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Out – Missing out

Você sabe o que é FoMO? A velocidade cada vez maior das informações nos faz ter comportamentos sociais e preocupações que há 25 anos não existiam

Como já abordado sucintamente em outros textos, a minha geração é uma das mais ansiosas e depressivas que já existiu, tendo em vista isso, vim falar hoje sobre saúde mental.

No nosso dia a dia temos diversas tarefas que podem nos estressar muito, seja faculdade ou trabalho e até mesmo obrigações pessoais como família e relacionamentos amorosos. Para piorar, o externo também não está bom. A inspiração para esse texto foi a notícia de abertura de processo de impeachment do presidente Donald Trump, além das outras notícias nada boas para o nosso país.

A minha geração tem que lidar, ao mesmo tempo, com um mercado de trabalho cada vez mais selvagem e competitivo; desconstruções e faltas de parâmetros sobre a relacionamentos amorosos, família, felicidade, religião e etc; uma política e economia onde todos querem dar palpite, mas pouco se preparam minimamente para que sua opinião valha alguma coisa. Se trata daquela máxima: informação não é conhecimento.

Somos bombardeados diariamente por milhares de informações e estímulos. E ainda não aprendemos a filtrar essa quantidade imensa de informações que chegam até nós, de modo que podemos sofrer de uma síndrome chamada FoMO – Fear of Missing Out – ou seja, realmente o medo de perder alguma informação ou notícia. A velocidade cada vez maior das redes sociais e da Internet, como um todo, nos faz ter outros comportamentos sociais e preocupações que, até 25 anos atrás, não existiam.

A questão é que, não são notícias boas ou felicidade que chegam nessa velocidade, mas sim notícias de catástrofes, crises políticas e econômicas. Com isso temos a sensação de que existam apenas coisas ruins no mundo, até mesmo porque as notícias ruins ficam muito mais marcadas no nosso cérebro por uma questão de instinto de sobrevivência.

O papel das redes sociais está intimamente ligado com o nível de estresse, ansiedade e depressão entre os mais jovens pois, além de muita informação, nos comparamos o tempo todo com os outros, podendo pensar que o outro tem uma vida melhor que a nossa.

Por isso, creio que o melhor para a minha geração e às futuras seja, talvez, realizar “retiros” das redes sociais por determinado tempo. Temos que aprender a lidar com essa nova forma de socialização de modo que não fiquemos doentes por causa dela.

Creio que temos que tentar entender é que está tudo bem se nós não sabermos de cada acontecimento que teve no mundo e que é melhor temos poucas opiniões, mas que tenham peso, do que muitas, sem valor nenhum. Ou seja, entender que opinião de Facebook muitas das vezes não é uma opinião com embasamento, seja teórico ou de vivência (ficou bem claro isso no discurso do nosso presidente na abertura da Assembleia da ONU deste ano). Creio que devemos prezar pela qualidade e não pela quantidade, ainda mais em uma nova era onde a quantidade não para de aumentar e temos cada vez mais dificuldade de filtrar as de qualidade das que não tem.

Estudante de Direito na PUC-SP, estagiando na área e em São Caetano do Sul, São Paulo.
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