O Coaching a serviço dos humoristas!

O Coaching se tornou uma matéria-prima para o humor em vários vídeos pela Internet, espetáculos de stand-up e programas de televisão. E agora Coach?

Amigos leitores, hoje a conversa será bem séria e temperada com bom humor. Mas como assim, podem perguntar vocês sobre esse paradoxo? Eu não sou humorista, mas tenho bom humor, e tentarei escrever sobre o humor com que humoristas estão tratando os serviços de Coaching, no Brasil (principalmente, que nos interessa) e no exterior. Como diria meu querido e saudoso amigo Goulart de Andrade, “vem comigo!”.

Eu participo de vários grupos de profissionais que hoje atuam com Coaching, tendo eles diferentes matizes e preferências, sejam quanto a cores, futebol, localização geográfica, formação acadêmica, experiência empresarial, e vai daí em frente (para não entrarmos em religião, sexo e política). Há indignação geral com a forma com que comediantes (os que fazem a piada acontecer) e humoristas (os que escrevem textos de humor) adotaram o Coaching como matéria-prima para fazerem suas “graças”.

Os coaches (e eu me incluo no grupo) gostem ou não de serem alvos dessas peças sarcásticas, devem admitir que há muita coisa engraçada mesmo e, se outras machucam o nosso ego, não podemos ser avestruzes que colocam a cabeça em um buraco para ignorar os fatos. Depois que o Senado Federal entrou em campo, a partir de absurdos que todos também questionamos, a sociedade se aproximou da intervenção de maneira crítica. Para completar, há situações em que um coach não sabe explicar “o que é Coaching”.

Quero começar trazendo à postagem um vídeo do grupo Porta dos Fundos, que está circulando amplamente na Internet. Essa sátira já teve mais de 1,7 milhões de visualizações, 172 mil likes e apenas perto de 2 mil deslikes. Como resumo (sem spoiler), mostra a saga de um jovem que procura esconder de sua família a vontade de ser coach, algo não aceito por seus pais. Uma questão que será sempre recorrente, nessa produção e em outras que trataremos à frente, é a associação do coach a alguém que “dá conselhos”.

Essa perspectiva de um coach “dar conselhos” foi exaustivamente e bem (no sentido do humor cáustico) explorada pela Tatá Werneck, em seu programa Lady Night. São 828 mil visualizações, com 29 mil likes e menos de mil deslikes. Deixo à consideração de cada leitor o desempenho do entrevistado como competência de dar respostas sobre Coaching, mas criticarei a incapacidade de o entrevistado saber “jogar o jogo dialético” do humor. Para quem não sabe, a Tatá é filha de Claudia Werneck, uma excelente e premiada profissional em comportamento humano. Depois de assistir esse vídeo, alguém acha que o expectador leigo contrataria um coach para um processo de Coaching?

Até o momento, quem assistiu os dois vídeos chegará à conclusão de que Coaching é a forma de “levar uma pessoa do ponto A ao ponto B”, a partir de “conselhos que podem não dar certo”. Porém, a desconstrução profissional do coach atinge requintes de crueldade maior. O Gregório Duvivier fez um quadro longo (20 minutos), passando por várias questões afins ao Coaching, reprisando depoimentos (em vídeo) de famosos coaches-empresários, criticando-os ora com humor e ora sem humor. Porém, outra vez, a figura do coach é reduzida a “quem dá conselhos e leva alguém do ponto A ao ponto B”, ao que ele agregou a “alta remuneração para só dar conselhos”. O artista também aponta extravagâncias em adjetivações (nomes criativos) que estão espalhados por aí, com mais de um milhão de visualizações, 90 mil likes e 6 mil deslikes.

O Coaching se tornou uma matéria-prima para o humor em vários espetáculos de stand-up e programas de televisão, dos quais selecionamos um deles, com Tom Cavalcanti (inseriu o Coaching como tema e não faço spoiler aqui – 512 mil visualizações e 18 mil likes). Finalizando, a “pegada” que me parece mais crítica, presente em todos os quadros, é a de que coach é aquela pessoa “que não deu certo em outra profissão”. A pergunta final que sobra para nossa reflexão é: o que fazer a respeito? Surfar nessa onda e rir junto dessa caricaturização dos coaches? Se até com políticos fazem piadas, vamos nós ficar sofrendo? Mudar de jogo?

Confesso que, no início dessa onda, também me senti incomodado. Hoje eu penso diferente, entendendo que o cotidiano serve de insumo aos humoristas, aos escritores e aos poetas. Não temos e nem devemos enfrentar essa corrente, pois nosso compromisso profissional é legítimo, desde que praticado legitimamente. Nosso dever fundamental é manter o exercício constante do aprimoramento profissional, o desenvolvimento de competências de comunicação (em todos os aspectos e dimensões, para não falar bobagens ao ser entrevistado) e assumir que o “coach não é guru”, nem o “Coaching é a panaceia para todos os males”. Faça seu trabalho da melhor forma possível e ajude seu cliente a construir caminhos sustentáveis para sua vida.

Mario Divo Author
Mario Divo tem incrível experiência profissional, tendo chegado a meio século de atividade ininterrupta, em 2019. É PhD e MSc pela Fundação Getulio Vargas, com foco em Gestão de Negócios, Marcas e Design, Marketing e Comunicação Corporativa. Tem formação como Master Coach, Mentor e Adviser pela Sociedade Brasileira de Coaching e pelo Instituto Holos. Consultor credenciado para aplicação do diagnóstico meet® (Modular Entreprise Evaluation Tool), Professor e Palestrante. CEO e Coordenador Executivo da plataforma Dimensões de Sucesso, acumulando com o comando da MDM Assessoria em Negócios. Foi Diretor Executivo do Automóvel Clube Brasileiro e Clube Correspondente da FIA – Federação Internacional do Automóvel, no Brasil. Foi titular do Planejamento de Comunicação Social da Presidência da República (1997-1998) e, anteriormente, comandou a Comunicação Institucional da Petrobras. Liderou a Comunicação Institucional e a Área de Novos Negócios da Petrobras Internacional. Foi Presidente da Associação Brasileira de Marketing & Negócios, Diretor da Associação Brasileira de Anunciantes e, também, Conselheiro da Câmara Brasileira do Livro. Primeiro brasileiro no Global Hall of Fame da Aiesec International, entidade presente em 2400 instituições de ensino superior em 126 países e territórios, voltada ao desenvolvimento das potencialidades das jovens lideranças em todo o mundo.
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