fbpx

Recrutamento e Seleção: Inclusivos ou Excludentes?

Os processos de Recrutamento e Seleção nas empresas são inclusivos ou excludentes? Diversidade não é uma questão de opinião. É respeito e empatia acima de tudo.

Recrutamento e Seleção: Inclusivos ou Excludentes?

Recrutamento e Seleção: Inclusivos ou Excludentes?

Este artigo traz uma reflexão. Os processos de Recrutamento e Seleção nas empresas são inclusivos ou excludentes?

Decido fazer esta reflexão ao ter conhecimento de um caso que ocorreu em Petrolina (Pernambuco) e que, de fato, me chamou a atenção.

Um jovem trans se candidatou a uma vaga, passou por todo processo seletivo e então teve a feliz notícia que foi aprovado. Contudo, desconhecia que sua alegria duraria pouco. Após algum tempo, a Recrutadora mandou uma mensagem informando que voltara atrás na decisão, após descobrir a sua identidade de gênero.

Na mensagem, o empregador alega que a empresa já está com todas as “cotas de pessoas diferentes” completas e assim relata:

“Vamos dar uma última forma nas conversas que tivemos. De minha parte, não segui o roteiro correto das entrevistas e não o identifiquei na primeira hora. 99% do meu quadro é composto por mulheres. Meu objetivo com essa vaga é contratar um monitor, consequentemente do sexo masculino. Minha cota de pessoas diferentes já está atendida e completa com o que demonstro não ter preconceito”.

Talvez você esteja se perguntando como é possível que um profissional de Recursos Humanos possa ter esta postura ou até concordando, mas uma coisa é certa, Diversidade não é uma questão de opinião. É respeito e empatia acima de tudo.

E aí cabe a pergunta: Até quando?

Pode-se justificar como sendo um caso pontual e extremo, argumento que cai por terra quando identificamos outros casos de perguntas feitas para grupos minorizados.

Não é raro perguntas para mulheres como: “você tem filhos?” ou “tem intenção de engravidar?” Embora não haja legislação que impeça esse tipo de questionamento, ele pode ser entendido como discriminatório.

Em relação às questões de raça e etnia, segundo pesquisa feita pelo Instituto Locomotiva para a Central Única das Favelas (Cufa), obtida pelo Estadão, seis em cada dez trabalhadores negros dizem já ter se sentido preteridos em entrevista de emprego por conta da cor da pele.

No mercado de trabalho: menos de 5% dos cargos do alto escalão das 500 maiores empresas brasileiras são ocupados por pessoas negras. Na área de recrutamento e seleção a presença de profissionais negros é de 35,7% (enquanto a de brancos compõem 62,8%); no cargo de supervisores, a representatividade é de apenas 25,9% e, entre os gerentes, de 6,3%.

A contratação de pessoas com deficiência também encontra barreiras atitudinais. Mesmo amparada pela Lei de Cotas, que determina a contratação de uma porcentagem de pessoas com deficiência em relação à quantidade de funcionários, após 30 anos de sua criação, apenas 35% da Lei é cumprida, 1% das pessoas com deficiência trabalha no mercado formal. Empresas resistem em contratar pessoas com deficiências. Algumas alegam falta de acessibilidade, lei desde 2008, outras dificuldades para encontrá-las, mas limitam a contratação para pessoas com deficiências menos severas.

Processos seletivos divulgados nas redes sociais com posts em formato de figura que não contém descrição de imagens para um cego ou vagas ofertadas somente em posições mais operacionais. Estas são somente algumas situações que ocorrem no dia a dia. É óbvio que há acertos, pessoas e empresas preparadas para atender este público, mas ainda longe do ideal.

Faça um teste.

Olhe ao seu redor e veja quantas pessoas negras, mulheres, pessoas com deficiência, LGBTQIAP+, Refugiados, Egressos, pessoas com mais de 50 anos trabalham com você ou na sua empresa. Vale ressaltar que a contratação é o mínimo a ser feito.

Trabalho com Implantação de Programas de Diversidade desde 2006 e percebo que uma parcela considerável de empresas opta por ações paliativas ou isoladas. Fazem palestras com líderes e colaboradores, mas esquecem de revisar os seus processos, políticas, ações de comunicação interna, criar metas, indicadores e posicionar-se perante o mercado.

Conscientizar as lideranças e colaboradores é uma ação importante, no entanto diversidade é um pilar cultural que deve ser parte dos valores da organização e praticada diariamente, então é fundamental que os processos e políticas também sejam revisados em detalhe para que sejam verdadeiramente inclusivos.

O recrutamento e seleção é a porta de entrada da empresa, o cartão de visita. Se o candidato não se sente acolhido neste momento, quem dirá numa futura contratação.

E então os processos de Recrutamento e Seleção na sua empresa são inclusivos ou excludentes?

Independentemente da sua resposta o importante é agir. Implementar processos de melhoria contínua ou revisá-los para torná-los inclusivos, por isso conte comigo nesta caminhada.

Gostou do artigo? Quer saber mais sobre processos de Recrutamento e Seleção inclusivos? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.

Luciano Amato
http://www.trainingpeople.com.br/

Confira também: Os Impactos da Pandemia na Inclusão de Jovens

 

Pós-graduando em Direitos Humanos, Responsabilidade Social e Cidadania Global pela PUC RS, Pós-Graduado em Tecnologia Assistiva pela Fundação Santo André/ITS Brasil/Fundação Don Carlo Gnocchi (Itália/Milão). Pós-graduado em Psicologia Organizacional pela UMESP e Graduado em Psicologia pela UNIMARCO. Extensão em Gestão de Diversidade pela PUC (Trabalho final: “O impacto do imaginário dos líderes no processo de diversidade e inclusão nas organizações”), Credenciado em Holomentoring, Coaching e Advice pelo Instituto Holos. Formação em Coaching Profissional pela Crescimentum. Formado como analista DISC. Vivência de 30 anos na área de RH, em subsistemas como Recrutamento & Seleção, Treinamento, Qualidade, Avaliação de Desempenho e Segurança do Trabalho.Desempenhou papéis fundamentais em empresas como Di Cicco., Laboratório Delboni Auriemo, Wal Mart, Compugraf, Mestra Segurança do Trabalho. Atualmente é Diretor da TRAINING PEOPLE responsável pela estratégia e coordenação de equipe multidisciplinar especializada em temas como Diversidade, Liderança e Gestão, Vendas, Educação Financeira, Comunicação, Turismo e Segurança do Trabalho.É Vice Presidente de Diversidade e Inclusão e Líder do Comitê de Diversidade e Inclusão da ABPRH – Associação Brasileira de Profissionais de Recursos Humanos, Presidente e Fundador do Instituto Bússola Jovem, projeto social com foco em jovens de baixa renda que tem por missão transformar vidas através da Educação, Trabalho e Carreira. Colunista das Revista Cloud Coaching. Coautor do livro: Segredos do sucesso: da teoria ao topo – histórias de executivos da alta gestão e do livro Gestão Humanizada de Pessoas.
follow me
Neste artigo


Participe da Conversa