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Felicidade 4.0 em um mundo VUCA!

O propósito da vida é a expansão da felicidade. Mas a maioria das pessoas vive com a impressão de que ela vem do conforto material, do sucesso, acúmulo de riquezas, de ser saudável e ter bons relacionamentos.

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Dias atrás, no Espaço do Coach, eu postei conteúdo explorando o fato de os países nórdicos, mais uma vez, terem ocupado os primeiros lugares quando o tema é a Felicidade de seus povos. Ficou evidente que a “Educação”, em um conceito robusto e amplo, tem peso fundamental na ”Felicidade” e no “Bem-estar”, gerando oportunidades interessantes aos profissionais de Coaching, Mentoria e RH: criem e motivem programas de Educação nas empresas e instituições, de forma a envolverem os clientes em vários tipos de aprendizagem. Não restritos à aprendizagem formal, os gestores e demais lideranças terão motivação para concretizar ímpetos criativos e inovadores. E com a sensação de alcançar a “Felicidade” e o “Bem-estar”, a produtividade aparecerá, a empresa crescerá e toda a sociedade se beneficiará com essa integração plena.

Porém, alguém poderia criticar aquela minha postagem por fazer referência a um fato, sem explorar caminhos e dicas que podem nos ajudar a conquistar a “Felicidade 4.0” em um mundo volátil e complexo. Em outras palavras, há algum método ou prática que podemos exercitar nessa busca de algo tão mágico e desejado? Em tempo, antes que me acusem de desconhecer aspectos geográficos internacionais, quero lembrar que os países nórdicos são Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia, além de outras regiões autônomas. Porém, no estrito senso, países escandinavos não incluem a Finlândia e a Islândia.

Feita a observação, vamos começar este jogo interessante, tanto mais sendo eu um apaixonado por tudo o que acontece naquele maravilhoso lado do mundo. Para informação geral, a Finlândia foi a vencedora mais uma vez no quesito “Felicidade”, o que valoriza esse país classificado como o mais estável, mais seguro e melhor governado do mundo. Está também entre os menos corruptos, os mais socialmente progressistas e com a polícia mais confiável do mundo. Ainda que seja onde se paga imposto em nível muito alto, os finlandeses entendem que os investimentos públicos são de qualidade, com saúde e ensino de alto nível.

Então, procurei identificar algumas atitudes (ou se quiser, chame de hábitos) que são muito importantes para um nórdico construir essa tal de “Felicidade”. Garanto que, se o leitor aplicar essas ideias no seu cotidiano, diminuirá o estresse e construirá uma ponte segura para viver plenamente seu dia a dia. Eis cinco dicas:

1ª) Pratique o que, em finlandês, chama-se SISU, conceito com mais de 500 anos e de difícil tradução (dizem ser tão simples que, por vezes, torna-se necessário um livro para explicá-lo). Assim, sisu vem de uma raiz etimológica finlandesa que significa “de dentro de si”, sendo, às vezes, traduzido por “coragem” ou “força interior”. O convite sempre presente é para que todas as pessoas procurem praticar o seu próprio sisu, mantendo a mentalidade orientada para a ação. Uma pessoa não se vangloria de ter sisu; ela simplesmente deixa suas ações falarem por si. Esse conceito também pode ajudar as pessoas a enfrentarem obstáculos mais comuns, contribuir para o bem-estar físico e mental, e ainda ajudar na comunicação com familiares e seus colegas.

2ª) Assuma sem medo o seu LAGOM, palavra sueca que remete a um estilo de vida baseado na consciência social, na moderação e na sustentabilidade, algo que se tornou uma tendência nos países mais felizes do mundo. Essa expressão, muitas vezes, é escrita como “lar-gohm” e a pronúncia correta é “laa-gam”. Equilíbrio, moderação, saber desfrutar do momento e da situação em que você está inserido, isso é o que cada pessoa precisa para viver seu lagom. Nada a mais (o excesso não serve) e nada de menos (o que pode criar falta). Vale mesmo é a busca por harmonia e sabedoria, segundo as quais, “a quantidade justa é a melhor”. No que diz respeito ao bem-estar e à saúde, lagom sugere que a mente descanse o suficiente, o corpo faça exercícios regulares, que a alma se recarregue passando algum tempo na solidão e, tão importante quanto, materialmente, use tudo aquilo que já tem.

3ª) Os noruegueses também têm a sua palavra de difícil tradução para o português, tratando da filosofia de vida dos nórdicos. Conheça e pratique o conceito de FRILUFTSLIV, algo quase sagrado. A tradução literal de friluftsliv seria algo como “vida ao ar livre”, justamente convidando cada pessoa a se reconectar com a natureza. Muitos estudos e livros se concentraram no impacto espiritual positivo do ambiente natural sobre os seres humanos e a sua evolução. Como conceito, o friluftsliv possui um lugar marcante na cultura nórdica, profundamente enraizada na busca da unidade espiritual entre os seres humanos, os animais e a natureza.

4ª) Abrimos com a Finlândia, passamos por Suécia e Noruega, e agora chegou a vez de cada leitor conhecer e praticar o que os dinamarqueses chamam de ARBEJDSGLÆDE (pronuncia-se ah-bites-gleh-the). É um conceito de felicidade para os dinamarqueses que, como os demais nórdicos, sempre estão no topo dos países mais felizes no trabalho. Para chegar ao arbejdsglæde é fundamental responder honestamente à seguinte pergunta: por que eu trabalho onde eu trabalho? Identifique as vantagens oriundas de seu emprego, construa relações harmoniosas com os colegas e superiores, realize as tarefas de maneira consciente e melhore sempre suas habilidades. Se isso for impossível no seu entendimento, chegou a hora de pensar em mudar de trabalho. Afinal, segundo os dinamarqueses, uma pessoa só está verdadeiramente feliz quando mantém a alegria ao ir e vir do trabalho. Aparentemente há palavras semelhantes em outras línguas escandinavas, em holandês (arbeidsvreugde) e, também, em alemão (arbeitszufriedenheit).

5ª) Para finalizar, vou apresentar um conceito que nasceu originalmente da Holanda, mas tem muita presença também na vida dos nórdicos. GEZELLIGHEID (pronuncia-se ɣəzɛləxɛit), a depender da situação, significa convivência, aconchego ou diversão. A palavra serve para descrever uma situação social, com relax e tempo gasto entre amigos ou familiares, com uma sensação calorosa. Todas as descrições de gezelligheid são associadas a uma atmosfera positiva, com vibração favorável em contextos sociais. Sendo noção forte, porém abstrata, gezelligheid é um exemplo de intraduzibilidade, mas que vive na alma da cultura nórdica.

Finalizando, em seu livro O Caminho para a Felicidade Suprema, Deepak Chopra aponta que “…o propósito da vida é a expansão da felicidade. Mas a maioria das pessoas vive com a impressão de que ela vem do conforto material, do sucesso, acúmulo de riquezas, de ser saudável e ter bons relacionamentos”. O autor ainda acrescenta que a felicidade é o que todos almejam, porém obtê-la parece quase impossível. Mas ele aponta como chave essencial para se alcançar a felicidade, em linguagem e abordagem próprias, algo que está perfeitamente alinhado com aquilo que, há séculos, a cultura nórdica pratica e ensina ao mundo.

Portanto, no mundo VUCA cheio de tecnologias, redes digitais, dinâmicas e ambiguidades, ainda assim é possível ser muito feliz conjugando sua vida a partir destas cinco palavras mágicas: sisu, lagom, friluftsliv, arbejdsglæde e gezelligheid. Você, coach ou mentor, topa seguir pelo caminho do povo mais feliz do mundo?

Mario Divo Author
Mario Divo tem incrível experiência profissional, tendo chegado a meio século de atividade ininterrupta, em 2019. É PhD e MSc pela Fundação Getulio Vargas, com foco em Gestão de Negócios, Marcas e Design, Marketing e Comunicação Corporativa. Tem formação como Master Coach, Mentor e Adviser pela Sociedade Brasileira de Coaching e pelo Instituto Holos. Consultor credenciado para aplicação do diagnóstico meet® (Modular Entreprise Evaluation Tool), Professor e Palestrante. CEO e Coordenador Executivo da plataforma Dimensões de Sucesso, acumulando com o comando da MDM Assessoria em Negócios. Foi Diretor Executivo do Automóvel Clube Brasileiro e Clube Correspondente da FIA – Federação Internacional do Automóvel, no Brasil. Foi titular do Planejamento de Comunicação Social da Presidência da República (1997-1998) e, anteriormente, comandou a Comunicação Institucional da Petrobras. Liderou a Comunicação Institucional e a Área de Novos Negócios da Petrobras Internacional. Foi Presidente da Associação Brasileira de Marketing & Negócios, Diretor da Associação Brasileira de Anunciantes e, também, Conselheiro da Câmara Brasileira do Livro. Primeiro brasileiro no Global Hall of Fame da Aiesec International, entidade presente em 2400 instituições de ensino superior em 126 países e territórios, voltada ao desenvolvimento das potencialidades das jovens lideranças em todo o mundo.
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