Neandertal (há 400 mil anos) e ao Homo Sapiens (há 350 mil anos). Nesse período, e a cada novo momento, uma inovação em qualquer área da vida exigiu adaptações e trouxe vantagens competitivas ao inovador, porém colocou em desvantagem evolutiva quem ainda não tinha acesso à inovação (numa escala da época, o mundo era VUCA e não era o VUCAH. A bem da verdade, se formos radicais no conceito, mesmo hoje o mundo todo não é VUCA e nem VUCAH (quem vive em áreas remotas tem outra realidade, mesmo sendo monitorado por satélites).

Recomendo, enfaticamente, que assistam à apresentação do Professor David Christian no TED Manchester (2011), com o título “A história do mundo em 18 minutos” (clique aqui e escolha a legenda). Esse vídeo, com mais de 12 milhões de acessos, tem abordagem esclarecedora e ampla sobre a complexidade que cerca a humanidade nesses milhares de anos desde que surgiu, em contraste com a longa linha cósmica do tempo. Ficará evidente porque eu afirmo que o mundo sempre foi VUCA, a cada momento, mas só recentemente ele virou VUCAH, hiperconectado (exceção às regiões remotas do globo terrestre). Então, a busca de novas siglas para orientar o entendimento desse efeito pode até ocorrer, mas com bases menos especulativas do que a que me pareceu envolver o artigo com que iniciei esta postagem.

Finalizando, eis que vem a argumentação daquele texto, em que o mundo não seria mais VUCA e sim BANI, acrônomo para Brittle (Frágil), Anxious (Ansioso), Nonlinear (Não linear) e Incomprehensible (Incompreensível). Resumidamente, o destaque dado pelo autor, foi de que

O cliente não é propriedade da empresa, nem dos gerentes. O cliente é dele mesmo. É ele quem vem ditando a mudança do planeta. Não vivemos uma revolução tecnológica. Vivemos uma revolução antropológica. O ser humano é BANI. Mas muitas empresas são VUCA”.

Para um texto que mistura conceitos, coloca pessoas físicas e pessoas jurídicas numa mesma abordagem, e ainda adota falsos argumentos para construir a sigla nova (BANI) em contraposição ao entendimento vigente (VUCA), eu me posicionei com a conclusão que reproduzo a seguir (clique aqui para ler o texto completo do autor e o debate gerado na plataforma). E fique você, leitor deste espaço, com total liberdade de formar a sua própria opinião sobre o assunto, mas não deixe de também fazer seus comentários. Tudo bem?

Concluindo, para dar visão particular de “mundo” (ou do “mundo”, que a seguir estará entre aspas), eu acredito que o verdadeiro analista deve adotar retórica que não confronte posições extremadas (ou seriam extremistas?). O “mundo” inclui nuances e superposições, em todas as dimensões da vida, o que significa não ser adequado validar certa dimensão a partir da desconsideração de outras (ou pior, de sua banalização). Afinal, ninguém está pessoal e totalmente presente apenas na fronteira do que de mais avançado possa existir com relação à vida em sociedade. Vale lembrar, em um país com muitas diversidades como o nosso, convivem pessoas que (sem julgamento) têm acesso para proteção da saúde e morrem de covid-19, enquanto outras não têm saneamento básico, nem energia elétrica, e ainda assim superam o risco.

VUCA (ou VUCAH) é expressão associada à caracterização de um momento tecnológico desafiador, a qual pode não ser (e talvez nem deva ser) a única forma de nos referirmos à Quarta Revolução Industrial ou, mais simplesmente, Revolução 4.0. Nada contra a criação de novas expressões, mas que a proposta do novo acrônimo seja conceitualmente lógica e não dependa da “destruição” de outro(s) em uso, como se apenas a mudança de sigla (acrônimo) fosse raiz de avanços numa direção futurista, criativa e moderna. Cuidemos para não se adotar sofismas e, também, em não se estimular polaridade binária (agora é assim, o resto não serve mais!) neste “mundo” que sempre foi e será plural, complexo, inovador e com desafios constantes para a perpetuação do ser humano.

Gostou do artigo? Quer saber mais sobre o mundo VUCA(H) e BANI? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.

Mario Divo
https://www.mariodivo.com.br/quem-e

Mario Divo Author
Mario Divo tem extensa experiência profissional, tendo chegado a quase meio século de atividade ininterrupta, em 2020. É PhD e MSc pela Fundação Getulio Vargas, com foco em Gestão de Negócios, Marcas e Design, Marketing e Comunicação Corporativa. Tem formação como Master Coach, Mentor e Adviser pela Sociedade Brasileira de Coaching e pelo Instituto Holos. Consultor credenciado para aplicação do diagnóstico meet® (Modular Entreprise Evaluation Tool), Professor e Palestrante. CEO e Coordenador Executivo das plataformas de negócios MENTALFUT® e Dimensões de Sucesso®, acumulando com o comando da sua empresa MDM Assessoria em Negócios. Foi Diretor Executivo do Automóvel Clube Brasileiro e Clube Correspondente da FIA – Federação Internacional do Automóvel, no Brasil. Foi titular do Planejamento de Comunicação Social da Presidência da República (1997-1998) e, anteriormente, comandou a Comunicação Institucional da Petrobras. Liderou a Comunicação Institucional e a Área de Novos Negócios da Petrobras Internacional. Foi Presidente da Associação Brasileira de Marketing & Negócios, Diretor da Associação Brasileira de Anunciantes e, também, Conselheiro da Câmara Brasileira do Livro. Primeiro brasileiro no Global Hall of Fame da Aiesec International, entidade presente em 2400 instituições de ensino superior em 126 países e territórios, voltada ao desenvolvimento das potencialidades das jovens lideranças em todo o mundo.
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