
Dia Internacional das Mulheres: Para Além das Flores
Todos os anos, no dia 8 de março, empresas celebram o Dia Internacional da Mulher com homenagens, mensagens inspiradoras e, muitas vezes, brindes simbólicos como flores, chocolates, kits de beleza ou pequenos presentes. Embora essas ações possam parecer gentis e bem-intencionadas, é preciso questionar:
Será que esse tipo de gesto, isoladamente, realmente contribui para a construção da equidade de gênero no ambiente de trabalho?
O Dia Internacional da Mulher tem origem em movimentos sociais e trabalhistas que reivindicavam melhores condições de trabalho, direitos políticos e igualdade de oportunidades para as mulheres.
Comemorar o dia 08 de março ou o mês de março pode ser um marco para reforçar ações, porém, entendo que os maiores presentes que podem e devem ser dados, são políticas inclusivas e consistentes para garantir a equidade de direitos, equiparação salarial entre homens e mulheres, aumento da presença feminina em cargos de liderança e combate ao machismo estrutural.
Um ponto central que muitas iniciativas corporativas deixam de abordar é o papel dos homens na construção da equidade de gênero. Historicamente, os espaços de poder nas organizações foram, majoritariamente, ocupados por homens, que se expressam mediante uma construção social baseada no machismo e muitas vezes naturalizadas. Justamente por isso que eles precisam fazer parte ativa da mudança.
Promover equidade não é apenas uma pauta feminina. Trata-se de uma transformação cultural que exige consciência, reflexão e responsabilidade compartilhada. Homens precisam ser convidados — e, muitas vezes, provocados — a refletir sobre privilégios, vieses inconscientes, comportamentos cotidianos e a forma como tomam decisões dentro das organizações.
Sem esse engajamento, a equidade tende a ser, de fato, tratada como um “tema das mulheres”, quando na verdade é um tema de justiça organizacional e de desenvolvimento social.
Isso não significa que reconhecer e valorizar as mulheres seja algo negativo. O problema está em limitar essa valorização a um gesto simbólico e pontual, restrito a uma única data no calendário.
O que realmente faz diferença são iniciativas estruturais, como:
- Programas de desenvolvimento de lideranças femininas;
- Revisão de políticas de remuneração e promoção;
- Combate ativo ao assédio e à discriminação;
- Treinamentos sobre vieses inconscientes;
- Palestras de conscientização sobre a pauta para os homens;
- Envolvimento de lideranças masculinas na pauta de equidade.
Talvez a pergunta que as organizações deveriam fazer no 8 de março não seja “qual brinde vamos oferecer às mulheres?”, mas sim: “o que estamos fazendo para transformar nossa cultura organizacional?”
Se o Dia Internacional da Mulher servir para provocar reflexões profundas, estimular mudanças de comportamento e mobilizar homens e mulheres na construção de ambientes mais justos, então ele estará cumprindo o seu verdadeiro propósito.
No fim das contas, flores murcham, chocolates acabam e brindes são esquecidos.
Mas consciência, respeito e compromisso com a equidade podem transformar organizações — e a sociedade.
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Quer saber mais sobre como sua empresa está celebrando o Dia Internacional da Mulher — ou realmente transformando a cultura organizacional? Então, entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Luciano Amato
http://www.trainingpeople.com.br/
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