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De mãos dadas com a Comunicação Não Violenta e a Resiliência

Você sabia que se fizermos um paralelo entre as áreas da Resiliência e os elementos da CNV poderemos observar que eles se conectam?

CNV e resiliência

De mãos dadas com a CNV – Comunicação Não Violenta e a Resiliência

Inicio este artigo fazendo um resgate dos quatro elementos da CNV que são: Observação, Sentimentos, Necessidades e Pedido.

A Observação é aquilo que eu posso descrever, sem julgamentos, avaliações, interpretações. Aprendi com um dos meus instrutores em CNV que a observação é aquilo que posso descrever como cenas de um filme, ou seja, fatos e dados.

O Sentimento é a minha reação emocional e do outro diante de uma situação, fala, conflito, momento de estresse.

A Necessidade é aquilo que tem valor para mim, que é importante e que também será importante identificar no outro.

O Pedido é o que especificamente eu desejo pedir ao outro.

Neste último eu digo que ele precisa ser SMART – Específico, Mensurável, Alcançável, Relevante e no Tempo (quando). Esse termo, chama-se acrônimo, uma ferramenta que tem como objetivo, ajudar a traçar e definir metas a serem aplicadas. Com uma ressalva que será importante, mesmo de toda essa forma estar preparado para ouvir um não no pedido.

Como já dito em publicações anteriores, a CNV é uma forma de autoconhecimento de celebrar a vida como bem disse Marshall Rosenberg. Ele também nos diz que a CNV é uma linguagem da vida e isso para mim ressoa como eu, internamente, posso fazer mudanças importantes na forma de me olhar, sentir, pensar e agir e consequentemente conquistar o bem-estar tão desejado.

Se fizermos um paralelo entre as áreas da Resiliência e os elementos da CNV poderemos observar que eles se conectam.

Observação – Análise de Contexto, Autoconfiança e Autocontrole

Na observação que é se ater aos fatos, podemos trazer a análise de contexto: a capacidade que posso desenvolver ou potenciar para ler, identificar e perceber a origem que está no ambiente, o que está acontecendo e como posso gerenciar as informações que se apresentam.

Com uma análise de contexto em equilíbrio posso ter clareza de qual caminho será importante seguir e, utilizando o exemplo da projeção, poderei descrever o que se passa no ambiente, sem deixar que minhas interpretações, avaliações, críticas ou julgamentos interfiram em minha análise.

Dessa forma também poderei ter mais clareza quais recursos, habilidades e competências tenho para resolver grandes problemas, sendo possível enfrentar os conflitos agudos sem medo, com segurança e sabendo se posicionar.

E por último, mas não menos importante, o autocontrole, sendo capaz de administrar os comportamentos apropriados de forma equilibrada, ou seja, sabendo regular minhas emoções de forma a favorecer negociar e ter controle sobre minhas relações intra e interpessoais, podendo exercitar o que o filósofo indiano Krishnamurti nos diz que observar sem avaliar é a forma mais elevada de inteligência humana.

Sentimentos – Conquistar e Manter Pessoas, Leitura Corporal

Uma das coisas mais desafiadoras para nós é identificarmos e nomearmos nossos sentimentos, pois ao longo da vida somos ensinados a colocar para dentro o que sentimos ou por medo de sermos julgados como fracos e o outro se aproveitar, ou por não saber que quando deixamos de expressar o que sentimos teremos mais dificuldade para perceber o que é importante.

Aprendi estudando sobre a antroposofia que o Homem precisa equilibrar três elementos dentro de si: o pensar, o sentir e o querer, mas o sentir é meio capenga em nossas vidas. Nosso vocabulário é pequeno, assim como nossa percepção.

Nosso corpo é soberano e ele nos dá sinais, muitas vezes sutis, de como estamos percebendo as situações. À luz da resiliência, todas as vezes que estamos diante de qualquer situação, seja ela boa ou não, nosso corpo reage e sermos capazes de ler e de identificarmos as alterações que acontecem, nos ajuda a nos reposicionarmos para agir de uma forma mais eficaz.

Além disso, os sentimentos e a leitura corporal nos ajudam a perceber com quem desejamos estar mais próximos e, com isso, podermos criar redes de apoio e proteção.

Agora, cuidado para não expressar afirmações que descrevem o que pensamos que os outros estão fazendo à nossa volta e não nosso real sentimento.

Necessidades – Empatia

Há uma frase de Epíceto, no livro do Marshall, que diz: “as pessoas não são perturbadas pelas coisas, mas pelo modo que as veem” . Marshall nos coloca que o outro é apenas o estímulo e não a causa dos seus sentimentos. A forma como eu reajo ao estímulo é responsabilidade minha.

A CNV nos mostra que temos quatro formas de receber uma mensagem:

  • Culpar a mim mesmo por ter feito ou falado algo que não deveria, aí sentimos vergonha ou ficamos querendo trazer o passado de volta, que é impossível;
  • Culpar os outros pelo que se sente;
  • Escutar meus sentimentos e necessidades;
  • Escutar os sentimentos e necessidades dos outros.

Uma das necessidades universais é o senso de pertencimento, vínculos são importantes em nossas vidas.

A luz da resiliência quando aprendemos a expressar o que precisamos de forma  genuína, sem culpar ou sem sentir culpa e a perceber o que é importante para nós e para o outro, temos mais chance de que nossas necessidades sejam atendidas. Será importante aprendermos a nos responsabilizar pelo que pensamos, sentimos, agimos ou falamos.

Pedido – Otimismo para a Vida e Sentido para a Vida

Pedir é algo que acreditamos que sabemos fazer, mas quantas vezes pedimos já com a expectativa do resultado formulado dentro de nós e quando o outro diz não ficamos chateados e julgamos o outro como egoísta?

Outra questão é: será que sabemos fazer pedido? Ou dizemos o que não queremos ao invés do que queremos? Expressar um pedido precisa ser positivo, ações concretas para que tenhamos maior probabilidade de sermos atendidos.

Em outras palavras, o segredo de pedir é ser positivo, concreto, específico e sem expectativa do resultado.

À luz da resiliência, podemos observar que sendo otimistas poderemos pedir, mantendo nosso bom humor, entusiasmo e criatividade, mesmo quando não temos controle sobre a decisão e que temos um propósito na vida.

Praticar a CNV requer que tenhamos claro dentro de nós que a mudança é nossa, independentemente de como o outro poderá receber ou não. É uma maneira de você melhorar sua qualidade de vida e saber quando você muda, você impacta o outro e ambos impactam o ambiente.

Deixo uma sugestão de exercitar a CNV com a resiliência: diante de uma situação que esteja acontecendo, reflita de como poderá utilizar os elementos da CNV com a resiliência.

Wania Moraes
http://www.waniamoraes.com.br/

 

Wania Moraes Troyano possui MBA em Gestão de Negócios e Coaching, Pós-Graduada em Dinâmicas dos Grupos Administradora de Empresas e Pedagoga, com mais de 30 anos com sólida carreira corporativa em empresas multinacionais e em cargos de gestão e assessoria executiva. Foco em Desenvolvimento Humano, especialista em CNV-Comunicação Não Violenta, Coach em Resiliência, Profissional, Vida e Executivo, Neurocoaching, mentora e supervisora para líderes e coaches, com mais de 1000 horas em processos de Coaching. Facilitadora de Grupos. Especialista nos assessments de Estilos de Liderança e Resiliência. Palestrante e Facilitadora de Grupos. Facilitadora em Barras de Access – Expansão da Consciência. Co-autora do livro Coaching Aceleração de Resultados, Capítulo Quantos Antes Melhor! Programa Mulheres Poderosas, na alltv.com.br, todas as terças-feiras, 15h00 às 16h00. Voluntária em programas de Jovens Aprendizes.
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