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Do Modelo Médico ao Desenho Universal: A Luta pela Inclusão da Pessoa com Deficiência e Seus Horizontes

Incluir é apenas abrir portas ou garantir pertencimento, autonomia e voz? Descubra por que acessibilidade, equidade e combate ao capacitismo são essenciais para transformar a inclusão da pessoa com deficiência em realidade.

A Luta pela Inclusão da Pessoa com Deficiência e Seus Horizontes

Do Modelo Médico ao Desenho Universal: A Luta pela Inclusão da Pessoa com Deficiência e Seus Horizontes

Durante boa parte da história moderna, a deficiência foi encarada sob a ótica do modelo médico ou assistencialista. A deficiência era vista estritamente como uma limitação física ou mental e o foco recaía sobre algo a ser corrigido, curado ou, na melhor das hipóteses, amparado por políticas de benevolência.

Sob essa lente, a pessoa com deficiência era tratada como objeto de compaixão ou exceção, e não como sujeito de direitos plenos.

A grande mudança foi impulsionada por décadas de reivindicações de movimentos sociais e ativistas que proporcionaram a virada para o modelo social da deficiência. Nele, compreende-se que a deficiência é o resultado da interação entre o impedimento físico, mental, intelectual ou sensorial de um indivíduo e as barreiras impostas por uma sociedade desenhada apenas para corpos e mentes padronizados. A rampa não serve à pessoa com deficiência; ela corrige a exclusão arquitetônica da escadaria. 

Os marcos de uma conquista coletiva

No Brasil e no mundo, os avanços legais funcionaram como alavancas fundamentais de visibilidade e rompimento da exclusão social. A promulgação da Lei de Cotas (Lei nº 8.213/1991) representou um divisor de águas ao forçar o mercado de trabalho formal a abrir portas para pessoas com deficiência. Embora inicialmente e frequentemente tratada como cumprimento burocrático de compliance, a cota rompeu o isolamento corporativo de milhões de brasileiros e forçou as organizações a olharem para a pluralidade corporal.

Anos mais tarde, a ratificação da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU (2006) e, no Brasil, a Lei Brasileira de Inclusão (LBI – Lei nº 13.146/2015) consolidaram uma nova matriz jurídica baseada na autonomia, na plena capacidade civil, na acessibilidade obrigatória e na tipificação de barreiras atitudinais como formas de discriminação (o capacitismo).

Apesar de todos os avanços, é importante ressaltar que estar na empresa não significa pertencer. Isso porque existe uma diferença entre os termos: Diversidade, Inclusão e Equidade.

Diversidade está relacionada à demografia, ou seja, uma empresa pode ser diversa e ter uma quantidade proporcional de pessoas pertencentes a determinado marcador social. Porém, não necessariamente é inclusiva.

A inclusão está relacionada ao acolhimento. É o quanto uma pessoa se sente segura para ser e se expressar. Uma empresa inclusiva normalmente tem lideranças inclusivas, pares conscientes e a inclusão como valor organizacional.

Equidade é reconhecer as diferenças, entender que as pessoas partem de pontos diferentes na vida, compreender as necessidades de cada indivíduo e oferecer algo personalizado. Por exemplo: um plano de saúde com cláusulas específicas, um ambiente, mobiliário e recursos com acessibilidade. É também ter a consciência de que o tratamento com igualdade, apesar de transmitir uma impressão de justiça ao oferecer os mesmos recursos a todos, pode excluir.


Em se tratando de acessibilidade, Romeu Sassaki trouxe importante contribuição ao criar o conceito das 7 dimensões da acessibilidade, que visa eliminar barreiras:
  • Arquitetônica e urbanística: Físicas no espaço público e corporativo;
  • Comunicacional e digital: Garantia de leitores de tela compatíveis, Libras, legendas automáticas de qualidade e interfaces web universais;
  • Programática: Em leis, decretos, políticas públicas, portarias, regulamentos, editais e normas institucionais;
  • Instrumental: Em instrumentos, ferramentas, utensílios, máquinas, softwares e equipamentos utilizados no trabalho, nos estudos ou na vida diária;
  • Metodológica: Métodos de ensino, técnicas de estudo, processos de trabalho, avaliações, rotinas do dia a dia, Processos seletivos;
  • Natural: Físicas e espaciais em ambientes da natureza, espaços abertos e áreas verdes;
  • Atitudinal: Superação do dó, do paternalismo, da infantilização ou da hipérbole do “herói inspirador” que mascara a falta de equidade estrutural.

Em muitas empresas, ainda prevalece o capacitismo

O capacitismo é um preconceito sutil ou explícito que subestima a competência intelectual, técnica ou de liderança de uma pessoa com deficiência. Ainda se manifesta em promoções negadas, assédio estrutural, falta de adaptação razoável, invisibilização nos comitês estratégicos e falta de políticas inclusivas.

A vivência da deficiência não é linear nem isolada. Uma mulher com deficiência, uma pessoa negra com deficiência, um profissional neurodivergente ou uma pessoa LGBTQIAPN+ com deficiência enfrentam eixos cruzados de opressão e invisibilidade. O amadurecimento dos programas de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) exige que as lideranças compreendam que a acessibilidade cognitiva e psicossocial caminha junto com a segurança psicológica no ambiente de trabalho.

A inclusão real exige atenção simultânea e sistêmica em frentes cruciais. Entre essas frentes, está a necessidade de vincular a Diversidade, Inclusão e Equidade aos valores organizacionais e à cultura da organização. Além disso, é preciso capacitar os gestores nos conceitos de liderança inclusiva e promover a conscientização constante dos colaboradores, reafirmando o apoio da empresa à inclusão e à equidade.

A luta travada pelos movimentos de pessoas com deficiência nos ensina que a sociedade do futuro só será viável se for construída com a agência e a voz de todos os corpos. A conquista do passado alicerça a exigência incontornável do presente: transformar acesso formal em poder de decisão, dignidade e pertencimento.


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Quer saber mais sobre como transformar a inclusão da pessoa com deficiência em uma cultura real de acessibilidade, equidade e pertencimento? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.

Luciano Amato
http://www.trainingpeople.com.br/

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Pós-Graduado em Tecnologia Assistiva pela FMABC/ ITS/ Fundação Don Carlo Gnocchi. Pós-graduado em Psicologia Organizacional pela UMESP e Graduado em Psicologia pela UNIMARCO. Extensão em Gestão de Diversidade pela PUC. Credenciado em Holomentoring, Coaching e Advice pelo Instituto Holos. Formação em Coaching Profissional pela Crescimentum. Formação em Facilitação Digital pela Crescimentum, Formação em RH e Mindset Ágil pela Crescimentum. Formado como analista DISC. Vivência de 30 anos na área de RH em empresas como Di Cicco., Laboratório Delboni Auriemo, Wal Mart, Compugraf, Mestra Segurança do Trabalho. Presidente e Fundador do Instituto Bússola Jovem (2016 a 2025), projeto social com foco em jovens em situação de vulnerabilidade social que tem por missão transformar vidas através da Educação, Empregabilidade, Orientação de Carreira e Saúde Mental. Atualmente é Diretor da TRAINING PEOPLE, empresa especializada em Implantação de Programas de Diversidade, Equidade e Inclusão que atua em 3 frentes: Processos, Ambiente e Pessoas por meio de projetos de consultorias especializadas, palestras, treinamentos e jogos corporativos. Professor do MBA de “Inteligência Artificial Aplicada a Gestão de Pessoas e Negócios” da Anhanguera Educacional, disciplinas de Diversidade e Inclusão e Segurança Psicológica. Professor do MBA da FIAP de Gestão Estratégica de Negócios da disciplina de Diversidade, Equidade e Inclusão. Coordenador do MBA Executivo de Diversidade Estratégica e Cultura Inclusiva na Anhanguera Educacional. Colunista da plataforma de desenvolvimento Cloud Coaching. Coautor dos livros: Segredos do sucesso: da teoria ao topo. Gestão Humanizada de Pessoas. O Matuto Corporativo. Coordenador e coautor dos livros Diversidade em suas dimensões – Volume I, II e III.
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