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Mediador de Conflitos: Como evitar equívocos na mediação?

A neutralidade dos mediadores não o isentam de considerações próprias em seu âmago, que vez ou outra se revelam nas perguntas que aplicam durante a mediação. Entenda o propósito do mediador para desempenhar seu trabalho com mais eficiência.

Mediador de Conflitos: Como evitar equívocos na mediação para desempenhar seu trabalho com mais eficiência?

Mediador de Conflitos: Como evitar equívocos na mediação?

A ideia deste trabalho surge a partir da observação dos equívocos cometidos por mediadores durante a mediação. Equívocos esses inerentes a todo ser humano. Eis que a neutralidade do mediador não o isenta de considerações próprias em seu âmago. Que vez ou outra se revelam nas perguntas que aplica durante a mediação.

A sua humanidade implícita faz com que cometa equívocos que, se aparentemente não tenham peso sobre o seu trabalho como mediador, implicam muitas vezes no caminhar capenga do procedimento. Se ele percebesse com maior naturalidade seu desempenho equivocado menos erros seriam cometidos e o desenrolar da situação mediada seria mais positivo.

Ao pensar nestes equívocos, frutos da humanidade de cada um, resolvi expor, em meu entendimento como mediadora de conflitos há mais de 20 anos, qual seria o propósito do mediador para desempenhar seu trabalho com mais eficiência. 

Propósito do mediador

O mediador experiente sabe que cada mediação é uma nova e exclusiva vivência. O contato com o novo caso é outra oportunidade de aprendizado. A consciência de que o momento presente é o que torna viável a evolução do caso para uma provável solução se faz presente em cada mediação.

Como as partes se encontram em crise a jornada rumo a solução vacila e sai do caminho por inúmeras vezes. O vacilo sinaliza ao mediador a necessidade de estar atento e calmo. Eis que esses descuidos interrompem, porém não destroem os passos já conseguidos durante a mediação.

Se ele se deixa contaminar pela exiguidade do tempo, certamente essa inquietude se demonstra, ainda que não expressamente, mas através de sua linguagem corporal que o denuncia.

A voracidade pelo resultado, assim como a gula, que causa má digestão, impede o mediador de digerir cada ponto a ser resolvido pelos mediandos. E torna o procedimento repleto de lacunas, que se não preenchidas no momento da mediação ressurgem no futuro e comprometem o método como um todo.

Esta voracidade influencia no comportamento das partes e nas decisões a serem tomadas por eles.

Os mediador deve ajudar os mediandos a perceberem o grande potencial de cada um para resolver o conflito, e isso só é possível mediante a tranquilidade que respeita o tempo de cada uma das partes envolvidas no embate.

O tempo das partes implica em decisões sobre a solução, e decidir , como único e responsável é causa de um grande desconforto quando nos deparamos com nossa humanidade, permeada de inúmeros vazios a se preencher com a conveniência momentânea.

“Reconhecer que sou aquele que escolhe e sou aquele que determina o valor de uma experiência para mim, constitui tanto uma realização animadora quanto assustadora.” (ROGERS, CARL R, p.138:2009).

O autor acima mencionado nos mostra o quanto pode ser desconfortável para as partes a decisão. E esta não acontece enquanto eles não se sentirem à vontade para fazê-lo.

Essa vontade para realizar, flui de acordo com as vivências de cada um durante o processo. E esse processo significa o caminhar do indivíduo dentro da mediação. Caminhar esse que demanda um tempo certo para cada um, e isto não permite a pressa do mediador.

Rogers nos ensina que:

“Uma pessoa é um processo fluido, não uma entidade fixa e estática; um rio corrente de mudanças, não um bloco de material sólido; uma constelação de potencialidades continuamente mutáveis, não uma quantidade fixa de traços”. (ROGERS, CARL R,P.138:2009)

Essa fluidez do ser humano não se restringe às partes. Eis que o mediador também tem sua humanidade à prova durante toda a mediação. E para que ele não caia na armadilha inerente a todos nós, que é a nossa falibilidade humana, deverá ter uma compreensão irrestrita de que respeitar o tempo sem ansiedade pode ajudá-lo a filtrar os percalços que possam ocorrer durante a mediação.

O respeito ao tempo e ao momento certo demonstra ser uma das habilidades que cada mediador deve ter dentro de si mesmo para que consiga um resultado positivo no seu trabalho.

O mediador deve trabalhar como o fotógrafo profissional, que espera o momento exato para ativar a máquina. E, para esse momento ele compreende inúmeros itens, por exemplo: luz, distância, tempo, melhor local, etc.

O que se percebe ao respeitar o tempo e os sentimentos de cada personagem na mediação, é o início da compreensão de que esse procedimento ajuda tanto mediadores como partes do processo a entenderem que o campo das emoções existentes em qualquer divergência, tem um significado que vai além da controvérsia.

No equívoco relacionado ao tempo, o mediador ao aprender como deve atuar neste sentido, ganha mais tempo para que o caso em questão seja resolvido de fato, e não tão somente negociado. Disto compreende-se que o grande propósito do mediador é ajudar a resolver o conflito.

Gostou do artigo? Quer saber mais sobre os equívocos do mediador de conflitos e o seu verdadeiro propósito? Então, entre em contato comigo. Terei o maior prazer em ajudar.

Luísa Santo
https://www.linkedin.com/in/luisasanto/

Confira também: Conflitos são inerentes aos seres humanos: Conflitos de Gerações

 

Luísa Santo Author
Luísa Santo é advogada, mestra em resolução de conflitos e negociação pela Universidade Kürt Bosch-Suiça, na Argentina. Coach para conflitos pessoais e interpessoais, Analista corporal e comportamental. Atua na área de conflitos pessoais e interpessoais desde 1998. Acresceu aos seus conhecimentos diversas técnicas ao longo do tempo, para que a construção do diálogo entre partes e com seu próprio EU se tornassem mais profícuas. Trabalha com grupos ou individualmente e forma grupos com no máximo dez participantes, para que se ajudem a encontrar soluções para aquilo que buscam. Isso os desperta para a importância e a necessidade das relações, bem como para o desenvolvimento pessoal, e com isso aprendam que juntos sempre serão mais fortes.
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