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O Papel da Nutrição na Saúde Mental

A depressão é um transtorno de humor com alta prevalência e incidência no mundo e, segundo a OMS, os casos têm aumentado globalmente. A falta de informação e o preconceito causam dificuldade em procurar tratamento.

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Por Silvia Micelli (Coach de Saúde e Bem-Estar e Nutricionista da Carevolution)

A depressão é um transtorno de humor com alta prevalência e incidência no mundo. É uma das patologias neuropsiquiátricas mais frequentes, afetando mais de 240 milhões de indivíduos, mostrando-se mais prevalente entre as mulheres. 1

Os dados divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que os casos de depressão estão aumentando globalmente – 18,4% desde 2005 –, e que, até 2020, a doença será a enfermidade mais incapacitante em todo o mundo. No Brasil, em 2016, cerca de 75,3 mil trabalhadores foram afastados pela Previdência Social em razão do mal. Hoje, o país é considerado o campeão de casos na América Latina, com 5,8% da população com depressão. 2

A falta de informação acerca da doença e preconceitos, causam, muitas vezes, dificuldade em procurar tratamento.

Os fatores biológicos, são analisados pela influência de desequilíbrios químicos no organismo do indivíduo, em específico o neurotransmissor serotonina no sistema límbico. A descrição do mecanismo dos medicamentos antidepressivos, como os Inibidores de Monoamina Oxidase (IMAOs) e Inibidores Seletivos de Recaptação da Serotonina (ISRSs), seus efeitos colaterais, restrição de uso e problemas com o tratamento farmacoterapêutico são de grande importância para indicação do tratamento. O conhecimento mais profundo da doença permite que pessoas ainda não diagnosticadas ou próximas de indivíduos que apresentam sintomas depressivos possam incentivar o diagnóstico e tratamento evitando efeitos mais complexos da doença. 3

A nutrição tem um papel importante na prevenção e até durante o tratamento, trazendo nutrientes capazes de auxiliar na produção de neurotransmissores, assim como fornecerem fibras auxiliando a saúde intestinal, sendo que a dieta pode ter efeitos diretos no microbioma, o que resulta em mudanças nos padrões de reações bioquímicas no lúmen intestinal. 4

A sinalização bidirecional entre o trato gastrointestinal e o cérebro é regulada nos níveis neural, hormonal e imunológico. Esta construção é conhecida como o eixo cérebro-intestino e é vital para manter a homeostase. A colonização bacteriana do intestino desempenha um papel importante no desenvolvimento e na maturação dos sistemas imune e endócrino. Esses processos são fatores-chave que sustentam a sinalização do Sistema Nervoso Central. 5

A acetilcolina e as monoaminas (serotonina, noradrenalina e dopamina) são os principais neurotransmissores que participam da regulação do eixo cérebro-intestino. A microbiota intestinal, por sua vez interage com o cérebro por meio do nervo vago, modulação de neurotransmissores e citocina inflamatória, além do seu papel nas funções intestinais. 5

Desta forma, fica evidente a importância de uma microbiota saudável e de uma barreira intestinal preservada para a saúde mental.

Destaca-se também uma dieta antiinflamatória e rica em antioxidante que pode, indiretamente prevenir e melhorar a depressão, já que o aumento da inflamação e stress oxidativo pioram o quadro depressivo 5 sendo que as citocinas produzidas nos estados inflamatórios induzem a alteração na produção de neurotransmissores. Além disso a retirada de alimentos alergênicos ou intolerantes podem melhorar o humor, devido estes alimentos induzirem um processo inflamatório quando consumidos. 6

Estudos clínicos recentes descobriram anticorpos relacionados ao glúten em pacientes com transtorno depressivo maior, bipolar e esquizofrenia7, enquanto episódios de mania aguda podem estar associados a níveis séricos aumentados de anticorpos contra gliadina.8 Portanto, há evidências crescentes de uma relação potencialmente bidirecional entre a sensibilidade ao glúten e os distúrbios psiquiátricos.

Na prática, a implementação de uma dieta de eliminação de contaminação por glúten, e alimentos processados, pode ser benéfico para alguns indivíduos.

Desta forma destaca se a importância do consumo em dieta com omega3, vegetais, frutas, ervas e temperos (cúrcuma), pobre em ácidos graxos trans e saturados.

Considerando a serotonina um dos neurotransmissores mais alterados na depressão, o triptofano encontrado em nozes, abacate, feijão, banana, lentilhas entre outros alimentos e ou suplementos, é um aminoácido essencial para a regulação do humor e sono, pois através de reações químicas se transforma em serotonina.

Os minerais que têm mais demonstrado importância nos estudos de depressão são o zinco, magnésio, cromo e selênio. E dentre as vitaminas mais correlacionadas com depressão estão as vitaminas do complexo B (B2, B6, B12, B9), vitamina D, Vitamina C e vitamina E.

Por isso no tratamento com uma equipe multidisciplinar, muitas vezes é valido, fazer intervenções que possam até evitar o uso de medicamentos como primeira opção, de forma a auxiliar o corpo entrar em equilíbrio através da meditação, na melhora da qualidade do sono, avaliando a função intestinal, inserindo na dieta alimentos e suplementos fontes de triptofano, vitaminas, minerais e exercícios físicos, junto com acompanhamento psicológico.

Corrigir a razão do problema pode ser melhor opção, apesar de muitas vezes o medicamento trazer a solução mais rápida e até mesmo necessária para alguns indivíduos, mas não efetivas a longo prazo, trazendo efeitos colaterais indesejáveis.

A ampla investigação e supervisão de um profissional capacitado é necessária para identificar com clareza as causas das queixas relatadas pelo paciente. Cabendo este avaliar a prescrição ou não de medicamentos. É também importante corrigir as origens e os processos metabólicos que levaram àquele estado de doença.

* Silvia Micelli é Master Coach, Mentor  amp; Counselor, ​Life  amp; Wellness Coach, Executive  amp; Leader Coach. Trainer especializada em reestruturação corporal, treinamento físico consciente e estilo de vida. Licenciada e Bacharel em Educação Física (FMU/UNIP), com especializações em treinamento funcional, treinamento suspenso -TRX, pilates, método Hipopresivo. Criadora do Método UNO de desenvolvimento humano integral e do Programa Mulheres Plenas.

Referências:

  1. Nestler, e.j.; BARROT,M; DILEONE,R.J.et al Neurobiology of depression.Neuron; 34(1):102,2009
  2. Transtornos mentais são responsáveis por mais de um terço do número total de incapacidades nas Américas – OMS/ publicado em 06/03/2019
  3. MARK Olfson, MD, MPH; CARLOS Blanco et al, MD, PhD; Steven C. Treatment of Adult Depression in the United States JAMA Intern Med. 2016;176(10):1482-1491. Copyright 2016 American Medical Association.
  4. Extensive personal human gut microbiota culture collections characterized and manipulated in gnotobiotic mice. Goodman, A., Kallstrom, G., Faith, J., Reyes, A., Moore, A., Dantas, G. et al. Proc Natl Acad Sci USA, 108: 6252–6257, 2011. Disponível em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3076821/
  5. Grenham S, Clarke G, Cryan JF, Dinan TG. Brain-gut-microbe communication in health and disease. Front Physiol. 2011;2:94. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3232439/
  6. MEYER,B.J.; ET AL. Foods groups and fatty acids associated with self-reported depression; Na analysis from the Australian National Nutrition and Helth Survey. Nutr; 29, 2013
  7. Porcelli, B.; Verdino, V.; Ferretti, F.; Bizzaro, N.; Terzuoli, L.; Cinci, F.; Bossini, L.; Fagiolini, A. A study on the association of mood disorders and gluten-related diseases. Psychiatry Res. 2018, 260, 366–370
  8. Dickerson, F.; Stallings, C.; Origoni, A.; Vaughan, C.; Khushalani, S.; Yolken, R. Markers of gluten sensitivity in acute mania: A longitudinal study. Psychiatry Res. 2012, 196, 68–71.
Sharon Feder Author
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Sharon Feder é formada em Psicologia pela Brown University nos EUA, com especialidade em Estudos Brasileiros e Portugueses pela Brown University e Coach de Saúde e Bem-Estar com Certificação Internacional pela Wellcoaches (EUA). Treinada no Modelo Transteórico de Mudança de Comportamento (ProChange Behavior Systems). Atualmente, é Sócia Diretora na Carevolution Consultoria em Saúde e Bem-Estar, desenvolvendo programas de qualidade de vida e capacitações de profissionais com foco em mudança de comportamento, engajamento e autocuidado.
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