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Saúde mental e depressão: um tema atual e relevante

Entender mais sobre o assunto permite que possamos acompanhar melhor a nossa própria saúde mental, atuando na prevenção e no tratamento.

No Brasil, desde 2015 é realizada uma campanha chamada Setembro Amarelo, uma iniciativa realizada pelo Centro de Valorização da Vida, do Conselho Federal de Medicina, e da Associação Brasileira de Psiquiatria, que tem como objetivo a prevenção ao suicídio, que ocorre predominantemente em decorrência da depressão. Entre 2005 e 2015 houve um aumento de 18% da doença em todo o mundo, e a tendência é que esse número continue crescendo. Na América Latina o Brasil apresenta os maiores números. Quase 6% da população sofre da doença, envolvendo todas as faixas etárias, gênero, raça e condição social.

Esse tema está ganhando grande relevância nas discussões de políticas públicas e das organizações, uma vez que, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) em 2030 será a doença mais comum e incapacitante do planeta, afetando mais pessoas do que o câncer e as doenças cardíacas. É possível identificar a relevância do tema para a OMS, ao definir saúde como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não somente a ausência de afecções e enfermidades”.

Muitos estigmas ainda impedem as pessoas que sofrem de depressão buscarem ajuda. Por não ser uma doença fisicamente visível, as doenças mentais, algumas vezes, são taxadas erroneamente como uma questão de fraqueza, frescura, fragilidade. Precisamos aprender que os sintomas da doença interferem diretamente na autonomia, independência, qualidade de vida da pessoa, o que, inclusive, pode dificultar que ela vá buscar a ajuda necessária.

Entender mais sobre o assunto permite que possamos acompanhar melhor a nossa própria saúde mental, atuando na prevenção e no tratamento, além de podermos auxiliar pessoas que estão à nossa volta e que possam apresentar algum tipo de sintoma. A depressão tem diversas causas, algumas delas fisiológicas, como alteração na química do cérebro (neurotransmissores como serotonina, noradrenalina e dopamina), e outras ambientais, como por exemplo o estresse do dia a dia. Além disso, estudos mostram que a genética também faz com que algumas pessoas estejam mais propensas a terem depressão. Como consequência, pode haver alteração na fisiologia do corpo, gerando outras doenças.

Acredito que um dos pontos importantes desse tema é aprendermos a ler alguns sintomas que possam demonstrar indícios de um quadro depressivo. Esses sintomas podem ajudar a pessoa a buscar um profissional especialista que irá fazer o diagnóstico adequado e prescrever o tratamento ideal, normalmente combinando psiquiatria e psicoterapia.

A depressão é diferente da tristeza em diferentes aspectos. Ela é caracterizada por uma tristeza profunda, muitas vezes, sem conteúdo ou motivo aparente. Podem surgir pensamentos suicidas. Isso se diferencia da tristeza, que ocorre por um motivo específico e sabemos qual é. Além disso, uma pessoa com depressão pode apresentar: irritabilidade, ansiedade, angústia, desânimo, cansaço, medo, insegurança, dificuldade de concentração, pensamentos negativos, insônia, perda ou aumento do apetite.

Algumas formas de se prevenir a depressão é cuidando da mente e do corpo. Seguem abaixo algumas práticas que podem ajudar:

1. Atividades físicas:

Principalmente as aeróbicas, liberam endorfina, o hormônio do prazer. Estimula o crescimento de células nervosas do hipocampo, que rege a memória e o humor.

2. Alimentação saudável:

Jejuns prolongados ou exageros alimentares alteram a química do corpo, o que é comum em pessoas com depressão. O ideal é comer a cada três ou quatro horas, preferindo carboidratos integrais e alimentos com triptofano, um aminoácido que ajuda na produção de serotonina.

3. Meditação:

Praticar a atenção plena implica apender a estar no momento presente, totalmente sem críticas ou julgamento. Faz com que possamos entrar em contato com os nossos pensamentos, emoções e sensações entendendo que são fenômenos passageiros que não definem quem nós somos.

4. Pensamento:

Identificar quais são os pensamentos que geram um estado interno negativo e reestruturá-los. Ver as coisas simples, belas e prazerosas da vida. Concentrar-se nas coisas que você faz bem, exercitar a gratidão.

5. Diversão:

Atividades que dão prazer, que são novas e geram um estímulo positivo. Manter uma rotina e mente ativa, buscando o estado de fluxo é uma das melhores estratégias para superar a depressão.

6. Sono:

O sono é essencial para regular os hormônios e regenerar o cérebro. Deve-se evitar dormir muito ou dormir pouco. Criar um ritual de relaxamento antes de dormir permite que tenhamos um sono com mais qualidade.

7. Tomar sol:

Facilita a produção de vitamina D. Verificou-se que quando o nível de vitamina D cai abaixo de 20 mg / mi, o risco de sofrer de depressão aumenta em 85%.

8. Contato com a natureza:

Um estudo da Universidade de Queensland descobriu que as pessoas que passam 30 minutos por dia ao ar livre e na natureza, desfrutam de melhor saúde mental.

9. Procurar amigos:

Segundo a Universidade de Oxford as relações interpessoais produzem ocitocina, β-endorfina, dopamina e serotonina, que são essenciais para se sentir bem. Além disso, ter apoio social pode facilitar o tratamento.

Para que seja possível fazer um tratamento efetivo em relação à depressão, é importante a pessoa conseguir primeiramente assumir que tem a doença e que precisará de ajuda e comprometimento para poder se cuidar.

É importante entender que a cura é um processo que pode levar algum tempo, tendo altos e baixos ao longo do percurso. Além disso, será importante ao longo do processo identificar quais são as estratégias que facilitam a melhora para cada pessoa.

Somos seres únicos e nem sempre o tratamento ou medicamento ideal será igual para todos. Se hoje você nota que tem algum sintoma relacionado à depressão, busque um profissional especializado que possa te orientar. Se você não sofre da doença, mas conhece alguém próximo a você que apresenta esses sintomas, coloque-se à disposição com abertura e sem julgamento, para ajudá-lo ao longo do percurso.

Veronica Ahrens tem mais de 10 anos de experiência em gestão de pessoas. Fundadora da Master Leader, atua hoje como coach, trainer e palestrante. Professora de MBA da FIAP no tema Liderança e Gestão de Pessoas e Professora de Pós-Graduação em Neurociência da Santa Casa no tema Programação Neurolinguística.É Mestranda pela FEA/USP em Administração com ênfase em Gestão de Pessoas. Master Trainer pela ASTD – American Society of Training e Development e Master Trainer pela Langevin Learning Services, onde foi certificada em Instructional Designer/Developer, Technical Trainer e Instructor/Facilitator. Tem Certificado Internacional de Coaching pelo Integrated Coaching Institute e pela Lambent (International Coaching Community). Master Trainer em Programação Neurolinguística pela NLP University – California. Certificada pela Universidade de Harvard em Gestão Estratégica de Negócios e pela Universidade de Toronto nas áreas de Gestão de Recursos Humanos e Treinamento e Desenvolvimento. Pós-graduada em Administração com ênfase em Gestão de Pessoas pela FGV (CEAG). Autora do livro “Equipes não nascem excelentes, tornam-se excelentes”.
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