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De pessoas e personagens!

As pessoas começam a sofrer com mais frequência de ansiedade, depressão, medos e crenças limitantes, em vários níveis, inclusive em jovens. A sociedade global, que se tornou conectada e universal, celebra os vitoriosos com glamour e deixa ao léu os que se sentem derrotados.

Tenho sido requisitado por pessoas bem próximas, muito amigas de fato, para uma conversa particular e sempre cercada de cuidados e sigilo. Da mesma forma, tenho estimulado essas conversas com pessoas amigas que vejo em situação delicada, as quais quero descrever a seguir. Claro que, de minha parte, não sou dado a fazer estardalhaço dos assuntos que envolvem os amigos, mas minha surpresa maior é que essas pessoas demonstram a necessidade imperiosa de se expor intimamente quando, na realidade, sinto que não gostariam de estar se expondo da forma franca como acaba acontecendo.

Ou seja, eu não estou sendo contratado por uma pessoa amiga para realizar um trabalho de Coaching. Na realidade, conhecedora de minha preparação profissional, essa pessoa requisita um apoio que lhe parece ser caminho adequado para iluminar as decisões futuras. Por razões éticas pessoais e profissionais, eu então preciso separar bem a pessoa amiga do cliente, harmonizar a minha fala de amigo com a de Coach e, como se ainda fosse pouco, correr vários tipos de riscos para conseguir ajudar alguém a superar suas dores.

Até aí, talvez não haja novidade alguma para os Coaches que me dão o prestígio da leitura de minhas postagens. O que lhes peço é atenção para o que eu vou comentar a seguir, pois poderá ser determinante ao resultado futuro em muitos processos de atendimento. Há algo de comum nas expressões faciais, verbais e nas angústias que essas pessoas amigas trazem: invariavelmente, todos têm a crença assumida de serem fracassados perante a vida e na busca de suas metas.

Claro que ouvir isso de um cliente, em casos de atendimento em Coaching, não chega a ser anormal. O que está se mostrando muito claro é que as pessoas começam a sofrer com mais frequência de ansiedade, depressão, medos e crenças limitantes, em vários níveis, inclusive em jovens que mal saíram de seus cueiros. A sociedade global, que se tornou conectada e universal, celebra os vitoriosos com glamour e deixa ao léu os que se sentem derrotados. Estes, seja pela dificuldade de emprego, colocação profissional ou resultados em suas buscas e amores, têm-se como um fracasso e, assim, assumem-se perante o espelho.

Porém, diante da família e dos amigos, essa pessoa que vive um quadro crítico de sofrimento e angústia prefere desenvolver o personagem vencedor, começando por criar um teatro, cujo roteiro só tenderá a piorar o quadro crítico. O personagem passa a ser obrigado a ter coerência em suas falas e mostrar-se feliz a todos, mas a pessoa sofre continuamente por não estar vivendo a sua realidade emocional, com liberdade. Em suma, essa pessoa sofrerá seus problemas e dificuldades enquanto, na presença de outros, viverá a alegria falsa do personagem. Tudo isso gera desequilíbrio dolorido e crescente, que trará mais ansiedade e insônia.

Há o momento em que, prestes a explodir, essa pessoa procura por ajuda. Muitas vezes, pela confiança do segredo guardado, recorre a um amigo terapeuta ou Coach. É fundamental que isso ocorra em tempo hábil para levar à assistência rápida de um psiquiatra e/ou um psicólogo. A reversão do quadro crítico pode ser mais ou menos difícil, mas será impossível se profissionais (Coaches incluídos) não perceberem quando as pessoas amigas ao seu redor começam a criar um personagem de si mesmo, travestindo falas, expressões e sorrisos. Será fora de padrões éticos estimular o desabafo de amigos para ajudá-los em momento tão difícil?

Mario Divo Author
Mario Divo tem extensa experiência profissional, tendo chegado a quase meio século de atividade ininterrupta, em 2020. É PhD e MSc pela Fundação Getulio Vargas, com foco em Gestão de Negócios, Marcas e Design, Marketing e Comunicação Corporativa. Tem formação como Master Coach, Mentor e Adviser pela Sociedade Brasileira de Coaching e pelo Instituto Holos. Consultor credenciado para aplicação do diagnóstico meet® (Modular Entreprise Evaluation Tool), Professor e Palestrante. CEO e Coordenador Executivo das plataformas de negócios MENTALFUT® e Dimensões de Sucesso®, acumulando com o comando da sua empresa MDM Assessoria em Negócios. Foi Diretor Executivo do Automóvel Clube Brasileiro e Clube Correspondente da FIA – Federação Internacional do Automóvel, no Brasil. Foi titular do Planejamento de Comunicação Social da Presidência da República (1997-1998) e, anteriormente, comandou a Comunicação Institucional da Petrobras. Liderou a Comunicação Institucional e a Área de Novos Negócios da Petrobras Internacional. Foi Presidente da Associação Brasileira de Marketing & Negócios, Diretor da Associação Brasileira de Anunciantes e, também, Conselheiro da Câmara Brasileira do Livro. Primeiro brasileiro no Global Hall of Fame da Aiesec International, entidade presente em 2400 instituições de ensino superior em 126 países e territórios, voltada ao desenvolvimento das potencialidades das jovens lideranças em todo o mundo.
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