
Como um Profissional Perde sua Identidade sem Perceber
Há um processo silencioso que acontece com muitos profissionais ao longo de décadas de carreira: a fusão gradual entre quem se é e o que se ocupa. No início, o cargo é apenas uma função. Com o tempo, torna-se sobrenome, torna-se resposta automática à pergunta “quem é você?”, torna-se a própria régua com que se mede o valor de um dia.
Os romanos tinham uma palavra para a máscara usada no teatro: persona. Era o papel representado, não o rosto por trás dele. O problema não é usar uma persona profissional, afinal todos nós usamos. O problema é esquecer que existe um rosto atrás da máscara.
Sêneca escreveu a um amigo que administrava um império comercial: “não é pouco o que perdemos quando perdemos a nós mesmos, buscando o resto.” Ele não falava de fracasso financeiro. Falava de homens bem-sucedidos que, ocupados demais em sustentar um cargo, deixaram de cultivar quem seriam sem ele.
Esse esquecimento raramente é percebido enquanto o cargo existe.
Ele aparece com nitidez em três momentos: a demissão inesperada, a aposentadoria, ou aquele silêncio de domingo à noite em que a agenda para e a pergunta “e agora, o que resta?” já não encontra resposta pronta.
Viktor Frankl, observando prisioneiros em Auschwitz e executivos com a mesma lente clínica, notou algo semelhante: o sentido não pode depender inteiramente de uma função externa, porque toda função externa é, por natureza, temporária. Quem ancora sua identidade profissional exclusivamente no papel que exerce constrói sobre areia — funciona enquanto a maré está baixa.
A pergunta que vale a pena fazer, ainda em pleno exercício do cargo, não é “o que eu faço”, mas “o que permanece em mim quando tiro o crachá”. Essa pergunta não enfraquece a liderança — na verdade, é o que distingue o executivo que ocupa um cargo do executivo que se tornou refém dele.
Recuperar essa distinção é, em essência, um exercício filosófico: separar o papel da pessoa, sem de fato abandonar nenhum dos dois.
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Quer saber mais sobre como preservar sua identidade profissional sem permitir que o cargo, a carreira ou o reconhecimento definam quem você é? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Até o próximo artigo.
Um abraço,
Cleyson Dellcorso
https://www.dellcorso.com.br/
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