Encontro de gerações não precisa ser Conflito de gerações

Conhecer como a maioria se comporta e saber gerenciar possíveis conflitos são fundamentais na construção de relacionamentos mais saudáveis e de uma empresa mais produtiva.

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Categorizar gerações classificando grupos por períodos não é consenso entre todos os sociólogos e psicólogos. Porém, talvez, a mais conhecida teoria sobre gerações deve ser a Teoria Generacional dos autores William Strauss e Neil Howe, que descrevem o ciclo de gerações na história Americana. A teoria é também conhecida como “o quarto giro”.

De acordo com esta e outras teorias, eventos históricos determinam o comportamento de gerações associados aos arquétipos (personas) de cada ciclo. As gerações têm um ciclo que dura em torno de 20 a 22 anos que definem as eras e altera o ambiente social. Strauss e Howe cunharam a ideia do que chamam de “Estações da História”, havendo períodos antagônicos que chamam de Crises, como sendo o inverno, e de Despertar, como sendo o verão. Entre eles, existe o período de Altos e Desvendados, simbolicamente o outono e primavera.

As gerações estão classificadas da seguinte forma:

Silenciosos ou Maduros: é a geração daqueles que nasceram entre 1925 e 1945 e viveram os duros períodos da grande guerra mundial, da depressão econômica americana que afetaram praticamente todos os países do globo terrestre e fizeram com que estas pessoas respeitassem profundamente as hierarquias e dessem muito valor à estabilidade financeira e à segurança. Esta é uma geração que entrava numa empresa e ficava ate se aposentar ou morrer. Uma geração que fez sacrifícios de todas as ordens para sobreviver e não vivia para esbanjar. Ainda ativos como Warren Buffet que fez sua fortuna vivendo uma vida simples e sem luxos.

Baby boomers: são as pessoas nascidas logo depois da segunda grande guerra entre 1946 até 1964. Ícones desta geração são Steve Jobs, Bill Gates, Bill e Hillary Clinton, Trump, Dilma Roussef, Renato Russo, Cazuza para mencionar alguns. Ao contrário, da geração anterior, estas pessoas foram as primeiras a se darem o luxo de fazerem viagens para passear ao invés de irem lutar numa guerra. Uma geração marcada pelas lutas pela liberdade de expressão, pela liberdade sexual, influenciada pelo Rock in Roll de Elvis Presley, Beatles, U2 e tantas outras bandas. Viveram uma era de mais prosperidade e recuperação econômica e foi uma geração de rebeldes que lutaram, como as feministas, por maior participação nos movimentos da sociedade, no mercado de trabalho. Com o lançamento das pílulas anticoncepcionais, as mulheres se libertaram sexualmente e puderam também fazer seu próprio controle de natalidade. Esta geração, por não ter vivido as dores da grande guerra e depressão, é mais otimista, mais envolvida com causas coletivas e a que vai em massa para as universidades. São pais que priorizam dar uma boa educação para os filhos.

Geracao X: nascidos dentre 1965 e 1980, essa é a geração de menor ciclo. A maioria filhos de baby boomers foi uma geração de mães que saíam para trabalhar, de casais que se divorciavam, de pessoas menos utópicas e românticas onde imperava o realismo pragmático, o ceticismo e o consumismo em um período de guerra fria e de dificuldades financeiras com a crise de 1980. Com tudo isso, foi uma geração que viu o primeiro homem pisar na lua, usou os primeiros vídeo games e viu nascer os primeiros PCs, Personal Computers. Uma geração mais ambiciosa e talvez a primeira geração que tenha prosperado bem mais que os pais financeiramente.

Milleniuns ou Geracao Y: nasceram entre 1981 e 2000. Filhos da geração X, mimadas pelos pais que lhes queriam garantir maior segurança e conforto, essa é uma geração mais narcisista, mais imediatista, uma vez que espera resultados rápidos, o que faz com que se preocupem menos com empregos que lhes deem segurança, mas mais com ambientes onde se sintam valorizadas, pertencentes e que possam impactar de alguma forma. Por outro lado, uma geração que se preocupa mais com as questões ambientais e se engajam a causas e não a projetos por obediência. É uma geração que valoriza as relações e trabalham muito bem em rede. Tem muita dificuldade com hierarquias e autoritarismos. Essa geração viveu a era do ao vivo e assistiu o ataque às torres gêmeas quase que simultaneamente. Tem acesso a uma enxurrada de informações e está conectada com o mundo.

Pos-milleniuns ou Geracao Z: nasceram depois dos anos 2000. Ano em que muitos das gerações anteriores acreditaram que o mundo acabaria, mas o mundo não acabou e, ao contrário, o mundo encolheu. As distâncias e as fronteiras estão cada vez menores. A velocidade da Internet e a popularização dos Smart Phones, conecta as pessoas sem barreiras de tempo e espaço. A educação à distância e a comunicação remota via vídeo mudam a forma de aprendizado. Esta geração já nasceu digital e não consegue sequer imaginar o mundo sem avançada tecnologia. Conhecida como a geração que Zapeia, o que literalmente, quer dizer que mudam de uma plataforma, canal ou página freneticamente. Uma geração que faz amigos e estreita relacionamentos virtuais com pessoas que provavelmente nunca encontraram pessoalmente. E que também se relaciona com robôs e que vivem o mundo cibernético e da inteligência artificial.

Como vimos inicialmente, essas características representam os arquétipos predominantes e, é possível, que se encontrem pessoas de uma geração altamente influenciada por outras com perfis diferentes do esperado. É perfeitamente possível que voce conheça alguém da geração X altamente familiarizado e com enorme destreza com a tecnologia ou que conheça jovens milleniuns que se identifiquem com alguns traços de gerações anteriores. Porém, conhecer como a maioria se comporta e saber gerenciar possíveis conflitos são fundamentais na construção de relacionamentos mais saudáveis e de uma empresa mais produtiva.

Como é quase impossível, e vários estudos sobre equipes de alta performance provam não ser eficaz, que as empresas sejam formadas por pessoas de uma única geração, cabe aos lideres e empreendedores saberem lidar com a diversidade e tirar o melhor proveito de todos. Aos profissionais, talvez caiba aos mais velhos terem a humildade de aprenderem com os mais novos sobre aquilo que eles mais dominam e aos mais jovens respeitarem e aproveitarem a experiência e conhecimentos dos mais maduros. O grande desafio deste encontro de gerações está exatamente na paciência que ambos os lados têm que desenvolver na comunicação.

A mim, parece ser altamente lucrativo que as empresas invistam em metodologias e treinamentos que valorizem e aproveitem o potencial de cada geração, que construam um ambiente de colaboração e compartilhamento de conhecimento e experiência. Investir em equipes mais heterogêneas pode dar frutos muito mais robustos e suculentos. E aí, que tal fazer sua empresa crescer com Xs, Ys e Zs?

Cristiane Ferreira é Coach formada pelo IBC – Instituto Brasileiro de Coaching, Professora da Fundação Getúlio Vargas com cadeiras em Liderança, Coaching, Inteligência Emocional, Técnicas de Comunicação e Empreendedorismo, Palestrante, Empresária do setor de Educação desde 1991, Graduada em Letras pela UFMG e Pós-graduada em Linguística Aplicada pela UFMG, MBA em Gestão de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas, Formada em Inglês pela University of New Mexico, EUA, Apresentadora do Programa Sou Múltipla, Fundadora da Associação das Mulheres Empreendedoras de Betim, Ex-Presidente da Câmara Estadual da Mulher Empreendedora da Federaminas (2014/2016), Destaque no Empreendedorismo feminino, recebeu vários prêmios entre eles o “Mulheres Notáveis – Troféu Maria Elvira Salles Ferreira” da ACMinas, troféu Mulher Líder, “Medalha Josefina Bento” da Câmara Municipal de Betim, “Mulher Influente” do MG Turismo e o “Mérito Legislativo do Estado de Minas Gerais”, Comenda Amiga da Cultura da Prefeitura Municipal de Betim.
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