Postura defensiva na tomada de decisão (parte I de II)

O que leva um profissional a ser defensivo em uma situação difícil? Como se dá sua escolha? Veja as consequências do comportamento defensivo!

O que leva um profissional a ser defensivo em uma situação difícil? Como se dá sua escolha?  Vou dar um exemplo.

Imagine-se nesta situação:

Em um passado recente, você foi  bastante elogiado pelo sua performance no atingimento de excelentes resultados. Porém, você foi designado para um novo projeto, mas, durante o desenvolvimento, você se deparou com condições precárias para obter sucesso no seu trabalho, e por vezes, deixando-o muito inseguro na sua execução. Mesmo assim, você tentou dar o seu melhor sem fazer reclamações sobre falta de informações, falta de apoio da direção e erros na configuração do projeto. Você preferiu ficar quieto, acreditando estar correto na sua postura de “se virar sozinho”. Ao final, você recebeu um feedback totalmente negativo, condenando a sua performance. Você se sentiu muito mal, e logo pensou na sua imagem perante todos. Você ficou bem arrasado. Num primeiro momento você sentiu um misto de raiva pela injustiça, vergonha e medo do que poderiam pensar a seu respeito.

Como agir diante dessa situação? Você pode escolher dois comportamentos: ser defensivo ou ser assertivo.

Escolheu o comportamento defensivo?

Se você fizer uma escolha inconsciente, impulsionado puramente por uma emoção aflitiva, tais como raiva e medo, é provável que você escolherá o comportamento defensivo e certamente se colocará na posição de vítima ou algoz. Seu comportamento poderá ser:

  • Agressivo;
  • Passivo, e
  • Passivo-agressivo.

Se escolher o comportamento agressivo, é provável que você cobrará as pessoas sobre o prejuízo que lhe causaram com a falta de informações e mal desempenho.

Se escolher o comportamento passivo, é provável que você desistirá do projeto, pedirá desculpas pelo resultado ruim e por não atender às expectativas do seu gestor. Pode ser que você, inclusive, peça demissão, como uma forma de fugir da situação.

Se escolher o comportamento passivo-agressivo, é provável que você “subirá no salto alto” e fará ironias com as pessoas, insinuando o quanto é difícil trabalhar com pessoas confusas e incompetentes. Poderá, inclusive, pedir demissão, como vingança, querendo com isso mostrar o quanto você é superior a todos e que não precisa desse emprego. Sabe aquela frase? “Esta empresa não me merece!!!”

Você talvez nem perceba, mas sua razão não estará no controle da situação e sim as suas emoções negativas, principalmente a raiva. Com a raiva permeando sua percepção, você tornará a realidade totalmente distorcida. E você precisará se armar de mecanismos de defesa para sobreviver à sua dor emocional, causada pela sensação de incapacidade.

Não quero com isso dizer que medo e raiva sejam emoções ruins, mas aparecem como forma de proteção contra suas dores emocionais.

O que eu quero mostrar é que, em uma situação como esta, medo e raiva podem facilmente fisgá-lo e levá-lo para um caminho defensivo, caminho esse onde suas reações serão improdutivas e causarão um estrago à sua autoestima, alimentando-a com vingança, mágoa e vieses que enganarão sua autoconsciência.

Tenha certeza, nada ficará resolvido porque os nutrientes dos seus pensamentos serão negativos, e esses pensamentos podem retornar em situações similares influenciando em suas escolhas e decisões, impedindo-o, muitas vezes, de atingir suas metas e realizações.

Podemos entender, assim, porque existem muitos profissionais mal resolvidos, pessimistas, “puxadores de tapete”, não colaborativos e que são facilmente percebidos pela linguagem de conflito que normalmente utilizam como estratégia de proteção (ataque e fuga).

Veja as consequências do comportamento defensivo

a) Acúmulo de pendências emocionais

Nosso emocional funciona como uma contabilidade de crédito e débito, onde você vai contabilizando perdas e ganhos:

  • Ganho é tudo aquilo que lhe causa satisfação e realização;
  • Perda é tudo aquilo que lhe causa desconforto e, não bem solucionado, se torna uma pendência no seu emocional, e que podem levar ao stress emocional.

O acúmulo de pendências emocionais atrapalham sua imparcialidade e flexibilidade em situações de tomada de decisões.

b) Perda de foco

Enquanto a pessoa está focada em procurar o culpado dos seus problemas, seu pensamento está negativo, suas energias são roubadas para “ataque ou fuga” e a solução normalmente não é eficaz e efetiva.

c) Falta de transparência

A pessoa defensiva se enche de “segredos” porque precisa esconder seus verdadeiros sentimentos de inadequação e incompetência, através dos seus mecanismos de defesa.

d) Criação de conflitos improdutivos

A pessoa defensiva atrapalha a sua vida e a das pessoas que trabalham e interagem funcionalmente com ela, gerando desconfiança e distanciamento.

e) Resistência às mudanças

É típico do comportamento defensivo ser reativo às mudanças pois seu desejo maior é não correr o risco de sofrer novamente aquele dano emocional.

Assim, para se proteger, a pessoa defensiva prefere permanecer na zona de conforto, apresentando algumas reações como: pessimismo, do contra, negativismo, indiferença, fingindo apoio, fofoca, etc. Você conhece alguma dessas atitudes?

f) Influência negativa

No dia a dia, todos nós queremos influenciar pessoas através da nossa comunicação.

Queremos convencer e persuadir as pessoas sobre o que sentimos, pensamos e queremos dos outros.

Uma pessoa defensiva usa estratégias comunicacionais nem sempre respeitosas e positivas, seja agredindo, seja se submetendo  ou seja manipulando e seduzindo os outros.

Afinal, o que uma pessoa defensiva busca nas pessoas para obter o seu SIM?

  • agressivo se mostra forte na postura, nas palavras e usa mais poder do que tem porque quer neutralizar sua resistência e causar temor para impor sua vontade;
  • passivo se mostra frágil e dócil porque quer obter compaixão e, às vezes, fazer o outro se sentir culpado e resolver seu problema, e
  • passivo-agressivo se mostra ambíguo porque quer, de forma subliminar, neutralizar as objeções e vontades do outro, através da sedução  e manipulação emocional, para conseguir sua concordância e chegar aos seus objetivos, sem considerar os interesses do outro.

Crie uma nova história para sua vida 

Mapeie as situações e relacionamentos nos quais você tem encontrado mais dificuldade de lidar. Avalie seus pensamentos ruins que bloqueiam sua coragem de correr riscos e crie estratégias assertivas para resolver definitivamente suas pendências.

Na próxima edição falaremos mais a respeito.

Até lá!

Vera Martins Author
Vera Martins é autora dos livros: “Seja Assertivo!” e “O Emocional Inteligente”. Trabalhou por 21 anos como Executiva em Recursos Humanos e há 18 anos atua em consultoria de desenvolvimento humano. É educadora com especialização em desenvolvimento de pessoas. Possui mestrado em Comunicação e especialização em Medicina Comportamental. Atua como coach, palestrante, facilitadora de seminários e professora de universidades, tais como: Fundação Vanzolini e Escola de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo em cursos de pós-graduação. Através de intensos estudos e publicação dos seus livros tornou-se precursora da competência Assertividade e especialista em comunicação e inteligência emocional. Por isso, vem atuando fortemente nos diversos níveis profissionais nas empresas, em competências que envolvam a comunicação relacional, tais como: Estratégias de Negociação, Gestão de Conflitos, Comunicação e Influência, Liderança Assertiva, Inteligência Emocional, Coaching, Gestão de Pessoas, Formação de times e competências correlatas. É fundadora da Assertiva Educação e Cultura.
follow me
Neste artigo


Participe da Conversa