fbpx

Como ajudar o cliente a encontrar o real propósito?

Se você Mentor ou Coach não estiver preparado para identificar o real propósito de vida do seu cliente, o processo de intervenção pode descambar para caminhos perturbadores.

mentor ou coach

Mentor ou Coach: Como ajudar o cliente a encontrar o real propósito?

Meus amigos, muitos de vocês talvez já tenham ouvido falar (ou até conheçam) a plataforma Preply. Para quem não conhece, aqui vai uma rápida explicação. E até vai como motivação, para quem, de alguma forma, venha a se identificar com a proposta.

Preply é uma plataforma para o aprendizado on-line de diferentes assuntos, idiomas ou hobbies, com base em professores da livre escolha dos alunos. E, por ser on-line, tanto o aluno quanto o professor podem estar assim em qualquer país do mundo.

Mas o que isso tem a ver com este espaço em que se debate o mundo VUCA?

Pois foi esse mundo dinâmico e surpreendentemente imprevisível que hoje nos faz compartilhar de uma pandemia, com exigências crescentes de competências para trabalho ou aprendizado remoto. E por essa plataforma, como em outras similares, a pessoa interessada faz pesquisa de qual o instrutor que melhor irá atender as expectativas. Podendo localizar o instrutor segundo critérios como especialidade, experiência, custos, horário de atendimento, nacionalidade e idioma nativo, forma de atendimento, etc.

Pois bem, atendendo convite dos gestores da plataforma, em 2017 iniciei postagens sobre desenvolvimento de competências em um mundo complexo, exigindo transformação pessoal e profissional constante. Desde então, insisto em provocar um mesmo debate e a consequente reflexão a saber:

Se um mentor ou coach não estiver preparado para identificar o real propósito de vida do seu cliente, o processo de intervenção pode assim descambar para caminhos perturbadores. E se alguma culpa por erros então existir, ela será principalmente do profissional que não conseguiu alinhar o seu trabalho à causa correta? Ou do próprio cliente?

Eu conheço exemplos que reforçam a afirmação acima. Eu mesmo, já fui obrigado a aguentar desaforo por insistir que o cliente encarasse “a própria verdade”, ao invés de criar passeios mentais que o deixavam mais satisfeito (ou confortável). Já precisei resgatar compromissos que estavam sendo esquecidos, tudo porque o cliente queria “sofismar”. Basta olhar nos olhos do cliente e então você verá quando as palavras são ilusórias.

Sofismar: apresentar raciocínio pré-concebido com o objetivo de produzir ilusão da verdade, que, embora simule um acordo com as regras da lógica apresentará, de fato, estrutura interna inconsistente, incorreta e enganosa.

E então, você que é mentor ou coach, sabe enfrentar isso?

Vou tentar resumir um roteiro comum para os dias atuais. Ainda que a situação seja identificada mundo afora, vamos ficar no cenário brasileiro, onde próximo de 25% das empresas criadas desaparecem em até dois anos.

O empresário criou uma empresa que se mostrava próspera e, efetivamente, começou a crescer. Ampliou o negócio e contratou mais gente, de forma a aumentar os ganhos. Mudou para instalações mais ricas, renovou computadores. Trocou de carro, passou a frequentar novos grupos profissionais e encontros sociais mais seletivos. Fez muitas viagens ao exterior e, então, cresceu a necessidade de faturar mais para sustentar esse aparato todo.

Por alguma razão que ele (ou ela) não conseguiu identificar, os negócios começaram a gerar resultados negativos. Perdas e prejuízos passaram a ser parte da rotina da empresa, ainda que o produto ou serviço mantivesse a qualidade. A insatisfação dos funcionários só não era maior do que a do dono do negócio. A tensão passou a ser parte integrante das conversas e negociações internas. E então, seus serviços de mentor ou coach foram contratados para ajudá-lo a encontrar um caminho para sair desse quadro crítico e depressivo.

Na primeira abordagem, você ouve do cliente uma expressão bem comum: O que eu fiz para dar tudo errado? Estava tudo bem, o negócio era lucrativo, a equipe me ajudava. Eu até comprei o carro do ano, mudei para uma casa maravilhosa. Agora tenho o escritório bem montado e consigo oferecer bastante conforto para a família. Sou excelente patrão. E veja só agora como estou?

O papel do mentor ou coach não é de lamentar e chorar junto com o cliente. Mas ter respeito, atenção, competência e carinho para construir espaço de conforto. E, desse modo, gerar sensação de apoio para reflexão, autoconhecimento e reencontro com a missão… e o propósito perdido!

Voltando ao ponto: como identificar a origem do problema de fato?

Será que as visões e os propósitos que foram a base do nascimento da empresa não se perderam pelo caminho? Será que ainda existe a mesma paixão pelo negócio ou ela se transformou em ostentação? E será que “os porquês originais”, voltados a uma determinada missão e visão, não foram sendo trocados por “porquês egocêntricos”? Será que agora o objetivo passou a ser o de aparelhar o ego com uma vida material desconectada dos valores, princípios, propósitos e outros atributos associados ao valor agregado que, no início, eram oferecidos aos clientes e consumidores?

Claro que nem todo problema em um negócio recairá nesse cenário. E, também, uma explicação simplista é sempre perigosa. Mas se você, como profissional experiente, perceber que há algo parecido com essa descrição, é importante mostrar ao seu cliente que o mundo não acabou.

Cabe a ele aprender a lição e aplicá-la na retomada dos “porquês originais”. Idealmente, cabe esforço conjunto de clientes e mentores (ou coaches) para a recuperação do negócio em uma melhor perspectiva. Se isso for inviável, que tal identificarem um inovador caminho (ou atividade) que faça com que o cliente e sua equipe sejam “felizes novamente”?

Enfim, a definição do propósito está nas mãos de quem?

Sugiro que os interessados no tema assistam o painel abaixo, realizado no evento CONAREC 2019, promovido pela plataforma  Consumidor Moderno. São quase vinte minutos em que gestores debateram a temática “propósito”, tais como: Sérgio Zimerman (Presidente – Petz), Luis Gutierrez (CEO – BB MAPFRE), Laércio Albuquerque (Presidente – CISCO), Ricardo Bomeny (CEO – Bob’s), Cassio Azevedo (Fundador – AeC),  Luiz Eduardo Baptista (VP Clube de Regatas Flamengo). Marcelo Chianello (Entrepreneur & Expert Customer Experience) foi o mediador do encontro.

Gostou do artigo? Quer saber mais? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.

Mario Divo
https://www.dimensoesdesucesso.com.br

Confira também: A liderança VUCAH tem H de Humanista!

 

Mario Divo Author
Mario Divo tem extensa experiência profissional, tendo chegado a quase meio século de atividade ininterrupta, em 2020. É PhD e MSc pela Fundação Getulio Vargas, com foco em Gestão de Negócios, Marcas e Design, Marketing e Comunicação Corporativa. Tem formação como Master Coach, Mentor e Adviser pela Sociedade Brasileira de Coaching e pelo Instituto Holos. Consultor credenciado para aplicação do diagnóstico meet® (Modular Entreprise Evaluation Tool), Professor e Palestrante. CEO e Coordenador Executivo das plataformas de negócios MENTALFUT® e Dimensões de Sucesso®, acumulando com o comando da sua empresa MDM Assessoria em Negócios. Foi Diretor Executivo do Automóvel Clube Brasileiro e Clube Correspondente da FIA – Federação Internacional do Automóvel, no Brasil. Foi titular do Planejamento de Comunicação Social da Presidência da República (1997-1998) e, anteriormente, comandou a Comunicação Institucional da Petrobras. Liderou a Comunicação Institucional e a Área de Novos Negócios da Petrobras Internacional. Foi Presidente da Associação Brasileira de Marketing & Negócios, Diretor da Associação Brasileira de Anunciantes e, também, Conselheiro da Câmara Brasileira do Livro. Primeiro brasileiro no Global Hall of Fame da Aiesec International, entidade presente em 2400 instituições de ensino superior em 126 países e territórios, voltada ao desenvolvimento das potencialidades das jovens lideranças em todo o mundo.
follow me
Neste artigo


Participe da Conversa