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Uma receita para sobreviver ao caos?!

Como fazer o melhor dentro das possibilidades aceitando, ao mesmo tempo, o que está fora do nosso controle? Você já ouviu falar de Estoicismo?

o que é estoicismo

Estoicismo: Uma receita para sobreviver ao caos?!

Meus prezados leitores, eu começo por afirmar a todos vocês que esta postagem foi inspirada em um caso real. Como esse caso é muito comum nos dias atuais, e pode estar acontecendo algo similar com alguns de vocês, desde já afirmo que se tratará de natural coincidência.

Uma pessoa especial, que faz parte do meu círculo de relacionamento, procurou-me para conversar sobre a indignação (ou seria raiva?! ou seria fúria?!) que sentia pela forma como foi demitida da empresa onde trabalhava. Ao mesmo tempo em que havia o lado positivo do desligamento de um local que lhe trazia amargura diária, convivência com valores ruins gerados pelos donos e o sofrimento pelo tratamento desrespeitoso recebido, essa pessoa queria voltar à empresa para tirar satisfações sobre a forma como foi comunicada da dispensa. Esse é o cenário inspirador deste texto de hoje.

Foram horas de conversa que tive com essa pessoa, até conseguir mudar a direção dos ventos, quase um ciclone, para chegarmos a uma brisa mais amena. Afinal de contas, qualquer que fosse o encaminhamento da conversa dessa pessoa com aquele que decidiu demitir, isso mudaria algo? Seria essa pessoa tão competente na retórica para fazer o outro reconhecer que havia errado? Afinal, essa pessoa pretendia questionar a forma da demissão ou as razões da demissão? E se, por absurdo, esse gerente assumisse ter errado e fizesse um convite para esquecerem tudo, valeria a pena voltar a trabalhar em um ambiente tão destrutivo? Então, qual o objetivo real do confronto?

Fui procurar na minha biblioteca de conteúdos algo que pudesse servir como um complemento à conversa que eu tive com aquela pessoa indignada, trazendo algo (texto ou vídeo) para que pudesse estimular uma reflexão em alto nível.

Nessa minha pesquisa, eu encontrei um material que me pareceu apropriado, tão bem recebido que foi por essa pessoa, que decidi compartilhar com os leitores. Mas, antes quero contextualizar um pouco da base filosófica que me orientou na conversa e nos contatos subsequentes (apoiado em conteúdo o qual, como sempre, listo para referências).

Segundo o site www.significados.com.br:

“O Estoicismo é um movimento filosófico que surgiu na Grécia Antiga e que preza a fidelidade ao conhecimento, desprezando todos os tipos de sentimentos externos, como a paixão, a luxúria e demais emoções”.

Resumindo, esse pensamento filosófico criado por Zenão de Cício, em Atenas, defendia que todo o universo seria governado por uma lei natural, Divina e racional.

Para o ser humano alcançar a verdadeira felicidade, deveria depender apenas de suas “virtudes” (autoconhecimento), abdicando totalmente dos “vícios”, considerado pelos estoicos o mal absoluto. Um verdadeiro sábio, segundo o estoicismo, não deveria sofrer de emoções externas, pois estas influenciariam em suas decisões e em seus raciocínios.

Portanto, em casos assim, um caminho de enfrentamento da situação (a crise de indignação, raiva ou fúria) foi explorar mais racionalidade e menos vícios emocionais.

Indo além, essa forma de agir é perfeitamente alinhada aos objetivos centrais do Estoicismo:

  • só é possível conseguir a felicidade plena através das próprias virtudes, ou seja, do autoconhecimento;
  • é fundamental usar as próprias virtudes em prol da conquista do maior propósito: a felicidade;
  • os sentimentos externos (paixão, luxúria, etc.) são nocivos ao ser humano, pois fazem com que ele deixe de ser imparcial e passe a ser irracional, comprometendo a tomada de decisão e a organização dos pensamentos de forma lógica e inteligente, e;
  • mesmo na adversidade, em situações problemáticas ou difíceis, o ser humano deve optar por reagir com calma e tranquilidade, sem deixar que os fatores externos comprometam a capacidade de julgamento e ação.

Um dos nomes mais importantes relacionados ao Estoicismo é o de Marco Aurélio (121-180), Imperador Romano entre 161 até sua morte. Ele é considerado um filósofo de grande contribuição para estudos religiosos, tendo deixado ao mundo uma obra escrita com seus pensamentos. Meditações, nome dado à obra quando de sua tradução, na realidade se trata de uma coletânea de pensamentos e reflexões para ele próprio.

Clique aqui para fazer download dessa obra, caso tenha interesse em avançar no conteúdo da obra). E se quiser apreciar um resumo livre dessa obra em formato de vídeo, com dicas muito interessantes, clique aqui.

Agora vamos continuar explorando o caso que descrevi associado ao ambiente VUCA que todos nós hoje vivemos, razão do título desta postagem.

Em dezembro de 2018, a BBC News publicou matéria com o seguinte título: Estoicismo, a filosofia de 2 mil anos cada vez mais usada como receita para sobreviver ao caos. Vale a pena conhecer este trecho do texto introdutório:

Em 1965, durante a guerra entre Estados Unidos e Vietnã, o piloto da marinha americana James Stockdale teve seu avião abatido e passou sete anos como prisioneiro de guerra dos vietnamitas. Um filósofo que vivera na Grécia, no século 1º, tornou-se seu grande mestre e amigo, ajudando-o a suportar sofrimentos inimagináveis.

 

O filósofo chama-se Epiteto e a filosofia chama-se Estoicismo, sendo que no livro “Stockdale on Stoicism” o ex-piloto conta como os ensinamentos dessa escola filosófica o confortaram durante os longos anos no cativeiro.

Para Stockdale, inspirado em Epiteto, o princípio foi manter o controle sobre sua estrutura moral. Na verdade, o piloto assumiu comandar sua moral, bem como ser totalmente responsável por tudo o que fazia e dizia. Adotou como lema ser ele quem poderia decidir e controlar a própria destruição ou a própria libertação.

Então cabe trazer questões centrais do Estoicismo que, certamente, manifestaram-se para Stockdale e para todos os que precisaram colocar a razão à frente da emoção, nas grandes decisões:

  • Como viver a “boa vida” em um mundo imprevisível?
  • Como fazer o melhor dentro das possibilidades aceitando, ao mesmo tempo, o que está fora do nosso controle?

A BBC entrevistou filósofos especialistas no Estoicismo, a partir do que escolheu três “dicas” para orientar as pessoas a viverem em meio a complexidades, incertezas e dinâmica disruptiva. São elas:

  1. Se eu devo morrer, morrerei quando chegar a hora. Como, ao que me parece, ainda não é a hora, vou comer porque estou com fome (ou seja, o que tiver que ser, será. Como não vou lidar com isso agora, farei outra coisa);
  2. A pessoa não é aquilo que finge ser. Então, deve refletir e decidir: isso é para mim? Se não for, deixarei esse assunto de lado (ou seja, ignore as coisas que não estão sob o seu controle e tente trabalhar duro naquilo que você pode controlar), e;
  3. Não espere que o mundo seja como você deseja, mas sim como ele realmente é (ou seja, aceite que há coisas que não se pode e, às vezes, nem se deve tentar controlar).

Aqui vou finalizando, e deixo uma pergunta central a coaches, mentores e conselheiros:

Como você se posiciona perante um caso em que seu cliente quer, a todo custo, explorar emoções (o que pode ser uma ponte para conflitos e enfrentamentos), ao invés de usar da lógica, razão e objetividade (identificando o que faz sentido e tem objetivo claro)?

Caso esta postagem possa ter ajudado, explore os conceitos centrais do Estoicismo para orientar seu trabalho. Mas também, tão importante quanto, não se esqueça de que esses conceitos todos do Estoicismo cabem também para vocês: coaches, mentores ou conselheiros.

Mario Divo
https://www.dimensoesdesucesso.com.br

Confira também: O mundo VUCA em 2020… o que nos espera?

 

Mario Divo Author
Mario Divo tem incrível experiência profissional, tendo chegado a meio século de atividade ininterrupta, em 2019. É PhD e MSc pela Fundação Getulio Vargas, com foco em Gestão de Negócios, Marcas e Design, Marketing e Comunicação Corporativa. Tem formação como Master Coach, Mentor e Adviser pela Sociedade Brasileira de Coaching e pelo Instituto Holos. Consultor credenciado para aplicação do diagnóstico meet® (Modular Entreprise Evaluation Tool), Professor e Palestrante. CEO e Coordenador Executivo da plataforma Dimensões de Sucesso, acumulando com o comando da MDM Assessoria em Negócios. Foi Diretor Executivo do Automóvel Clube Brasileiro e Clube Correspondente da FIA – Federação Internacional do Automóvel, no Brasil. Foi titular do Planejamento de Comunicação Social da Presidência da República (1997-1998) e, anteriormente, comandou a Comunicação Institucional da Petrobras. Liderou a Comunicação Institucional e a Área de Novos Negócios da Petrobras Internacional. Foi Presidente da Associação Brasileira de Marketing & Negócios, Diretor da Associação Brasileira de Anunciantes e, também, Conselheiro da Câmara Brasileira do Livro. Primeiro brasileiro no Global Hall of Fame da Aiesec International, entidade presente em 2400 instituições de ensino superior em 126 países e territórios, voltada ao desenvolvimento das potencialidades das jovens lideranças em todo o mundo.
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