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Estratégia e poder em um mundo VUCA

Como você experimenta a conjugação entre suas estratégias de negócios com a adequada prospecção de tecnologias afins ao seu trabalho?

Como já comentei muito neste espaço, a expressão VUCA nasceu no meio militar e, depois, ganhou espaço na administração pública e nas empresas. Por essa razão, sempre é interessante acompanhar a evolução que os estudos avançados trazem, de forma a se conhecer e aplicar novos conceitos e ideias. Em Abril de 2019, a Carol I National Defense University (instituição criada em 1889, na Romênia) promoveu a 15ª Conferência Internacional Científica “Estratégias XXI”, contando com comitês científicos e de organização altamente qualificados. O Coronel Professor PhD Iulian Martin foi homenageado post-mortem por sua contribuição à pesquisa científica, sendo apresentado um recente trabalho técnico sobre Estratégia e Instrumentos de Poder (realizado por ele com os cientistas Ştefan-Antonio Dan-Şuteu e Giuseppe Vella).

Segundo os pesquisadores, o sucesso de uma estratégia depende do horizonte de previsão, ou seja, até que ponto o estrategista pode antecipar tendências e eventos futuros. A natureza do ambiente atual, chamado de VUCA (volátil, incerto, complexo e ambíguo), influencia esse horizonte e, para lidar com isso, a estratégia deve desenvolver um conjunto adaptativo de práticas. Assim, ao reunir instrumentos de natureza cognitiva ou estrutural, o objetivo do analista é identificar e interpretar a dinâmica das relações no ambiente cotidiano. A estratégia bem-sucedida é aquela capaz de alinhar novas tecnologias disponíveis às demandas sociais.

A estratégia e a adequada prospecção das tecnologias estão absolutamente interligadas. A prospecção orienta sobre possíveis políticas alinhadas ao desenvolvimento tecnológico enquanto que, ao aplicar conceitos de estratégia a essa prospecção, podemos formular e até alcançar novos objetivos na política. Indo além, essa prática é particularmente relevante na priorização de políticas governamentais quando se sabe que as tecnologias emergentes estão afinadas com os principais desafios de segurança e defesa nacional. Eis então uma questão que pontuarei agora: seria essa abordagem exclusiva para a esfera política e na defesa de um país, ou ela pode ter aplicação também na esfera organizacional e de segurança institucional para as organizações de todos os tipos?

Os autores criaram um modelo chamado DIME, que facilita pensar nessa questão e pode muito bem ser adaptado ao ambiente organizacional. DIME é um acrônimo – Diplomacia, Informação, Militarismo e Economia – voltado a um conceito revigorado para envolver a liderança e os decisores políticos afins ao poder nacional, e certamente não se restringe apenas ao ambiente militar. DIME pode ser entendido como uma maneira moderna de pensar e agir, ao categorizar o poder e a influência que um indivíduo terá, normalmente, quando avaliado pela capacidade de intensificar a força de cada uma das quatro áreas de abrangência citadas.

Em alguns casos, a Diplomacia por si só será suficiente para resolver o resultado de certas situações de conflito (no caso das empresas e das organizações, a diplomacia pode ser entendida como a competência de saber negociar estrategicamente com governos, lideranças, públicos de interesse e competidores), sendo que sempre a Informação qualificada é absolutamente necessária (até como sistema de apoio para os outros três elementos DIME). Em alguns casos da vida de um país, será necessária a ação Militar, porém, no âmbito empresarial, o paralelo significa a postura da estrutura organizacional para enfrentamentos na arena de mercado. Cada um dos elementos DIME sempre terá diferentes graus de maturação, sendo que todos acabam por desempenhar uma interação com o ambiente da Economia (geralmente associado a comércio, políticas fiscal e monetária, tarifas e embargos, entre outros quesitos).

A chave do sucesso para a análise de cenários não está no processo em si, mas sim em torná-la relevante, compreensível e, mais importante, acionável. Se qualquer planejamento bem-sucedido pode ser descrito em termos de 5W (quem, quando, onde, o que e por que), ao que se pode agregar 2H (como e quanto), então o sucesso da avaliação de cenários depende de o estrategista conseguir antecipar a melhor descrição possível de como essas variáveis (5W2H) irão se comportar, refinando-as continuamente para crescer em qualidade.

Sendo um processo cognitivo, a análise de inteligência na segurança (e defesa) é bastante similar ao que os analistas de inteligência de negócios ou profissionais de marketing realizam para prospectar possíveis comportamentos da concorrência e/ou dos clientes. Depois, as complexidades em um ambiente de guerra (estratégico, operacional, tático) e sua combinação com vários espectros de conflito (compromissos militares, estabilidade e segurança, etc) remetem a ferramentas e habilidades específicas. O que não tira dos gestores e lideranças a oportunidade de se mirarem nesses estudos e ali se inspirarem para conduzir seus negócios.

Uma análise bem feita, seja no ambiente institucional de um país ou no ambiente negocial de uma empresa, certamente trará muitas orientações aos líderes, tanto em informação como na forma de ideias. Essa análise pode também ser realizada em processo inverso, começando com um objetivo desejado, mudando então as variáveis de acordo com os resultados projetados, criando assim uma base verdadeira e dinâmica para planejamento e ações operacionais. Um exemplo dado pelos autores, por conta do alto grau de conteúdo tecnológico, é o setor de “comunicações”, em que é exigido o cuidado especial com detalhes para todos os estudos pois, mesmo parecendo irrelevantes, são muitas vezes decisivos no sucesso de uma estratégia.

Finalizando, vale lembrar que tanto no ambiente militar como no empresarial, imagina-se que o estudo estratégico observe e entenda o comportamento passado, bem como quais foram os padrões implantados quando houve sucesso ou quando houve falhas. Segundo os autores, isso contribui decisivamente ao impulsionar a inovação tecnológica associando as lições aprendidas aos sucessos, bem como também aos erros e falhas. A premissa de prever horizontes em um mundo VUCA, seja parte integral ou só parcial na prospecção da estratégia e da inovação tecnológica, pode conciliar interesses conflitantes e é fundamental para qualquer liderança na criação de mecanismos que lidem com a incerteza, a ambiguidade, a complexidade e a dinâmica do ambiente operacional.

Após essa leitura que, admito, não é simples e nem corriqueira, deixo aos coaches e mentores estas perguntas: (1) Como você experimenta a conjugação entre suas estratégias de negócios com a adequada prospecção de tecnologias afins ao seu trabalho?; (2) Como estão seus clientes nesse contexto chamado DIME (adaptado ao cotidiano empresarial)?; (3) Como você pode evoluir competências a partir deste artigo?

Mario Divo Author
Mario Divo tem incrível experiência profissional, tendo chegado a meio século de atividade ininterrupta, em 2019. É PhD e MSc pela Fundação Getulio Vargas, com foco em Gestão de Negócios, Marcas e Design, Marketing e Comunicação Corporativa. Tem formação como Master Coach, Mentor e Adviser pela Sociedade Brasileira de Coaching e pelo Instituto Holos. Consultor credenciado para aplicação do diagnóstico meet® (Modular Entreprise Evaluation Tool), Professor e Palestrante. CEO e Coordenador Executivo da plataforma Dimensões de Sucesso, acumulando com o comando da MDM Assessoria em Negócios. Foi Diretor Executivo do Automóvel Clube Brasileiro e Clube Correspondente da FIA – Federação Internacional do Automóvel, no Brasil. Foi titular do Planejamento de Comunicação Social da Presidência da República (1997-1998) e, anteriormente, comandou a Comunicação Institucional da Petrobras. Liderou a Comunicação Institucional e a Área de Novos Negócios da Petrobras Internacional. Foi Presidente da Associação Brasileira de Marketing & Negócios, Diretor da Associação Brasileira de Anunciantes e, também, Conselheiro da Câmara Brasileira do Livro. Primeiro brasileiro no Global Hall of Fame da Aiesec International, entidade presente em 2400 instituições de ensino superior em 126 países e territórios, voltada ao desenvolvimento das potencialidades das jovens lideranças em todo o mundo.
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