Tático ou estratégico? Técnico ou empreendedor?

Coach, ao ser chamado por um cliente preste atenção nas dicas a seguir, algo que pode fazer muita diferença no resultado final do trabalho de Coaching ou de outros processos de apoio profissional.

Se há algo que muitos profissionais da administração e gestão confundem em seus textos, bem como nas suas explanações verbais, está na diferença entre “ser tático” ou “ser estratégico”. De certa forma, percebo que isso mexe bastante com os clientes que passam seu briefing e suas necessidades, por vezes surpreendendo os profissionais da mentoria, da consultoria ou do Coaching.

Por isso, considerei oportuna e interessante a postagem de Michael Gerber, autor do livro “The E-Myth Revisited”, na Harvard Business Review (22/9/2016). O livro trata sobre o empreendedor moderno, o qual ao lançar um negócio próprio passa a desempenhar três papéis: o empresário, aquele que tem visão de futuro; o gestor, que faz o negócio caminhar e implanta os processos e sistemas; e o técnico, aquele executa as tarefas concretas e responde pela produção. Muito embora cada um queira ser chefe, nenhum quer ter chefe e, ao final, os “três” acabam entrando em conflitos.

Para Michael Gerber, a personalidade típica do empreendedor moderno mantem-se tendo 10% de empresário, 20% de gestor e 70% de técnico. Porém, o ideal seria que tudo fosse mais equilibrado, pois há um período do negócio que depende mais do técnico (o início), outro em que o gestor é dominante (na expansão) e, finalmente, o empresário deve falar mais alto (na maturidade e consolidação). A empresa não pode abdicar dessas competências e deve ser conduzida de acordo com as necessidades do negócio e não de acordo com a vontade autocrática do dono.

Portanto, ao ser chamado por um cliente preste atenção nas dicas a seguir, algo que pode fazer muita diferença no resultado final do trabalho de Coaching (ainda que valha também para outros processos de apoio profissional). O tipo de trabalho que o cliente faz, quando faz, o que não assume, se e como delega, tudo isso pode ser base e causa de um comportamento caótico, confuso e de uma luta interna frequente sobre como conduzir o negócio e chegar a resultados positivos.

O segredo está em mostrar para o cliente que a luta será ganha quando ele entender que todo o esforço se resume em foco estratégico (trabalhando para o seu negócio) e foco tático (trabalhando em seu negócio). Ou seja, o trabalho tático é aquele que o cliente faz todos os dias, em seu negócio, para gerar receita, envolvido que estará na gestão operacional, financeira e administrativa. Isso inclui interagir com os clientes e fornecedores, a fabricação do produto ou a estruturação do serviço prestado, o processo de comunicação e marketing, o pagamento e recebimento de contas, a elaboração e revisão de resultados técnico-financeiros, instalações limpas, formação e treinamento de funcionários, entre muito mais pontos que são fundamentais para a empresa trabalhar bem.

Enfim, o tático aponta diretamente para o que precisa ser realizado no momento. O foco estratégico já tem outra conceituação e é sobre o futuro, quais as melhorias e inovações necessárias para criar uma empresa diferenciada e perfeitamente posicionada no mercado de atuação. Tudo começa com a concepção do sonho, da visão, do propósito e da missão da empresa para, a seguir, construir os sistemas e processos que irão produzir resultados efetivos para os clientes e demais stakeholders.

E eis então a superdica aos coaches, pois perguntas e respostas passam a ser parte de um mesmo entendimento do problema do cliente. Estratégico é tudo que se pode interpretar a partir destas questões: Por que o cliente está nesse negócio? Qual é o problema do cliente ou dilema que está tentando resolver e como poderá caminhar melhor do que o concorrente? Que imagem ele espera alcançar para o negócio quando ele estiver funcionando como previsto? O que isso gerará de vantagem competitiva? Quais os indicadores-chave que dirão se os resultados são os definidos?

Em suma, o trabalho estratégico é aquele que o cliente faz para projetar o negócio com vistas ao futuro e o trabalho tático é o que serve para implementar o projeto criado pelo estratégico. Quanto mais trabalho estratégico se faz, mais eficaz e produtivo o trabalho tático se torna. Sem estratégia, sem pensar no futuro, não há projeto ou plano, e o que resta é se iludir e ficar ocupado. Porém, sem implantar com competência a ação tática, ficar ocupado certamente é caminho curto para a falência.

Mario Divo Author
Mario Divo tem incrível experiência profissional, tendo chegado a meio século de atividade ininterrupta, em 2019. É PhD e MSc pela Fundação Getulio Vargas, com foco em Gestão de Negócios, Marcas e Design, Marketing e Comunicação Corporativa. Tem formação como Master Coach, Mentor e Adviser pela Sociedade Brasileira de Coaching e pelo Instituto Holos. Consultor credenciado para aplicação do diagnóstico meet® (Modular Entreprise Evaluation Tool), Professor e Palestrante. CEO e Coordenador Executivo da plataforma Dimensões de Sucesso, acumulando com o comando da MDM Assessoria em Negócios. Foi Diretor Executivo do Automóvel Clube Brasileiro e Clube Correspondente da FIA – Federação Internacional do Automóvel, no Brasil. Foi titular do Planejamento de Comunicação Social da Presidência da República (1997-1998) e, anteriormente, comandou a Comunicação Institucional da Petrobras. Liderou a Comunicação Institucional e a Área de Novos Negócios da Petrobras Internacional. Foi Presidente da Associação Brasileira de Marketing & Negócios, Diretor da Associação Brasileira de Anunciantes e, também, Conselheiro da Câmara Brasileira do Livro. Primeiro brasileiro no Global Hall of Fame da Aiesec International, entidade presente em 2400 instituições de ensino superior em 126 países e territórios, voltada ao desenvolvimento das potencialidades das jovens lideranças em todo o mundo.
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