Explorando o simbolismo do Sim e do Não!

Hoje em dia há um culto em torno dos profissionais que sistematicamente falam “não”. Os profissionais que constroem o mundo são aqueles que até sabem dizer “não”, quando a situação assim sugere, mas conseguem arregaçar as mangas e enfrentar os riscos ao saírem da mesmice do dia a dia.

Começo por avisar os amigos leitores do Espaço do Coach que, depois de tanto tempo mantendo postagem semanal (quase sempre regular, com exceções devidas a imprevistos), passaremos a ter periodicidade quinzenal. Com a criação e operacionalidade da plataforma de desenvolvimento e competências em Coaching, como vocês têm acompanhado desde o lançamento, eu dividirei meu tempo em três frentes (Espaço do Coach, Plataforma Tecnológica e o Dimensões de Sucesso). Portanto, fica o convite a que continuem me acompanhando e comentando meus textos, combinado?

Hoje eu vou me estender um pouco além do que estou acostumado a fazer. A motivação começou quando eu li uma postagem em grupo de discussão do Linkedin, pelo qual o autor questionava “com quantos nãos se faz um fracasso”. Resumidamente, Claudio Odri se mostrava indignado com o culto que hoje existe em torno dos profissionais que sistematicamente falam “não”.  Na visão crítica dele (e nas palavras dele), “esse culto ao não transforma tudo em detalhe”. A aceitação pura e simples ao “não” certamente cria o caminho para que, partindo de situações menos importantes rapidamente se chegará a atitudes graves e com consequências sérias. Assim como ele, nossa geração foi preparada para competir e tentar vencer. Podemos até perder, e isto é natural do jogo, mas sem deixar traumas.

Essa indignação do Cláudio Odri nasceu de postagem de Lucy Kellaway, colunista do “Financial Times” e que assina semanalmente a editoria Carreira do Valor Econômico. Ela parte de um princípio, absolutamente questionável, de que as pessoas mais bem-sucedidas são aquelas que dizem “não” contínua e frequentemente. Para ela, dizer “não” está na moda e mostra-se o novo ”sim” como resposta descolada, que abre a possibilidade de se usar o tempo para aquilo que realmente importa na vida de uma pessoa. Indo além nessa sua defesa do “não”, Lucy se alia àqueles que defendem uma bela celebração toda vez que se disser um “não”, sem mesmo ter que encontrar razões ou justificar.

Na defesa de sua tese, Lucy cita o Museu do Fracasso, uma iniciativa sueca para mostrar inovações que não deram certo, na maioria das vezes relacionadas com empresas globais. A expectativa dos criadores do museu é mostrar que o fracasso pode se transformar em sucesso a partir de uma aprendizagem. Então, concordo com o Claudio quanto ao fato de que o sucesso está no aprendizado que vem do fracasso. E discordo da visão simplista e “nãoista” de Lucy.

O que eu percebo, hoje em dia, e meus cabelos grisalhos me ajudam a comprovar, é que o “não” sistemático é sinônimo de incompetência, medo, falta de compromisso, insegurança e, eventualmente, tudo isso junto. Encontro, mesmo em postos-chave de grandes empresas, profissionais que fogem de todo e qualquer tipo de decisão, pois assim ficam longe de possíveis fracassos. Os profissionais que constroem o mundo são aqueles que até sabem dizer “não”, quando a situação assim sugere, mas conseguem arregaçar as mangas e enfrentar os riscos ao saírem da mesmice do dia a dia. Os “nãoistas”, em minha opinião, querem apenas benesses e bônus, sem se aventurar pelos riscos e buscarem os ônus.

Finalizando, por vezes Lucy tentou fazer graça em seu texto, com o interesse de mostrar que o “não” é a base do sucesso da nova geração. Claudio se contrapôs com certo cuidado, mostrando outra forma de ver a questão. E como vocês leitores sabem que eu não sou politicamente correto nas minhas análises, ainda que preservando a boa práxis e a educação, acho que essa questão só serve para criar paradigmas de comportamento absurdo. Não é possível acreditar que o “sim” ou o “não” possam ganhar mais importância, em si mesmos, do que na devida e correta avaliação do contexto em que eles estão sendo aplicados. Gravem isto: os mais bem-sucedidos sabem quando a situação, contexto, abordagem, pergunta ou demanda merece o “sim” ou o “não”. Sabem decidir pelo que é melhor, não pelo que é cômodo!

Mario Divo Author
Mario Divo tem incrível experiência profissional, tendo chegado a meio século de atividade ininterrupta, em 2019. É PhD e MSc pela Fundação Getulio Vargas, com foco em Gestão de Negócios, Marcas e Design, Marketing e Comunicação Corporativa. Tem formação como Master Coach, Mentor e Adviser pela Sociedade Brasileira de Coaching e pelo Instituto Holos. Consultor credenciado para aplicação do diagnóstico meet® (Modular Entreprise Evaluation Tool), Professor e Palestrante. CEO e Coordenador Executivo da plataforma Dimensões de Sucesso, acumulando com o comando da MDM Assessoria em Negócios. Foi Diretor Executivo do Automóvel Clube Brasileiro e Clube Correspondente da FIA – Federação Internacional do Automóvel, no Brasil. Foi titular do Planejamento de Comunicação Social da Presidência da República (1997-1998) e, anteriormente, comandou a Comunicação Institucional da Petrobras. Liderou a Comunicação Institucional e a Área de Novos Negócios da Petrobras Internacional. Foi Presidente da Associação Brasileira de Marketing & Negócios, Diretor da Associação Brasileira de Anunciantes e, também, Conselheiro da Câmara Brasileira do Livro. Primeiro brasileiro no Global Hall of Fame da Aiesec International, entidade presente em 2400 instituições de ensino superior em 126 países e territórios, voltada ao desenvolvimento das potencialidades das jovens lideranças em todo o mundo.
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