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O Coaching no divã!?

Você já ouviu falar da Sugestão de Pauta do Senado Federal com a seguinte descrição: Criminalização do “Coach”? Se tornada lei, não permitirá o charlatanismo de muitos autointitulados formados sem diploma válido.

Meus amigos, efetivamente há um assunto que vai pegar fogo e, no centro das atenções, estará a prática do Coaching. Portanto, todos aqueles que, de alguma forma, têm interesse no tema (coaches, clientes, gestores de RH, produtores de conteúdo, entre outros) devem acompanhar de perto os debates sobre Coaching no Senado Federal. Como sempre afirmo aqui nas minhas postagens, eu tenho como compromisso pessoal estar na fronteira do conhecimento e em perfeito alinhamento com aquilo que as melhores práticas sugerem… e indicam! E eu não quero perder a oportunidade de especular neste caso que, sem dúvida, será polêmico.

Pois bem, estamos em um mundo VUCA complexo, cheio de dinâmica, com opiniões conflitantes entre as pessoas e, também de forma marcante, gerando incertezas a todo o instante. Nesse cenário, qualquer tipo de produto ou serviço precisa ser qualificado, atendendo leis e regulamentos, códigos de defesa do consumidor e padrões éticos em sua aplicação. Quem tiver a oportunidade de ler (ou quem já leu) a minha última postagem do Espaço do Coach (Coaching Quântico: ser ou não ser!) verá uma crítica à prática que tem se generalizado de adjetivar o Coaching e repercutir como panaceia para todos os males do mundo.

Desde que eu comecei a trabalhar com Coaching (e com outras especialidades de intervenção), há muitos e muitos anos atrás, esforço-me por manter alinhamento com os avanços de sua aplicação, como já expressei acima, e com a Ciência. A pergunta que sempre deve ser feita, para garantia de um cliente, é: qual a base (ou evidência) teórica permite assegurar que essa intervenção consegue entregar aquilo que promete? Quem leu minha última postagem neste espaço, há duas semanas (título: A terceira (ou a quarta?) geração do Coaching!) entenderá como a evolução teórica e prática do Coaching está em consonância com a evolução deste mundo VUCA, não deixando espaço para qualquer “tipo de aventura”.

Exatos dois anos atrás, a Revista Exame publicou matéria com destaque, tendo por título: A banalização do coaching. Ficou claro o tom crítico da abordagem feita, a qual se baseava em entrevista com Jorge Oliveira, ex-presidente da International Coach Federation (ICF), do Brasil. Em determinada passagem da entrevista, Oliveira afirma ter havido um momento, ao longo da história do Coaching, em que “começamos a banalizar o conceito, pois começam a pedir para o coach coisas que não são de sua responsabilidade (sic)”. E ainda completa, logo a seguir: “O coaching virou remédio para tudo. Com isso, a gente perde efetivamente sua contribuição. Há uma série de possibilidades de intervenções nas empresas, como mentoring e outros tipos de treinamento, mas como o coaching é mais abrangente começa a existir uma confusão (sic)”.

Como eu já tive a oportunidade de publicar em postagens anteriores, o “duelo conceitual” entre a Psicologia e o Coaching foi mediado pela Nota de Esclarecimento sobre a Psicologia do Esporte, Coaching e o Sistema Conselhos, publicada pelo Conselho Federal de Psicologia, em Agosto de 2016. Está bastante evidente que um clima nebuloso existe há tempos, porém, ao invés de ser arrefecido, foi ficando agravado com adjetivações nem sempre apropriadas para o Coaching, invadindo terrenos perigosos. Certamente, isso se somou à prática indiscriminada e sem regulação, gerando empresas e clientes insatisfeitos (para não se chegar ao ponto de escrever “prejudicados em suas expectativas”), muitas vezes com gosto amargo de derrota.

E agora, por conta de uma pauta chamada Ideia Legislativa, o Senado Federal assume debater temas e projetos nascidos na sociedade, desde que tenham expressivo apoio popular. Conforme matéria publicada no Portal IG, em 22/4/2019, a proposta de criminalização da profissão de coach se mostrava como a terceira mais popular, atrás apenas da proposta de reconhecimento do ceratocone como deficiência visual e da regulamentação do aumento de mensalidade em escolas médicas pagas (clique aqui para ler). Passados alguns dias, desde sua criação, a proposta viralizou pelas redes sociais e entrou na pauta legislativa.

Quem acessar a página do Senado Federal (clique aqui para ler o texto completo) será informado que foi alcançado o número mínimo de apoios, tendo sido criada a Sugestão de Pauta 26/2019, com a seguinte descrição:Criminalização do “Coach” – Se tornada lei, não permitirá o charlatanismo de muitos autointitulados formados sem diploma válido. Não permitindo propagandas enganosas como: “Reprogramação do DNA” e “Cura Quântica”. Desrespeitando o trabalho científico e metódico de terapeutas e outros profissionais das mais variadas áreas (sic).

Tudo isso serve como alerta aos profissionais de Coaching. Ainda que, pessoalmente, eu não acredite que venha a existir deliberação ou instrumento oficial que “criminalize o coach”, certamente haverá alguma linha de regulamentação. O fato é que a sociedade começa a mostrar-se atuante para o enquadramento da prática e, mais do que isso, com as redes sociais colocando o Coaching no divã, são gerados memes e imagens associadas com descrença, desconforto do cliente, falsidade, embuste e charlatanismo. De quem é a culpa?

Como não existe uma só verdade, qualquer ator social que seja apontado como culpado poderá ter suas alegações de inocência, remetendo a outro ator social o peso desse problema (que não é simples). Para os profissionais conscientes e bem preparados, deixo aqui um conselho (alerta que tenho buscado propagar nos últimos seis anos, aqui neste blog): não deixe de investir em reciclagem de conhecimentos, conheça as pesquisas e estudos técnicos que lhe agreguem mais informações e competências, acompanhe a evolução que as boas práticas sugerem, converse bastante com outros profissionais (networking objetivo para troca de experiências) e, por favor, deixe de ficar dando nome novo para algo que está estabelecido e conhecido.

Neste mundo VUCA você será penalizado se “atacar” o cliente com propostas mirabolantes… Veja esta matéria jornalística em vídeo (clique aqui), reflita bem a respeito, forme a sua opinião e fique alerta. O Coaching é algo sério, há ciência e metodologia na sua essência, e o cliente merece respeito pleno!

Mario Divo Author
Mario Divo possui meio século de atividade profissional ininterrupta, hoje estando dedicado à gestão de negócios e de pessoas. É PhD pela Fundação Getulio Vargas (FGV) com foco em Gestão de Marcas Globais e MSc, também pela FGV, com foco em Dimensões do Sucesso em Coaching (contexto brasileiro). Formação como Master Coach, Mentor e Adviser pelo Instituto Holos. Formação em Coach Executivo e de Negócios pela SBCoaching. Consultor credenciado no diagnóstico meet® (Modular Entreprise Evaluation Tool). Credenciado pela Spectrum Assessments para avaliações de perfil em inteligência emocional e axiologia de competências. CEO da plataforma MENTALFUT® e da MDM Assessoria em Negócios, desde 2001. Mentor e colaborador da plataforma Cloud Coaching. Ex-Clube Correspondente da FIA – Federação Internacional do Automóvel, no Brasil. Foi titular do Planejamento de Comunicação Social da Presidência da República (1997-1998) e, anteriormente, comandou a Comunicação Institucional da Petrobras e a Área de Novos Negócios da Petrobras Internacional. Ex-Presidente da Associação Brasileira de Marketing & Negócios, ex-Diretor da Associação Brasileira de Anunciantes e ex-Conselheiro da Câmara Brasileira do Livro. Primeiro brasileiro no Global Hall of Fame da Aiesec International, entidade presente em 2400 instituições de ensino superior, voltada ao desenvolvimento de jovens lideranças em todo o mundo.
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