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Entenda o risco dos múltiplos cartões

Muitas pessoas estão com dificuldade financeira e possuem muitos cartões de crédito, como se isso fosse a solução. Entenda o risco de ter muitos cartões!

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Entenda o risco dos múltiplos cartões

Uma coisa que tem se tornado normal e muito me assusta é ver pessoas que estão com dificuldade financeira e possuem muitos cartões de crédito, como se isso fosse a solução. Por isso, hoje vou alertar sobre o risco por trás desse ato.

A dinâmica ocorre da seguinte forma, ao ter dificuldade de pagar o cartão que vinha usando, o consumidor se lembra daquele outro, que chegou pelo correio e ainda não havia sido desbloqueado.

Agora pense no risco: se a pessoa já não está conseguindo pagar um dos cartões, o que acha que acontecerá se começar a gastar também em um segundo ou terceiro cartão? Outra orientação importante é evitar o pagamento de taxas de anuidade. Ter vários cartões significa também várias parcelas anuais pagas aos bancos.

A facilidade de comprar a perder de vista sem, com isso, comprometer o limite do cartão de crédito principal também costuma aumentar o endividamento. Não é raro quem raciocine assim: “Vou fazer um cartão de crédito com a bandeira desse supermercado, assim concentro nele meus gastos com alimentação e fico com o limite do cartão de crédito livre para comprar outras coisas”.

Na verdade, o que o consumidor está dizendo, em outras palavras é: “vou fazer um cartão separado para as compras de supermercado, assim fico com uma margem maior para me endividar mais ainda no cartão de crédito principal”. É um raciocínio absolutamente equivocado! Mas muita gente pensa assim.

Agora responda: a culpa é do cartão do supermercado, das lojas?

Claro que não. Porém esses cartões são um perigo para quem não mantém as rédeas da sua vida financeira. Em princípio, não haveria nenhum problema em ter o cartão de crédito do supermercado de sua preferência. Reunir na mesma fatura seus gastos com alimentação e ainda aproveitar os benefícios, como descontos especiais e acumulação de bônus.

O problema é que, além de disponibilizar no orçamento geral um limite maior do que se pode pagar nos cartões, a maioria dos supermercados, hoje em dia, vende de tudo, de farinha de trigo a pneu de carro. Com essa diversidade de produtos ao alcance das mãos e um limite de parcelamento que cria a ilusão de que as prestações cabem no orçamento, os excessos na hora das compras são inevitáveis.

O consumidor sai para comprar pães, frios, suco e sabão em pó e volta para casa com uma bicicleta ergométrica, uma nova roupa de ginástica e um par de tênis. Ou seja, com uma série de produtos comprados por impulso, que não adquiriria se não tivesse a facilidade de parcelar no cartão da loja. Se conseguir pagar, ótimo. Porém, o mais provável é que essa compra amplie o risco de endividamento, já que não se trata de bens essenciais e tampouco estava programada.

Talvez, o consumidor ao ver os pontos apresentados se sinta desconfortável, ou mesmo desanimado, porque fazia tudo errado. Porém, ao perceber um erro se abre um caminho para mudanças e nunca é tarde para rever nossos conceitos e hábitos, sejam eles quais forem. Então, o caminho é olhar de perto o cenário de quem já está em situação mais crítica e iniciar as mudanças.

Reinaldo Domingos
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Reinaldo Domingos é PhD em Educação Financeira, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin) e da DSOP Educação Financeira. Está a frente do canal Dinheiro à Vista, é colunista do de diversos meios de comunicação. Autor de diversos livros sobre o tema, como o best-seller Terapia Financeira e o livro Empreender Vitorioso.
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