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Orientações para o profissional liberal sobreviver à crise

Não há como negar que a situação do nosso país está complicada. Mas, se são nas dificuldades que encontramos as oportunidades, esse é o momento em que devemos agir para passar por essa fase da melhor maneira possível e manter-se prosperando.

Que a situação econômica de nosso país está – e continuará por um período – complicada, não há como negar. Mas, se são nas dificuldades que encontramos as oportunidades, esse é o momento em que os profissionais liberais devem agir para passar por essa fase da melhor maneira possível e manter seu negócio prosperando.

Profissionais liberais são donos de seu próprio negócio, possuem ganhos variáveis e, por esse motivo, precisam ter ainda mais controle de sua vida financeira. O primeiro passo, então, é saber exatamente em que situação que seu negócio se encontra. É hora de colocar as contas no papel (planilha ou aplicativos digitais, como preferir), fazer um verdadeiro diagnóstico da situação e estar a par de tudo para descobrir o que e como deve fazer.

Dá para fazer algumas previsões da situação macroeconômica, mas não há como saber com certeza até quando essa crise vai durar e a intensidade de seus reflexos no crescimento dos ganhos e na microeconomia como um todo. Por isso, o melhor é aproveitar o momento de uma instabilidade para ter a exata noção de seus negócios, assumir as rédeas e buscar se nortear pelos princípios da educação financeira.

Por que é tão importante? Simples: dentre as principais causas para o fechamento dos negócios dos profissionais liberais, destacam-se aquelas relacionadas à falta de educação financeira. Sabendo disso, desenvolvi algumas orientações práticas para os profissionais liberais passarem por esses períodos de instabilidade de maneira consciente e sustentável:

  1. Identificar todos os itens de custos e despesas, o valor médio de cada item e o seu valor total, durante pelo menos os últimos seis meses, colocando essas informações em uma tabela ou planilha eletrônica. No processo, separar os custos por tipo, ou seja, custos variáveis e custos fixos;
  2. Fixar meta de redução de cada item de custo para os próximos meses, após uma rigorosa avaliação das consequências do corte ou mesmo eliminação. Esta ação é chamada de previsão de custos e deve ser feita mês a mês;
  3. No acompanhamento dos custos, é necessário comparar essa previsão com quanto foi efetivamente gasto no respectivo mês e verificar se a meta de redução está sendo alcançada. Em caso negativo, verificar os motivos que estão dificultando ou impedindo a realização das metas desejadas;
  4. Todos os passos até aqui apresentados devem ser repetidos continuamente, para que se obtenha os resultados planejados. Estabeleça novas metas e novos resultados, criando dessa forma o hábito de diagnosticar, planejar e controlar os custos em sua atuação;
  5. Na elaboração do plano de redução de custo (previsão de custo), escolher, em primeiro lugar, os itens de custo em que deve aplicar seus esforços e que ofereçam a possibilidade de obtenção de economia sem muita dificuldade;
  6. Para tanto, concentre-se, primeiramente, nos custos associados ao desperdício de dinheiro, perguntando, para cada item de custo, se ele é necessário e se agrega valor a você e/ou aos clientes. Em caso negativo, esse item de custo deve ser eliminado de imediato ou ter uma redução gradativa até a sua completa extinção, no prazo mais curto possível;
  7. A atenção deve ser redobrada para os custos de valor elevado, pois eles oferecem uma ótima oportunidade de economia, mediante sua redução ou mesmo eliminação;
  8. É bom lembrar que a redução de custos pode ser danosa para o desenvolvimento das atividades da empresa no futuro. Ao fazer o plano de redução de custos, certifique-se de que seus níveis atuais de qualidade não serão afetados e que competências da empresa, necessárias para atender aos seus objetivos, não serão suprimidas.

Caso você tenha dificuldade em trilhar os passos anteriormente sugeridos, seria recomendável contar com a ajuda de um profissional especializado em custos ou procurar agências especializadas.

Reinaldo Domingos é PhD em Educação Financeira, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin) e da DSOP Educação Financeira. Está a frente do canal Dinheiro à Vista, é colunista do de diversos meios de comunicação. Autor de diversos livros sobre o tema, como o best-seller Terapia Financeira e o livro Empreender Vitorioso.
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