Como se transformar sem medos?

Em momentos de mudança, você entende perfeitamente os seus desafios emocionais e como gerenciá-los dentro de si mesmo e com as pessoas ao seu redor? Por que a mudança é tão assustadora?

Eu faço parte de um fórum global, promovido por uma associação internacional presente em mais de 110 países e territórios. No final do mês passado, chamou-me a atenção a postagem inspirada no trabalho da pesquisadora americana Nancy Schlossberg, especialista em processos de transição para adultos. Para posicionar bem o tema, como você responde esta pergunta: Em momentos de mudança, você entende perfeitamente os seus desafios emocionais e como gerenciá-los dentro de si mesmo e com as pessoas ao seu redor?

Nessa linha, outras perguntas mostram o desafio que temos no cotidiano, já que mudanças são uma constante: (a) Por que a mudança é tão assustadora?; (b) Por que não vemos as oportunidades, mas apenas os riscos?; (b) Por que é tão difícil sair do conforto para avançar rumo a um futuro em que podemos ter mais benefícios?; (d) Como e onde poderemos encontrar a energia necessária para conduzir a mudança que queremos empreender?

Nancy Schlossberg desenvolveu sua teoria de transição desde 1984 e vem refinando as ideias, ao longo dos anos. Segundo ela, quando algo traumático acontece conosco ou em torno de nós, a primeira e muitas vezes mais presente emoção está em negar (isso não está acontecendo comigo). Então, sensações de ansiedade e medo começam a aparecer e ficam dominantes, diminuindo a capacidade de usar a razão. É um medo primitivo de difícil controle.

Surge a dúvida de o que fazer. O que significa o modo de vida atual? Será que a mudança dará o suficiente para comer, morar, amar e ser amado? Se tudo funcionar bem, e a pessoa não ficar presa nessa fase improdutiva, é bem possível passar pela transformação. Quando diminuirem o estresse e o medo, será mais fácil ver oportunidades e perspectivas positivas do futuro. A pessoa fica tão motivada que passa a querer mudar o mundo e tudo o que a cerca.

Pois bem, agora que se tomou consciência do problema, como um profissional deve tratar essas fases emocionais para levar o mínimo de dor possível aos seus clientes e, também, a si mesmo? Os cinco passos para liderar uma mudança positiva, segundo a autora, são:

O primeiro é motivar a pessoa a aceitar a mudança, construindo visão nítida e positiva do futuro estado ideal, após a transformação ser concluída. Pesquisa de Michael Porter afirma que 80% de todos os projetos de gestão de mudança falham porque o gestor não tem visão clara do que pretende. Em segundo lugar, avaliar o que acontecerá se a transformação ocorrer e, também, se não ocorrer, criando-se a visão honesta dos cenários de tristeza e de alegria.

Em terceiro lugar vem a necessidade de uma comunicação efetiva com o cliente, pois principalmente se o estado é de negação, há um trabalho consistente para fazer com que a pessoa supere o medo e a ansiedade, o que inclui em como ele deve avançar e tornar-se melhor. O quarto passo é, sempre que possível, motivar que a pessoa não conduza a transformação sozinha, pois quanto mais em equipe ou grupo o processo for conduzido, mais a interação entre seus membros irá ajudar na transformação.

Finalmente, agora a pessoa já é líder da mudança e, para celebrar as vitórias, deverá avaliar cada progresso antes de começar um novo movimento, sendo que o papel do profissional é apoiar o cliente nessa jornada. Afinal, o mundo é cheio de oportunidades e cada etapa da montanha-russa emocional é normal e esperada. Quando a pessoa está consciente, e gerencia suas emoções adequadamente, irá construir a mudança que planeja em seu mundo.

Mario Divo Author
Mario Divo tem incrível experiência profissional, tendo chegado a meio século de atividade ininterrupta, em 2019. É PhD e MSc pela Fundação Getulio Vargas, com foco em Gestão de Negócios, Marcas e Design, Marketing e Comunicação Corporativa. Tem formação como Master Coach, Mentor e Adviser pela Sociedade Brasileira de Coaching e pelo Instituto Holos. Consultor credenciado para aplicação do diagnóstico meet® (Modular Entreprise Evaluation Tool), Professor e Palestrante. CEO e Coordenador Executivo da plataforma Dimensões de Sucesso, acumulando com o comando da MDM Assessoria em Negócios. Foi Diretor Executivo do Automóvel Clube Brasileiro e Clube Correspondente da FIA – Federação Internacional do Automóvel, no Brasil. Foi titular do Planejamento de Comunicação Social da Presidência da República (1997-1998) e, anteriormente, comandou a Comunicação Institucional da Petrobras. Liderou a Comunicação Institucional e a Área de Novos Negócios da Petrobras Internacional. Foi Presidente da Associação Brasileira de Marketing & Negócios, Diretor da Associação Brasileira de Anunciantes e, também, Conselheiro da Câmara Brasileira do Livro. Primeiro brasileiro no Global Hall of Fame da Aiesec International, entidade presente em 2400 instituições de ensino superior em 126 países e territórios, voltada ao desenvolvimento das potencialidades das jovens lideranças em todo o mundo.
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