
Nunca Tivemos Tantas Ferramentas para Criar. Por Que Tantas Marcas Parecem Iguais?
Recentemente, estive em Vitória, a convite da Aeskins, empresa brasileira que atua no mercado de biotecnologia voltada à saúde, estética e bem-estar, para conversar sobre marketing estratégico com empresários e profissionais da área.
Comecei o encontro fazendo uma pergunta aparentemente simples: como você se apresenta?
As respostas normalmente começam pelo que fazemos. Profissão, especialidade, empresa, formação, cargo.
Carrego comigo, porém, uma convicção: o que fazemos pode ser transitório. Cargos mudam, empresas mudam, carreiras tomam novos rumos. Quem somos atravessa essas mudanças e permanece na memória das pessoas.
Por isso, antes de pensar em como queremos ser percebidos, precisamos compreender quem somos e o que, de fato, nos diferencia.
Foi a partir daí que chegamos a uma contradição que considero especialmente relevante para quem lidera um negócio hoje.
Nunca foi tão fácil fazer marketing. E talvez nunca tenha sido tão difícil fazer marketing.
Temos inteligência artificial, dados, automação, plataformas de comunicação, ferramentas de criação e acesso quase ilimitado a referências. Podemos acompanhar tendências em tempo real, estudar empresas do outro lado do mundo e, além disso, descobrir em poucos minutos o que nossos concorrentes estão fazendo.
Recursos que antes dependiam de grandes estruturas, equipes especializadas ou investimentos consideráveis estão disponíveis para empresas dos mais diferentes portes.
Nunca tivemos tantas possibilidades para criar.
Curiosamente, basta observar o mercado para perceber que isso nem sempre está produzindo mais diferenciação. Em alguns setores, acontece justamente o contrário.
Marcas começam a utilizar a mesma linguagem, seguir os mesmos formatos, falar dos mesmos assuntos e reproduzir códigos estéticos muito semelhantes.
E talvez parte da explicação esteja em um comportamento bastante humano: a comparação.
Existe um velho ditado segundo o qual a grama do vizinho sempre parece mais verde. Para quem lidera uma empresa hoje, talvez nunca tenha sido tão fácil chegar a essa conclusão.
O concorrente está a um clique de distância. Vemos seu lançamento, a nova sede, a campanha que funcionou, o evento lotado, o crescimento celebrado no LinkedIn, o reconhecimento recebido, a estratégia comentada em um podcast.
O que raramente aparece com a mesma facilidade são os bastidores.
Não vemos todas as tentativas que deram errado, o investimento realizado, as circunstâncias daquele negócio, as competências da equipe, as decisões difíceis ou o tempo necessário para chegar àquele resultado.
Ainda assim, é muito fácil comparar a realidade inteira da nossa empresa com uma pequena parte cuidadosamente selecionada da realidade do outro.
E a comparação começa a influenciar escolhas.
Uma empresa lança determinado produto porque o concorrente lançou. Outra muda sua comunicação porque determinada linguagem parece estar funcionando. Negócios incorporam serviços, experiências e tendências porque o mercado aparenta caminhar naquela direção.
Pouco a pouco, a pergunta “o que faz sentido para o nosso negócio?” corre o risco de ser substituída por “o que está funcionando para eles?”.
Foi justamente essa reflexão que levei ao encontro em Vitória:
Se todo mundo está olhando para todo mundo para decidir o que fazer, quem está olhando para dentro para decidir quem quer ser?
Talvez a comparação seja um dos piores roubos de identidade do nosso tempo.
Para quem trabalha com estratégia, observar o mercado é indispensável. Benchmarking existe por uma boa razão. Estudar boas práticas, concorrentes e outros setores amplia a visão e ajuda assim a identificar possibilidades.
Mas existe uma fronteira importante entre aprender com o mercado e permitir que ele determine quem você deve ser.
Na apresentação, resumimos essa diferença em uma frase:
“Você pode olhar para o mercado para entender o cenário. Mas não pode olhar para o mercado para descobrir quem você é.”
Com a inteligência artificial, essa discussão ganhou uma nova dimensão. Se empresas consultam fontes semelhantes, acompanham as mesmas tendências e utilizam ferramentas parecidas, então o risco de encontrar respostas cada vez mais iguais também aumenta.
É justamente aí que posicionamento ganha valor.
Posicionar é escolher. É compreender para quem queremos ser relevantes, qual lugar desejamos ocupar e o que estamos dispostos a deixar de fazer para permanecer coerentes com essa escolha.
No início daquele encontro em Vitória, perguntei como cada pessoa se apresentava.
Talvez a pergunta que líderes e empresários precisem levar para suas empresas seja igualmente simples:
Quem somos e por que alguém deveria nos escolher?
Em um futuro com mais tecnologia, mais informação e mais possibilidades, encontrar respostas será cada vez mais fácil.
O verdadeiro desafio será construir negócios que evoluam sem perder aquilo que os torna reconhecíveis, relevantes e, sobretudo, únicos.
Gostou do artigo?
Quer saber mais sobre como construir um posicionamento de marca capaz de diferenciar seu negócio sem perder aquilo que o torna único? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Um grande abraço,
Queila Fonini
Fundadora e CEO da Aviah Soluções Empresariais
https://www.aviah.com.br
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