fbpx

O Coaching cumpre o que promete (Parte I)?

Na coluna 'Dimensões do Sucesso' de hoje, Mario Divo questiona: O Coaching cumpre o que promete? São muitos a escrever e ditar regras, a impor receitas e métodos, a operacionalizar essa importante forma de intervenção humana. Será que tudo acontece com a simples repetição de receitas e métodos?

No artigo inaugural, comentei do interesse em trazer ao debate uma eventual “verdade absoluta” sobre o Coaching. São muitos a escrever e ditar regras, a impor receitas e métodos, a operacionalizar essa importante forma de intervenção humana. Será que tudo acontece com a simples repetição de receitas e métodos? Ou será que, com base na ciência, existe de fato essa “verdade” estruturada em receitas e métodos? E um dos primeiros desafios que fiz foi provocar com a pergunta: Qual a base teórica ou científica que nos leva a acreditar que o Coaching consegue cumprir o que promete?

Fico aqui a imaginar como seria a reação de muitos coaches profissionais perante essa pergunta do cliente. Aliás, pergunta óbvia, dado que a sessão inicial de esclarecimentos tem por abordagem fundamental alinhar objetivos e metas, o que será realizado ao longo do processo, o cronograma de encontros e a remuneração associada. Pois bem, dividida em duas partes, a partir de agora todos os leitores desta coluna – sejam coaches ou coachees – terão a possibilidade de responder a pergunta acima e até mesmo irem além, com mais explicações, quando considerarem oportuno.

Em resumo, a perspectiva que todos nós conhecemos é a de o Coaching contribuir, com ética e metodologia, para o coachee alcançar objetivos próprios bem determinados. No caso de organizações, a expectativa é a de o Coaching ser um processo facilitador para que o cliente, normalmente alguém em posição de poder e liderança, adquira habilidades, amplie competências e conquiste metas e resultados esperados pela empresa. Para o processo ser eficaz, o coachee tem que adotar uma mentalidade aberta à aprendizagem e à mudança de hábitos.

Atualmente, há o reconhecimento de que a aplicação do Coaching abrange várias áreas de estudo e, cada vez mais, também é multimetodológica. Envolve conhecimentos de diversas disciplinas como a Psicologia, a Educação, a Teoria Cognitiva e a Neurociência, a Gestão de Negócios e, em alguns casos, até mesmo conceitos afins ao espírito e à religião. A discussão sobre a qualificação do coach, os caminhos para explorar opções possíveis que atendam as expectativas do coachee e, também, o que se espera do relacionamento entre ambos, tudo isso ainda permanecerá como tema de futuros artigos que publicaremos. Agora, vamos tratar especialmente dos enquadramentos teóricos que explicam o processo de Coaching.

Segundo estudos publicados pela comunidade internacional, e indo além das disciplinas antes citadas, o Coaching integra conceitos amplamente conhecidos como a Aprendizagem Vivencial (ação, reflexão, feedback), o Desenvolvimento de Adultos, as Intervenções em Sistemas Sociais, a Psicodinâmica, a Inteligência Emocional a a Modelagem de Competência. Parece complicado? Na prática, o Coaching quer libertar o potencial do coachee para maximizar sua performance. Não é ensinar, mas (sim) é contribuir com o aprendizado. Portanto, construir a consciência e a responsabilidade forma a essência do Coaching.

A tomada de consciência, pelo coachee, é que leva à habilidade. Especificamente sobre o Coaching Executivo, pesquisa com profissionais de recursos humanos, nos EUA, apontou os seguintes benefícios (do mais para o menos representativo): (a) compreensão mais clara do próprio estilo; (b) melhor comunicação e engajamento; (c) saber lidar com o estresse; (d) compreensão mais clara do desempenho profissional; (e) compreensão mais clara das questões organizacionais e como superá-las; (f) mais competência para feedback; (g) melhores relações profissionais com superiores e com subordinados; (h) mais habilidades na tomada de decisão; (i) mais assertividade, liderança e autoconfiança; (j) melhor equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal; (k) melhor rendimento no trabalho.

Em outra linha de pesquisa, estudiosos voltaram-se com prioridade ao que chamaram de Coaching Ontológico. Esta linha quer desenvolver, no cliente, atitudes e aptidões para gerar ideias, repensar caminhos, ampliar possibilidades, descobrir outros significados e criar novas conexões em todos os domínios do ser e da vida humana. É fundamental a capacidade de observar como o cliente usa a linguagem, expressa a a emoção e de que forma isso se reflete na postura corporal. Para esses cientistas, a disciplina da Ontologia promove a integração da biologia da cognição, a filosofia existencial e a filosofia da linguagem, fornecendo a base sólida e teórica substantiva para o desenvolvimento profissional, o que permite apoiar clientes de Coaching para desenvolver novas perspectivas e com comportamentos mais eficazes.

A ideia-chave no Coaching Ontológico é a de que o coachee é limitado pela forma como observa seu mundo. O papel essencial do coach é fornecer um contexto seguro que permita ao cliente tornar-se observador com a capacidade de agir de forma eficaz, respeitando a trilogia de linguagem, emoções e reações do corpo. Na próxima edição da coluna haverá o complemento do artigo que explicará como um coach justifica, teoricamente, que o Coaching cumpre o que promete!

Mario Divo Author
Mario Divo tem extensa experiência profissional, tendo chegado a quase meio século de atividade ininterrupta, em 2020. É PhD e MSc pela Fundação Getulio Vargas, com foco em Gestão de Negócios, Marcas e Design, Marketing e Comunicação Corporativa. Tem formação como Master Coach, Mentor e Adviser pela Sociedade Brasileira de Coaching e pelo Instituto Holos. Consultor credenciado para aplicação do diagnóstico meet® (Modular Entreprise Evaluation Tool), Professor e Palestrante. CEO e Coordenador Executivo das plataformas de negócios MENTALFUT® e Dimensões de Sucesso®, acumulando com o comando da sua empresa MDM Assessoria em Negócios. Foi Diretor Executivo do Automóvel Clube Brasileiro e Clube Correspondente da FIA – Federação Internacional do Automóvel, no Brasil. Foi titular do Planejamento de Comunicação Social da Presidência da República (1997-1998) e, anteriormente, comandou a Comunicação Institucional da Petrobras. Liderou a Comunicação Institucional e a Área de Novos Negócios da Petrobras Internacional. Foi Presidente da Associação Brasileira de Marketing & Negócios, Diretor da Associação Brasileira de Anunciantes e, também, Conselheiro da Câmara Brasileira do Livro. Primeiro brasileiro no Global Hall of Fame da Aiesec International, entidade presente em 2400 instituições de ensino superior em 126 países e territórios, voltada ao desenvolvimento das potencialidades das jovens lideranças em todo o mundo.
follow me
Neste artigo


Participe da Conversa