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O incêndio no Museu Nacional

A perda imensurável atingiu a vida de todos os brasileiros e a perda histórica atingiu toda a humanidade.

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O incêndio no Museu Nacional do Rio de Janeiro foi notícia no mundo inteiro. A perda imensurável atingiu a vida de todos os brasileiros e a perda histórica atingiu toda a humanidade, ao ponto de Alemanha e França se disporem a ajudar o Brasil a restaurar o museu.

Não vou neste texto chover no molhando, analisando o descaso do governo do estado do Rio de Janeiro com a manutenção do museu, ou fazendo uma lista dos itens mais emblemáticos que se consumiram em chamas. Não vou fazer isto pois o foco é outro, além de que vários vídeos e textos produzidos por especialistas já fizeram esses esclarecimentos, com uma competência muito além da minha. Venho, em breves linhas, explicar o que essa perda significa para nós, universitários, e como atinge toda a comunidade acadêmica.

O sentido de existência de uma universidade ou faculdade se dá pela produção e aperfeiçoamento do pensamento e conhecimento humano. Podemos questionar os seus métodos antiquados, desde a disposição das salas de aulas até mesmo a fonte e forma dos materiais e livros utilizados, mas não se pode negar que a função da universidade é, em sua raiz originária, o conhecimento humano e sua lapidação.

Nós, universitários, caso entendamos a universidade no sentido anteriormente exposto, saberemos o que um incêndio em um museu, ainda mais, em um museu que continha peças antropológicas tão fundamentais para desvendar minimante a origem humana, significa para a comunidade acadêmica e para o desenvolver do saber humano.

Nós, universitários, fomos atingidos no peito com esse incêndio. Pois somos nós que damos tempo e suor, paixão e sacrifício, para contribuir de qualquer forma, cada qual em sua área do saber, com o conhecimento humano e nossa evolução social como seres racionais. Trabalhos de anos e de vidas inteiras, consumidos em questão de horas. Como seres apaixonados pelo saber fomos golpeados com tal brutalidade, sendo impossível não balançarmos em relação à nossa missão e vocação de acadêmicos.

Não ignoro, porém, as festas, bebedeiras e chatices que a vida universitária nos proporciona, apenas dou o devido peso e foco a um dos múltiplos campos da universidade, o saber, que sofreu uma perda inestimável. Não podemos ser apenas estudantes de vinte e poucos anos, que adoram ir para festas, em um momento em que o lugar e um órgão que proporciona toda essa vivência para nós é atacada de forma tão violenta.

A comunidade universitária está de luto. Sofre com a perda. Mas usa do luto também como verbo, usa do luto com a força de nós, estudantes de vinte e poucos anos apaixonados pelo saber, para se levantar e mostrar o valor do conhecimento humano.

Que nós, universitários, reconheçamos o valor do conhecimento e tenhamos maturidade para viver, sim, as bebedeiras e festas, mas também construir e lapidar o conhecimento dentro das nossas universidades e com isso, talvez, realizar um pouco do nosso papel social de melhorar, pouco a pouco, o mundo em que vivemos.

Beatriz Alves Ensinas é Estudante de Direito na PUC-SP, estagiando na área e em São Caetano do Sul, São Paulo.
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Beatriz Alves Ensinas é Estudante de Direito na PUC-SP, estagiando na área e em São Caetano do Sul, São Paulo.
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