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O Mercado Descartou Você na Hora Errada — e Isso Tem um Custo

Etarismo começa antes do que todo mundo pensa e custa caro às empresas. Entenda por que descartar profissionais experientes reduz repertório, aumenta erros e desperdiça oportunidades num mercado que ainda confunde idade com falta de valor.

Etarismo e o Custo Invisível de Descartar a Experiência - O Mercado Descartou Você na Hora Errada — e Isso Tem um Custo

O Mercado Descartou Você na Hora Errada — e Isso Tem um Custo

Olá,

 

Sou Juliana Ramalho, CEO e fundadora da Talento Sênior, engenheira pela Poli-USP com MBA pela Columbia Business School e 20 anos de experiência no mercado financeiro.

 

Foi dentro do próprio mercado que percebi um padrão que não conseguia ignorar: profissionais brilhantes sendo descartados no momento em que tinham mais a oferecer. Não por falta de capacidade — mas porque o mercado ainda não aprendeu a usar o que já tem.

 

Essa percepção me fez largar uma carreira consolidada para criar algo novo: uma plataforma que conecta profissionais sêniores experientes a empresas que precisam crescer, no formato certo, pelo tempo certo. Hoje, com mais de 8 mil profissionais cadastrados e mais de 100 matches realizados, sei que o caminho é real — e que ele começa com uma mudança de perspectiva, não de currículo.

 

Acredito que trabalhabilidade — a capacidade de se manter ativo, relevante e bem remunerado em qualquer fase da carreira — não é um privilégio de poucos. É uma habilidade que se aprende, se pratica e se reconstrói.

 

Por isso você pode esperar nesta coluna reflexões sobre o novo mercado de trabalho, o modelo de Open Talent, e caminhos concretos para transformar décadas de experiência em oportunidade real. Sem romantismo, sem receitas prontas — com dados, referências e casos reais.

 

Seja bem-vindo de volta ao jogo.

 

Juliana Ramalho

O Mercado Descartou Você na Hora Errada — e Isso Tem um Custo

Em 1970, Simone de Beauvoir escreveu que a sociedade descarta o trabalhador assim que ele perde sua função produtiva formal. Cinquenta e cinco anos depois, continuamos a fazer exatamente isso. E agora temos os dados para provar o quanto custa.

O descarte não começa aos 60 anos. Começa aos 45.

É nessa faixa que os primeiros sinais aparecem: currículos que não voltam, processos seletivos que evaporam depois da entrevista e, além disso, reestruturações que curiosamente afetam mais quem está há mais tempo na empresa. Não é paranoia, mas um padrão documentado — e ele tem nome: etarismo.


Os números que ninguém quer ver

Em 2022, conduzimos uma pesquisa com o Vagas.com e o Colettivo que ouviu 252 profissionais de RH de empresas brasileiras e, sem dúvida, os resultados foram difíceis de ignorar.

De acordo com a pesquisa, um em cada quatro profissionais já foi demitido por conta da idade. 58% dos próprios recrutadores admitem não ter domínio suficiente do tema para contratar profissionais mais experientes. E 55% já precisaram convencer seu gestor de que valia a pena contratar alguém mais velho.

O preconceito não está escondido. Ele está no processo — normalizado, invisível, travestido de “fit cultural” ou então de “perfil mais dinâmico”.


A pergunta errada

O problema começa na métrica. A pergunta que o mercado faz é: “quantos anos você tem?” A pergunta que deveria fazer é: “que problema você já resolveu que eu ainda não consegui resolver?”

Dois profissionais com 52 anos podem estar em realidades completamente diferentes. Um com energia, repertório e vinte anos de trabalho ainda pela frente. Outro em desaceleração genuína. Tratar os dois da mesma forma não é eficiência, mas uma preguiça analítica disfarçada de critério objetivo.

A experiência não envelhece no mesmo ritmo que o corpo. E o mercado que ainda não aprendeu isso está, de fato, pagando um custo invisível: contratar alguém mais jovem para aprender o que o profissional experiente já sabe. Esse aprendizado tem um preço — em tempo, em erros, em oportunidades perdidas.


O que está começando a mudar

Existe um movimento acontecendo nas margens desse sistema. Empresas que entenderam que contratar experiência por projeto, por alguns dias por semana, para resolver um problema específico, é mais inteligente do que contratar alguém que vai levar dois anos para chegar onde o profissional experiente chega em dois meses.

Esse modelo tem nome, tem estrutura e está transformando a relação entre profissionais com trajetória e empresas que precisam crescer. No próximo artigo, vou explicar como ele funciona — e porque o profissional sênior é exatamente o perfil para o qual ele foi desenhado.

Por ora, uma pergunta para levar:

Se alguém te perguntasse hoje “que problema você resolve?” — você conseguiria responder em uma frase?

Essa frase vale mais do que qualquer currículo atualizado.


Gostou do artigo?

Quer saber mais sobre como o etarismo pode fazer empresas descartarem experiência justamente quando mais precisam dela? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em conversar a respeito.

Até a próxima edição,

Juliana Ramalho
CEO da Talento Sênior
https://talentosenior.com.br/home-seniors/ 

Não deixe de acompanhar a coluna De Volta ao Jogo.

Palavras-chave: etarismo, mercado, experiência, profissional experiente, idade, etarismo no mercado de trabalho, preconceito etário nas empresas, profissionais experientes no mercado de trabalho, contratação de profissionais seniores, como combater o etarismo nas empresas
Juliana Ramalho é CEO da Talento Sênior, plataforma de Talent as a Service que conecta profissionais sêniores a empresas em momento de virada. Engenheira pela Poli-USP, MBA pela Columbia Business School e 20 anos no mercado financeiro. Coautora do livro Economia Prateada e colunista do HSM Management. Vencedora do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios SP (2023) e do Prêmio Protagonista 2025.
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