Os valores e exigências para um bem sucedido Coach

Ser Coach está na moda e multiplicam-se os cursos de formação, prometendo um oásis de conquistas, inclusive na esfera financeira. Qualquer pessoa pode se transformar em um Coach de sucesso?

Se a ética da atividade profissional em Coaching implica em não julgar e nem se assumir censor de terceiros, há pessoas que (por vezes) pecam nesse princípio e se dão direitos que não têm. Certamente, é legítimo que cada um tenha e defenda seu ponto de vista, mas todo o cuidado é pouco quando a intransigência passa a ser uma variável principal do contexto. Ter opinião faz parte da vida, divulgar essa opinião com argumentos é legítimo, mas buscar impor a sua opinião como verdade é outra coisa.

Assim, por ver de perto recentes episódios que geraram situações constrangedoras, nesse aspecto citado, decidi retomar um texto que escrevi há cerca de um ano e meio. É uma assumida provocação, tentando depois dar a resposta que, com certeza, não será a final e nem a única: qualquer pessoa pode se transformar em um Coach de sucesso? Afinal, ser Coach está na moda e multiplicam-se os cursos de formação, prometendo um oásis de conquistas, inclusive na esfera financeira.

A primeira questão que o interessado em mudar de carreira e tornar-se Coach precisa entender é que, com essa decisão, estará se transformando em microempresário. O que os cursos de preparação lhe darão é um instrumental básico em Coaching, mas o contexto de atendimento requer visão ampliada e execução organizada. Funções afins a qualquer negócio passarão a ser objeto de atenção, como legalização da atividade, o fluxo de caixa e a contabilidade, recebimentos e pagamentos, prospecção de clientes e atendimento, marketing pessoal e… vamos ficando por aqui para não fazer crescer esta lista.

Vejo muita gente motivada a fazer cursos de preparação sem o perfeito entendimento dessa realidade típica do mundo de negócios. Mas, digamos que a pessoa quer mudar mesmo de carreira e se garante nesse quesito. Será que ela terá as habilidades e o conhecimento (teórico e prático) para conduzir as sessões de Coaching? Saberá lidar com momentos de estresse emocional que invariavelmente surgem? Terá linguagem e postura compatíveis com as exigências do Coachee? Isso é uma demanda essencial a qualquer Coach.

Um dos casos interessantes que conheço é o de diretores de empresas que fazem o curso de formação com o intuito de entenderem melhor do processo e poderem comandar o uso do Coaching para seus executivos e lideranças potenciais. Esses diretores (ou até donos) de empresas acreditam que assim saberão identificar melhor as oportunidades, selecionar bem o Coach e avaliar os resultados, uma vez que já têm a formação básica no assunto.

Outro caso em que os cursos de formação têm conseguido construir Coaches de sucesso é quando profissionais de consultoria, treinamento, monitoria ou mentoria decidem agregar conhecimentos específicos de Coaching em seu portfólio de prestação de serviços. Todos acabam aprimorando as próprias qualidades técnicas e poderão se transformar em excelentes Coaches. Claro, respeitando sempre as necessidades do cliente e as características de cada uma das intervenções citadas.

Nos dois casos citados acima, essas não são pessoas que se aventuram por cursos de formação unicamente motivados pela promessa de remuneração alta com um trabalho interessante. Essas são pessoas que, na maioria das vezes, conseguem equacionar seu potencial pessoal e os riscos e benefícios da nova atividade. Não se surpreendem com a perspectiva de gerirem um pequeno negócio. O problema que eu quis lançar neste espaço é todo concentrado naquelas pessoas que aplicam suas poupanças para obter uma certificação em Coaching, sem que isso lhe viabilize o sonho encantado com que começou o curso.

No recado original, de meses atrás, eu afirmava que um profissional, ao mudar de carreira para ser um Coach, deveria conversar com pessoas de seu relacionamento e conhecer melhor como tudo funciona no Coaching. O bom e o ruim, o positivo e o negativo. E, se a decisão fosse madura e consciente para se formar na nova profissão, que fosse bem-vindo ao time! Hoje eu quero agregar mais um comentário: o de que tenha o bom senso de não participar negativamente de grupos de interesse ou de externar opiniões que gerem constrangimentos.

Mario Divo Author
Mario Divo tem incrível experiência profissional, tendo chegado a meio século de atividade ininterrupta, em 2019. É PhD e MSc pela Fundação Getulio Vargas, com foco em Gestão de Negócios, Marcas e Design, Marketing e Comunicação Corporativa. Tem formação como Master Coach, Mentor e Adviser pela Sociedade Brasileira de Coaching e pelo Instituto Holos. Consultor credenciado para aplicação do diagnóstico meet® (Modular Entreprise Evaluation Tool), Professor e Palestrante. CEO e Coordenador Executivo da plataforma Dimensões de Sucesso, acumulando com o comando da MDM Assessoria em Negócios. Foi Diretor Executivo do Automóvel Clube Brasileiro e Clube Correspondente da FIA – Federação Internacional do Automóvel, no Brasil. Foi titular do Planejamento de Comunicação Social da Presidência da República (1997-1998) e, anteriormente, comandou a Comunicação Institucional da Petrobras. Liderou a Comunicação Institucional e a Área de Novos Negócios da Petrobras Internacional. Foi Presidente da Associação Brasileira de Marketing & Negócios, Diretor da Associação Brasileira de Anunciantes e, também, Conselheiro da Câmara Brasileira do Livro. Primeiro brasileiro no Global Hall of Fame da Aiesec International, entidade presente em 2400 instituições de ensino superior em 126 países e territórios, voltada ao desenvolvimento das potencialidades das jovens lideranças em todo o mundo.
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