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O Coaching cumpre o que promete (Parte II)?

Mario Divo inicia a busca pela fórmula mágica que explicará os fatores para atingir o “sucesso” com Coaching e os critérios do que seja o “sucesso” para os Coachees, na coluna “Dimensões do Sucesso”.

Na primeira parte deste tema, foi dada ênfase ao fato de ser o Coaching uma intervenção que se baseia em várias áreas do conhecimento humano, sendo seu principal objetivo melhorar o bem-estar, aumentar o desempenho e ainda facilitar a mudança individual e organizacional do coachee. Algumas vertentes do Coaching cada vez mais exploram a cognição, a biologia e a neurociência. Agora, continuando com a abordagem que explora a ciência que fundamenta o Coaching, há estudiosos que afirmam ser ele uma prática baseada em evidências de outras disciplinas, tendo a interação dinâmica de quatro domínios do conhecimento na relação entre coach e coachee.

Esses domínios de conhecimento são: o fundamental (teorias, modelos e orientações das ciências básicas e aplicadas); o profissional (competências e métodos de como refletir sobre resultados); o autoconhecimento (conscientização, maturidade e sabedoria em conciliar objetivos com o processo) e, ainda; o contextual (experiência no tema e estratégias baseadas na visão sistêmica para problemas do cliente e os objetivos em Coaching). Portanto, o maior desafio para a prática do Coaching passa a ser a integração de tradicionais estratégias científicas e campos de conhecimento, mantendo-se sensível às demandas do mercado e aos objetivos dos coachees.

Um estudo que se aprofundou em entender as bases teóricas do Coaching foi o da pesquisadora Vikki Brook, em 2008. Autora de vários estudos, ela identificou que no Coaching estão presentes bases teóricas afins a negócios; consultoria; gestão; ensino, aprendizagem, treinamento e desenvolvimento; mentoria; aconselhamento; neurociências; psicologia clínica, organizacional, educacional, a de desenvolvimento e a aplicada ao esporte e às artes performáticas. Citando dezenas de outros estudiosos, a Brook resume que as disciplinas das ciências sociais que contribuem para o Coaching incluem psicologia, sociologia, linguística e antropologia as quais, no conjunto, emergiram da filosofia no Século XX.

Se o Coaching busca melhorar o desempenho no trabalho ou dar mais satisfação na vida pessoal do coachee, ele pressupõe um desenvolvimento que ocorre na dimensão do autoconhecimento e da autoconsciência. Essa noção não é nova, pois Sócrates já defendia o conceito de “conhece-te a si mesmo”, na Grécia Antiga. A reorientação comportamental, com questionamentos e desafios feitos pelo coach, tenta levar os coachees à compreensão mais profunda e racional de verdades e valores pessoais. Brook acrescentou a esse pensamento que a Psicologia contém subdisciplinas que se adaptam como ferramentas de abordagens em Coaching: psicodinâmica comportamental, cognitiva e humanista. A ciência tem evidências dessa adaptação, como a Programação Neuro-Linguística, por exemplo.

O Coaching é, em primeiro lugar, o caminho para estimular o aumento de desempenho individual. O desejo de melhorar a performance e a produtividade estão entre as mais citadas referências nas pesquisas da American Management Association. Ainda que possam existir variações ou mudanças de objetivos ao longo do processo, e a escolha de estratégias para isso seja complexa, vários autores mostram consenso quanto às principais razões para aplicar o Coaching. A ênfase do Coaching em auto-reflexão representa o ponto de partida marcante para a ação do coachee e a orientação para resultados, uma mudança que até mesmo pode ser ou não bem recebida.

O Coaching assume-se como a conversa interior que leva à reflexão, autoconhecimento e a busca de respostas. Essa busca e as respostas que aparecem são a forma elegante de aprendizado: aprender mais sobre o que sabemos sobre nós mesmos e o nosso desempenho, e o que não sabemos; aprender como não fazer algumas coisas, como fazer outras coisas melhor e como fazer coisas novas. É alcançar um tipo de sabedoria, um compromisso de mudança e melhoria.

Atualmente, a busca dos profissionais da academia e os de mercado está na melhor forma de tornar os resultados tangíveis e de como demonstrar que o investimento em Coaching é válido. De um lado, não se pode negar a existência da intervenção no cotidiano de pessoas e das organizações; por outro, a cada dia mais se exige um mecanismo de mensuração. Ou seja, deseja-se que, ao final, a expressão “sucesso” seja mais do que simplesmente uma retórica. Vários autores presumem que todos sabem o que significa “sucesso” ou “fracasso”, mas esse é um conceito ambíguo e que dirá respeito, diretamente, aos valores e critérios de quem usou o Coaching para seu benefício.

Internacionalmente, é muito comum encontrar pesquisas que remetem à necessidade de a comunidade de Coaching encontrar o “Santo Graal”: a fórmula mágica que explicará os fatores para atingir o “sucesso” e os critérios do que seja o “sucesso”, segundo os conceitos dos coachees. Este nosso espaço inaugura a busca pessoal do autor e o convite aos leitores para tentarmos encontrar um provável “Santo Graal brasileiro” ou, se assim ficar melhor, construir o conhecimento que explique a dimensão do sucesso em Coaching, no contexto brasileiro. Estaremos juntos nessa busca?

Mario Divo Author
Mario Divo tem extensa experiência profissional, tendo chegado a quase meio século de atividade ininterrupta, em 2020. É PhD e MSc pela Fundação Getulio Vargas, com foco em Gestão de Negócios, Marcas e Design, Marketing e Comunicação Corporativa. Tem formação como Master Coach, Mentor e Adviser pela Sociedade Brasileira de Coaching e pelo Instituto Holos. Consultor credenciado para aplicação do diagnóstico meet® (Modular Entreprise Evaluation Tool), Professor e Palestrante. CEO e Coordenador Executivo das plataformas de negócios MENTALFUT® e Dimensões de Sucesso®, acumulando com o comando da sua empresa MDM Assessoria em Negócios. Foi Diretor Executivo do Automóvel Clube Brasileiro e Clube Correspondente da FIA – Federação Internacional do Automóvel, no Brasil. Foi titular do Planejamento de Comunicação Social da Presidência da República (1997-1998) e, anteriormente, comandou a Comunicação Institucional da Petrobras. Liderou a Comunicação Institucional e a Área de Novos Negócios da Petrobras Internacional. Foi Presidente da Associação Brasileira de Marketing & Negócios, Diretor da Associação Brasileira de Anunciantes e, também, Conselheiro da Câmara Brasileira do Livro. Primeiro brasileiro no Global Hall of Fame da Aiesec International, entidade presente em 2400 instituições de ensino superior em 126 países e territórios, voltada ao desenvolvimento das potencialidades das jovens lideranças em todo o mundo.
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