
IA e Autenticidade: A Mimetização da Profundidade na Escrita
Recentemente, recebi uma provocação instigante — e confesso, emocionante — de meu afilhado que trabalha na Google, lá nos EUA. Ele, mergulhado nas águas da inovação digital, criou o que chamou de “Gerador de Mario Divo”. Utilizando o Gemini, ele alimentou uma inteligência artificial com todos os meus artigos escritos, entre 2022 e 2025, para a Cloud Coaching. A isso, ele alimentou com outras publicações minhas em outros espaços, além de artigos de mídia que se referiam a mim de alguma forma.
Mas qual o objetivo disso?
Criar um “Gem”, uma persona digital capaz de replicar meu estilo, meus maneirismos e, quem sabe, minha forma de ver o mundo. Em outras palavras, um avatar escritor do Mario Divo. Essa experiência nos coloca diante de um espelho e nos obriga a questionar: até que ponto um algoritmo, por mais especializado que seja, pode capturar a essência da escrita humana? E, mais importante, qual o preço que pagamos (ou pagaremos) pela diluição da fronteira entre o real e o simulado?
A Inteligência Artificial Generativa trabalha com o que chamamos de padrões estatísticos. Ao analisar meus textos e as referências de terceiros, ela identifica minha predileção por determinados temas na fronteira do conhecimento, minhas metáforas, minha insistência na agenda ASGI (onde o “I” de Integridade é inegociável) e minha busca constante pelo equilíbrio entre razão e emoção. Ela aprende a “escrever como o Mario Divo”, mas será que ela consegue “transmitir emoção como o Mario Divo”?
Escrever não é apenas organizar palavras de forma lógica; é um ato de vulnerabilidade. Como mencionei em meus textos sobre o método DOQ (Domínio da Organização da Qualidade, focado no poder da linguagem), a palavra carrega uma intenção que nasce da experiência vivida, da dor, do sucesso e daquele “chute perfeito” que só a prática da vida consegue ensinar.
O algoritmo é um mestre da análise e da síntese, mas a profundidade humana reside na “consciência ética” e na capacidade de atribuir significado ao invisível — algo que a IA, por mais avançada que seja, ainda mimetiza sem de fato possuir.
O uso indevido da IA generativa cria um ruído ensurdecedor na sociedade.
Quando perdemos a capacidade de distinguir o que é fruto da criação humana daquilo que é fruto de um processamento de dados, corremos o risco de cair no chamado “Colapso da Verdade”.
Entramos numa era onde a confiança, a base de qualquer relacionamento humano ou comercial, está sob ataque. Se o “Gerador de Mario Divo” pode escrever um artigo, como o leitor poderá saber se sou eu quem está do outro lado? Ou foi o avatar do Mario Divo quem produziu este conteúdo?
Algumas premissas estabelecidas na comunicação humana que começam a ser afetadas pelo risco do “Colapso da Verdade”:
- A Quebra do Contrato Social: A sociedade se baseia na premissa de que a comunicação é uma ponte entre duas consciências. Se uma delas é um código, a conexão se torna transacional, não mais relacional;
- A Crise da Autenticidade: No artigo sobre a Creator Economy, publicado na Cloud Coaching em 20/09/2024, destaquei que o valor da comunicação dos criadores de conteúdo está na autenticidade (ou seja, eles são capazes de construir audiência própria). Se a IA “democratiza” a criação a ponto de torná-la infinita e impessoal, o valor da voz única do criador é colocada em dúvida e o valor se dilui;
- O Paradoxo da Escolha Digital: Diante de tantas versões de uma mesma “verdade”, o indivíduo pode paralisar ou, pior, isolar-se em bolhas de realidades fabricadas, perdendo a visão que tanto defendemos para o futuro.
Não se pode ser contra a tecnologia. Pelo contrário, o biohacking e a neurotecnologia são exemplos de como ferramentas incríveis estão se vinculando à evolução humana. O “Gerador de Mario Divo” é uma ferramenta fantástica de produtividade, um exercício de foresight admirável. Efetivamente, pode me ajudar a organizar ideias ou a explorar novos ângulos sobre a gestão de pessoas e a comunicação entre elas.
No entanto, o capitão do veleiro deve permanecer humano.
O algoritmo pode prever a direção do vento, mas é a intuição, temperada pela sabedoria histórica e pela flexibilidade psicológica, que decide para onde o barco deve navegar. O grande desafio, doravante, não será aprender a usar a IA, mas sim aprender a não perder a humanidade enquanto a usamos. Precisamos de uma “Inteligência Artificial Consciente”, como escrevi recentemente, que sirva de suporte à nossa evolução e não de substituta para a nossa alma.
Agradeço ao meu afilhado por essa brincadeira que, ao final de tudo, é muito atual e tão séria. Ela me prova que, embora o algoritmo possa copiar o meu “jeito”, a decisão de escrever com propósito e ética continua sendo o meu superpoder mais humano.
E você, meu caro leitor, está pronto para ser o autor da sua própria história em um mundo de geradores automáticos? Ao escrever, prefere ter um avatar seu para construir o texto e depois humanizá-lo ao seu gosto e jeito?
Eu sou Mario Divo e posso ser encontrado pelas mídias sociais ou pelo site www.mariodivo.com.br.
Gostou do artigo?
Quer saber mais sobre como usar a IA sem perder autenticidade, consciência ética e humanidade na escrita? Então, entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Até nossa próxima postagem!
Mario Divo
https://www.mariodivo.com.br
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