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Os Impactos da Covid-19 nas Minorias

Confira os impactos da COVID-19 nas populações de: Negros, LGBTi+, Mulheres, Pessoas com deficiência e o contexto socioeconômico.

Os Impactos da Covid-19

Os Impactos da Covid-19 nas Minorias

A Covid-19 trouxe uma série de impactos à população mundial e todos estamos passando por uma situação bastante inusitada. As economias dos países paralisadas, o número crescente de casos confirmados, de mortes e um fio de esperança quando olhamos também os casos de recuperação.

No dia 15 de maio de 2020 às 14h25, segundo o Ministério da Saúde https://covid.saude.gov.br/, o Brasil registrou 202.918 casos confirmados, 79.479 casos recuperados, 13.933 óbitos, sendo que 844 foram registrados nas 24h que antecederam a publicação do Ministério da Saúde.

Fazendo um recorte para as minorias* no Brasil. Quais os impactos da Covid-19 nesta população?

Antes de irmos adiante é preciso esclarecer o conceito de minorias quando tratamos de Diversidade. Minorias refere-se ao grau de vulnerabilidade da população e não necessariamente à quantidade de pessoas nestas condições/características.

Abordaremos além dos números oficiais, os impactos da Covid-19 nas populações de: Negros, LGBTi+, Mulheres, Pessoas com deficiência e o contexto socioeconômico.

Gênero 

Com o isolamento social os atendimentos da Polícia Militar às mulheres vítimas de violência aumentaram 44,9% no Estado de São Paulo. A quantidade de feminicídios em comparação de março de 2019 e março de 2020 também aumentou de 13 para 19 casos.

O Ministério Público de São Paulo afirma que a casa é o lugar mais perigoso para a mulher. Segundo o Raio X do Feminicídio de São Paulo, revelou que 66% dos feminicídios consumados ou tentados foram praticados na casa da vítima.

Criar canais de denúncia, incentivar que as mulheres denunciem garantindo o anonimato, intensificar campanhas contra violência doméstica, como criar códigos entre amigas, desconstrução do machismo desde a educação familiar, tratamento dos agressores. Estas são algumas ações importantes para conter esta violência a curto, médio e longo prazo.

LGBTi+ 

Em se tratando do público LGBTi+ a homofobia, lesbofobia e transfobia são termos usados para definir o preconceito e discriminação contra homossexuais, travestis e transexuais. Atualmente, o termo homolesbotransfobia é utilizado para indicar a discriminação contra as minorias sexuais, como os diferentes grupos populacionais inseridos na sigla LGBTi+.

É fato que nem toda população LGBTi+ tem a aceitação da família e dos amigos. Segundo uma pesquisa realizada pela Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) da Prefeitura de São Paulo, entre 5,3% e 8,9% do total da população em situação de rua na capital pertencem à comunidade LGBTi+. Além disso, 63% dos jovens de 18 a 25 anos, relatam sentir rejeição total ou parcial dos familiares após “saírem do armário” e apenas 59% revelam sua orientação sexual para a família.

Num período de isolamento social e dentro deste contexto torna-se um martírio ser obrigado a viver confinado com uma família que não o aceita na sua essência.

Ter ações educativas, de conscientização para quebrar este preconceito estrutural, além de canais de denúncias e legislação antidiscriminação abrangente são ações fundamentais para diminuir a violência por orientação sexual e identidade de gênero.

Pessoas com deficiência 

Grande parte das pessoas com deficiências fazem parte do grupo de risco ou necessitam ter contato com profissionais de enfermagem e cuidadores.

Também estão expostas a mais riscos, pois pessoas com deficiência física, cadeirante, tocam frequentemente o aro da cadeira de rodas. O tato para pessoas cegas é fundamental, muitos dos sinais na interpretação de Libras envolvem o toque do rosto, nariz, boca. Assim como pessoas com deficiência intelectual podem ter dificuldade de compreender as orientações. Pessoas com Síndrome de Down podem ter uma incidência maior de disfunções da imunidade, cardiopatias congênitas e doenças respiratórias.

Tais situações as tornam mais vulneráveis e as colocam num patamar de atenção em relação às possibilidades de contágio da Covid-19.

Orientações específicas sobre higiene e cuidados para as pessoas com deficiência e profissionais da saúde, permitem acompanhantes em casos de internação. Criação de campanhas disponíveis em LIBRAS, meios e formatos acessíveis, incluída a tecnologia digital, as legendas, os serviços de retransmissão, as mensagens de texto, a leitura fácil e a linguagem simples são medidas importantes.

Contexto socioeconômico 

Quando analisamos o contexto social a situação se agrava, pois são vários fatores envolvidos, considerando que em muitos casos há a interseccionalidade de características.

A estrutura familiar e de moradia com poucas condições de saúde da população mais pobre, residências onde mora um número elevado de pessoas em cômodos menores, hospitais normalmente sofrendo de superlotação, a necessidade de manter os parcos recursos financeiros, a quebra do isolamento social, resultam em dados preocupantes como o apresentado pelo Secretário Municipal da Saúde, Edson Aparecido: seis em cada 10 mortes são da periferia.

O apoio do governo com pagamentos emergenciais, isenção de contas básicas, campanhas sociais é fundamental.

Racial

A inclusão do negro sempre foi um desafio, pois apesar dos números mostrarem o quanto os negros estão à parte da sociedade, há um racismo cultural e estruturado que nega estas diferenças.

Atualmente temos apenas 5% dos negros ocupando cargos de lideranças. Em 2018 dentre os jovens entre 18 a 24 anos que estavam cursando ou já haviam concluído o ensino superior, 36,1% são brancos e negros, 18,3%, segundo IBGE.

Ao somar a informação que 75% das pessoas em extrema pobreza são negros, percebemos que as questões raciais e sociais se sobrepõem, assim como, se nosso personagem for uma mulher negra com deficiência e LGBTi+.

Campanhas educativas, garantia de maior representatividade nas universidades e nas organizações são algumas ações viáveis a serem realizadas.

Conclusão 

O que queremos mostrar com este artigo é que a Covid-19 tem impactos em toda população, mas há particularidades como o preconceito e a falta de inclusão das minorias que potencializam as dificuldades destes públicos.

Luciano Amato
http://www.trainingpeople.com.br/

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Pós-Graduado em Tecnologia Assistiva pela Fundação Santo André/ITS Brasil/Fundação Don Carlo Gnocchi (Itália/Milão). Pós-graduado em Psicologia Organizacional pela UMESP e graduado em Psicologia pela UNIMARCO. Extensão em Gestão de Diversidade pela PUC (Trabalho final: “O impacto do imaginário dos líderes no processo de diversidade e inclusão nas organizações”), Credenciado em Holomentoring, Coaching e Advice pelo Instituto Holos. Formado como analista DISC. Desde 1990 na área de R.H., atuou em subsistemas como Recrutamento & Seleção, Treinamento, Qualidade, Avaliação de Desempenho e Segurança do Trabalho contribuindo com empresas como Di Cicco, Laboratório Delboni Auriemo, Wal Mart, Compugraf Telecomunicações e Mestra Segurança do Trabalho. Atualmente é Diretor da TRAINING PEOPLE, especializada em treinamentos, palestras e projetos de consultoria personalizados responsável pela estratégia e coordenação de equipe multidisciplinar especializada em temas como Diversidade, Liderança e Gestão, Vendas, Educação Financeira, Comunicação, Turismo e Segurança do Trabalho. Vice-Presidente de Gestão e Conteúdo da ABPRH – Associação Brasileira de Profissionais de Recursos Humanos, responsável pela gestão da equipe e curadoria dos grupos de debates, bem como pelo Comitê de Diversidade e Inclusão. Coordenador do grupo virtual Gestão por Competências com base no Facebook e Linkedin, somando 40.000 profissionais de RH em ambos. Escreve duas colunas da Cloud Coaching com os temas Diversidade e Inclusão e Excelência no Atendimento ao Cliente. Presidente e idealizador do Instituto Bússola Jovem, projeto social que tem por objetivo transformar a vida de jovens de baixa renda através dos pilares: Educação, Trabalho e Carreira.
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