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Que Futuro Espera o Mercado de Trabalho?

O mercado de trabalho já viveu alarmes tecnológicos antes. Descubra o que a história revela sobre IA, geopolítica, requalificação e os riscos que podem transformar empregos, empresas e decisões estratégicas até 2030.

Mercado de Trabalho: O Que a História Revela Sobre o Futuro

Que Futuro Espera o Mercado de Trabalho?

Cientistas de renome assinam uma carta de alerta. O documento, distribuído a autoridades do mais alto escalão do governo, descreve uma tecnologia que avança rápido demais para as instituições acompanharem. Trata-se de uma “capacidade produtiva quase ilimitada”, capaz de substituir o trabalho humano em ritmo sem precedentes na história.

Não é ficção científica, é realidade. Entre os cientistas, dois vencedores do Prêmio Nobel. A imprensa vinha alertando que, se a automação continuasse avançando, seria o fim de milhões de empregos. A sociedade precisaria, então, encontrar formas de lidar com aqueles que fossem substituídos pelas máquinas.

A partir daqui, a história já começa a ficar um pouco diferente do cenário que você está imaginando:

A pressão pública funciona. O presidente do país assina uma lei. A medida cria uma comissão para investigar o impacto da nova tecnologia sobre o emprego, a renda e a estrutura social do país. A comissão reúne economistas, líderes sindicais e um dos executivos mais poderosos da indústria de tecnologia do momento. O grupo deve responder a duas perguntas: quantos empregos essa tecnologia vai destruir? E o que fazer com quem for deslocado?

Já deu para ver que essa não é a história dos nossos dias, apesar das muitas semelhanças. Ela aconteceu no começo dos anos 60 e o medo não era da Inteligência Artificial, mas de computadores e automação industrial.

A carta foi enviada ao presidente americano Lyndon Johnson em 22 de março de 1964 pelo “Ad Hoc Committee on the Triple Revolution”. Entre os signatários estava o químico Linus Pauling. A comissão criada em resposta — a National Commission on Technology, Automation, and Economic Progress — publicaria seu relatório final dois anos depois, em fevereiro de 1966. Naquele momento, o desemprego americano havia caído para 3,8%, o menor nível em anos.

Só para contextualizar, no início dos anos 1960, os Estados Unidos tinham visto o desemprego subir de 5,0% em junho de 1959 para 7,1% em maio de 1961. Décadas depois, o sociólogo Daniel Bell, um dos participantes da comissão, reconheceu que o alarme não passou de exagero.

Mas, para nós, vivendo hoje uma situação parecida, muitos com medo do futuro, vale a pena essa olhada para o passado?

A gente sempre quer achar que a época em que estamos vivendo é diferente de todas as outras. Mas e se dessa vez for mesmo? O Global Risks Report 2026, publicado em janeiro pelo Fórum Econômico Mundial (WEF) com base em mais de 1.300 especialistas consultados na Global Risks Perception Survey, observa que, se sistemas de IA continuarem avançando do jeito que estão e com autonomia, essa evolução pode deixar de seguir o ritmo que caracterizou todas as transições tecnológicas até aqui, incluindo a do caso dos anos 60.

O relatório batiza o período atual de “era da competição”. Metade dos participantes da pesquisa descreve o panorama global dos próximos dois anos como “turbulento” ou “tempestuoso”. E esse número sobe para 57% quando a pergunta é sobre os próximos dez anos.

O risco apontado como mais provável de detonar uma crise global em 2026 é a confrontação geoeconômica, que pode incluir tarifas e barreiras comerciais (Trump está aí para provar), sanções econômicas e disputa por recursos estratégicos (energia e terras raras, por exemplo). Essa opção ficou à frente até de guerras.

Se você pensa em cenários de trabalho, tudo isso importa, porque a geopolítica já deixou de ser um pano de fundo distante e passou a ser uma variável de planejamento direto.

Cadeias de suprimentos, políticas de imigração de mão de obra qualificada, regulação de dados e de IA, tarifas e controles de exportação, entre outros assuntos, tudo isso se decide hoje em um fenômeno descrito como “multipolaridade sem multilateralismo”: múltiplos polos de poder, sem as instituições que antes coordenavam regras comuns entre eles.

Para organizações e trabalhadores, isso significa incerteza estrutural, com as regras do jogo podendo mudar a qualquer momento, seja porque alguém resolveu começar uma guerra ou porque resolveu aplicar tarifas aleatórias. E quando existe no mundo alguém com poder para fazer essas duas coisas, tudo fica mais complicado.

O relatório cita uma estimativa, também do WEF, que prevê 170 milhões de novos postos de trabalho até 2030. Em contrapartida, a mesma estimativa projeta o deslocamento de 92 milhões de posições, resultando em um saldo líquido positivo de 78 milhões de empregos globalmente. Essa projeção parte de um cenário de base em que 86% das empresas no mundo esperam que a IA transforme seus modelos de negócio até 2030. O percentual sobe para 97% no setor financeiro e 99% em tecnologia da informação.

No entanto, são apenas estimativas que ainda dependem de muitas variáveis. A maior parte delas relacionada exatamente à geopolítica, mas também a fatores como volatilidade econômica e transição energética.

Existem outros, claro, mas, sejam quais forem esses elementos, eles não podem ser encarados apenas como fatores externos. Eles fazem parte do ambiente que toda organização precisa levar em conta em qualquer planejamento para não perder relevância. Ou para não deixar de existir, em casos mais extremos. Uma empresa que trata requalificação como despesa de RH e não como resposta a uma mudança estrutural do seu ambiente competitivo provavelmente está vivendo um mundo que já não existe mais.

Em 1966, a comissão de Lyndon Johnson fechou seu relatório com o desemprego em queda, o que fazia o alarme de 1964 parecer exagerado já naquele momento. Não há garantia de que a história se repita dessa forma em 2030.E é exatamente essa incerteza, não uma previsão pronta, que o Global Risks Report 2026 está descrevendo.

Nesse mundo, entre a aceleração da IA e uma geopolítica que pode mudar da noite para o dia, se preparar para as incertezas e desconfiar de todas as certezas talvez seja o melhor caminho.


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Quer saber mais sobre como se preparar para o futuro do mercado de trabalho em que IA, geopolítica e transformação tornam as certezas cada vez mais frágeis? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.

Marco Ornellas
https://www.ornellas.com.br/

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Marco Ornellas é Psicólogo, Master of Science in Behavior pela California American University e Mestre em Biologia-Cultural pela Universidad Mayor do Chile e Escuela Matrizstica. Pós em Neurociência e o Futuro Sustentado de Pessoas e Organizações.Consultor, Coach, Designer Organizacional, Palestrante e Facilitador de Grupos e Workshops em temas como Liderança, Complexidade, Gestão, Desenvolvimento de Equipes, Inovação e Consultor em Design da Cultura Organizacional.Autor dos Livros: DesigneRHs para um Novo Mundo, Uma nova (des)ordem organizacional e Ensaios por uma Organização Consciente.CEO da Ornellas Consulting e Ornellas Academy.
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