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VUCA, O “V” da Volatilidade!

Desafios ou oportunidades, que antes demoravam dias ou semanas para serem identificados, agora surgem quando menos se espera.

Amigos da Cloud Coaching, no início do mês de Outubro de 2018, dei início a uma abordagem nova e muito instigante, trazendo como referência o que há de mais transformador no ambiente das empresas e do desenvolvimento das pessoas. Chamei este espaço de o Mundo VUCA do Coaching. Como eu expliquei naquela oportunidade, esse conceito teve origem em aplicação com finalidade militar.

Hoje, e nas próximas três postagens, vou me referir à série produzida pela Harvard Business Review, logo que a expressão VUCA tornou-se popular nos EUA, e passou a frequentar o contexto empresarial. O autor foi o Coronel Eric G. Kail, oficial de artilharia no exército americano, em 1988, que comandou várias organizações e atuou em diferentes níveis de responsabilidade nas unidades de operações especiais. Após dirigir cursos de liderança militar em West Point por vários anos, ele se aposentou, vindo a falecer logo depois.

Porém, muito contribuiu para disseminar o conceito VUCA como nova forma de descrever um contexto em função de sua Volatilidade, Incerteza, Complexidade e Ambiguidade. Nesta postagem, vamos tratar das primeira questão: Volatilidade. Nosso objetivo é transmitir ao leitor a origem da expressão VUCA, por conta de sua aplicação militar para, depois, avançarmos em como hoje as empresas e as pessoas se aproveitam do conceito e, ainda mais, como se desenvolver no Mundo VUCA do Coaching e da Mentoria.

Desafios ou oportunidades, que antes demoravam dias ou semanas para serem identificados, agora surgem quando menos se espera. Aí está o conceito básico de Volatilidade, um estado de instabilidade dinâmica causado por mudanças drásticas, muitas vezes abruptas e rápidas. Problemas não mais surgem ao longe, pois que emergem todos de surpresa e exigem atenção imediata. O Coronel Eric conta, como exemplo, algo que ocorreu no Iraque. Às seis da manhã, ele acordou após dormir duas horas no banco da frente do veículo de combate, sentindo-se descansado e pronto para a ação. A manhã era tranquila, com sol e leve brisa, para logo depois iniciar uma tempestade de areia intensa, com visibilidade reduzida a metros.

Duas horas depois, o tempo melhorou, mas a Volatilidade aumentou. Ele tinha quatro rádios no veículo para monitorar informações críticas e atualizações, e recebia duas transmissões simultâneas. Uma delas era de um jovem oficial em veículo de combate, a 100 metros de distância, que estava em tiroteio intenso com tanques inimigos e precisava de orientação. Outra transmissão era de um jovem sargento, a menos de um quilômetro de distância, que deseja saber o que fazer com dezenas de crianças que tinham saído de uma escola primária local, agitando sinais de paz, bloqueando a estrada e toda a unidade militar de 750 pessoas em trânsito. Como agir e o que esperar como consequência de decisões conflitantes, no tempo e no espaço?

Então, pode-se perguntar: como é a Volatilidade em sua vida? Você pode se programar para o seu dia de trabalho com uma lista bem pensada do que precisa realizar. Pode ter lembrado dos e-mails e telefonemas que deve encaminhar, mas eis que surgem demandas descontroladas e urgentes, influentes entre si, que vão reter você no trabalho até tarde da noite. E ao ir embora, perceberá que não realizou nada do que havia planejado e ainda acumulou outro tanto para o dia seguinte. Isso e mais os telefonemas e whatsapps não atendidos, que estão indicados no celular.

Conforme o Coronel Eric, a Volatilidade pode deixar as pessoas se sentindo sobrecarregados, sozinhas e totalmente sem rumo para liderar de forma eficaz. Nos negócios, a vida das pessoas pode não estar em risco, mas seus meios de subsistência certamente estarão. Na economia atual, podemos imaginar que o conceito de Volatilidade seja tão severo quanto aquele que sempre foi abordado no meio militar.

E o Coronel Eric cita três maneiras de liderar, da forma mais eficaz possível, em um ambiente altamente volátil:

  1. Peça à sua equipe para traduzir os dados em informações. Todos nós queremos conhecer o máximo possível de fatos relevantes ao tomar decisões. Mas se você estiver recebendo muitos dados brutos, em vez do que realmente importa, no momento em que for exigido não terá tempo de transformá-los como informações úteis para alcançar o entendimento necessário do contexto e, assim sendo, tomar as melhores decisões em situações voláteis;
  2. Comunique-se claramente. Palavras de efeito e frases de estilo são determinantes para criar problemas em um ambiente volátil. O Coronel Eric comenta que um bom modelo para isto foi Winston Churchill, comunicador fantástico para quem “as pequenas palavras eram as melhores”. Isso significa que devemos utilizar os conhecidos slogans expressivos para uma campanha de marketing, porém, na comunicação interpessoal, a linguagem deve ser bastante direta e clara (sem direito a dúvidas);
  3. Certifique-se de que sua intenção seja entendida pelas outras pessoas. Os desafios inerentes a um ambiente volátil exigem liderança ágil e organizações flexíveis. Se os líderes subordinados entenderem totalmente sua intenção, eles estarão mais bem preparados para lidar adequadamente com mudanças violentas e imprevisíveis no ambiente.

Será interessante e produtivo que os executivos e lideranças sigam sempre o exemplo dos comandantes militares, que comunicam suas intenções na forma de um propósito, de tarefas-chave e apontam um estado final. O propósito é um quadro de referência contextual, e pode incluir raciocínio moral e objetivos físicos. As principais tarefas fornecem metas incrementais concretas que, se cumpridas, ajudarão a alcançar os objetivos e resultados desejados. Finalmente, o estado final descreve como deve ser visto, entendido e identificado o sucesso, quando “a poeira assentar”.

Enfim, nesta primeira postagem, devemos ter bem claro que o mundo VUCA atual nos obriga a ter reações rápidas para transformações que são imprevisíveis, de duração incerta e fora do nosso controle. Uma das qualidades de quem sabe enfrentar a Volatilidade está na capacidade de administrar os riscos da tomada de decisão.

Para você, que me acompanha neste espaço, deixo aqui um pedido de reflexão: pense a respeito de como você se comporta diante de situações de Volatilidade e como pode aplicar as dicas acima. Até a próxima!

Mario Divo Author
Mario Divo tem incrível experiência profissional, tendo chegado a meio século de atividade ininterrupta, em 2019. É PhD e MSc pela Fundação Getulio Vargas, com foco em Gestão de Negócios, Marcas e Design, Marketing e Comunicação Corporativa. Tem formação como Master Coach, Mentor e Adviser pela Sociedade Brasileira de Coaching e pelo Instituto Holos. Consultor credenciado para aplicação do diagnóstico meet® (Modular Entreprise Evaluation Tool), Professor e Palestrante. CEO e Coordenador Executivo da plataforma Dimensões de Sucesso, acumulando com o comando da MDM Assessoria em Negócios. Foi Diretor Executivo do Automóvel Clube Brasileiro e Clube Correspondente da FIA – Federação Internacional do Automóvel, no Brasil. Foi titular do Planejamento de Comunicação Social da Presidência da República (1997-1998) e, anteriormente, comandou a Comunicação Institucional da Petrobras. Liderou a Comunicação Institucional e a Área de Novos Negócios da Petrobras Internacional. Foi Presidente da Associação Brasileira de Marketing & Negócios, Diretor da Associação Brasileira de Anunciantes e, também, Conselheiro da Câmara Brasileira do Livro. Primeiro brasileiro no Global Hall of Fame da Aiesec International, entidade presente em 2400 instituições de ensino superior em 126 países e territórios, voltada ao desenvolvimento das potencialidades das jovens lideranças em todo o mundo.
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