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35 Anos da Lei de Cotas: Por que o Brasil Ainda Não Cumpriu Essa Promessa?

Após 35 anos, a Lei de Cotas ainda não cumpriu todo o seu potencial. Entenda como capacitismo, falta de acessibilidade e precarização do trabalho limitam a inclusão de pessoas com deficiência e o que empresas e lideranças precisam fazer.

Lei de Cotas: 35 Anos de uma Promessa Ainda Não Cumprida

35 Anos da Lei de Cotas: Por que o Brasil Ainda Não Cumpriu Essa Promessa?

A Lei nº 8.213/1991, conhecida como Lei de Cotas para Pessoas com Deficiência (PcD), prevê a obrigatoriedade de as empresas com mais de 100 funcionários contratarem pessoas com deficiência proporcionalmente à quantidade de colaboradores em regime CLT, da seguinte forma:

  • De 100 a 200 funcionários – 2%;
  • De 201 a 500 funcionários – 3%;
  • De 501 a 1.000 funcionários – 4%;
  • Acima de 1.000 funcionários – 5%.

Ela é um marco que deve ser comemorado, pois, não fosse a Lei de Cotas, a situação das pessoas com deficiência seria ainda mais delicada. Afinal, foi a partir dela que as empresas se movimentaram para contratá-las.

O Brasil possui cerca de 759 mil pessoas com deficiência (PcD) com vínculo formal de trabalho sob o regime da CLT, segundo levantamentos recentes do DIEESE com base na RAIS do Ministério do Trabalho e Emprego (acesse). Esse total equivale a aproximadamente 1% dos empregados formais no país.

É importante lembrar que o país tem cerca de 14 milhões de pessoas com deficiência (7,3% da população), o que indica que o número de contratados ainda está abaixo do potencial da Lei de Cotas. Caso as empresas a cumprissem integralmente, a lei possibilitaria mais de 1 milhão de postos de trabalho formais ocupados.

O descumprimento da lei em sua integralidade manifesta-se de diversas formas:


* O Capacitismo Estrutural:

A principal barreira para o preenchimento das cotas não é a ausência de profissionais, mas o preconceito velado. Frequentemente, empresas concentram as contratações de pessoas com deficiência em áreas operacionais, reflexo do desconhecimento e do viés de que pessoas com deficiência são incapazes de assumir atividades complexas e/ou de maior responsabilidade. A escassez de pessoas com deficiência em cargos de liderança evidencia claramente esse cenário. Segundo o DIEESE, apenas uma em cada 29 pessoas com deficiência ocupava cargo de direção ou gerência.


* Acessibilidade Negligenciada:

A reserva da vaga, por si só, é insuficiente e ineficaz quando a empresa não promove, ao menos, a acessibilidade razoável do ambiente. Isso inclui áreas de circulação amplas e sem desníveis, banheiros adaptados e acessíveis, softwares corporativos, interpretação em Libras e, principalmente, acessibilidade atitudinal. Essa indiferença impacta diretamente o senso de pertencimento, a motivação e a produtividade das pessoas com deficiência.


* Subterfúgios Trabalhistas e Pejotização:

O avanço de modelos flexíveis de contratação e a precarização das relações de trabalho têm sido utilizados para mascarar os cálculos reais do quadro de funcionários, reduzindo artificialmente o número de vagas obrigatoriamente destinadas às cotas. Além disso, assiste-se recorrentemente a tentativas de flexibilização da lei sob a justificativa de “dificuldades de mercado”. Aceitar essa narrativa significa normalizar a exclusão.


E qual caminho devemos trilhar para mudar essa realidade?

O primeiro passo é compreender que a agenda de Diversidade, Equidade e Inclusão não pode ser vista como um projeto, que tem começo, meio e fim, mas, como um programa contínuo vinculado aos valores organizacionais.

Engajar as lideranças para que atuem de acordo com os princípios da liderança inclusiva, formem equipes diversas, pratiquem a escuta ativa, valorizem as pessoas, respeitem as diferenças e inspirem suas equipes.

Criar comitês de afinidade com pessoas com deficiência para envolvê-las nas ações de construção de ambientes acolhedores. Uma frase que deve se tornar prática é: “Nada sobre nós, sem nós”.

Criar métodos e ferramentas de diagnóstico para compreender o cenário em que a empresa se encontra, elaborar planos consistentes, executáveis e reais, definir metas gradativas e atingíveis, bem como estabelecer indicadores que permitam acompanhar as ações.


Conclusão

Celebrar os 35 anos da Lei de Cotas deve ser um ato de cobrança e renovação do compromisso social. A legislação provou sua importância vital ao longo de mais de três décadas. Contudo, sua eficácia continuará limitada enquanto o mercado encarar sua obrigatoriedade como um encargo burocrático e não como uma diretriz de equidade.

Cumprir a Lei de Cotas em sua integralidade exige o fortalecimento dos mecanismos estatais de fiscalização e o investimento sério em educação inclusiva e acessibilidade. Somente quando o direito ao trabalho deixar de ser negado pela omissão e pelo preconceito é que a igualdade de oportunidades deixará de ser uma abstração legislativa para se tornar uma conquista concreta de toda a sociedade brasileira.


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Quer saber mais sobre como transformar a Lei de Cotas 8213/1991 em uma estratégia real de inclusão, equidade e valorização das pessoas com deficiência nas organizações? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.

Luciano Amato
http://www.trainingpeople.com.br/

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Pós-Graduado em Tecnologia Assistiva pela FMABC/ ITS/ Fundação Don Carlo Gnocchi. Pós-graduado em Psicologia Organizacional pela UMESP e Graduado em Psicologia pela UNIMARCO. Extensão em Gestão de Diversidade pela PUC. Credenciado em Holomentoring, Coaching e Advice pelo Instituto Holos. Formação em Coaching Profissional pela Crescimentum. Formação em Facilitação Digital pela Crescimentum, Formação em RH e Mindset Ágil pela Crescimentum. Formado como analista DISC. Vivência de 30 anos na área de RH em empresas como Di Cicco., Laboratório Delboni Auriemo, Wal Mart, Compugraf, Mestra Segurança do Trabalho. Presidente e Fundador do Instituto Bússola Jovem (2016 a 2025), projeto social com foco em jovens em situação de vulnerabilidade social que tem por missão transformar vidas através da Educação, Empregabilidade, Orientação de Carreira e Saúde Mental. Atualmente é Diretor da TRAINING PEOPLE, empresa especializada em Implantação de Programas de Diversidade, Equidade e Inclusão que atua em 3 frentes: Processos, Ambiente e Pessoas por meio de projetos de consultorias especializadas, palestras, treinamentos e jogos corporativos. Professor do MBA de “Inteligência Artificial Aplicada a Gestão de Pessoas e Negócios” da Anhanguera Educacional, disciplinas de Diversidade e Inclusão e Segurança Psicológica. Professor do MBA da FIAP de Gestão Estratégica de Negócios da disciplina de Diversidade, Equidade e Inclusão. Coordenador do MBA Executivo de Diversidade Estratégica e Cultura Inclusiva na Anhanguera Educacional. Colunista da plataforma de desenvolvimento Cloud Coaching. Coautor dos livros: Segredos do sucesso: da teoria ao topo. Gestão Humanizada de Pessoas. O Matuto Corporativo. Coordenador e coautor dos livros Diversidade em suas dimensões – Volume I, II e III.
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