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Por que o molho de tomate tem rótulo? Visibilidade, comportamento e posicionamento profissional além da competência

Por que alguns profissionais brilhantes perdem oportunidades para pessoas menos competentes? Descubra a falha silenciosa na sua visibilidade que faz o mercado ignorar seu talento e como a analogia do rótulo pode mudar seu posicionamento hoje.

Por que o molho de tomate tem rótulo? Visibilidade, comportamento e posicionamento profissional além da competência

Por que o molho de tomate tem rótulo?
Visibilidade, comportamento e posicionamento profissional além da competência

Olá!

Ontem, durante um almoço aparentemente comum, tive uma conversa que me acompanhou pelo resto do dia. Estava com uma pessoa inteligente, competente, estudiosa, dessas que carregam um repertório sólido e um desejo legítimo de crescer profissionalmente no mundo da consultoria. Conversa vai, conversa vem, o tema inevitável surgiu: carreira, posicionamento, visibilidade. Em determinado momento, ela fez uma afirmação categórica, daquelas ditas com convicção tranquila:

— Acho que, nesse segmento, o que importa mesmo é conteúdo e competência. Esse negócio de rede social, LinkedIn, exposição… pra mim soa exagerado. Coisa de gente vazia.

Não havia arrogância ali. Havia crença. E crenças, como sabemos, raramente se desmontam com argumentos diretos. Elas se sustentam em valores, identidade e, muitas vezes, em defesas bem construídas. Continuei almoçando, dei um tempo, olhei para a mesa ao lado e então veio a provocação, quase como quem comenta o clima:

— Posso te fazer uma pergunta meio estranha?

Ela assentiu.

— Se só o conteúdo bastasse, você acha que no supermercado todos os produtos seriam vendidos em embalagens transparentes, sem rótulo nenhum?

Ela franziu a testa. Silêncio.

— Imagina a prateleira: molho de tomate, leite, azeite, detergente… tudo igual, sem marca, sem informação, sem história. Só o conteúdo lá dentro.

Ela sorriu, meio desconcertada. Pensou por alguns segundos e então respondeu:

— Nossa… que martelada. Eu nunca tinha pensado nisso.

E foi exatamente ali que a conversa deixou de ser sobre LinkedIn, marketing pessoal ou vaidade e passou então a ser sobre comportamento humano.


Conteúdo não se apresenta sozinho

Existe uma fantasia muito difundida — especialmente entre pessoas competentes — de que o valor verdadeiro se sustenta sem mediação. Que basta ser bom, que quem merece será visto, que o tempo se encarrega do reconhecimento. É bonito, é ético, é confortável.

Mas não é assim que o mundo funciona.

No supermercado, o molho de tomate não concorre apenas com outros molhos. Ele concorre com o tempo do consumidor, com a pressa, com o excesso de opções e, além disso, com a falta de paciência para comparar tudo em profundidade. O rótulo não existe para enganar, mas para antecipar percepção de valor, reduzir risco e orientar decisão. O consumidor não prova todos os molhos. Ele escolhe aquele que parece mais adequado para o que precisa naquele momento.

Da mesma forma, com pessoas, a lógica é assustadoramente parecida. Estranhos são estranhos — e, portanto, parecidos.

Enquanto alguém não nos conhece, somos apenas isso: um estranho. E estranhos, do ponto de vista do cérebro humano, são todos muito semelhantes. É assim que funcionamos. Agrupamos, simplificamos, criamos atalhos mentais para que não gastemos energia demais.

Até que haja sinais claros, diferenciadores, observáveis, o outro não tem como saber:

  • no que você é bom;
  • como você pensa;
  • que tipo de problema resolve;
  • que postura assume sob pressão;
  • que valor entrega além do discurso.

Sem esses sinais, o mundo não nos rejeita. Ele simplesmente nos trata como mais um.

E então aqui entra um ponto crucial da inteligência comportamental:

  • comportamentos são a forma como somos percebidos;
  • Não nossas intenções;
  • Não nossos valores internos;
  • Não nossa identidade subjetiva.

Comportamentos. Comportamento é rótulo.

O rótulo de um produto não diz tudo, mas diz o suficiente para alguém decidir se quer se aproximar. Ele antecipa a experiência. Com pessoas, o rótulo é construído da mesma forma — só que não em papel, tinta e design gráfico, mas em atitudes observáveis:

  • como você se posiciona em uma reunião;
  • se você fala ou se omite;
  • se contribui ou apenas executa;
  • se lidera quando há ambiguidade;
  • se compartilha repertório ou guarda tudo para si;
  • se assume exposição ou se esconde atrás da competência técnica.

Tudo isso comunica. E comunica o tempo todo.

O curioso é que muita gente acredita que não se expor é uma forma de neutralidade. Não é. Não se expor também é um comportamento. E, como todo comportamento, ele também rotula.

  • Rotula como distante;
  • Como inseguro;
  • Como pouco interessado.

Ou, pior, como irrelevante socialmente — ainda que tecnicamente brilhante. A vitrine não é vaidade. É, sobretudo, condição de reconhecimento.

Rótulos só cumprem sua função quando estão na vitrine. E vitrine, aqui, não é sinônimo de rede social apenas. É qualquer espaço onde o comportamento possa ser visto, interpretado e lembrado.

A vitrine pode ser:

  • uma apresentação bem conduzida;
  • uma fala firme em uma reunião difícil;
  • a liderança de um projeto complexo;
  • a disposição de ensinar;
  • a coragem de questionar;
  • a presença ativa em equipes;
  • ou, sim, uma mídia digital bem utilizada.

O meio muda. A lógica comportamental é a mesma.

Assim sendo, sem vitrine, o rótulo não cumpre sua função. Sem rótulo, o conteúdo permanece invisível.

E conteúdo invisível, por melhor que seja, não gera decisão. O medo moralizado da exposição.

Quando alguém diz que visibilidade é “coisa de gente vazia”, muitas vezes está protegendo algo mais profundo: o medo de ser julgado, rejeitado, mal interpretado. Então moraliza a própria ausência como virtude.


É compreensível. Mas é perigoso.

Porque o mundo não suspende decisões enquanto você decide se quer ou não se expor. Ele decide com o que está disponível. E quando você não constrói seus próprios rótulos comportamentais, então o ambiente constrói por você — geralmente de forma rasa, injusta ou limitada.

Em síntese, talvez seja essa a imagem que ficou mais forte para mim naquele almoço.

O molho de tomate não pede desculpa por ter rótulo. Ele não acha que o rótulo diminui a qualidade do conteúdo. Pelo contrário: ele existe para proteger o conteúdo até que alguém tenha coragem de experimentá-lo. Com pessoas, deveria ser igual.

  • Não se trata de se vender;
  • Não se trata de parecer;
  • Não se trata de likes.

Trata-se de antecipar valor em um mundo que, de fato, não tem tempo de descobrir tudo sozinho.

Assim deixo a pergunta que ficou comigo depois daquele almoço — e que agora deixo com você:

Que importância você tem dado de fato aos seus diferentes rótulos? Eles estão visíveis nas vitrines certas? Ou você ainda espera que alguém abra a embalagem por acaso?

Pense nisso!


Gostou do artigo?

Quer saber como construir um posicionamento profissional bem como uma visibilidade estratégica sem perder sua autenticidade? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.

Até a próxima!

Edson Carli
https://inteligenciacomportamental.com

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Edson Carli Author
Edson Carli é especialista em comportamento humano, com extensa formação em diferentes áreas que abrangem ciências econômicas, marketing, finanças internacionais, antropologia e teologia. Com mais de quarenta anos de vida profissional, atuou como diretor executivo em grandes empresas do Brasil e do mundo, como IBM, KPMG e Grupo Cemex. Desde 2003 está à frente do Grupo Domo Participações onde comanda diferentes negócios nas áreas de consultoria, mídia e educação. Edson ainda atua como conselheiro na gestão de capital humano para diferentes fundos de investimentos em suas investidas. Autor de sete livros, sendo dois deles best sellers internacionais: “Autogestão de Carreira – Você no comando da sua vida”, “Coaching de Carreira – Criando o melhor profissional que se pode ser”, “CARMA – Career And Relationship Management”, “Nut’s Camp – Profissão, caminhos e outras escolhas”, “Inteligência comportamental – A nova fronteira da inteligência emocional”, “Gestão de mudanças aplicada a projetos” (principal literatura sobre o tema nos MBAs do Brasil) e “Shé-Su – Para não esquecer”. Atual CEO da Academia Brasileira de Inteligência comportamental e membro do conselho de administração do Grupo DOMOPAR. No mundo acadêmico coordenou programas de pós-graduação na Universidade Mackenzie, desenvolveu metodologias de behaviorismo junto ao MIT e atuou como professor convidado nas pós-graduações da PUC-RS, FGV, Descomplica e SENAC. Atual patrono do programa de desenvolvimento de carreiras da UNG.
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