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Preconceito: Debate ou Polarização?

Um assunto que tem ocupado as redes sociais nos últimos dias é o vídeo vazado do Willian Waack. Alguns podem se sentir mais ou menos atingidos ou nem ligarem, mas não tira o peso da fala pejorativa e desrespeitosa.

Um assunto que tem ocupado as redes sociais nos últimos dias é o vídeo vazado do Willian Waack. No vídeo, durante preparação para entrada ao vivo, buzinas soavam ao fundo. Visivelmente irritado William comenta com seu colega “…isso é coisa de preto”.

Ele só não esperava que, num mundo tecnológico, onde somos observados nas mais diversas situações, estava sendo gravado.

A partir daí as opiniões inflamaram as redes sociais com pessoas a favor e contra o jornalista. Os favoráveis a William tentam de toda forma minimizar o ocorrido enaltecendo sua competência, carreira, formação. Criticam o que chamam de “patrulha do politicamente correto”.

Os que são contra chegam a pedir a demissão do jornalista como forma de punição a sua fala racista. Para apimentar mais ainda há a politização que se tenta atribuir aos fatos. A velha história da esquerda e direita, inclusive com alguns xingamentos de ambas as partes.

Todo este cenário mostra o quanto as pessoas estão cada vez mais intolerantes, reativas e sem capacidade de ouvir. Basta uma opinião contrária para ser execrado.

Em relação ao William Waack não tenho dúvida que foi bastante infeliz no seu comentário.  Qualquer cidadão comum tem que tomar cuidado com o que fala, afinal vivemos numa sociedade diversa e um pouco de empatia não faz mal a ninguém. Ele por ser homem público mais ainda.

A meu ver a emissora até o momento agiu corretamente. Uma repreensão e suspensão para mostrar à sociedade que não compactua com este tipo de opinião.

Não acredito que seria justo uma demissão ou qualquer tentativa para acabar com a carreira do jornalista, mas é preciso discutir e entender a gravidade da situação, pois também não é justo minimizar sua atitude.

Que ele seja enaltecido pela sua competência e história profissional.  Isso não diminui sua responsabilidade, aliás só aumenta por ser um grande influenciador.

Racismo é crime previsto na Lei n. 7.716/1989. É inafiançável e não prescreve. O preconceito é algo gravíssimo e deve ser combatido. Atitudes ou falas inocentes podem sim fazer um grande estrago quando se é o centro do assunto. Óbvio que para um branco o comentário pode ser visto como algo irrisório, mas para um negro pode ter outro significado, sem contar o reforço inconsciente que isso traz.

Alguns podem se sentir mais ou menos atingidos ou nem ligarem, mas não tira o peso da fala pejorativa e desrespeitosa.

Não acredito que ele tenha que ser alçado ao patamar de vilão dos vilões e ser linchado em praça pública ou em redes sociais. Até porque falas como a dele estão repletas no nosso dia a dia em vários grupos sociais. São frutos de séculos de preconceito impregnados na cultura. Até pouco tempo este tipo de comentário era comum e aceito, hoje felizmente não mais.

Acredito que a polarização só prejudica, pois elimina o debate. Na maioria das vezes a contraposição se torna mais importante do que o próprio tema central.

Temas polêmicos como preconceito, em suas mais variadas formas: racismo, homofobia, gênero, gerações, características, classes sociais devem ser debatidas exaustivamente, mas só terão alguma chance se o fizermos com respeito, empatia, argumentos consistentes e fontes fidedignas.

Que no mínimo este tipo de situação sirva para as pessoas refletirem e com serenidade chegar a um ponto comum e uma evolução real da sociedade.

Pós-graduando em Direitos Humanos, Responsabilidade Social e Cidadania Global pela PUC RS, Pós-Graduado em Tecnologia Assistiva pela Fundação Santo André/ITS Brasil/Fundação Don Carlo Gnocchi (Itália/Milão). Pós-graduado em Psicologia Organizacional pela UMESP e Graduado em Psicologia pela UNIMARCO. Extensão em Gestão de Diversidade pela PUC (Trabalho final: “O impacto do imaginário dos líderes no processo de diversidade e inclusão nas organizações”), Credenciado em Holomentoring, Coaching e Advice pelo Instituto Holos. Formação em Coaching Profissional pela Crescimentum. Formação em Facilitação Digital pela Crescimentum, Formação em RH e Mindset Ágil pela Crescimentum. Formado como analista DISC. Vivência de 30 anos na área de RH, em subsistemas como Recrutamento & Seleção, Treinamento, Qualidade, Avaliação de Desempenho e Segurança do Trabalho. Desempenhou papéis fundamentais em empresas como Di Cicco., Laboratório Delboni Auriemo, Wal Mart, Compugraf, Mestra Segurança do Trabalho. Atualmente é Diretor da TRAINING PEOPLE responsável pela estratégia e coordenação de equipe multidisciplinar especializada em temas como Diversidade, Liderança e Gestão, Vendas, Educação Financeira, Comunicação, Turismo e Segurança do Trabalho. É Vice-presidente de Diversidade e Inclusão e Líder do Comitê de Diversidade e Inclusão da ABPRH – Associação Brasileira de Profissionais de Recursos Humanos, Presidente e Fundador do Instituto Bússola Jovem, projeto social com foco em jovens de baixa renda que tem por missão transformar vidas através da Educação, Trabalho e Carreira. Colunista das Revista Cloud Coaching. Coautor do livro: Segredos do sucesso: da teoria ao topo – histórias de executivos da alta gestão pela Editora Leader e do livro Gestão Humanizada de Pessoas pela Editora Leader. Coordenador e coautor do livro Diversidade em suas múltiplas dimensões pela Editora Literare Books.
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