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A Conexão do Pintor e Sua Tela — e a Comunicação nas Organizações

Entenda como a comunicação nas organizações pode reduzir ruídos, alinhar equipes, fortalecer a cultura e transformar informações em ações concretas ao combinar preparo, clareza, contexto, escuta ativa, coerência e feedback constante.

A Conexão do Pintor e Sua Tela — e a Comunicação nas Organizações

A Conexão do Pintor e Sua Tela — e a Comunicação nas Organizações

Noutro dia, analisava uma foto tirada de um pintor, no exato momento em que ele deslizava seu pincel sobre a tela branca de um futuro quadro seu. E percebi algo quase mágico fluindo entre essas duas personas: o artista e sua tela.

Ao observar os momentos anteriores a esse encontro, percebo que há etapas e preparos. A tela não poderia ser tão somente uma tela qualquer. Para cada tipo de trabalho, há determinado aspecto da tela que merece ser observado.

Normalmente, o artista opta por telas constituídas de um tecido esticado e fixado, a rigor, a uma estrutura de madeira denominada painel ou chassi. Sobre esse tecido, é posta uma base branca, denominada gesso acrílico, que se constitui num preparo a ser aplicado sobre esta superfície. Os tipos mais usuais são os de linho, de maior durabilidade; os de algodão, mais afeitos aos ofícios de estudantes e trabalhos cotidianos; e os sintéticos.

O mais popular é o de algodão, por ser mais acessível e exigir menos esforço para ser esticado, sendo o preferido para tintas acrílicas e tintas a óleo. Já o de linho, considerado o padrão-ouro pelos pintores, caracteriza-se por conter fibras mais longas, ser de alta durabilidade e não se deformar com facilidade. Por fim, temos o sintético (poliéster), que apresenta maior resistência ao mofo e à umidade.

A tela, ao estar pronta, está agora apta ao que vier do pintor, seu dono, submetendo-se passivamente à sua inspiração e ao seu talento, tal como uma mulher se entrega num ato de paixão.

O artista, por seu turno, já separou as tintas com as quais pretende exercer seu ofício e encara a área branca à sua frente, tragando inspirações de sua musa ou de outros pontos profundos de sua alma, história e lembranças, despejando sua habilidade motora e sensorial, envolvendo-se num balé com seus pincéis e sua tela, ora num ritmo suave, ora numa fúria estrondosa e cheia de energia, dominado que foi por sua relação com sua obra.


Cores e linhas

Durante o processo criativo, as emoções e ideias que vão surgindo à mente do pintor se debruçam sobre a aquarela e demais opções de cores dispostas na sua bancada, travando uma comunicação silenciosa entre elas e as possibilidades que resultem no quadro mais próximo daquilo que o seu desejo pretende retratar, com a maior fidelidade que esses elementos permitam. Nada lhe pode escapar ou ser-lhe negligenciado! Nem um sobretom decorrente das misturas das tintas, nem um traço desenhado de forma imprudente. A figura que se constrói exige esmero, preparo, sensibilidade aguçada, empatia com a obra e a sua mensagem! O balé permanece vibrante, usando movimentos e cores complementares. Visão aguçada e ultradimensional, invadindo até órbitas espirituais, resvalando em Deus e retornando com iluminação divina.

A realidade toma, então, forma e vida, simulando uma conversa final entre a obra e seu criador sem que uma só palavra tenha saído dos lábios do artista. E a tela branca e antes desnuda, que se doou à arte e ao pintor, agora se recupera da frenética evolução do quadro, desde o seu início até o lavar dos pincéis pelo artista, e descansa silente sobre o cavalete que a suporta. Contudo, a mensagem está nela gravada para sempre. Os visitantes da sua futura exposição, seja em casas particulares ou museus públicos, terão reações das mais diversas, porque a interpretação da obra não é de cunho particular. Mas só o pintor e sua obra detêm, cada um de per si, a intensidade do processo criativo.


Do Quadro para a Aplicação Prática na Empresas  

Essa cena acima descrita é uma metáfora útil para a comunicação nas organizações — uma arte que combina técnica, sensibilidade e preparo para produzir resultados claros, eficazes e duradouros, em que o preparo da tela engloba pelo menos três aspectos: estrutura, clareza e contexto.

Antes de o pincel tocar a superfície, o artista selecionou o tecido, esticou-o no chassi e aplicou a base apropriada. Na empresa, isso equivale a definir estruturas e contextos que permitam uma comunicação eficiente. Sem um briefing claro, objetivos bem definidos e canais adequados, as mensagens perdem-se como tinta sobre superfície mal preparada.

Aplicações práticas
  • Alinhe objetivos: estabeleça o propósito de cada comunicação (informar, instruir, persuadir), responsáveis e prazos.
  • Escolha os canais certos: e-mail para registro, reuniões para alinhamento, mensagens curtas para avisos urgentes; combine formatos síncronos e assíncronos conforme audiência.
  • Prepare o ambiente: crie rituais (reuniões curtas, pautas fixas, templates) que garantam consistência e economizem tempo.

A seleção dos devidos e adequados materiais para a obra:

Isso pressupõe também três aspectos, a saber: o nível da linguagem do seu conteúdo, bem como o tom e a audiência.

O pintor escolhe entre linho, algodão ou sintéticos conforme a durabilidade e o efeito desejado. Da mesma forma, a escolha do conteúdo e do tom deve considerar o receptor: executivos, equipe técnica, clientes ou parceiros. Um relatório técnico exige densidade e precisão; uma comunicação motivacional pede linguagem concreta e empática.

Técnicas aplicáveis:

  • Segmentação: adapte a mensagem ao público; use sumários executivos quando necessário.
  • Tom e registro: decida entre formalidade e proximidade com base em cultura organizacional e objetivo.
  • Teste rápido: dirija mensagens-chave a pequenos grupos para ajustar vocabulário e exemplos.

O movimento do artista:

Inclui o ritmo, o feedback e igualmente, a iteração. O balé entre pincel e tela envolve movimentos suaves e explosões de energia. Comunicação eficaz também tem ritmo: alternância entre emissão e escuta, uso de feedback e ajustes contínuos. A ausência desse ciclo torna a comunicação unidirecional e menos eficaz.

Como operacionalizar:

  • Feedback estruturado: inclua rotinas de retorno em todos os processos (por exemplo: retrospectivas, pesquisas curtas, caixas de sugestão).
  • Ciclos curtos: prefira iterações rápidas para validar ideias antes de grandes lançamentos.
  • Acompanhamento: monitore impacto com métricas simples (por exemplo: taxa de leitura de comunicados, participação em reuniões, tempo médio de resposta).

Das cores e linhas:

Atenção às emissões de sinais não verbais e à coerência! No quadro, matizes sutis e traços determinam a percepção final. Na empresa, linguagem corporal, entonação e consistência entre discurso e prática pintam a reputação da organização. Mensagens contraditórias corroem confiança tão rapidamente quanto pinceladas descuidadas danificam uma obra.

Práticas recomendadas:

  • Coerência entre palavra e ação: garanta que as decisões e os comportamentos dos líderes reflitam, de fato, as comunicações oficiais;
  • Treinamento em comunicação não-violenta e escuta ativa para líderes e equipes;
  • Padronização visual e verbal em materiais institucionais para reforçar identidade.

Resultado de esperado dentro da organização:

Uma obra que fala! Ao final, a tela não é mais um objeto passivo; ela carrega uma mensagem que inspira reações diversas, dependendo do olhar de quem a vê. Nas organizações, uma comunicação bem-feita não garante interpretações idênticas, mas reduz ruídos, aumenta o alinhamento e fortalece a cultura.


Exemplo prático no contexto de uma empresa:

Uma empresa de médio porte, conforme pesquisas da área comercial, implementou três mudanças simples: briefing obrigatório antes de anúncios, resumo executivo em todos os relatórios e rodadas mensais de feedback. Em seis meses, registrou uma queda de 28% nas dúvidas enviadas por e-mail e um aumento de 15% na percepção de clareza em pesquisa interna.


Conclusão:

Comunicar bem é preparar a tela, escolher os materiais, executar com técnica e ajustar a partir do retorno dos resultados colhidos. A conexão entre emissor e receptor, quando calibrada, transforma informações em ações concretas — e essa é a verdadeira arte da liderança organizacional. Eu diria, ainda, que é uma verdadeira obra de arte!


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Quer saber mais sobre como a comunicação eficaz e eficiente nas organizações pode reduzir ruídos, alinhar equipes e transformar informações em ações concretas? Então, entre em contato comigo. Terei o maior prazer em ajudar.

Acácio Lima dos Santos
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Acácio L. dos Santos é servidor público, com mais de 34 anos na Justiça do Trabalho, exercendo funções em Vara do Trabalho, Setores Administrativos, na Vice-Presidência Judicial e Assessoria à Presidência, todas no TRT da 2a Região, sendo hoje Instrutor na Escola Judicial do TRT da 2ª Região (EJUD2), instrutor na Academia Nacional da Polícia Judicial (ANPJ), vinculada ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em Brasília. É Bacharel em Direito, Coaching, Tecnólogo em Segurança Pública, com Pós-graduação em Língua Portuguesa e Entendimento de Texto, em Docência no Ensino Superior e em ABA – Análise do Comportamento Aplicada ao Autismo, sendo também Mestrando em Direito da Saúde e Licenciando em Filosofia.
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