O post A Assertividade e a Comunicação na Atualidade apareceu primeiro em Cloud Coaching.
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Meu nome é Acácio Lima dos Santos. Sou servidor público federal do Judiciário Trabalhista há mais de 34 anos, jurista e palestrante com atuação intensa na proteção de direitos, especialmente no Direito do Trabalho, Direito da Saúde, Gestão Pública, Segurança Institucional e no atendimento a pessoas autistas.
Possuo formação em Direito com ênfase em Direito do Trabalho, Direito da Saúde, Gestão Pública, Segurança Institucional e no atendimento a pessoas autistas, sendo mestrando em Direito da Saúde e Licenciando em Filosofia.
Tenho dado palestras, instruções e aulas voltadas a servidores públicos, empresas privadas, equipes jurídicas, gestores e instituições que desejam aprimorar a forma de se comunicar.
Meu foco com esta coluna é abordar o uso da linguagem assertiva, comunicação não violenta e oratória aplicada ao dia a dia, ajudando a prevenir conflitos, fortalecer o diálogo e criar ambientes de trabalho mais respeitosos e eficientes.
Seja muito bem-vinda(o)!
Acácio Lima dos Santos
Como de costume, em um dia qualquer da semana, me dirigi à padaria que frequento onde habitualmente tomava um cafezinho e saboreava um pãozinho na chapa. Era comum reencontrar ali outros fregueses que também faziam o mesmo, variando tão somente o tipo de café e pão. Era quase uma confraria na qual nos reuníamos de modo informal e onde trocávamos um papo rápido e de variado repertório, indo do futebol, passando pela política, transitando por assuntos locais daqui e dali.
Mas num determinado dia dessa rotina social, e sem previsão alguma, recebi uma das lições mais relevantes sobre a vida. Um senhor idoso e de boa aparência, trajando modestas roupas, mas de muito bom gosto e com boa compostura, com sua voz calma e firme, se pôs ao lado oposto do balcão onde eu estava e, como era de sua praxe, solicitou a atenção do copa, que por sua vez encontrava-se um pouco atrapalhado com a máquina de café. Ainda assim, o atendente não se desfez do ancião e logo lhe pediu desculpas rogando-lhe o clássico “um minuto por favor”.
Nesse instante, ainda respondendo ao copa, o longevo senhor me fitou de soslaio e, com a mesma calma, porém, com um tom mais questionador, indagou ao funcionário:
Percebi de plano que dali me sairia uma lição de vida, tamanho carisma na fala daquele senhor.
O empregado por seu turno, rapaz bem mais novo e no início de sua atividade profissional, não entendeu a razão da pergunta e lançou um olhar de incompreensão ao seu velho freguês. E com ares de autoridade acadêmica o cliente, do alto dos seus oitenta e poucos anos, fez saber o porquê da pergunta dizendo: Porque se for no seu relógio, para esse minuto você terá ainda toda vida pela frente. Mas em sendo o meu, pouco tempo me resta. Qual minuto é mais urgente? Trocamos sorrisos satisfeitos com o aprendizado e seguimos em frente.
Dali a poucos dias, e outros dias ainda, percebi a ausência do amigo idoso ao café, o que me fez perguntar ao copa por onde ele estaria andando, já que não nos víamos mais desde aquele dia inusitado. Foi então, para minha surpresa que ele, em tom de melancolia e surpresa me indagou: Você não soube? Naquela mesma semana ele foi submetido a uma cirurgia e não voltou da anestesia…
Não soube seu nome, onde morava, se tinha família ou não. Mas àquela altura, nossa conversa ganhou maior significado e grandeza. Sobretudo, porque foi algo real e concreto que vivi e que trago comigo até hoje, como uma lição vívida do valor do tempo e da sua relação com a comunicação entre gerações.
A assertividade aqui teria transformado um pedido vago em uma expressão clara e respeitosa de necessidades, evitando o “ruído” da incompreensão e fomentando conexão genuína entre as partes.
Na teoria da comunicação — trazendo modelos como o de Roman Jakobson —, o “ruído” representa qualquer interferência que venha a distorcer a mensagem, especialmente no código (sistema de signos verbais, não verbais ou técnicos) e na referência/contexto (realidade compartilhada que dá sentido ao discurso).
Hoje, o calcanhar de Aquiles reside nessa dupla barreira: códigos fragmentados por gírias geracionais X, Y, Z (eu as chamo “as gerações as letrinhas”), linguagens técnicas especializadas, emoticons efêmeros ou gestos culturais ambíguos criam confusão semântica. O contexto só faz agravar o problema — um jovem hiperconectado ao celular ignora a escassez temporal de um octogenário, pois faltam referências comuns. E a comunicação no seio da sociedade padece, respirando por aparelhos, falhando ao não fechar o ciclo comunicativo e gerando isolamento em vez de laços.
Saindo da idade da pedra até os dias de hoje, percebe-se que o ser humano continua buscando sedentamente por experiências relacionais com outros seres. Independentemente se de natureza humana, animal, mineral ou mesmo física, podendo ser até mesmo uma comunicação de ordem espiritual, por assim dizer.
Do contato com o fogo, passando pelos medos e necessidades comuns como alimentação, moradia, segurança e outros, aprendemos sobre a necessidade de estabelecermos uma comunicação entre nós a fim de solucionar nossas carências por meio de falas, gestos, sinais, figuras, escritas, etc. Fato é que, somos seres sociais, munidos de vários elementos cognitivos (visão, audição, tato, olfato, e assim por diante), que nos impulsionam à descoberta de tudo e de todos.
Traçamos comparações e sentimentos compulsivamente. Respiramos! Somos seres pulsantes! E isso cria uma ebulição dentro de nós que nos leva à próxima ideia, ao próximo passo e suas respectivas consequências, mas sempre retornando ao ciclo da descoberta, ideia e do passo seguinte.
Tem-se que assertividade é a habilidade de expressar ideias, sentimentos e necessidades com clareza, firmeza e respeito mútuo, neutralizando ruídos ao alinhar código e contexto. Diferente da passividade (que suprime o emissor) ou agressividade (que impõe ao receptor), ela equilibra direitos individuais no processo comunicativo. Tomemos o seguinte exemplo: o idoso poderia ter dito, “Entendo sua correria, mas meu tempo é curto; pode me atender agora?”.
No âmbito empresarial, treinamentos em assertividade treinam profissionais a codificar mensagens precisas — usando linguagem direta, feedback contínuo e empatia contextual —, transformando ruídos em diálogos produtivos. Estudos em comunicação organizacional mostram que equipes assertivas elevam a produtividade em até 25%, pois reduzem mal-entendidos e fortalecem confiança.
A premissa é de que a comunicação para que seja efetivamente concluída, demanda a respectiva inter-relação de todas as partes. E é exatamente essa falta de “fechamento” de ideias que o mundo atual padece quando falamos de efetiva comunicação.
A assertividade não é mera técnica. É ferramenta estratégica para uma sociedade funcional, onde emissor e receptor se reconhecem na mensagem compartilhada. Em treinamentos empresariais, ela alavanca não só resultados, mas relações humanas autênticas, dissolvendo o fosso geracional e restaurando o valor da presença plena. E não podemos perder nem mais um minuto nisso. Seja um minuto do seu, ou do meu relógio.
Quer saber mais sobre como desenvolver assertividade na sua comunicação para criar conexões humanas mais claras, respeitosas e eficazes? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Acácio Lima dos Santos
https://acacio.lovable.app
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