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Como podemos praticar o valor compaixão?

Conheça a história de um processo de demissão que começou com um telefonema causando descontentamento, mas que após a prática do valor compaixão e da gratidão foi possível...

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Recebi um convite de um colega Coach para participar como Mentor de um processo demissional que já estava em curso. Tratava-se de um ambiente universitário que havia colocado os professores com mais tempo de casa em aviso prévio. Eles eram fundadores da instituição e foram comunicados via um telefonema sobre o que aconteceria no prazo de 30 dias.

Esse conjunto de professores já contava com o tempo necessário à aposentadoria. Permaneciam trabalhando por: amor à profissão, questões financeiras e contarem com um convênio médico de alta qualidade. Eram constantemente convidados às formaturas como: homenageados, paraninfos e patronos; possuíam boas avaliações discentes e bons indicadores acadêmicos de qualidade.

Procurei conhecê-los pessoalmente e logo pude sentir que havia um pleno descontentamento com o que viria a ocorrer. Argumentavam que não conheciam as alegações para que os desligamentos ocorressem. De fato, era inexistente a comunicação entre a direção acadêmica que acabara de ser contratada e os professores. Eles estavam constrangidos e decepcionados pelo não diálogo.

Na manhã seguinte estive com o novo corpo diretivo e um representante da reitoria. Eles pediam sugestões de soluções à situação que se formara. Perguntei se eles estavam disponíveis para rever as demissões e, de pronto, pontuaram duas medidas necessárias: redução imediata de custos e a contratação de professores no início da progressão docente.

Propus a pergunta: “Como podemos praticar o valor compaixão?”. Por alguns bons segundos eles trocaram olhares e permaneceram em silêncio. Um dos diretores sugeriu que nada fosse feito e que a saúde financeira da instituição era mais importante. O membro da reitoria balançou a cabeça mostrando não concordar e perguntou sobre o que estava pensando em sugerir.

Pedi que eles tivessem o cuidado de se colocarem no lugar de cada um desses professores. Que compreendessem as origens, as histórias e as impressões vivas que eles traziam em si e no viver junto à universidade. Logo em seguida apresentei as sugestões:

  • Falem a verdade sobre a situação financeira que vivem. Muitos deles já lecionaram gratuitamente em momentos também difíceis desta instituição.
  • Ofereçam a construção de um conselho escolar capaz de aproximar as relações entre: ensino, pesquisa, extensão, famílias e mercado de trabalho.
  • Proponham a manutenção dos benefícios e um programa de recolocação profissional até que todos sejam reempregados.
  • Disponibilizem a recisão contratual voluntária e paguem todos os direitos conquistados.
  • Convidem os professores e as respectivas famílias para um jantar em gratidão a todos os serviços prestados. Utilizem este momento para reaproximações e não mais afastamentos.

Comentei que a reputação da instituição já estava em queda há poucos mais de um ano em algumas mídias sociais. Ações externas de mitigação seriam necessárias assim que a credibilidade e a confiança fossem reconquistadas internamente. Um primeiro passo seria desenvolver uma gestão humanizada de pessoas e logo em seguida, promover o olhar à pessoa-professor.

Deixei o local onde estávamos e segui para a saída do prédio. Neste caminho havia uma sala com os professores envolvidos e o meu colega Coach. Pude informá-los que sugestões foram ouvidas e que estava na torcida para que a direção e a reitoria retomassem o diálogo o mais breve possível. Existiam olhares de esperança e um silêncio que me marcou profundamente.

Soube depois de algumas horas que todas as sugestões foram acolhidas e que os professores já se movimentavam para celebrar as novidades e iniciar as escolhas. Soube também que após alguns encontros, o conselho de professores foi capaz de promover ouvidorias: pedagógicas, profissionais e familiares; essas capazes de humanizar e aproximar: alunos, professores e conteúdos.

Ao longo do tempo… A universidade recuperou a sua reputação e ampliou o seu reconhecimento quando lembrada por ter relido rapidamente diretrizes que iam de encontro a tudo aquilo que pregava como verdade em seu estatuto de crenças e valores. Acredito que eles praticaram a compaixão ao outro; acredito também que a gratidão foi uma força capaz de colocar em movimento toda a instituição.

Vamos contextualizar a prática do valor compaixão em outros ambientes? Como ele poderia ocorrer? Vamos construir estas respostas juntos!

Leandro Alves da Silva é Gerente de Desenvolvimento Humano Organizacional na First Peopleware e atua desde 2011 em Coaching-Mentoring-Counseling, palestras e treinamentos customizados. Doutor em Educação pela FEUSP e Master Coach pelo BCI.
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Leandro Alves da Silva é Gerente de Desenvolvimento Humano Organizacional na First Peopleware e atua desde 2011 em Coaching-Mentoring-Counseling, palestras e treinamentos customizados. Doutor em Educação pela FEUSP e Master Coach pelo BCI.
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