
Quem Está no Comando da Sua Rota?
Como Vencer a Autossabotagem e Retomar o Controle
Vivemos em uma época em que o barulho do mundo tenta, a todo custo, ditar a velocidade e a legitimidade dos nossos passos.
Recentemente, em uma live profunda com a Janaína Rodrigues, jornalista e especialista em Comunicação Não Violenta, nos debruçamos sobre os mecanismos que operam nos discursos contemporâneos e uma incômoda verdade saltou aos olhos: a violência mais perigosa nem sempre é aquela que grita nas redes sociais. Muitas vezes, ela é o sussurro invisível que nos paralisa nos bastidores das nossas próprias vidas.
Ao olharmos para o ecossistema digital, é impossível não recordar a célebre e ácida constatação de Umberto Eco:
“As redes sociais deram o direito à palavra a uma legião de imbecis”.
Ampliando a colocação do autor, antigamente, o imbecil tinha voz apenas no bar, após algumas taças de vinho, sem prejudicar a coletividade, pois era silenciado logo em seguida pelos presentes.
Hoje, porém, com advento da internet, o eco dessa ignorância ganhou alcance planetário, contaminando o debate e gerando um ambiente de hostilidade sistêmica.
Essa horda digital opera exatamente sob a lógica que a filósofa Judith Butler brilhantemente dissecou.
Em sua obra, Discurso de Ódio, ela demonstra que a palavra não é apenas uma descrição de fatos, mas sim uma ação com efeitos corpóreos e sociais devastadores, como bem pontua a autora:
“O discurso de ódio é uma forma de violência que visa produzir a subordinação e a paralisia do outro” (Butler, J. Discurso de Ódio: Uma Política do Performativo, 2021).
Essa violência linguística tem o poder de “interpelar” o indivíduo, empurrando-o para uma posição subordinada e congelando sua capacidade de reagir. [Estado Frozen]
É aqui que o diagnóstico social encontra a nossa realidade individual.
Se o discurso hostil externo nos adoece, então o que dizer do discurso hostil que habita o nosso próprio pensamento?
Quando olhamos para líderes, executivos e empreendedores brilhantes, especialmente na faixa dos 40 aos 60 anos, um período de profundas transições, o maior obstáculo ao faturamento e à paz mental não vem do mercado. Vem de dentro. [De dentro!]
O filósofo e psicólogo Shirzad Chamine chama esse fenômeno de sabotagem mental. Em suas pesquisas, ele identificou o exército de inimigos invisíveis que operam em nossa mente, liderados pelo pior de todos: o Crítico. Nas palavras de Chamine:
“Os sabotadores são um conjunto de padrões mentais automáticos e habituais, cada um com sua própria voz, crença e pressuposição que trabalham contra os nossos melhores interesses” (Chamine, S. Inteligência Positiva, 2013).
Quando o seu Crítico interno assume o controle, aliado a comparsas como o Insistente (perfeccionismo paralisante), o Prestativo (esquecer de si para agradar o outro) ou o Esquivo (procrastinar o desconforto), você entra naquilo que eu chamo de Estado Frozen. Você congela.
O planejamento estratégico de 2027 vira uma lista de promessas frustradas, as decisões difíceis são empurradas com a barriga e a sua potência de escala fica trancada, de fato, em uma armadilha de gelo.
Uma verdadeira roda de ratos a repetir 2026, 2025, 2024…
O aspecto mais assustador do Estado Frozen é que ele se instala de forma sutil, quase burocrática.
É nessa sutiliza que reside o perigo que Hannah Arendt imortalizou ao cobrir o julgamento de Adolf Eichmann. Arendt chocou o mundo ao perceber que o mal organizado não era fruto de monstros demoníacos, mas de cidadãos comuns que simplesmente abdicaram da capacidade de pensar por si mesmos. Ela cunhou o termo definindo que:
“A essência da banalidade do mal reside na total ausência de pensamento e na incapacidade de refletir sobre as próprias ações” (Arendt, H. Eichmann em Jerusalém: Um Relato sobre a Banalidade do Mal, 1963).
Quando você deixa os seus sabotadores operarem no piloto automático, sem questioná-los, você está, sem dúvida, banalizando o mal contra o seu próprio futuro.
Você abre mão da autoria da sua história para cumprir ordens de uma mente amedrontada.
Você procrastina o seu sonho, aceita menos do que merece e tolera um faturamento medíocre apenas porque “sempre foi assim”. [Síndrome de Gabriela]
Isso também é uma forma de paralisia burocrática da alma.
A boa notícia é que o gelo não é permanente.
Para desarmar a engrenagem que te mantém Frozen, o caminho não passa pelo “pensamento positivo ingênuo”, mas pela ativação do seu Sábio, a ação da mente clara, focada e compassiva.
É o Sábio quem retoma as rédeas, acolhe a sua história e te coloca em movimento.
Romper com a banalidade automatizada e com o discurso que te paralisa exige coragem, método e, acima de tudo, o suporte certo. Ninguém navega por águas profundas de transição ou escala um negócio em total isolamento.
Enxergar o ponto cego da própria mente é o passo que separa os que continuam repetindo as mesmas metas de ano novo daqueles que verdadeiramente vivem o seu ano de virada.
De novo: o ano de 2027 está batendo à porta…
A pergunta que fica para sua reflexão é: quem vai assinar o roteiro dos seus próximos meses?
O seu Crítico invisível ou a clareza estratégica de quem escolheu assumir o comando?
É chegada a hora de derreter o gelo.
É hora de colocar-se em movimento.
Você está pronto?
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Quer saber mais sobre como vencer a autossabotagem, reconhecer os padrões mentais que limitam suas decisões e, além disso, retomar o controle da sua trajetória pessoal e profissional e da sua vida? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Luciano Steffen
Mentor de Carreira e LinkedIn
#eutirovocedoestadofrozen
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