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Conhecimento é poder: O Futuro não envolve apenas Tecnologia!

7 tópicos-chave para você entender a atual 4ª Revolução Industrial e os desafios globais deste mundo VUCAH.

Conhecimento é poder: O Futuro não envolve apenas Tecnologia!

Conhecimento é poder: O Futuro não envolve apenas Tecnologia!

Os leitores que me acompanham na plataforma Cloud Coaching sabem que, todo final de janeiro, ocorre o Fórum Econômico Mundial, em Davos – Suíça, quando então autoridades e lideranças do mundo todo debatem questões cruciais para o futuro do mundo (e, por certo, dos seres humanos). Estar atento a esses debates tem alinhamento direto com este espaço chamado Mundo VUCAH, com estreita relação com a Revolução Industrial 4.0. E eu não poderia deixar de lado essa informação essencial a quem, como coaches e mentores, são agentes de transformação das pessoas.

Entre vários temas importantes, a agenda do fórum tem um deles muito interessante para a nossa reflexão: Conhecimento é poder: por que o futuro não é apenas sobre tecnologia?

A resposta, segundo o especialista James Lin (Chief Product & Technology Officer na empresa Lynk Global, que fornece uma plataforma de software como serviço para democratizar o acesso ao conhecimento) é que, à medida que os mundos virtual e físico se tornam cada vez mais interdependentes, o conhecimento – e como o administramos – se tornará o ingrediente fundamental para administrar e prosperar em qualquer situação. Sejam pessoas, empresas ou países!

As tecnologias virtuais estão rapidamente se interligando com nosso mundo físico e as empresas precisam se adaptar logo. Mas isso não significa simplesmente substituir humanos por robôs ou confiar na inteligência artificial (IA) para tomar todas as decisões. A tecnologia, embora poderosa, é apenas parte da equação, sendo válido afirmar que a inteligência humana será um dos ativos mais valiosos neste mundo VUCAH, em que as empresas poderão fracassar se não conseguirem encontrar o equilíbrio certo entre tecnologia automatizada e percepções humanas.

Ainda segundo James Lin, tudo isso se resume à gestão do conhecimento. Ao liderar equipes de humanos e máquinas, os executivos precisam entender os dois principais tipos de conhecimento – implícito e tácito – e como utilizar melhor cada tipo no cotidiano de seus negócios. Ou seja, a velocidade, a abrangência e a profundidade das transformações pelas quais passa o nosso mundo VUCAH está nos forçando a repensar como os países devem se desenvolver, como as organizações geram valor e, até mesmo, o que significa “ser humano” (em outras palavras, temos que aproveitar a oportunidade de criar um futuro inclusivo e centrado no ser humano).

Para os estudiosos que preparam a agenda do Fórum Econômico Mundial, a atual 4ª Revolução Industrial pode ser compreendida segundo estes sete temas-chaves (veja o gráfico a seguir e as componentes de cada tema-chave). A leitura é árdua, mas vale a pena conhecer o assunto:

Conhecimento é poder: O Futuro não envolve apenas Tecnologia!

1. Ética e Identidade

A inovação motivada pela 4ª Revolução Industrial, em disciplinas como biotecnologia e inteligência artificial, está redefinindo o que significa ser humano por esticar os limites da vida útil, da saúde e da cognição de forma até agora associada com ficção científica. À medida que o conhecimento avança e novas descobertas são feitas, uma discussão moral e ética começa a ocorrer: como (e se) as pessoas vão ser capazes de responder adequadamente a fenômenos como o prolongamento da vida, os chamados designers de bebês, e a extração da memória? Novas tecnologias apresentam questões polêmicas sobre que informações da saúde pessoal devem ser compartilhadas, bem como sobre direitos e responsabilidades com respeito à alteração do código genético das futuras gerações.

Outras questões devem aparecer associadas ao aumento populacional e, também, sobre como devemos lidar com máquinas que têm qualidades similares às dos seres humanos. Questões relacionadas com privacidade, segurança dos dados e identidade estão se tornando cada vez mais importantes para legisladores, reguladores e empresas. E existe, também, a crescente preocupação de que nossas relações individuais e coletivas com a tecnologia venham a afetar negativamente nossas habilidades para relacionamentos sociais. Com isso, o mundo tem uma atenção especial para que a inovação e a tecnologia sirvam, genuinamente, ao ser humano e ao interesse público.

2. Governança tecnológica ágil

As tecnologias da 4ª Revolução Industrial podem ser aproveitadas pelos governos para melhorar a administração, tornando-a mais acessível, transparente e, ainda mais, podendo rastrear melhor os ativos públicos. No entanto, a tecnologia também pode criar desafios à governança, uma vez que os avanços em alguns casos podem ameaçar o contrato de confiança entre o governo e os cidadãos. O aumento do uso das mídias sociais, por exemplo, já criou situações polêmicas em que os eleitores estão sendo (ou podem ser) manipulados e desinformados.

A governança ágil servirá aos governos que encontrarão maneiras de se reinventar, a fim de entender melhor o que estão regulando, sendo necessária estreita colaboração também entre empresas e a sociedade civil para que isso aconteça. Tornar-se mais ágil não deve ser um processo frenético e interminável para os legisladores, criando incertezas aos cidadãos. Colocar a governança ágil em prática envolverá a compreensão dos modelos existentes e como eles operam em contextos sociais e políticos específicos, bem como a busca de oportunidades para aproveitar novas tecnologias e processos que minimizem os gargalos desses modelos.

3. Interrupção nos negócios

O relacionamento entre empresas e seus clientes está mudando para um modelo conectado sob demanda, alimentado pelas possibilidades criadas com a comunicação digital. Novas formas de precificar os serviços também podem ser criadas (por exemplo, usar o Analytics para medir o desempenho de um serviço ao longo do tempo), a fim de melhorar a exatidão dos preços. Também para ativos físicos, como um elevador, os preços podem se basear no desempenho em um determinado período, excluindo o tempo de inatividade necessário para manutenção. Em outra frente, a 4ª Revolução Industrial está estimulando novas formas de colaboração, quando empresas passam a compartilhar recursos, criando valor significativo em conjunto, o que não seria criado em separado.

À medida que consideram novas parcerias, as organizações irão cada vez mais se concentrar em abrir modelos operacionais que podem capitalizar os efeitos de rede. Um modelo que provou ser tão disruptivo quanto lucrativo é a chamada estratégia de plataforma, projetada para ampliar a influência, incentivando os colegas a construírem novos caminhos e soluções com base nas ferramentas e infraestrutura estabelecidas pela empresa. Atualmente, as organizações que se concentram em ser flexíveis e abertas podem se posicionar em um ecossistema fluido e participativo  na criação de valor, reduzindo custos e fazendo uso mais eficiente de recursos e de automação.

4. Disrupção no Trabalho e Capacitações

A 4ª Revolução Industrial está afetando os empregos e gerando demanda por novas habilidades. No Reino Unido, por exemplo, a inteligência artificial e tecnologias afins estão prestes a eliminar 7 milhões de empregos, nos próximos 20 anos, embora também devam criar cerca de 7,2 milhões de novos empregos no país no mesmo período – em saúde, ciência e educação, de acordo com relatório publicado pela PwC. As interrupções no modelo de negócios terão impacto profundo no cenário de empregos em muitos setores, levando à criação e eliminação de empregos simultâneos e significativos, exigência de produtividade elevada e na identificação de lacunas amplas entre as habilidades existentes nos colaboradores e aquelas que são necessárias.

Dada a provável abrangência dessa ruptura tecnológica, há necessidade premente de se encontrar maneiras mais eficazes de ajudar as pessoas no desenvolvimento das novas habilidades para conter a perda de empregos. Durante as outras três revoluções industriais, muitas vezes era necessário bom tempo para construir os sistemas de treinamento em grande escala. Dado o ritmo deste mundo VUCAH, no entanto, um intervalo relativamente confortável pode não ser possível e, à medida que o trabalho vai sendo transformado, isso levará a novos desafios gerenciais e regulatórios. E, finalizando, em um dinâmico mercado, preparar-se para o futuro é cada vez mais crítico para se aproveitar as oportunidades e mitigar resultados indesejáveis.

5. Segurança e conflito

A 4ª Revolução Industrial está mudando a natureza e a escala dos conflitos. As distinções entre clima de guerra e paz, e entre quem é combatente ou não é combatente, começam a ficar cada vez mais complexas. Grupos organizados podem operar fisicamente em áreas específicas, mas também podem recrutar militantes de centenas de outros países, até pelas redes sociais. Os conflitos modernos estão mais híbridos em sua essência, e a internet está se tornando o palco central de envolvimento por meios terrestres, marítimos e aéreos.

O conceito tradicional de adversário também é afetado. Você pode ter muito menos certeza de quem o está atacando, ou, até mesmo, se sofreu um ataque. Os conflitos autônomos que envolvem a implantação de robôs militares e armamentos alimentados por inteligência artificial farão um papel central, a exemplo de grupos criminosos que já usam drones para espionar e atacar os rivais. Embora as neurotecnologias capazes de interagir com o cérebro humano estejam sendo muito empregadas para solucionar problemas médicos, elas também poderão ser usadas no cenário militar. Um sistema de computador acoplado ao tecido cerebral pode fazer um paciente paralítico controlar um membro robótico, mas também pode ser usado para dirigir um soldado biônico.

6. Inovação e produtividade

O impacto das novas tecnologias na produtividade não está sendo capturado pelas ferramentas tradicionais. As taxas de produtividade em todo o mundo caíram ou permaneceram estáveis durante a década passada, apesar dos aumentos exponenciais no progresso tecnológico e no investimento em inovação. Há quem argumente que essa desconexão entre inovação e produtividade nasce do menor impacto positivo para a economia do que aconteceu nas revoluções industriais passadas – que alcançaram sistemas de saneamento, energia e transportes. No entanto, há quem comente que o problema está em não haver métodos precisos de avaliação e cálculo.

Outra explicação possível: o mundo ainda não experimentou completamente a explosão de produtividade criada pelas novas tecnologias, que ainda não chegaram a mais de dois bilhões de pessoas desconectadas da economia global, que poderiam se beneficiar dela. Muitas das tecnologias e processos criados para ajudar a gerenciar melhor alguns dos problemas globais, como o impacto ambiental das mudanças climáticas, ainda não estão implementadas. A percepção de todos os benefícios dessa nova revolução industrial pode levar tempo, e até mesmo exigir novas formas organizacionais, mais habilidades e novas mentalidades para medição.

7. Tecnologias de Fusão

A colaboração interdisciplinar está abrindo novas fronteiras. A 4ª Revolução Industrial é diferente das revoluções industriais anteriores, pois esta constrói sobre uma integração de tecnologias, e a partir de uma crescente harmonização e integração de várias disciplinas de pesquisa. Praticamente cada novo desenvolvimento, em qualquer campo, agora potencializa a habilidade digital. A precisão da edição do genoma, por exemplo, não poderia ter acontecido sem o incansável aprimoramento do poder computacional e da análise de dados. Similarmente, robôs avançados não existiriam sem novas abordagens de inteligência artificial, sistemas digitais e poder de processamento.

Os mundos físico e digital também se somam em inovações como veículos autônomos e a impressão 3D. Avanços nos sensores estão permitindo que robôs e sistemas autônomos entendam e melhor respondam aos seus ambientes, pois eles agora acessam remotamente informações através da nuvem, e conectam-se uns aos outros para a troca de informações (e aprenderem coletivamente). Os mundos físico e digital estão se fundindo, em parte, graças à criação de novos materiais projetados para emular o mundo biológico. Materiais agora usados rotineiramente em implantes médicos, para engenharia de tecidos, e para a criação de órgãos artificiais, enquanto impressão 3D está cada vez mais voltada a estruturas personalizadas, com impactos até mesmo na engenharia genética.

Conhecimento é poder!

Por fim, tenho a mais absoluta certeza que muitos consideram este texto como pesado e, eventualmente, nem chegaram ao final. Contudo, se você chegou ao final tem minha felicitação, pois está interessado em algo que diz respeito ao futuro das pessoas, o que a mídia tradicional não aborda porque terá pouca adesão de público. Mas você, que é mentor, coach ou consultor qualificado para trabalhar no mundo VUCAH, deve entender as transformações que hoje nos cercam e sobre as quais não temos controle. Afinal, temos a obrigação de aprender a surfar nessa onda e de ajudar nossos clientes a surfarem também.

Gostou do artigo? Quer saber mais sobre o poder do conhecimento e os desafios do mundo VUCAH? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.

Mario Divo
https://www.mariodivo.com.br/quem-e

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Mario Divo Author
Mario Divo possui meio século de atividade profissional ininterrupta, hoje estando dedicado à gestão de negócios e de pessoas. É PhD pela Fundação Getulio Vargas (FGV) com foco em Gestão de Marcas Globais e MSc, também pela FGV, com foco em Dimensões do Sucesso em Coaching (contexto brasileiro). Formação como Master Coach, Mentor e Adviser pelo Instituto Holos. Formação em Coach Executivo e de Negócios pela SBCoaching. Consultor credenciado no diagnóstico meet® (Modular Entreprise Evaluation Tool). Credenciado pela Spectrum Assessments para avaliações de perfil em inteligência emocional e axiologia de competências. CEO da plataforma MENTALFUT® e da MDM Assessoria em Negócios, desde 2001. Mentor e colaborador da plataforma Cloud Coaching. Ex-Clube Correspondente da FIA – Federação Internacional do Automóvel, no Brasil. Foi titular do Planejamento de Comunicação Social da Presidência da República (1997-1998) e, anteriormente, comandou a Comunicação Institucional da Petrobras e a Área de Novos Negócios da Petrobras Internacional. Ex-Presidente da Associação Brasileira de Marketing & Negócios, ex-Diretor da Associação Brasileira de Anunciantes e ex-Conselheiro da Câmara Brasileira do Livro. Primeiro brasileiro no Global Hall of Fame da Aiesec International, entidade presente em 2400 instituições de ensino superior, voltada ao desenvolvimento de jovens lideranças em todo o mundo.
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