
Quando a Equipe Discorda de Você: O Desafio da Liderança
Já conduzi reuniões em que fiz uma pergunta à equipe esperando ouvir diferentes perspectivas. Em uma delas, alguém trouxe uma opinião contrária ao caminho que eu imaginava seguir.
Foi nesse momento que minha escuta se colocou à prova.
É relativamente fácil convidar a equipe a falar quando imaginamos que suas contribuições vão complementar o caminho que já pensamos. Mais difícil é permanecer aberto quando alguém questiona esse caminho.
A discordância pode despertar uma resposta rápida: explicar por que a proposta não funciona, defender a própria decisão ou encerrar o assunto para que a reunião avance. O líder pode fazer tudo isso sem elevar a voz. Ainda assim, a equipe percebe quando não existe espaço real para pensar junto.
Antes de responder, vale se perguntar: estou de fato avaliando a ideia ou reagindo ao desconforto de ser contrariado?
Não considero que toda discordância deva mudar uma decisão. O líder tem informações que nem sempre estão disponíveis para todos. Também precisa considerar riscos, prioridades e responsabilidades que fazem parte do seu papel.
Mas ouvir uma opinião diferente permite verificar se algo importante ficou de fora. Talvez a equipe tenha percebido uma dificuldade na execução. Talvez conheça melhor o efeito da decisão sobre o cliente. Ou talvez a proposta inicial continue sendo a melhor, só que agora examinada com mais cuidado.
Para descobrir, o líder precisa ir além de perguntar “alguém discorda?”. Pode pedir que a pessoa explique o que está vendo, quais consequências antecipa e que alternativa considera possível. Essas perguntas ajudam a transformar uma reação em uma conversa.
E, depois de escutar, é preciso dar um retorno.
Se a contribuição mudou a decisão, vale dizer o que foi revisto. Se não mudou, a equipe merece entender o critério utilizado. Convidar as pessoas a se posicionarem e depois seguir adiante sem uma explicação enfraquece o convite feito na próxima reunião.
Ao longo da minha trajetória liderando equipes, aprendi que ocupar o papel de líder não exige responder primeiro nem defender uma decisão só porque fui eu quem a propôs. Exige assumir a responsabilidade pela decisão e criar condições para que ela seja examinada com honestidade.
Isso também pede atenção à forma como reagimos. Um líder pode dizer que quer autonomia, mas corrigir imediatamente quem propõe outro caminho. Pode pedir pensamento crítico, mas demonstrar impaciência quando ele aparece.
A equipe aprende com essas reações. Aprende quando vale a pena falar e quando é mais seguro concordar.
Talvez uma pergunta importante para quem lidera seja:
O que acontece na sua equipe quando alguém pensa diferente de você?
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Quer saber mais sobre como agir quando a equipe discorda e transformar opiniões diferentes em oportunidades de diálogo, confiança e decisões mais conscientes? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Até o próximo artigo!
Valquiria Jorge
Fundadora da Mente & Movimento e cofundadora da RebrandSe
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