Erros mais comuns nas devolutivas (parte II de II)

Confira mais exemplos de erros comuns praticados nas devolutivas e que podem prejudicar tanto os aspirantes quanto os analistas mais experientes!

Dando sequência ao artigo anterior onde comecei a citar exemplos de erros comuns praticados nas devolutivas, vou citar aqui mais alguns destes exemplos que podem prejudicar os aspirantes, bem como muitos analistas mais experientes quando acabam entrando no estado automático da correria intensa do dia-a-dia profissional.

Sugiro aos leitores que ainda não tiveram a oportunidade, que leiam o artigo anterior (parte 1) dos erros mais comuns nas devolutivas. De qualquer maneira, vale sempre ressaltar a utilidade dos instrumentos de assessments no desenvolvimento humano em geral, replicando sua importância da mesma forma que os profissionais da área de medicina o fazem quando utilizam exames (raio-x, ultrassom, etc). Elevando assim seu trabalho a um patamar mais efetivo e seguro de resultados.

Seguindo e complementando o raciocínio dos erros mais comuns nas devolutivas citados no artigo anterior, é essencial ter a clareza do que é uma devolutiva, por quê e para quê ela serve dentro do contexto de cada cliente que você como profissional irá atender. Nós como profissionais temos o dever de buscar compreender e acolher cada caso em específico e desta forma ter a proficiência de optar pelos instrumentos que melhor atendam a demanda, ou até optar em não utilizar instrumentos caso tenha justificativa consistente alinhada com a peculiaridade do perfil, contexto e/ou momento do cliente e que principalmente esta decisão não seja embasada por questões meramente financeiras.

Vamos à continuação de exemplos de erros mais comuns cometidos por analistas nas devolutivas:

Erro #3: Pressupor e estereotipar

Todos nós temos como espécie humana a natureza de pressupor e estereotipar praticamente tudo a que nos deparamos a todo instante. A finalidade deste mecanismo é de otimizar nossas reações para que possamos reagirmos o mais rápido possível às circunstâncias com vistas em garantir a nossa sobrevivência. Isso acontece com os bichos como quando um gato se depara com uma cobra e pula fugindo do perigo de ser picado, ou em muitos casos, basta uma corda ou algo parecido com uma cobra para que o gato reaja da mesma forma, pressupondo o perigo independentemente de ser verdadeiramente uma cobra.

Mas qual é a relação desse mecanismo com a devolutiva de assessment?

Isso acontece quando ligamos (sem querer) nosso piloto automático de agir e reagir sem estar 100% consciente e no controle, por exemplo, correndo o risco de pressupor que todas as pessoas extrovertidas e que possuem facilidade de se comunicar e interagir com pessoas gostem de falar sem parar e gostem de ficar grudados em pessoas a todo instante sem nenhum momento a sós. Pode ser que estas pessoas tenham sim essas características extrovertidas, entretanto, estas podem ter critérios individuais que condicionem tal comportamento a situações e contextos específicos, tendo como exemplo de apresentar distanciamento e timidez com pessoas totalmente desconhecidas e em situações imprevistas de exposição ou distanciamento em momentos delicados em que ela queira ficar só.

O mesmo pode ocorrer no oposto com pessoas introvertidas, que podem estar sujeitos a ter maior desgaste em se expor, interagir e se comunicar com pessoas, mas que não necessariamente se inibem diante de pessoas totalmente desconhecidas. Claro que da mesma forma, leva-se em consideração também, seus critérios e fatores individuais que influenciam o perfil da pessoa.

Em suma, o importante para nós profissionais analistas é mantermos inicialmente estas pressuposições naturais e inevitáveis no âmbito dos nossos pensamentos, e compartilharmos somente na medida em que o próprio cliente validá-las ao descrever exemplos do cotidiano de sua vida.

A dica é sempre estimular e perguntar antes ao cliente para que descreva situações que arremetam e validem as nossas pressuposições, para então concluirmos juntos com o cliente afirmações mapeadas nos assessments. E não o contrário.

Com isso, desdobramos o próximo erro comum nas devolutivas.

Erro #4: Monólogo do analista

Este erro pode ocorrer mais comumente com analistas que possuem perfis e características extrovertidas e que gostam de expressar e se comunicar, mas evidentemente este fato não exclui a possibilidade de todos outros, independente dos perfis, de estarem suscetíveis a este tipo de erro.

Ao contrário da dica dada na explicação do erro anterior (erro #3), em que é importante estimular o cliente a falar e expor exemplos e situações de sua vida para então nós, como analistas de assessments, validarmos o perfil mapeado, neste erro, o analista pode errar ao transformar a devolutiva em um monólogo ou em uma aula sobre o conceito e teoria do assessment aplicado, como também pode se transformar em uma sessão de leitura de bola de cristal com o analista afirmando e dizendo ao cliente como ele é e suas características inclusive ignorando ou até contestando e debatendo as colocações do próprio cliente. O ideal na maior parte das devolutivas é que o cliente fale uns 80% do tempo e nós analistas, falemos em torno de 20%.

A fala do analista consiste em perguntas, validações de pressuposições e estímulos para que o cliente traga mais informações que encaixem com o relatório extraído dos assessments, e não como uma oportunidade do analista mostrar o quão legal e maravilho é a teoria e conceito base do assessment e muito menos de mostrar o quão bom e entendedor do assunto (prolixo) o analista seja.

Afinal, o propósito (em geral) das devolutivas de assessment é de ampliar o nível de autoconhecimento do cliente para facilitar a solução de suas demandas. E é por isso que o profissional analista deve ter clareza, foco e controle emocional para direcionar e conduzir com maestria esses conhecimentos para servir de forma útil e eficaz na solução das demandas do cliente.

Lembrem-se de que são os clientes que nos buscam procurando ajuda e não o contrário com “analistas profissionais” buscando ajuda em forma de oportunidades de suprir carências de reconhecimento, massagem de ego e outros tipos de carências. Para estes casos, o melhor é o profissional se entender e se resolver consigo mesmos ou com outros profissionais antes, para não correr o risco de “descarregar” essas carências no seu cliente e bagunçar todo trabalho e profissionalismo.

O importante é sempre ter clareza do nosso papel e da nossa responsabilidade como profissionais. E como toda e qualquer área profissional, a alta performance requer um estilo de vida e rotinas de boa saúde física, mental, emocional e espirituais compatíveis e congruentes com as respectivas realidades e demandas.

Se você gostou do que leu e algo fez sentido para você neste artigo, te convido a ler e reler os artigos anteriores e principalmente ficar atento aos próximos artigos que trarei com mais dicas e conteúdos para turbinarmos e otimizarmos nossos trabalhos de desenvolvimento humano.

Vale lembrar que se você já usa ou vai começar a utilizar assessments, avalie sempre a finalidade e eficácia de cada instrumento. Opte pelos que trazem maior segurança, confiabilidade, e que tenham histórico de pesquisa e desenvolvimento na área. Afinal de contas, nem tudo que é bom é barato.

Bruno Tsai Author
Bruno Tsai é CEO da BT Performance, empresário e empreendedor há mais de 10 anos, formado em coaching executivo pela Sociedade Brasileira de Coaching, em Programação Neurolinguística pela American Board of Neuro-linguistic Programming e MBA em Gestão de Negócios pela USP. Instrutor de análise comportamental licenciado pela TTI Success Insights International, certificação internacional CPBA (Certified Professional Behavioral Analyst) e CPMA (Certified Professional Motivators Analyst) em análise comportamental nas teorias DISC, Motivadores, Inteligência Emocional, Axiologia, SSI (Sales Skills Index) e DNA (competências profissionais).
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