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Hoje vai dar polêmica!

Como se dá a oferta de cursos para Coaches? Procure no Google e veja o que aparece. São mais de 330 mil citações, 11 mil só no Brasil. Serão verdadeiras as promessas de futuro dadas pela obtenção da certificação?

O título do meu artigo de hoje já antecipa que o conteúdo “vai dar polêmica”. Cada um dos leitores pode concordar ou não comigo, mas cabe refletir de maneira objetiva, realista e com a preocupação de quem quer contribuir para um contexto da mais alta responsabilidade quanto ao Coaching.

Pergunto: o leitor tem acompanhado como se dá a oferta de cursos para Coaches? Entre no Google, escreva “Formação em Coaching no Brasil” (entre aspas) e veja o que aparece. São mais de 11 mil citações (se você tirar a referência “Brasil” o número ultrapassa 330 mil). Depois, clique em alguns dos resultados e vá conhecer a promessa de futuro dada pela obtenção de uma certificação de Coach profissional. Aliás, em alguns casos, o status cresce com a “certificação internacional”.

O sítio administradores.com.br (o portal tem mais de uma década e conquistou grande aceitação na área de gestão de empresas e negócios) tem um artigo comparando as metodologias e cargas horárias de cursos de formação em Coaching. Ali, o autor reforça o fato preocupante de que a carreira de Coach vem sendo amplamente oferecida como a oportunidade de juntar altos ganhos e um trabalho que não é desgastante. E essa oferta fica ainda mais perigosa ao motivar as pessoas a ganharem “facilmente” R$ 250 por hora de sessão. Como fica a estrutura emocional de alguém que, ganhando R$ 6 mil por mês, faz as contas e vê que nessa atividade atual ganha cerca de R$ 35 por hora? Para quem ganha menos de R$ 6 mil, então, o Coaching parecerá um “prêmio de loteria”?

Continuando a comparação, temos no Brasil médicos, dentistas, psicólogos, advogados e terapeutas que não ganham R$ 250 por consulta, e ainda devem pagar os seus custos de salas e instalações equipadas para o atendimento. Depois, como explicar as diferenças de metodologia aplicadas na formação e na variedade de cargas horárias para construir esse novo profissional chamado Coach? Será que se pode confiar cegamente na competência da instituição formadora ou já se percebe que, nas sombras de toda a publicidade, há a expectativa de altos ganhos com salas lotadas por dezenas e dezenas de interessados em abraçar a nova carreira de Coach?

Você já viu algum anúncio de formação avisar que essa opção é séria e obrigará o novo profissional a desenvolver muitos estudos para aperfeiçoar-se e alcançar mais competências? Enfim, a onda formadora de Coaches ainda está presente no cotidiano do mercado e das empresas. Mas se as oportunidades mostram-se positivas, e muitas empresas ou pessoas demandam a contratação de um bom Coach, por outro lado é a responsabilidade de todos nós não deixarmos que essa atividade profissional seja tratada de forma simplista e irresponsável. Ou que seja até comparada como mais uma forma questionável de autoajuda.  Pior ainda, que o Coach seja tratado como o guru com quem o Coachee resolve tudo em agradável, dinâmico e interessante bate-papo.

O meu esforço, aqui no espaço cedido pela equipe do Cloud Coaching, é lembrar que há pessoas e instituições sérias, que trabalham com o Coaching de forma muito profunda e na fronteira do conhecimento. Que, pelo mundo, há bastante investimento em pesquisas científicas para que a prática do Coaching seja valorizada, não pelo dinheiro que envolve, mas pela possibilidade que abre para as pessoas e as empresas encontrarem os caminhos que as levem ao objetivo desejado.

Fica aqui o meu convite para que os leitores também se engajem a motivar qualquer Coach que conheçam a se aperfeiçoar continuamente. Se ele (ou ela) um dia foi enganado(a) pela publicidade de uma instituição que lhe ministrou um curso nada construtivo, que agora do limão faça a limonada e invista em aprender sempre mais. Se o curso foi exemplar, tanto melhor. Aperfeiçoamento constante, em nome do Coaching, para o bem de clientes atuais e futuros e, principalmente, para a satisfação pessoal de, a cada dia, poder servir melhor o ser humano.

Mario Divo Author
Mario Divo tem extensa experiência profissional, tendo chegado a quase meio século de atividade ininterrupta, em 2020. É PhD e MSc pela Fundação Getulio Vargas, com foco em Gestão de Negócios, Marcas e Design, Marketing e Comunicação Corporativa. Tem formação como Master Coach, Mentor e Adviser pela Sociedade Brasileira de Coaching e pelo Instituto Holos. Consultor credenciado para aplicação do diagnóstico meet® (Modular Entreprise Evaluation Tool), Professor e Palestrante. CEO e Coordenador Executivo das plataformas de negócios MENTALFUT® e Dimensões de Sucesso®, acumulando com o comando da sua empresa MDM Assessoria em Negócios. Foi Diretor Executivo do Automóvel Clube Brasileiro e Clube Correspondente da FIA – Federação Internacional do Automóvel, no Brasil. Foi titular do Planejamento de Comunicação Social da Presidência da República (1997-1998) e, anteriormente, comandou a Comunicação Institucional da Petrobras. Liderou a Comunicação Institucional e a Área de Novos Negócios da Petrobras Internacional. Foi Presidente da Associação Brasileira de Marketing & Negócios, Diretor da Associação Brasileira de Anunciantes e, também, Conselheiro da Câmara Brasileira do Livro. Primeiro brasileiro no Global Hall of Fame da Aiesec International, entidade presente em 2400 instituições de ensino superior em 126 países e territórios, voltada ao desenvolvimento das potencialidades das jovens lideranças em todo o mundo.
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