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O que o princípio da Pausa tem a nos ensinar neste período de Reclusão?

Ao nos voltarmos para dentro, temos a oportunidade de examinar quem somos, quem nos tornaremos e como queremos ser conhecidos nesta crise e depois dela.

princípio da pausa

O que o princípio da Pausa tem a nos ensinar neste período de Reclusão?

Eu já escrevi duas vezes sobre o princípio da pausa, fazendo alusões sobre o mundo do coaching.

  1. O que o princípio da pausa tem para contribuir com os processos de Coaching?
  2. A importância do Princípio da Pausa para o Coaching.

Desta vez, em que nossos mundos estão ficando menores, à medida que as linhas entre trabalho e casa quase desapareceram, por força do isolamento físico a que a maioria de nós precisa se sujeitar, resolvi olhar para isso com outras lentes.

O normal é tudo, menos nos dias de hoje, em que estamos aprendendo o que é o novo normal. As paredes de nossa existência diária parecem desabar sobre nós, fato por vezes assustador e perturbador, sim, mas também transformador.

Ao nos voltarmos para dentro, temos a oportunidade de examinar quem somos, quem nos tornaremos e como queremos ser conhecidos nesta crise e depois dela.

Um novo normal para minha família por exemplo, é fazer uma pausa todos os dias para nos falarmos, por call como nunca havíamos experimentado. Nós nos afastamos do que estamos fazendo – do trabalho remoto, das teleconferências e das aulas online – para nos conectarmos todos com minha sogra que tem 90 anos e que aprendeu como usar o app.

Nas últimas três semanas, nossas conversas evoluíram e ficaram mais profundas. Primeiro, era tudo sobre o momento (quem precisava do quê e como organizaríamos a próxima expedição ao supermercado). Agora, é sobre o momento que estamos tentando alcançar, na esperança que isso tudo passe, e passe logo.

Quem ainda não sabia como fazer, aprendeu a usar novos aplicativos e também, adotamos a expressão isolamento físico, mas não isolamento social, que sugere, na nossa opinião outra coisa.

Resgatamos costumes familiares, que por um tempo, tínhamos deixado de praticar, por exemplo, falar de nossas necessidades mais básicas, de nossas dúvidas e medos. Retomamos a prática e reaprendemos a ouvir a sabedoria dos mais experientes.

Então com isso tenho feito um exercício de reflexão em aspectos como:

O momento da verdade

Todos nós nascemos com certas características – tendências e habilidades naturais. Otimista ou pessimista. Curioso ou cauteloso. Extrovertido ou introvertido.

E assim, surge a pergunta de quando as coisas ficam difíceis, voltamos à nossa fraqueza ou capitalizamos nossas forças?

A resposta para mim é a autoconsciência – a única característica que se eleva acima do resto.

Aqui está um exemplo: numa das chamadas com a família, ensaiei compartilhar meus medos e minhas dúvidas sobre o que estamos todos enfrentando, e quando estava prestes a compartilhar com minhas filhas e todos que estavam presentes, abandonei a ideia ao me conscientizar que todos, já temos preocupações o suficiente, e o estado global que enfrentamos não precisa de mais problemas.

Então, daqui para frente, estou colocando minha energia em soluções e dessa forma, é muito prazeroso testemunhar como minha perspectiva mudou para ainda mais positiva.

Admitindo que é natural quando as emoções estão em alta haverá momentos em que me sentirei estressado e com medo e temos uma escolha de como interagimos com os outros. Quando a crise acabar, as pessoas lembrarão quem éramos nos tempos difíceis.

De mim para nós

Do individual para o coletivo, e o exemplo pode ser, olharmos se há alguma coisa que aprendemos com a escassez crônica de álcool gel e/ou dos E.P.I(s) – equipamentos de proteção individual para os profissionais de saúde, o que me lembra que a autopreservação é o mais forte dos instintos humanos, ancorado na parte inferior da hierarquia de necessidades de Maslow.

Com maior autoconsciência, contudo, podemos passar do puro interesse próprio para o interesse compartilhado. Um dos exemplos mais poderosos são os profissionais de saúde – aqueles heróis altruístas que estão colocando sua própria saúde e bem-estar em risco.

Quando as prioridades mudam

No início de minha carreira, tentei manter uma fronteira estrita entre pessoal e profissional, ledo engano. Agora, como todo mundo, estou enfrentando linhas e limites indefinidos entre uma dimensão e outra.

Isso tudo tem me levado para um lugar de prestar mais atenção às minhas reais necessidades e também às necessidades daqueles que me cercam, sejam os membros da família ou os prestadores de serviços que, por exemplo, garantem o funcionamento de supermercados e também do mercadinho local, do entregador que bravamente faz chegar até nós, o que encomendamos pela internet.

E desta forma, quando tenho parado para atender a necessidade de outra pessoa, ao voltar para meus compromissos profissionais, estou mais focado e pleno para seguir, com um sentimento de ter feito o que estava ao meu alcance para apoiar outra pessoa que sequer conhecia.

Sempre há uma saída

Nasci numa família Italiana e quando criança, ouvi histórias de meus pais, tias e tios sobre como era ser criança durante a Segunda Guerra Mundial, o que significava tudo, desde o serviço militar que levou um dos meus tios de volta a Itália, até o racionamento de alguns produtos como café, sal, açúcar, farinha e querosene em casa.

Lembro com muito carinho e saudades, de minha bisavó que ao fazer o molho de tomate (essencial para uma família Italiana) depois de prensar os tomates, aproveitava a casca para fazer um tipo de patê que comíamos com torradas, que claro eram feitas de pão aproveitado de outros dias.

Essas histórias de sacrifício e não desperdício tiveram uma profunda influência na minha vida.

Mas a influência não parou por aí.

Aprendi a ser resiliente, a fazer mais com menos, e que, não importa o quanto as coisas fiquem ruins, sempre existirá uma saída. Não podemos perder essa perspectiva, não importa quão terríveis sejam as nossas circunstâncias no momento. Assim como a geração anterior nos inspirou, agora é a nossa vez de demonstrar resiliência para nossos filhos e para a sociedade.

E você, meu caro leitor e prezada leitora, como tem enfrentado os dias de reclusão e afastamento físico?

João Luiz Pasqual, PCC, CMC & ACS
PCC – Professional Certified Coach
CMC – Certified Mentor Coaching
ACS – Accredited Coaching Supervisor
https://www.intervisionclub.com.br/

Confira também: A importância do Princípio da Pausa para o Coaching

 

João Luiz Pasqual tem mais de 40 anos de experiência profissional. Coach Executivo e de grupos. Foi por mais de 30 anos, executivo do mercado financeiro tendo ocupado posições de Diretor Executivo em diversos bancos (Sudameris, Banco Real, Unibanco, ABN AMRO e Santander), viveu na Europa por 8 anos e viajou para mais de 30 países. É conselheiro de empresas pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa e foi Presidente da ICF no Brasil durante o exercício 2015/2018. É Professional Certified Coach (PCC), Mentor Coach e Accredited Coach Supervisor pela International Coach Federation (ICF). MBA pela FIA-USP e Mestrado em Consulting and Coaching for Change pelo INSEAD-Fontainebleau na França.
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